Os anjos existem…

Os anjos existem…

Podemos não acreditar, podemos não os ver… mas os anjos existem, vivem entre nós no anonimato, e sempre que a identidade de um deles é revelada, ele deixa de o ser, abandona por completo a sua forma de agir na sombra, para ser apenas um entre os milhões de mortais…
Não, os anjos não tem asas, não fazem milagres, não nos livram do mal, apenas ajudam, não por pedido expresso, mas porque sentem a necessidade de ajudar sem receber nada em troca… os anjos alegram-se com o sucesso dos outros, mas não ficam para tirar fotos, os anjos são capazes dos gestos mais altruístas sem revelar a sua origem ou ajuda… os anjos existem… conheço alguns dos meus… sou-lhes eternamente grato… mas sei que pouco mais posso fazer… porque eles são… sem se mostrarem…

António Alberto T. Sousa

Tenho ganas de te foder todos os dias e também de noite…

Tenho ganas de te foder todos os dias e também de noite…

quero-te, é impossível não querer, amo-te, mas tenho vontade de te foder…
quero sentir-te, beber-te, quero-te sentir na língua…

não nessa consciência assoberbada do meu prazer
mas na virtude de te fazer contorcer a cada orgasmo
quero imiscuir o meu cérebro entre as tuas coxas
sentir na língua as tuas doces palavras gemidas na alma

que a cada metáfora fechemos os olhos
nesse movimento louco das águas
sejamos perpetuação das marés
cadencia, liberdade, eternidade feminina
libertemo-nos da opressão contida pelos trapos
soltemos os corpos ao prazer, sejamos alma…
liberta comigo a libido em laivos de poesia
empresta-me os teus lábios, abraça-me os versos
sejamos poetas do prazer, gemidos loucos
que se firmem as hipérboles e as antíteses
movimentos opostos em prefeito sincronismo…

sejamos de dia, de noite, ali, depois, agora ou já
fodamos… façamos amor com a alma…
amarremos os corpos em nós perfeitos
a alma em laços rubros, e descansemos depois…
abraça-me… comuniquemos com as mãos…
e fodamos de novo, outra vez, como sempre uma primeira vez…

a vida escorre-nos dos dedos sem tempo…
aproveitemos a loucura do tesão que nos é oferecido por Deus…
deixemos que os anjos cantem… a loucura de amar…
e depois… fodamos novamente…
sem pudor de ser prazer, orgasmo… gente…

Tiago Paixão
08:30 19/09/2021

Afúriadasaudade

Rasgos de lucidez

Rasgos de lucidez

…embarcado nessa viagem sem tempo
onde as horas são a mera desilusão
rasgada por areias estreitas
em peito rude e aberto, o corpo fede
a alma definha, a vida esgota-se…

as árvores morrem de pé, queimadas
a estrada esburacada, não me leva a casa
e a casa ruiu há muito… palavras frias e nuvens altas
acordei… dormia em sonhos, e vejo claramente
este movimento depressivo por onde me arrasto
espero, sem esperar nada que tudo se extinga
onde nem a vontade já sobrevive…

possui-me a alma… o corpo é teu…
no sofrimento com que te carrego
corpo morto açoitado pela corrente
que o espírito me consuma inteiro
que se calem as vozes… eu já não espero…
embarcado nessa espiral sem tempo
onde o purgatório é agora o meu inferno…

Alberto Cuddel
18/09/2021
12:00
Alma nova, poema esquecido – XXXIII

Vulgarmente vulgar de tão corriqueiro…

Vulgarmente vulgar de tão corriqueiro…

… assim é, o que passou e o que veio
e o que perdi, o que perdeste, o que perdemos…
tão vulgar e sincronizado é o seu movimento
sem pressa, ou muito apressado se a porta está fechada…

mentes-lhe roubando-o, ou desperdiçando o pouco que nos resta
e a ilusão temporal como uma forma da realidade,
é igualmente necessária e igualmente inútil
um assombro e um estorvo, um querer estar sem chegar
e os ponteiros não mentem, mas mentem-me os olhos…

… medimos a transformação exacta no movimento das folhas
a cada volta que damos ao sol, a cada reflexo da lua, a cada maré…
o porquê não sei, tão pouco a média da duração dos beijos de amor
nem sequer dos outros dos roubados sem pudor,
depois de um sexo apenas imaginado… em nós…

vulgarmente vulgar de tão corriqueiro… é o tempo
uma falsa medida que contabiliza o que foi, o que falta
nunca o já… quanto dura o já?
e agora… agora nada… depois, depois existirá
independentemente de tudo o que foi…

Alberto Cuddel
09/09/2021
16:00
Alma nova, poema esquecido – XXXII

Memória

Memória

guardo em mim
memórias do tempo
sonhos desfolhados
luares estrelados
saudades do amanhã
desejos de um ontem recordado,
no hoje que realizarei o que fiz!

