Ergue-se o sol

Ergue-se o sol
Ergue-se o sol,
Desvirginando a noite,
Papoilas dançantes
Na dureza do teu olhar
Denunciando a noite,
Sol que muda
Que se faz novo
Que renova
Aquece e enlouquece
Corações esquecidos
Amargurados e feridos,
Novo alento na esperança
Na ajuda e temperança
Que novos amigos dão,
A esse teu coração
Que hoje acorda,
Para de novo deixar-se levar!

Hoje, sim hoje,
Hoje escolho-te a ti!

Alberto Cuddel
03/12/2014

Palavras Desconexas – 30

Corpos… apenas isso

Corpos… apenas isso

Cenário dos desejos mudos e quedos,
– Raios de lua afagam-te os cabelos.
Lábios húmidos, desejo de beijos,
Lua sonâmbula adormecida,
Ondulantes formas de mulher,
Perpetuamente dormente…
Olhar cego e recto como destino
Entre o cansaço do dia e o desejo de carne,
Tolhem o olfacto as nuvens pardas de baunilha,
Mãos que se cruzam junto ao peito
Entre o abraço dos corpos,
O calor que apenas restou!

Olhemos as horas,
E o tempo que resta,
Céus rasgados pelos raios de sol!

Alberto Cuddel
08/06/2016

A vida da história da noite simples

A vida da história da noite simples

na véspera da partida desse sol que era
– à um gemido surdo que anuncia o crepúsculo
esse abraço de fim de dia ainda a dar…

há uma história a contar da história da vida
– um surto aconchegante do amor que se renova
uma noite simples, que simples é a vida
como os barcos que aportam no porto
– e todos os que partem para a faina…

houve uma vida, dentro da vida da gente
uma vida nova a cada alvorada
uma outra que desponta a cada madrugada…
correm sonâmbulos pelas vielas os corpos cansados
os sem tecto e os sem esperança, os sem vida
os que chegam e os que partem…

há a cada esquina uma história
uma noite simples…
uma vida cansada… uma vida lembrada…

Alberto Cuddel
19/06/2020
20:34
In: Nova poesia de um poeta velho

Sacro dia natividade solar

Sacro dia natividade solar

anunciou-se em mim, um rubor no rosto
inocentes raios oblíquos, luz primeira
nasce o dia, renasce a vida por entre o orvalho
esticam-se asas, deixa o amor os leitos…

fremem as folhas sob o sol incandescente
evaporam-se gotículas de suor
desenrolam-se os braços, soltos abraços
molham-se os lábios molhados, em lábios quentes…

tanto de mim se foi naquela hora
sinto a minha vida no vento que corta
essa brisa que nos agita por dentro
que nos faz sentir a pele, alma que é centro…

há em nós uma permanente certeza
mesmo oculto de nós, o sol
sempre nos irá incendiar o peito…

Alberto Cuddel
13/06/2020
07:07
In: Nova poesia de um poeta velho

Olha comigo o sol que se deita

Olha comigo o sol que se deita

demos as mãos,
olhemos o tempo que nos resta
esse que para no abraço
esse que se faz dia no cansaço
esperemos juntos o tempo que falta…

beijemo-nos na boca
como sempre nos beijamos
que nos abrace o sol
que nos envolva a noite
demos as mãos…

olha comigo o sol que se deita
marquemos encontro aqui
por acaso, mas aqui
aqui onde estou, onde estás
e demos as mãos
abracemos os amor que nos resta
no tempo que nos falta…

olha comigo o sol que se deita
e comigo espera que ele se erga
todos os dias, contigo, comigo
de mão dada…

Alberto Cuddel
19/01/2020
06:05
In: Nova poesia de um poeta velho

Acorda

Acorda

Nasce o dia!
Da noite escura,
Traz lembranças do sonho tido,
Memórias do que foi perdido…

Nasce o dia!
Da noite escura,
Não apaga ela o pesadelo tido,
As privações e sofrimento sentido…

Nasce o dia!
Da Noite escura,
Viver de novo é o que se impõe,
Amor de amigo é do que dispõe,

