Não me dês a mão

Não me dês a mão, não me segures ou ampares, não me ergas ou me eleves… quero-te apenas comigo a meu lado…

Quero o teu amor feito lábios, ainda que o sol nasça todos os dias, a cada madrugada por detrás as montanhas. Quero os teus lábios feito beijo, a cada banho, a cada café forte bebido, a cada manteiga derretida no pão quente, a cada manhã…
Quero o teu amor novo descoberto a cada acordar, a cada gesto de paixão, a cada beijo do despertar, a cada vontade de se fazer dia, de nascer e viver, de olhar o céu…
Quero um amor feito de areia molhada, caminho traçado, a cada pegada, a cada perdão do passado…
Quero o teu amor conquistado, a cada abraço, a cada vontade de ficar, a cada saudade, em cada liberdade de partir, na vontade de sorrir…
Quero o teu amor feito braços, feito pernas que se entrelaçam…
Quero apenas amar-te hoje, não ontem ou amanhã, apenas hoje…

Alberto Cuddel

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A existência de almas além da minha

A existência de almas além da minha…

Na compreensão da vida, existo
Existo pela existência do outro
Na clausura do ego não há existência…

Seja a vida a plenitude da troca, da dádiva
Realizo-me cada vez que dou, que recebo
Enalteço-me no teu sucesso, na tua vitória
Seja na amizade, no ensino, no exemplo
Eu sou tanto mais eu quanto mais tu o reconheces!

Partilhar é um acto nobre de poder ser “mãe”
Sou grato pela vida que partilho, por ser
E ser é amar-me e amar o mundo, ter fé
Sentir-me parte do futuro, ser no amigo
No conhecido, no desconhecido, no pupilo
Reconhecer o outro como ser em crescimento
É apenas o primeiro passo para um outro amanhã!…

Na existência de almas além da minha
Vejo-me como único, não melhor, não diferente
Apenas único, podendo dar-me nesse amor
A vida é amor, apenas isso, amor a dar
A receber, fazer amigos é a arte de se doar
Não a arte de negociar contrapartidas e trocas
Acreditar na amizade e ter fé nela, e construir
Todas as pontes que nos irão levar ao amanhã…

Creio na existência de almas além da minha
Na tua que me escutas e em todas as outras
Que aos poucos edificaremos, doando-nos ao mundo!

Alberto Cuddel
13/02/2019
11:20

Exausto

Exausto

cansado da fraude
do embuste que sou
mãos que apenas copiam
os pensamentos tidos
lidos nas imagens retidas
pelas retinas treinadas
a ver o que outros
distraídos não vêem
cansado do tempo perdido
em deixar escrito
memória da visão
adjectivos da paisagem
do sentir
do perder
da aragem
cansado das palavras
das pragas
de tudo escrever
cansado do papel
da caneta
da tinta
do fingir
cansado de ver
de querer
do agir
cansado da poesia
perdida
escrita
descrita
relatada
sem fim
sem nada!

Cansado apenas cansado!

Sírio Andrade
27-03-2015

Provocação

Provocação

A provocação tem um preço…
As vezes alto de mais para se pagar…
Continua a provocar,
Depois não tem como se queixar…
O desejo provocado, ou é consumado….
Ou leva à loucura de um corpo marcado…

Sírio Andrade
24/03/2015

Pensei amar-te…

Pensei amar-te…

“pensei amar-te, mas queria-te possuir na alma
todos os teus orgasmos pertenciam-me, assim o desejava”

Doar-me-ei por inteiro na vida e na alma
Não pelo altruísmo do ego, mas por amor
Esse que ganha significância na dadiva plena
Entre um rubro luar e um laranja do sol por

Nessa réstia de humanidade sou-te pleno
Nesse ondular da perfeita e alva maresia
Num crente caminhar duro e terreno
Diante de tudo o que o sonho mais queria

Ofertei-me no corpo, na excitação rubra
Nesse almiscarado e doce odor do prazer
Diante do desejo que de mim te cubra

Força orgasmica do corpo conhecimento
Dessa força que nos amarra e faz viver
Todo o orgasmo, eternidade, momento…

Alberto Sousa
22/05/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

O mundo era…

O mundo era…

o mundo era…
e depois? não voltou a ser o mesmo…

depois da primavera que chegou sem aviso
ruas desertas e ervas nascidas
chegou depois de nós todos, e não lhe fizemos falta
chilreiam os pássaros soltos
ninhos armados onde podem
palhas que voam e estradas vazias…

e o mundo era… e continuou…
mesmo sem a gente de ontem…

Alberto Cuddel

Imagem própria:
Um borrão de café…

Conjecturas

Conjecturas

selamos o tempo
congeminamos teorias
inquirimos o nosso íntimo
apenas uma pergunta
uma única questão
sem qualquer resposta
sem qualquer razão
porquê?
porque continuam a florir as flores?

rebobinamos passados
procuramos, revemos
nada, sem hipótese
nem uma ínfima teoria
porquê?
continuam as ondas a chegar à praia?

que prepósitos ocultos?
que esperanças?
que ideias, que desejos?
que quebra de algo
que não descortinamos?
porquê?
a vida é um ciclo sem fim?
porque o vidro depois de quebrado não pode ser colado?

nessas conjecturas sem propósito, sem significância cabal
caminhamos parados numa terra que gira,
de um tempo que não pára nem abranda
é tudo é, como tudo será, mesmo que ninguém intervenha…

Alberto Sousa
20/05/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Abandono

Abandono

abandonaste-me à loucura do sofrimento,
na mais abençoada solidão,
cama vazia de tormentos,
não espero, não anseio tua chegada,
cansei-me da vida, cansei-me do tudo, do nada,
cansei-me apenas da ânsia de ti!
acordo livre solta, apenas mim!

Sírio de Andrade
20/03/2015

Raiva

Raiva

devolves cativos os gélidos sentidos,
das cores escuras, depressão confusa,
querer fugir, reprimir o negro desejo,
escapar esfumando-se por entre os dedos,
escorrendo pela brilhante lamina, gotas da vida!

gotejando quentes no gélido mármore,
uma após outra, sorvendo de ti a vontade contínua,
partir em demanda, gritando impropérios,
contra os felizes donos dos impérios,
cor-de-rosa pintados, onde reina o amor,
há raiva! força contida que se espera soltar,
num abrir do peito, rasgado, pelo sofrimento!

há dor! quietude, aninhado num canto,
gotas escorrem, reprimindo o alto pranto!

Sírio de Andrade!

Asas do querer!

Asas do querer!

Devastação da noite,
Gélido tremor que te trespassa,
Asas das trevas cobrem-te e envolvem,
Gritas, prazer na solidão,
Agrilhoado, preso e ferido,
Por sorte, prazer ou morte!

Penas, sonhos que te fazem voar,
Palavras gemidas, gritadas,
Esquecidas no amordaçar,
Aí dona de mim que me condenas,
Asas partidas, soltas na cela,
Há fome, há sede,
Há vontade de te querer,
Revolta em mim, dor
Nesta lua me prende!

Sírio de Andrade
30/01/2015

Voltas

Voltas,

Volteios nas palavras,
Torces e retorces,
Valendo-te da tua verdade,
Nada mais importa,
Nos retorcidos volteios,
Da imposição velada,
Do querer ver o já gasto
E fechado portão onde
Constantemente procuras-me,
Assim por meias-verdades assumidas,
Abalas todo o muro que o suporta,
Fazendo pender de novo a corda,
Enlaçada na figueira,
Despertando os espíritos
Os fantasmas que este portão encerra,
Soltos na noite que se abateu em mim!

Sírio Andrade
26/01/2015

Fantasmas!

Fantasmas!

Reescrevo sem longas considerações,
Angústias veladas, perdidas no tempo,
Aninhado em mim, querendo partir,
Escuros lugares de onde quero fugir!

Há trevas que me envolvem, fantasmas,
Desoladores pensamentos, pesadelos,
Triste passado, sempre e sempre recordado,
Na fuga quero, sair de mim e esquecê-los!

Há vontade de mim que me consome,
Recolhe em mim no interior o sofrimento,
Que a ti nada te turbe, neste feliz momento!

Quero dar, sem sair, extrair o negro ser,
Triste e enfadonho, frio e calculista,
Que a capa exterior recolhe cá dentro!

Sou, sem ser, o que vês e não crês!

Sírio Andrade
26/01/2015

Ânsia de viver

Ânsia de viver

“resguardo-te dos espinhos,
que a minha plenitude contém,
dolorosa ocultação em mim,
ferozes desejos carnais,
ânsias, pecados mortais,
em parte, ofereço, em parte, oculto,
e deste meu vulto apenas sombra
de tudo o que sobra, transparência mortal
certeza abismal, cobra solidão, na multidão caído
infamação de um prurido doentio, ego, eu…
de tudo o que é teu, de tudo o que é meu
apenas a velhas telhas de um telhado novo…”

  • eram felizes e não sabiam…

despudoradamente corpos desnudos,
de almas preenchidas e cobertas,
por pensamentos profundos,
complexos, testados, confirmados,
desejados, velados, concretos,
ao invés dos corpos vestidos,
e das palavras gritadas ao mundo
passeiam-se pelas pequenas
e sujas ruas, mas vazios de pensar!…

olham o infinito que se apresenta ali
dão as mãos e caminham, sem um destino comum
sem um futuro… apenas são essa esperança da humanidade
essa que se perdeu na guerrilha de um pedaço de pão
por um sentimento das máquinas, objecto matemático da perfeição
sem a paixão, só um amor, os suporta…
antes que a réstia de humanidade lhes seja morta…

Alberto Sousa
09/05/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Que jamais me desejes de novo…

Que jamais me desejes de novo…

que jamais me desejes de novo
neste corpo gasto senil…
nesta forma abjecta que sou pela erosão do tempo
que jamais te volte a ferver a carne,
nesse desejo de misturar teu corpo no meu
deixei de ser quem era para ser quem sou
um pedaço caminhante de massa carbónica
que sofre o pecado capital da gravidade…
que te importa o que sinto, o desejo da mente?
que te importa eu?
que jamais me desejes pelo nada que te posso ofertar!
“já te amava antes de te f@oder
nos contornos redondos da tua alma
nas formas voluptuosas dos teus seios
já te amava antes de te saber o gosto
o cheiro o perfume da pele
já te amava pela forma quente de articulares um “amo-te”
um “quero”, essa palavras quentes com que imploras ter-me em ti…”
hoje apenas te amo, já sem esse fogoso desejo da jovialidade
e nesse amor que ainda carrego como fardo que suporta a cruz
imploro, que jamais me desejes de novo…
mas logo depois desse teu orgasmo…
enquanto a pele te ferve, e a alma te arde
e todo o nosso mel te escorre pelas coxas…
e sim ama-me… e amar-te-ei… para sempre…
mas que jamais me deseje de novo…
Tiago Paixão
09/05/2022
afúriadapaixão

Ausência

Ausência

Não a escuridão não existe,
É apenas ausência de luz!
Não o frio não existe,
É apenas ausência de calor!
Não o mal não existe,
É apenas a ausência do bem!
Não o ódio não existe,
É apenas ausência de Amor!
Não a depressão não existe,
É apenas a ausência de ti,

Assim estou vazio,
Sem que o espaço em mim
Esteja por ti preenchido!

Sírio Andrade
17/01/2015

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