Poema do dia 26/05/2018

Poema do dia 26/05/2018

Agitam-se papoilas no campo
Voos de brisa em asas de andorinha
Chega a tarde e a noitinha
Não há sorte nem vitoria, muito menos tempo…

Pelas frestas da manhã
Gotas de orvalho, espreita o sol
Não há hoje, ontem ou amanhã
Desperta a vida, vivendo a rol…

Que nobre arte de ser, sem compreender
A vida não se entende, sabe ou explica
A vida vive-se, o amor não se justifica…

Não se explica o nascimento de uma árvore
Nasce,
Ou a morte de um pedra,
Gasta-se…
As coisas naturais não se criam ou explicam
Existem…

Naturalmente as papoilas agitam-se
Rubras, frágeis, hirtas
Naturalmente amo
Sinto, desejo, existo…
Não o explico… sinto…
Como não se explica a existência de Deus
– Nunca me provaram a sua não existência
Como nunca me provaram que o amor vem do coração
Creio piamente que amo na alma…
Onde apenas a aura existe…

Voos de brisa em asas de andorinha
Chega a tarde e a noitinha
Chegamos nós… e deixamo-nos dormir… sonhando amanhãs
Onde a vida não se explica. Vive-se….

Alberto Cuddel
26/05/2018
06:07

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Poema do dia 25/05/2018

Poema do dia 25/05/2018

A espantosa necessidade das coisas, nem sempre as coisas são o que são, as vezes as coisas são apenas coisas, o que parecem que são, mesmo que nunca venhamos a precisar delas… Depois temos os dias das coisas, até do aniversario, do pais, da mãe, do filho do avo, do café, do abraço, do pé, do namoro e do laço cor-de-rosa, nos dias em que não celebramos as coisas, compramos coisas para lembrar o dia que eram dos gestos e do sentir, tantas coisas compradas sem necessidade, pelo facto de serem coisas e de lembrar outras coisas que nunca foram coisas mas gestos e sentir…

Era um dia sem coisas
As coisas tinham nome
Tinham utilidade…
De todas as coisas que tinha
Havia coisas que não sabia
Sem saber das coisas que tinha
Comprava coisas que não sabia
Para que um dia me servissem
E na sua serventia, não me serviam
De absolutamente nada…

Depois olhamos o mundo em silêncio, sem coisas, ouvindo o nascer do sol entre a maresia, sentindo a pele molhada da tua doce companhia, celebremos este dia, apenas no sentir, sem as coisas que nos teimam em confundir…

Alberto Cuddel
25/05/2018
00:33

Poema do dia 24/05/2018

Poema do dia 24/05/2018

Escondido em mim, perco-me na perspicácia da análise, conceitos individualistas do querer, nobres feitos heróicos agora realize, escrita perdida que tento esquecer!

Reclusão involuntária do pensamento,
Revolta solitária individualista perder,
Mutilação no olhar perdido o momento,
Enclausurado em mim para não ver!

Explosão idiota, eruditas soltas rimas, perdido na percepção caídas lágrimas, sonhos impostos individual vivência, ser pensante com imposta abstinência!

Vegetativo homem seguindo calado,
Ordens e desejos que vais emanando,
Silencio gritado que impondo o ditas,
Palavras, revoltas a não serem escritas!

Represento quieto o sonho abjecto, ser que procuras como um objecto, marioneta das tuas loucas vontades, perdido em mim nas loucas saudades!

Navego no mundo do virtual desejo,
Por minha vontade escrever o beijo,
Querer correr na cadeira sentado,
Querer sentar correndo a teu lado!

Assim conformado, desistindo de ser, vontade reprimida, restando escrever!

Alberto Cuddel
24/05/2018
06:09

Memória!

Memória!

Leio e torno a ler as palavras da memória,
De hoje, de ontem passado sem esquecer,
Memória em mim, que de ti escrevo,
Os braços abertos que te esperam,
O desejo, o vazio, a tristeza, erros,
Agora passado, há sombra da lua,
Novo tempo que construímos,
Vida nova em nós, que abertos esperamos,
Estrelas cadentes que te incendeiam o olhar,
Desejo que desponta, numa palavra soprada,
Sopro de vidas que percorre teu corpo,
E do nada o ontem é passado,
A cada dia de novo, decidido, amado,
Conquistado, a felicidade nasce em ti,
Em mim, na palavra que vive,
Soprada a cada batimento no peito,
Num coração que se ama…
Eu me amo, para te poder amar,
Eu me entrego, para que te possas dar,
Eu palavra viva… Eu decisão…
Eu que escolho ser…
Sou feliz na espera,
Para o reencontro,
Poder escolher a cada dia,
Voltar a escolher-te a ti!
Para memória dos teus dias!