Nasce o dia!
Da Noite escura,
Caminha sozinho,

Por esse caminho…..
Como um sonho de criança…

Alberto Cuddel
15/09/2013

Há uma base na aragem que passa

Há uma base na aragem que passa

corre o céu cinzento
por entre a derrota do querer
fogo de mar no luar de Agosto 
nesse arte de se dar vendida
por onde passa o desejo animal
homem negro de negro ser
rasgo de falsidade na carteira rota
uma entrada de sol, em lua que bate na janela
um carro fugido, uma estrada comprida
um Tejo que corre, um relógio que não pára
uma avenida cheia, com destino a lado nenhum…

há uma base na aragem que passa
uma verdade seca,
uma mentira chorada,
e um tempo de vozes
uma sala cheia de silêncio
uma mulher que vende,
um pouco da felicidade que nunca teve…

há neste abraço, um pouco de futuro
e um insónia na solidão…

Alberto Cuddel

Esta dor de amanhecer longinquamente…

Esta dor de amanhecer longinquamente…

Aqui, bem aqui, amanhece devagarinho
Rangem os troncos pelo sol a romper
Cheiro de urze, resina e algum pinho
Humedece esse orvalho de amanhecer…

Assim é todos os dias,
Tão vividos em surdina, tão cheios de esperanças
Fazendo de tudo arte, nas pétalas que se arrancam à consciência,
Tudo é limpo, puro como ribeiro de degelo…
Quadros férteis, não de figuras femininas imaculadas
Mas de mulher, de terra mãe e aconchego
De abraço reconfortante…

Na alma ressoa uma orquestra oculta, sons naturais
Essa voz que me chama, entre raios que me entram pela janela
Um apelo estomacal de café quente…
Brincam as borboletas irreais pelo excesso de luz…

O tédio da solidão em leito vazio,
Ainda que me arda o peito em saudade,
Quem tem, não perde, encontra…
Mesmo que creia, até a dúvida é impossível
Nesta impossibilidade real de ser hoje…

Mas o sol nasce, ergue-se
(vagarosamente)
Entre o cheiro de urze, resina e algum pinho
Pelo que é naturalmente natural
Num caminho verdadeiro de ser
Apenas perfume de um corpo ausente…

Alberto Cuddel
07/02/2019
17:30
#osuaveaconchegodopoema

Peço ao tempo chuvoso um raio de sol

Peço ao tempo chuvoso um raio de sol

Peço calma e ao frio o teu abraço
Peço desculpa longínqua ao sul
Pelo calor que roubou à noite…

Declarei saudades robustas
Idealizadas em corpos crescentes
Num tempo fechado e embalado
Enclausurado nessa caixa que bate…
Que nos move e inquieta
           Que ama em surdina
Tudo é momentâneo
     Tudo é o que nos dizem as mãos…

Peço ao tempo cinza
Que se abra, que se mostre
Que se faça vivo e crente
Quente nos lábios em palavras nuas
Que longínqua seja a nossa verdade
Encerrada em nós mesmos como segredo
Degredo aflorado das nuvens negras
Essas que se abrem e se espraiam
Mostrando o sol da tua alma
Abraçando-me nesse olhar doce…
Onde já tanto choveu…
Alberto Cuddel
19/01/2019

Regresso!

Regresso!

No sufismo que te abraça nas manhãs de nevoeiro,
Frio e gélido acordar para a vida, tudo lá fora…

Tudo lá fora espera-te, tudo lá fora te cobra!
Por onde andas musa minha de meus versos?
Onde te escondes, em que longínquos universos,
Laivos e rasgos, inspiração destemida,
Arrojado nas palavras, imaginação sem medida,
Sinto tua ausência, neste novo acordar,
Sinto-me despido, desnudo no querer,
Solitário e gélido leito, despido de ti,
Fuga ao mundo que assim o senti,
Letras e palavras arremessadas de raiva,
Por querer escrever de forma evasiva,
Palavras, soltas nesta manhã,
Que voam pelo imaginário divã,
Nevoeiro que se dissipa,
Sol que ilumina, os jardins,
Sorriso na volta, no olhar a brilhar,
Apenas espero o teu regressar!

Alberto Cuddel

Poema do dia 27/07/2018

Poema do dia 27/07/2018

A luz que pela janela entra,
A gélida brisa que arrepia,
A noite suave bem dormida,
Doce acordar, novo despertar!

