Poema do dia 23/05/2018

Poema do dia 23/05/2018

… passam-me as horas pelos dedos, como areia fina do tempo, as noites longas sem um corpo que as conforte, morrem a cada aurora, a cada natividade do sol desvirginando madrugadas.
Ensaiamos sonhos e palavras dispersas, desejos contidos, ocultos nas conversas, as noites, apenas deslisam compassadamente pela boda do leito desejado, na palavras e versos deitados na secretaria, em folhas brancas, em tinta azul, dormindo e acordando a sabor do tempo… não há areia nos pés ou briza marinha, não há pele quente ou corpos que se enleiem, nem beijos, nem amores…
Não há margaridas, tulipas, ou girassóis rodando, apenas pirilampos dormindo na brisa da noite, não há amores, inspirações louváveis, conversas de palavras quentes, apenas conversas frias, gestos mecânicos e um odor sujo da cidade. Não há quedas de água, sons da natureza, o canto das estrelas, apenas um miar distante, placas de zinco, um luar que me acompanha, constante e com afinco…
Tristemente poesia, um vício dolorosamente penoso, registado e rugoso, palavra simples, curvas, como se curva o céu no horizonte…
O sol esse, rasga o firmamento que geme, numa dor atroz o nascimento de um outro dia…
Este é o dia, em que o sol nasceu outra vez…

Alberto Cuddel
23/05/2018
02:56

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