Alberto Cuddel
 2014
 #osdiasseguintes
https://www.facebook.com/PoetaAlbertoCuddel

Poema do dia 23/05/2018

Poema do dia 23/05/2018

… passam-me as horas pelos dedos, como areia fina do tempo, as noites longas sem um corpo que as conforte, morrem a cada aurora, a cada natividade do sol desvirginando madrugadas.
Ensaiamos sonhos e palavras dispersas, desejos contidos, ocultos nas conversas, as noites, apenas deslisam compassadamente pela boda do leito desejado, na palavras e versos deitados na secretaria, em folhas brancas, em tinta azul, dormindo e acordando a sabor do tempo… não há areia nos pés ou briza marinha, não há pele quente ou corpos que se enleiem, nem beijos, nem amores…
Não há margaridas, tulipas, ou girassóis rodando, apenas pirilampos dormindo na brisa da noite, não há amores, inspirações louváveis, conversas de palavras quentes, apenas conversas frias, gestos mecânicos e um odor sujo da cidade. Não há quedas de água, sons da natureza, o canto das estrelas, apenas um miar distante, placas de zinco, um luar que me acompanha, constante e com afinco…
Tristemente poesia, um vício dolorosamente penoso, registado e rugoso, palavra simples, curvas, como se curva o céu no horizonte…
O sol esse, rasga o firmamento que geme, numa dor atroz o nascimento de um outro dia…
Este é o dia, em que o sol nasceu outra vez…

Alberto Cuddel
23/05/2018
02:56

No sopro de uma brisa,

No sopro de uma brisa,

Despi-me de ti,
Desnudei meu ser e esperei,
Abrindo-me, abracei-te,
No suave encanto de um dente de leão,
Soprado ao vento, chegando ao coração,
Espalhando sementes, em fértil ser,
Querendo mais, querendo saber,
A razão do encanto, a razão da paixão,
Que feitiço é esse em que me prendes,
Em que querendo conquistar,
Sou completamente conquistado,
Em que querendo seduzir,
Sou seduzido,
Em teu jogo, em teu enredo,
Em que fugindo, esperas-me,
E esperando, afastas-me,
Deveras em teu jogo estou viciado,
No vício da paixão, sinto-me amado,
E fico, descansado em teu aconchego,
Partilhado contigo a vida,
A tristeza, alegria…
Renovando a cada dia,
A chama que nos alimenta,
Neste jogo, nesta partilha…
Que é o Amar metade de nós…
Sendo um…

Alberto Cuddel
2014
#osdiasseguintes
https://www.facebook.com/PoetaAlbertoCuddel

Poema do dia 22/05/2018

Poema do dia 22/05/2018

Perdi-me entre um abraço da alma
Com outro coração em meu peito
Braços apertando poemas, letras
Ser amigo que amo e em mim aceito!

Abraçamos causas,

virtudes, tristezas,

amores, matamos saudades no abraço,

abraçamos sonhos, desejos,

esperanças, alegrias, amores, dores…

Tudo nos cabe nos braços,
Tudo apertamos em laços,
Nos braços que se cruzam
Há dois corações que se usam…

Alberto Cuddel
22/05/2018
22:30

Lassitude dos gestos

Lassitude dos gestos

Na jovialidade o pudor e o medo
Cada poro uma descoberta, cada toque
Gestos amplos, sem firmeza, desconhecido
Descoberta, uma procura do respirar
Um suspiro languidamente gemido
Repetição proeminente do sucedido…
Vasculho-te a alma na procura “G”randiosa…
Nessa busca inglória de te procurar
Encontramo-nos na repetição do prazer
De um mesmo lugar…

Beijas-me
Beijo-te
Beijamo-nos…

Encontramo-nos no desejo de praticar até à exaustão
O amor, o feito e o prometido, e o prazer…
Desejos nos corpos contido… jovialmente quentes
Hormonalmente saltitantes…

Na lassitude dos gestos, descobrimos os lábios, a língua
Os sabores e prazeres… construímos mapas corporais do prazer
Tornamo-nos amantes perfeitos do corpo um do outro…
Os gesto deixam de ser lassos… toques firmes, certeiros
Amplos, eroticamente suaves, rápidos e inquietantemente lentos…

O amor… não tem instruções, ou lições,
Mas estágios perfeitos, até ao doutoramento de nós mesmos…

Percorre-me, junta os teus gestos aos meus… toquemo-nos
Sejamos amplamente felizes mais uma vez…

Tiago Paixão
22/05/2018
02:23

Ontem choveu

Ontem choveu

Tantas vezes choveu ontem,
Mesmo assim com chuva saio de casa,
Percorro ruas e vielas, passeios estreitos,
Mas não procuro ninguém,
O meu olhar hoje não te procura,
Porque ontem choveu,
E eu sei onde estás, onde estavas,
Onde te encontrei
E te deixei à espera,
Há minha espera.
Ontem choveu,
E eu não te procurei…

Alberto Cuddel

Poema do dia 21/05/2018

Poema do dia 21/05/2018

Era um amor simples…
Num beijo simples
Num toque simples
Em cartas simples
Num olhar simples
Em gestos simples
Em palavras simples
Em dias simples
Numa beleza simples
Era simplesmente amor…

Até que num final de dia…
Tudo se complicou…
E o simples amor,
De simples acabou…
E ela com ele casou…

Alberto Cuddel
21/05/2018
02:00

Poema do dia 20/05/2018

Poema do dia 20/05/2018

Raia o dia e o sol
Por entre o verde
Floresce a vida
Que agora acorda
De um sono de lua!

Coabitam sonhos e borboletas, nos caminhos que me levam, que me trazem, sigo caminhando na esperança do Vale, no canto das aves, carreiro de formigas amestrados e abelhas procurando a doce vida…
Oh minha arrogância, na pressa de escrever o acordar adormeço para o mundo, não olho, não vejo, não ouço, escrevo…
Que seja o sentir meu guia, que seja, amor, paz e alegria, que seja…
Estendo as mãos na dádiva, caminho lado a lado, amparando o ser humano, tantas vezes violentado na dignidade de apenas ser…
Anda que o sol nasça para todos, nunca terá o mesmo brilho nos escombros que ilumina…

Alberto Cuddel
20/05/2018
09:35

Poema do dia 19/05/2018

Poema do dia 19/05/2018

Colhi violetas no teu olhar, apenas na profundidade do teu brilho, jovialidade dos verdes prados, no exacto momento anterior à doce descoberta do amor…

Escrevi-te em letras perfumadas na memória, para que o tempo nunca se perca, entre pedra polidas do caminho, e a colheita de um ramo de margaridas, incendiei-me nos sonhos do perfume dos teus lábios, deixei de viver neste mundo…

Gravei-te e tatuei-te a ferro e fogo no meu peito, escolha intemporal assumida diante de Deus, com Perséfone como testemunha silenciosa da noite, fundimo-nos como vida, na eternidade, selada nas almas, aos corpos que se uniram….

Colhi violetas no teu olhar, apenas na profundidade do teu brilho, a cada dia digo diante de ti e do mundo: não há outro alguém que me olhe tão profundo…

Alberto Cuddel
19/05/2018
09:00

Estupidamente espero

Estupidamente espero

Estupidamente espero,
Já fez sol, já choveu
Já amanheceu e escureceu
Já dormi e acordei
Já voltei a dormir
Já sai e entrei,
Já voltei a sair…

Estupidamente espero
Já veio a fome e a sede
Já foram saciadas e voltaram
Já estive doente e curado
Ainda assim…
Estupidamente espero…

Nunca soube verdadeiramente
O motivo a da espera
Ou o que esperava
Talvez já tenha chegado
Ainda assim estupidamente
Espero sentado
Por alguma coisa ou algo
Que todos esperam
No campo, na cidade
Em todo o lado
Esperaram estupidamente
A ilusão da felicidade…

Alberto Cuddel
17/03/2018
19:29
http://facebook.com/PoetaAlbertoCuddel

Num abraço…

Num abraço…

No espaço vazio entre os corpos
Cabem todos os medos e segredos
Não memória desse abraço desejado
Cabe toda a solidão e saudade
Cabe a vida, o amor e a simplicidade…

Nos teus braços que me abraçam os sonhos
Onde me moram os desejos de me fazer
Novamente vivo, novamente existo
No tudo que escondo de mim, mundos…

Num abraço de braços e letras que se lêem
Encontramo-nos nas páginas brancas
Sem espaço entre nós…

Alberto Cuddel
30/03/2018

Poema do dia 18/05/2018

Poema do dia 18/05/2018

… Tenho-me escorrido em braçados de lágrimas, por uma mão estendida em busca de nada, onde moras amor?
Os dias, amanhecem na solidão egoísta de despertarem sozinhos, o mundo dorme, numa agonia narcisista sem partilha… Não há barcos há bolina, tão pouco um ardina que grite, o sol agora que se ergue, de poucos é, quase nenhuns… o sol não é de todos… nunca o foi, metade dorme…
Escorrem-me as lágrimas pelo vale, intenso cheiro a erva fresca, nos pés descalços subindo aos montes, os balidos e os chocalhos… O sol nunca nasceu sob a cidade…

Procuro nas calçadas romanas o caminho do mar, longe vão os destinos finados e as guerras de honra com intervalos para almoçar… os pobres serão pobres para os ricos engordar, há feudos e feudais senhoriais, muitos outros que tais, que buscam nas moças da aldeia, mãos estendias, prazeres e barriga cheia…

Tenho-me nos poços vazios reflectindo o som oco da sede, tenho-me nos pinhais plantados, nos troncos queimados erguidos ao sol, e mesmo assim, o sol que não nasceu para todos, tosta as searas que já não são plantadas, os balidos, calaram-se, os chocalhos cantam ao vento, a música do abandono…

Tenho-me escorrido em braçados de lágrimas, por uma mão estendida em busca de nada, onde moras amor? Que hoje ninguém te conhece?

Alberto Cuddel
18/05/2018
05:50
http://facebook.com/PoetaAlbertoCuddel

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