Num errante abrir de olhos,
Um mundo diferente e igual,
Uma rotina, monotonia,
Mesmas frases, mesmos gestos…
Um mesmo caminho…
Sem pressa, devagarinho
Todos temos um mesmo destino…

Alberto Cuddel
27/07/2018
15:05

Poema do dia 22/06/2018

Poema do dia 22/06/2018

Crescem as palavras na escrita contínua, luas cruzam os céus sob a neblina matinal, o sol que espreita no varal, -poético quadro, rimas esquecidas, uma rosa oferecida, o despertar no teu abraço, esquecido de sonhar, (saudade)! Estrelas saltitantes teu doce olhar, o ruído do padeiro- pão quente, quente, corre, corre! Não há chuva, um nada de vento, corre, corre, pequeno almoço para dentro, o branco do tecto, que me prende na cama, o abraço desfeito pela pessoa que ama…

Manhã, apenas mais uma manhã, Igual a ontem, igual à do amanhã, já despachado a porta bateu, junta-me a mim, aqui como eu, abraço-me em ti, abraço dormente, ilusão do ser, talvez sonhado… Não vou trabalhar talvez por doente, preguiça de mim, entregue por fim, talvez dormindo por não ter acordado, sequer estar deitado, da noite? Talvez só sonhado!

Caem violetas azuis
Nos dias seguintes
Não há nada a fazer
Triste sina a do crer!

A vida corre torta
Por estradas direitas
Pro muitas coisas más
E outras bem-feitas!

Ergue-se o sol, por entre as árvores caídas, não há sina, que me condene, nem vida que me defina… apenas as horas, umas depois das outras, descontando tempo para um fim!

Alberto Cuddel
22/06/2018
18:15

Poema do dia 23/05/2018

Poema do dia 23/05/2018

… passam-me as horas pelos dedos, como areia fina do tempo, as noites longas sem um corpo que as conforte, morrem a cada aurora, a cada natividade do sol desvirginando madrugadas.
Ensaiamos sonhos e palavras dispersas, desejos contidos, ocultos nas conversas, as noites, apenas deslisam compassadamente pela boda do leito desejado, na palavras e versos deitados na secretaria, em folhas brancas, em tinta azul, dormindo e acordando a sabor do tempo… não há areia nos pés ou briza marinha, não há pele quente ou corpos que se enleiem, nem beijos, nem amores…
Não há margaridas, tulipas, ou girassóis rodando, apenas pirilampos dormindo na brisa da noite, não há amores, inspirações louváveis, conversas de palavras quentes, apenas conversas frias, gestos mecânicos e um odor sujo da cidade. Não há quedas de água, sons da natureza, o canto das estrelas, apenas um miar distante, placas de zinco, um luar que me acompanha, constante e com afinco…
Tristemente poesia, um vício dolorosamente penoso, registado e rugoso, palavra simples, curvas, como se curva o céu no horizonte…
O sol esse, rasga o firmamento que geme, numa dor atroz o nascimento de um outro dia…
Este é o dia, em que o sol nasceu outra vez…

Alberto Cuddel
23/05/2018
02:56

Poema do dia 20/05/2018

Poema do dia 20/05/2018

Raia o dia e o sol
Por entre o verde
Floresce a vida
Que agora acorda
De um sono de lua!

Coabitam sonhos e borboletas, nos caminhos que me levam, que me trazem, sigo caminhando na esperança do Vale, no canto das aves, carreiro de formigas amestrados e abelhas procurando a doce vida…
Oh minha arrogância, na pressa de escrever o acordar adormeço para o mundo, não olho, não vejo, não ouço, escrevo…
Que seja o sentir meu guia, que seja, amor, paz e alegria, que seja…
Estendo as mãos na dádiva, caminho lado a lado, amparando o ser humano, tantas vezes violentado na dignidade de apenas ser…
Anda que o sol nasça para todos, nunca terá o mesmo brilho nos escombros que ilumina…

Alberto Cuddel
20/05/2018
09:35

Poema do dia 18/04/2018

Poema do dia 18/04/2018

Nascer do sol no Alentejo

Orgasmo cósmico o nascimento do sol
Esporrando luz sob a seara húmida
De um alto Alentejo que desperta…

Gemem as aves que despertam
Cravam-se as unhas em terra fértil
Vales que se apartam vestindo-se de luz
Mãos que o trabalham arduamente
Bocas que se saciam da fome
Ilumina-se o rosto rubro…
Terra fecunda que o acolhe…

No ardor quente que permanece
Memória crescente do despertar
Abate-se sobre o cansaço o crepúsculo
Adormecendo a cada dia…

Alberto Cuddel
18/04/2018
21:30

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