Alberto Cuddel®
02/11/2015

Felicidade

Felicidade

busca encanto satisfatório
insatisfeito humano ser
divino almeja poder
realizado, posso, quero, tenho,
no final apenas basta – Eu Sou!

Alberto Cuddel®
09/11/2015

Essa mentira tão verdadeira… Amor!

Essa mentira tão verdadeira… Amor!

e morreu-me ali diante dos olhos…
sabia-o no meu íntimo… conhecia as consequências
mas morreu-me ali diante da esperança que não perdi…

fica esse vazio que me abriste no útero
essa fome de vida que criei em mim
essa saudade sem retorno, esse abraço sem força
esse medo do que já não podemos ser…

fica esse amor sem resposta, essa memória do cheiro
da voz, do chamamento, do beijo, do crescimento…
fica a dor da alegria, do tempo em que existimos
e essa verdade da mentira, do perder no sofrimento…

não existe um adeus, nem um até sempre… apenas estás
deixando de estar… tornaste-te eterno…

Alberto Cuddel
07/09/2021
18:00
Alma nova, poema esquecido – XXXI

Raiva da memória que me atraiçoa

Raiva da memória que me atraiçoa

esse suave gosto como o do exílio,
em que sentimos o orgulho do desterro
esbater-nos em volúpia incerta a vaga
inquietação de estar longe, ali, mesmo ao lado
de mão dada…

não há perda no reencontro
na certeza absoluta deque o reencontro é a confirmação da perda
essa consciência absurda de que chove apenas por assim ter de ser
e cresce o que é natural, e as perdas são apenas consequências
de uma culpa partilhada, sem que os gestos se unam em conciliação…

há na raiva da memória que me atraiçoa, uma evidencia
o mar é… e eu não poderei ser, ou seca-lo…
o resto é uma consequência da sabedoria
da inacção do coração…
eramos tão felizes na ignorância…

o meu mundo sentido foi sempre o único mundo verdadeiro para mim.
nunca tive amores tão reais, tão cheios de sangue e de vida
como os que tive quando senti o que eu próprio criei.
que pena! tenho saudades deles, porque, como os outros, passam…
não que tenha deixado de sentir, sinto mais do que o consigo fingir
mas tenho saudades de ser e de existir… porque sou…
E nos gestos que minto, sou tudo o que de verdadeiro sinto…
Eu… existência física e material do mar de palavras, eu poeta…

Alberto Cuddel
02/09/2021
02:00
Alma nova, poema esquecido – XXX

Embalsamento da oração…

Embalsamento da oração…

“…lavrei na tua derme, a cor da minha alma
reguei-a com o meu suor, e esperei nascer…”

sal marítimo no rosto
areia afagando os cabelos
fios de prata num luar outonal

abraço-te no sargaço que resta
seco do sol da tarde
altas são as horas de solidão
recolhido o desejo na mão…

onde nos moram as manhãs,
onde nos encontramos?
olhar absorto, e o silêncio da cadencia das águas
e somos, somos sempre, apenas nós, apenas dois…

no princípio eramos dois, e amanhã seremos apenas dois…
lavrando o ontem de mão dada edificando o hoje em cada beijo…

Alberto Cuddel
29/08/2021
09:00
Alma nova, poema esquecido – XXIX

Poética de rua

Poética de rua

…há uma tristeza que me desabita a cada esquina
uma forma esquerda de olhar os que pedem
passos direitos em direcção ao fim, paredes frias
pairam novas de ontem embrulhadas pelo vento

rasga-me o chão essa estranha liberdade que se entranha
esse querer absoluto de ser o que nunca se foi
-e fui dali, diante do espaço sem vida, fugi, dessa estranha corrida
olhei-te nessa urgência de cegar, na incredulidade de ver
estava sem estar, onde nunca fui… a existência é um sonho
um fumo psicadélico de um filme sem fim – pesadelo consumista…

todos corriam atras do tempo que não tinham
vã esperança de ganhar tempo para fazer coisas que não queriam…
e eu? eu olhava o tempo parado, uma nuvem que passa
um carreio de formigas… e um grilo que cantava em plena cidade…
ninguém ouvia, ninguém escutava tudo corria…
e a cidade ali, alheia a tudo, definhava…

(…)
olhei a vitrine, duas mesas vazias…
entrei, pedi um café… e escrevi…
como quem escreve uma carta sem destinatário…
sem propósito e sem fim… e discutimos filosofia
nas palavras que deixaste escritas nas paredes do tempo…
sim tinhas razão… a vida começou quando morreste…

Alberto Cuddel
26/08/2021
14:00
Alma nova, poema esquecido – XXVIII

Joana Vala – Percorro-me

Joana Vala – Percorro-me

percorro-me por caminhos já percorridos
encontros do acaso comigo mesma
doem-me os dias obtusos, esta solidão da existência
procuro-me em ti como raízes na busca de água
como segurança de uma árvore…
eu, plena, inteira, completa
viajo pelas estrelas em busca da lua
sem a consciência de ser sol…

Sei-me tempestade veraneia
Sei-me bonança consciente
Vulcão que me incendeia
Velocidade que me enlouquece…

Percorro-me nas noites em busca de mim
Para que de ti me esqueça
Antes que em mim enlouqueça…

30/08/2121
11:20

Um dia de trabalho

Um dia de trabalho

Saio correndo apressado,
Para que não chegue atrasado,
Entro passo cartão, portas e portinhas,
Já na sala comprimento um-a-um,
Chamando e memorizando o seu nome,
Inteiro-me do serviço pendente,
Das alterações, ocorrências e rotações,
Abro o email, o portal, as aplicações,
Um sinal que avaria,
Uma agulha talonada,
Uma porta avariada,
Um individuo na via,
Uma marcha pedida,
Um passageiro sem bilhete,
Mais umas quantas ocorrências,
Uma alteração há rotação,
Tantas e tantas urgências,
Um sinal fechado, “olha a ponte”,
É Ligeiro? É Pesado?
Comboio danado…

Na pressa do segundo,
Em que nada está parado,
Fica esquecido o sinal,
Que outrora estava fechado…

Mais uma ocorrência,
Um erro danado,
Que para futuro,
No cadastro registado…

No fim do turno,
A calma,
O descomprimir,
O ir para casa e sorrir.

Alberto Cuddel
29/11/2013

Bom dia!

Bom dia!

A vida continua a brindar-nos
todos os dias com milagres
mais uma vez e para espanto
de todos os pessimistas
O Sol, nasceu….

Alberto Cuddel®

Revoluções

Revoluções

“Transponho montanhas já derrubadas
E dunas rasas pelos ventos do tempo
Escorridos sentimentos nos cardos
Erva que chora pisada pelos pés descalços
Prantos de mães coragem, filhos do ontem
Revoluções essencialmente inúteis”

Tudo muda na permanecia das nuvens baixas
O tempo que vaga e um sopro de nada
Um crepitar de madeira e o fumo das armas
Um coração arrancado do peito, um corpo inerte
Uma arte esquecida, um querer permanente
Tudo muda continuando igual, o tempo passa
Mas a gente, a gente não… e as palavras fazem questão
Revolve-me os fígados a liberdade… qual liberdade
Se eu, eu me entrego à prisão… essa que me morre na alma
Residente de um corpo que definha…

E depois tu… essa sede de mudança…
Mas a mudança não existe…
Porque não mudas a pauta
Apenas desejas… mudar a decoração do palco
Não a pauta, a orquestra ou o maestro…
Revolução? Qual revolução?

“Transponho montanhas já derrubadas
E dunas rasas pelos ventos do tempo
Escorridos sentimentos nos cardos
Erva que chora pisada pelos pés descalços
Prantos de mães coragem, filhos do ontem
Revoluções essencialmente inúteis”

Alberto Cuddel
25/08/2021
15:30
Alma nova, poema esquecido – XXVII

Abandonei-me

Abandonei-me

deixei que as asas fossem sonhos e voassem para longe
não me habitam já as folhas douradas e a esperança de doces
a vida segue… entre uma brisa e uma lágrima
as palavras, meras metáforas de uma realidade ilusória…

e depois choveu…
limparam-se os caminhos
e tudo continuou… simplesmente igual…
sem uma esperança de terra nova…

Alberto Cuddel
24/08/2021
16:30
Alma nova, poema esquecido – XXVI

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: