Caminho Florido!

Caminho Florido!

Pisamos flores, floreado caminho,
Folhas secas do ontem varridas
Arrumadas, debeladas no carinho
Sentir, viagens assim decididas!

Verdejantes prados, assim ladeado
Barreiras erguidas a não transpor
Estrada conjunta decidido amado
Passado no fim, sobrevivente Amor!

À estrada pisada, assim percorrida
Caminhando segura no teu querer
Decisão partilhada assim decidida!

Perfume do ser, num amado viver,
Flores caídas, apagada a duvida,
Amor partilhado, na vida, o ser!

Alberto Cuddel

Anúncios

Em tuas mãos!

Em tuas mãos!

Em tuas mãos o mundo,
Meu ínfimo mundo
O querer, o porquê de viver,
Águas claras, onde lavo a alma,
Alimento que me sacia,
Alegria, a louca corrida,
A vontade de estar,
O porquê de ficar,
O decidir a cada dia,
O voltar amar,
O eterno reconquistar,
Mãos que me seguram
Que me abrem os olhos
No doce acordar,
Seguram areia,
Trazida do mar,
Apartam as ondas
Afastam as vagas
Que me fazem amar!

Em tuas mãos,
Quero viver,
Quero morar!

Alberto Cuddel

E eu, e tu

E eu, e tu

E eu e tu e esta vida castrada de onde não me basto, desmamo-me nessa dor de não ter vivido, nesse medo acutilante nem sei de que, mas dói sem moer sabendo o caminho, com medo de o fazer…

Voaste a cada beijo meu
Neste inferno que é céu
Entre a ilusão e sonho teu
No futuro que se perdeu!

E eu e tu e um passado que nunca aconteceu, e um futuro que no medo morreu!

António Alberto T. Sousa
21/10/2018
Sob Reserva Privada

Sedução!

 

Sedução!

Mãos cruzam-se
E descruzam-se
Como cálidas serpentes
Nas formas de teu corpo
Entrelaçam-se
Enroscam-se
Contorcem-se
Elevando o desejo
Expoente louco
Sedutor!

Sem palavras
Ditas, caladas,
Sussurradas,
Gemidas,
Erótica nudez!

Caudalosamente
Banhado, beijos sem fim
Sucumbo cada investida,
Ritmo frenético
Alucinante movimento
Perfume de teu ser
Que impregna minha alma…

Ofegantemente
Grito alucinante
Deleite do prazer!

Um beijo,
Sempre
Um beijo,
O querer
Abraçado
Apenas em ti!

Alberto Cuddel

Entrevista na RQC

Pecado!

Pecado!

Visão plena e absoluta de teu corpo,
Elevação puríssima do sentir eterno
Pecaminosos desejos carnais no sopro
Criado vaso perfeito do ser materno

Ser perfeito, de suprema elevação
Pensamentos levados na imaginação
Beijo a beijo perco-me no teu infinito
Firmeza querer vontade de granito

Sedentos pecados lívidos e carnais,
Deste mesquinho impuro e pecador
Avido sedento de toques marginais,

Rendo-me perante a visão do pecado,
Amenizado na entrega ao sonhador
Personalizado em ti, meu ser amado!

Alberto Cuddel

Caminho!

Caminho!
No calcorreado caminho traçado junto,
No ontem sonhado hoje percorrido,
Entre tropeços e descansos, corridas
Paragens, levando as costas,
Ou sendo puxado, assim caminhamos,
No nosso traçado, lado-a-lado,
Desejado querer, afirmado assim,
Seguimos amando, sem nunca ver o fim,
Se duvidamos? Muitas vezes…
Pensamos em desistir? Por vezes…
Mas seguimos caminhando
De mão dada, ora puxando
Ora empurrando,
Cúmplices, culpados,
Aliançados, aliados,
Negociando, cedendo,
A cada passo dado,
Assim seguimos o caminho,
Eu contigo,
Tu comigo,
Como foi por nós
Sonhado!
Alberto Cuddel

Entrevista na RQC

Ontem estive na Radio Quinta do Conde no programa ao Encontro da Poesia com Pedro Nobre. A gravação pode ser vista e escutada no link a baixo!

https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=219720252076502&id=472862236079707

Sou mulher não mercadoria!

Sou mulher não mercadoria!

Antes que me desejes:
Conhece-te a ti próprio,
As tuas limitações e defeitos,
Os teus conceitos de partilha,
Revê o teu passado, o presente,
Abre a tua mente, entrega-te,
Sente, acredita, vive, anseia,
Não sou para uma noite,
Sou para uma vida!

Alberto Cuddel

A (nossa) Voz,

A (nossa) Voz,

No principio era o Verbo,
O verbo fez a carne, som
O som se fez voz, e comunicou!
Partilhou o entendimento
A voz desentendeu-se e matou,
Profetizou e clamou no deserto,
Anunciou, cantou, louvou,
A voz do longe fez perto,
Pregou aos peixes, declarou,
Encantou, até perder a fala,
Acarinhou, consolou, apoiou,
Apaixonou, fez história,
Foi incomoda, mal-amada,
Foi silenciada, amordaçada
Amaldiçoada, retirada,
Gemeu, clamou por liberdade,
Gritou clamou piedade,
No fim apenas a voz,
Pensamento feito som!

Alberto Cuddel

Dia 15/10/2018 – Um ano de poesia!

Durante 365 dias sem falhar um único escrevi e publiquei pelo menos um poema, foram usadas varias contas (Facebook), algumas perdidas, mesmo assim todos eles estão na Página de Alberto Cuddel http://facebook.com/AlbertoCuddel e no Blog https://albertocuddel.wordpress.com/ .

Durante este tempo entre 15/10/2017 e 14/10/2018, ri, chorei, emocionei-me, fui de um extremo ao outro, entre a poesia rasca e a de excelência, condicionei-me, obriguei-me a escrever, escrevi inspirado, emocionado, com o coração nas mãos, com lágrimas a escorrer pelas faces.

Mas hoje reservo-me o direito de deixar simplesmente de escrever. Com a mesma convicção com que escrevia. Sei que dificilmente irei editar este projecto, ficaria demasiado dispendioso para mim e mesmo para quem o desejasse adquirir. Assim sendo me despeço com a amizade que todos me merecem, e quem sabe até um dia, numa qualquer tertúlia no purgatório!

Alguém que um dia sonhou ser poeta:

Alberto Cuddel
15/10/2018
Castanheira do Ribatejo, Portugal

Poema do dia 14/10/2018

Poema do dia 14/10/2018

Não, recuso-me a despedir-me hoje,
Já disse, não, não quero um adeus,
Não quero um até sempre, recuso-me…

Seria certo que numa hora como esta ciente da realidade a que a minha vida se destina te dissesse um simples até logo, até amanhã, mas tanto ainda ficou por dizer, por escrever, por beijar, por abraçar, quantos orgasmos nos foram negados por essa mesma vida? Recuso-me a despedir-me, não já disse…

Suspendo o tempo entre a partida e a chegada, entre o pôr-do-sol e alvorada, entre uma metáfora e a outra, entre o querer e o poder, suspendo o tempo entre o rio e o mar, entre a montanha e o vale, entre o céu e a terra, fico apenas suspenso entre um momento e o outro, mas, recuso-me terminantemente a despedir-me…

Não, recuso-me a despedir-me hoje,
Já disse, não, não quero um adeus,
Não quero um até sempre, recuso-me…

Recuso-me a deixar-te vazia de mim, na carência de versos, recuso-me a partir, cheio de tudo o que não fiz e vazio de gestos, recuso-me a boiar na ondulação cadenciada dos minutos, abandonar o calor da tua alma, a despir-me no degelo do peito, na abstinência de me entregar à palavra. Recuso-me a suportar a inquietude de um silêncio que não respira, recuso-me a suportar a ideia de um corpo deitado em leitos de tabuas, enquanto o relógio avança na espera do tempo certo.

Nesta minha recusa, aponho o corpo e o peito aberto ao mundo, neste dourado Outono em que o frio me trespassa, na espera desse dia certo, em que somos de novo, sem pressa, abraço e letras, prosa e beijos, versos, rimas, desejos e orgasmos, enquanto isso convalesço estéril e sozinho, sofrendo de uma doença que nunca tive e para a qual não existe cura, a abstinência de ti, curar-me-ei, quando existir em ti sem despedidas, quando for eu poesia e tu musa dos meus dias, mas agora recuso despedir-me, por não querer ir, apenas para não ter que voltar…

Não, recuso-me a despedir-me hoje,
Já disse, não, não quero um adeus,
Não quero um até sempre, recuso-me…

Alberto Cuddel
14/10/2018
Castanheira do Ribatejo, Portugal

Poema do dia 13/10/2018

Poema do dia 13/10/2018

Choram no leito as almofadas tua ausência
Clamo por tua alma nua contra a minha
Entre o carinho e a segurança do abraço!

Apartam-me as noites por entre madrugadas
Que me sorriem as lágrimas na chegada
Antes que o dia entardeça, morram as borboletas
Que partam todas as andorinhas, quero gritar ao vento
Toda a minha doce sorte, em saber que te amo

Sabes Maria, há dias em que não vivo
Noites em que te perco, não me entrego
Nos dias ausentes dos corpos, saudade
Horas sucessivas de nada, vazias…

Depois de tudo no tempo que nos roubamos
Inventamos todo o outro tempo
Aquele em que nos encontramos sem pressa!

Alberto Cuddel
13/10/2018
Castanheira do Ribatejo, Portugal

Poema do dia 12/10/2018

Poema do dia 12/10/2018
Seguimos o caminho sem medos até onde nos levar
Nesse abraço descomplicado sem ontem
Na segurança de um beijo, de um olhar
Amamo-nos uma e outra vez, e depois
Nessa segurança que o sentir nos dá
São os gestos, bem mais doces que todas as palavras
E os beijos novas juras de uma outra eternidade
Na esperança que nos dói na saudade.
Que seja sempre um acto isolado
Entre um silêncio e o abraço
Embalados pelo som do coração
Batimentos sincronizados,
Desejo e ebulição, seja, alma, seja calma
Pressa, volúpia, querer,
Seja amar, seja apenas viver…
Os dias começam agora, não antes
Apenas agora, neste abraço
Num abrir olhos à cor da alma
Nesta certeza confinada a nós
Tatuamos nos lábios um sorriso
Na serenidade e calma
Que as noites, são o prenúncio
De todos os nossos novos dias…
Seguimos o caminho sem medos até onde nos levar
Nesse abraço descomplicado sem ontem
Na segurança de um beijo, de um olhar
Amamo-nos uma e outra vez, e depois…
Alberto Cuddel
12/10/2018

Porra nada acontece,

Porra nada acontece,

De ontem nada,
Registro limpo de memória,
Entre portas e janelas
Não há vista que te vislumbre
Chegada que te aguarda
Criação, esperança em ti inspiração
Revolve cortinas de fumo
Perfeita visão da rima em falta
Certa palavra na rima que salta
Tudo ou nada enfadonho
Rodo a mesa e cadeirão
Procuro de pé um chão
Palavra firme na revolta
Brilho lustroso na volta
Sentir louco e incerto
Não sabendo hoje, longe
Ontem fora tão perto
Revolta fingida no certo querer
Desejo oculto envergonhado
Realizado no escuro acabrunhado
Escondido no silêncio oculto do sofrer
Revolvo nas voltas entre janelas e portas
Escrevendo na ausência
Palavras em tortas linhas direitas

Ó Deus, dá-me paciência
Não meras palavrinhas!

Alberto Cuddel

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: