Despes-me a alma, na tua nudez

Despes-me a alma, na tua nudez

Despida inquires-me:

– amas-me, desejas-me além do corpo que te sirvo?

Que nesta vontade do sentir
Existamos aqui, diante dos corpos
Esse tesão da alma que se consagra…
Que sem tempo me ames
Nos beijos, nos loucos joelhos
Que me prendas em ti e por ti
Loucas sejam as mãos e as noites
Vontade que te cresce nos seios
Que seja tu, eu, e nós
Que seja loucura, vontade
Querer, gemer, verdade…
Que seja sentir, definir, possuir
Aqui, ali, não importa
Que seja sem tempo
Sem interrupções
Que venhas, que fiques
Que permaneças em mim
E por fim, bem lá no fim
Que tudo seja prazer
Que tudo seja viver
Que as noites, as nossas noites
Jamais tenham tempo…


Tiago Paixão
24/01/2021
12:45

Joana Vala – Promessas, só promessas

Desafiado por Ruth Collaço a escrever sobre uma imagem

Joana Vala – Promessas, só promessas

tenho engarrafado desejos, reprimido os sonhos
– e tu? quando libertas as promessas feitas?

percorremos a vida atrelados ao mesmo lar
confinados neste marasmo dos dias e das noites
onde guardas as chaves da paixão que sentias?
não é a vida, não sou eu… que desculpas inventas?

nessas promessas repetidas, onde te deixaste morrer?

cai do pedestal, faz-te à estrada comigo, seja azul o comprimido
não me importa, mas vive… faz-te de novo…
se me desejas mostra-o… não te encerres em ti mesmo…
destranca-te dá-me a chave que te liberta…
faz-te tesão e ama-me…

faz-te à estrada comigo, ou simplesmente despeja todas as promessas
descarrega a ilusão, e deixa-me caminhar sozinha
puxando o atrelado do desejo até encontrar quem o puxe comigo…

para que eu possa ser:
novamente mulher, novamente Joana…

19/01/2020
21:07

Com a gentil autorização de:
https://www.facebook.com/joaogomezphotography

As chaves da saudade

Desafiado por Ruth Collaço a escrever sobre uma imagem

As chaves da saudade

entre promessas e desejos de uma paixão crente
há essa impossibilidade de distância a percorrer
não daqui a aí… mas a distância do sonho à realidade…

há esse movimento circular de rodar, de contornar o corpo
esse querer consciente de beijo, de te desnudar a alma
como viagem persecutória ao combustível do desejo…
será a viagem da vida essa loucura de sonhar o orgasmo?

entre chaves e portas, entre promessas e desejos
sonho-te liquidamente em mim, como a viagem
em que ao plano físico atrelamos os sonhos
desejo e saudade, do que será, depois de ter sido…

entre promessas e desejos, carregamos o sonho…

Tiago Paixão
19:46 19/01/2021
a fúria da saudade

Com a gentil autorização de:
https://www.facebook.com/joaogomezphotography

Promessas e desejos…

Desafiado por Ruth Collaço a escrever sobre uma imagem

Promessas e desejos…

há nas chaves dos desejos uma promessa de sonho
esse querer acordar noutro tempo e noutro lugar…

há um caminho de realidade a percorrer
não sonhar, não criticar, não idealizar…
mas um caminho de ficar, de esperar,
um caminho a cumprir, a prevenir…

de que me valem os sonhos se o amanhã não existir
de que me valem os desejos de beijos se não houver a quem beijar…

não basta criticar… mas sim também fechar a porta…

Alberto Cuddel
19/01/2021 18:08
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XIV

Com a gentil autorização de:
https://www.facebook.com/joaogomezphotography

Na pressa de ser já

Na pressa de ser já…

Não espero amor… não sei esperar
Amamos, queremos que seja agora
Que seja já…
Deixa vestidas as vestes, uma abre-se
Outra arreda-se…
O amor não tem hora, no desejo
Que seja já, que seja agora…
Deixa que te ame na pressa
Na vontade de estarmos
De nos unirmos e fundirmos
Único sentir, único viver
Único movimento, único prazer…
Na pressa de ser já, não há hora,
Que seja vontade, desejo, amor
Que seja, razão, paixão, tesão
Que seja já, que seja agora…
Fodamos, satisfaçamos esta fome
Este tesão louco que nos consome
Que nos trespasse a alma o orgasmo
Gritemos juntos o prazer
De nos foder mutuamente…
Ama-me… Loucamente
Sem qualquer pudor…


Tiago Paixão
18/01/2018
19:21

Na loucura furiosa do sonho…

Na loucura furiosa do sonho…

fossem nas memórias sentidas como reais
esse louco tesão do pensamento entre odores e desejos
todas as imagens loucamente imaginadas
sentida nas palavras partilhadas, no toque dos dedos
quero-te aqui, apenas aqui, sem esperança vã
sem pensar o amanhã ou o depois
quero-te amar, na loucura do sexo
quero foder-te, oferecer-te todo o prazer
esse que sentiste e todo o outro que desejaste…

quero arrancar-te do pensamento
quero o teu cheiro no corpo,
o teu sabor nos meus lábios
o teu gozo na minha boca
quero-te minha, apenas minha
e arrancar do meu corpo
da minha alma, dos meus dedos
esta saudade que doi, que magoa e chama…

quero que o mundo se cure
que a nossa paixão perdure
que o corpo se rejuvenesça
que eu ame e peça
quero-te toda, de alma e vida
quero-te minha
dono e senhor de todos os teus orgasmos…

Tiago Paixão
16:58 06/01/2021
a fúria da saudade

Nesses beijos prometidos, que ficaram por dar…

Nesses beijos prometidos, que ficaram por dar…
(Ou a saudade do que poderia ter sido sem ser…)

e foram dois… um quase roubo cometido aos teus lábios…
o calor da tua face, as mãos tremulas do abraço
esse desejo dos corpos à média luz
com os olhos do mundo sob nós…
como te queria, como te quero…

ali…
mesmo ali onde os nossos corpos pela primeira vez se tocaram
em que a nossa pele tremeu com o odor dos nossos corpos
onde o nosso olhar tantas vezes fez amor
desejei-te, desejo-te…

quis abraçar-te eternamente e fugirmos dali…
naquele canto escuro onde bailaram todas as emoções
onde sonhamos fazer amor, bem ali, no sofá
que se lixasse o mundo e as gentes
queríamo-nos, queremo-nos…

hoje afastam-nos as doenças do mundo
e os olhares condenatórios dos homens…
mas amanhã, amanhã não…

Tiago Paixão
16:22 06/01/2021
a fúria da saudade

Aniversário

Aniversário

A cada dia desta alma velha
Segue-se uma noite sombria
Entre um acordar e um adormecer
Sabe-se viva, no seu viver…

No tempo em que festejava o meu aniversário
Não era feliz, não conhecia a felicidade
Faziam-me bolos, festas e presentes
Mas eu, eu não podia ser feliz…
Eu não escrevia nesse tempo…

No tempo em que festejava o meu aniversário
Em que esperava o amanhecer,
Não conhecia o viver ou o prazer
De não celebrar, de não esperar
De viver cada dia como ultimo…
Hoje, não celebro, não faço anos…
Hoje, apenas faço e conto os dias…

No tempo em que festejava o meu aniversário
Em que os pais, irmãos, tios e avós
Se juntavam à mesa em festa, celebrando
Nesse tempo, eu apenas estava ali…
Hoje, hoje sou, existo, sem saudades desse tempo
Esse tempo foi, existiu, hoje passa
O tempo passa sucessivamente
Por entre minutos e segundos
Descontando vida….

Hoje, apenas não faço anos
Deixei de os fazer ou contar
Deixei de me importar com o receber
Hoje, apenas o calendário me dá notícias
Desse tempo passado em que fazia anos…

O tempo passa,
A cada dia desta alma velha
Segue-se uma noite sombria
Entre um acordar e um adormecer
Sabe-se viva, no seu viver…

Alberto Cuddel
14/01/2018
00:10

Poema inspirado num poema de Álvaro de Campos
Aniversário de 15/10/1929

Um outro

Aniversário

Diz o calendário e minha mãe que hoje foi domingo
Diz o calendário e minha mãe que hoje choveu
Diz o calendário e minha mãe que as 15:00 nasci!

Dizem, mas a verdade é que não me lembro…

Não me lembro do tempo em que não via as cores
Não me lembro do tempo em que não sabia ler
Não me lembro do tempo em que não sabia escrever
Não me lembro do tempo em que nasci…
Não me lembro do tempo em que não sabia amar
Não me lembro do tempo em que não me conhecia…

E tantas vezes não me lembro
de alguma vez me ter lembrado
Que hoje é o meu aniversário!

Mas afinal hoje,
Um dia após ontem,
Um dia antes de amanhã
Hoje é o dia em que muitos
Lembram o que poucos esqueceram…

Alberto Cuddel
14/01/2017

E porque o meu aniversario é amanhã…

E porque o meu aniversario é amanhã…

o dia do meu aniversario é amanhã
não é hoje, e se não fosse amanhã, ou se não fosse lembrado, nada aconteceria
já houve um ano em que foi hoje,
porque tu com todo o teu amor de mãe, te enganastes
mesmo com aquele bolo de dois andares e cobertura de açúcar, com perolas brilhantes
não foi no dia que havia de ser, mas um dia antes…

o meu aniversario não é hoje. mas quem se importa? comemoramos o quê?
mais um dia de conhecimento? a subtracção de um dia à esperança de vida?
que me importa o somatório dos dias em que vivi, se em tantos deles dormi…
porque não contamos as noites? mas apenas os anos?
quem se importa com os anos?

virão os Invernos, e depois as Primaveras…
e os abraços prometidos, beijos desejados
as sementes perdidas, as sementeiras dos campos
virão as chuvas e as neves, as tardes quentes…
e virá o tempo que não se conta, e o outro que passa…
e esse tempo que perdemos a caminho de coisa nenhuma

o meu aniversario é amanhã
um dos aniversários que tenho, dos tantos que inventei e que poucos se lembram
ainda há muitos que recordam aquele domingo chuvoso…
seriam umas quinze e trinta, e irrompi por entre as pernas da minha mãe
e gritei… não me importo se o esquecessem… já não me faz falta que o lembrem
já vivi mais, do que me falta viver…

o meu aniversario é amanhã…
nem todos se lembram
mas eu sei que descontarei ao que me resta
um dia, aos dias que me faltam…

o meu aniversario é amanhã…
e mesmo que não fosse
o mundo seria o mesmo mundo
e eu o mesmo que sou…
mesmo que ainda não saiba
o tempo que me resta…

Alberto Cuddel
13/01/2021 00:05
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XI

Ecos das palavras solitárias gritadas contra os gigantes de pedra

Ecos das palavras solitárias gritadas contra os gigantes de pedra

dessas palavras gritadas sem resposta
eco inglório de um por do sol esquecido
há a reconquista do beijo, passo a passo
beijo a beijo… enquanto contamos andorinhas que não chegam
rasgamos as vestes dos que se cobrem a coberto da pressa
sem tempo para dois dedos de conversa, de face oculta
pela mão do amigo, vivem, numa qualquer cobertura de um palácio

– há quem tenha bons amigos…

“sábio é aquele que conhece os limites da sua ignorância”
e grito contra gigantes de pedra palavras vãs e solitárias
dessas que não mandam cantar um cego
mas que nos aliviam a alma…

– onde morrem os poetas sozinhos?

sinto perante o rebaixamento dos outros não uma dor,
e grito esse desconforto, mas é um desconforto estético e uma irritação sinuosa.
não é por bondade que isto acontece, mas por malicia, não pelo asco
mas sim porque quem se torna ridículo não é só para mim que se torna ridículo,
mas para os outros também, e irrita-me que alguém esteja sendo ridículo para os outros,
dói-me que qualquer animal da espécie humana escarneça à custa do outro,
os outros que se rirem à minha custa não me importo,
porque de mim para fora há um desprezo profícuo e blindado.
mas dos outros? dos outros enraivece-me…

    - e os poetas sozinhos, riem-se do cair da noite?

resisto ao silêncio que mata atirado contra as paredes brancas
há neste estado de coisas uma solidão estatal
como se para gritar, todos se virassem de costas
sempre olhei o cume dos montes como absurdo
como que a altura do mesmo fizesse tardar do dia
ou simplesmente adiantar a noite…

    - e os poetas sozinhos, desenham silêncios em palavras gritadas… 

contra uma bola de hélio, que arde no firmamento…

Alberto Cuddel
11/01/2021 00:10
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha IX

Teu …

Teu …

Sou sem rumo certo,
Marido trofeu, poeta teu,
Amante insatisfeito, insaciável
Incansável de teu ser…
Sou, um pouco do tudo
Sonhado, que em ti foi
Por mim realizado!

Alberto Cuddel

Luares de sangue

Luares de sangue

rasgam-me o peito as palavras ladradas e as cadelas no cio
nesses uivos contidos por sopros na noite…
há demónios soltos na planície árida de uma folha vazia

rubras são as horas negras da solidão
cálidos os pecados ocultos pela devassidão máscula
em doces palavras escritas por dedos trémulos
egos inflamados habitantes de decadentes corpos…

há lobos feridos em peles de cordeiro
e cordeiros mal vividos moribundos que se arrastam
curandeiros que os procuram, curam e domesticam
aprisionando-os em grades tépidas de algodão…

e fodem… sob o peso da lua que os esconde

esses lobos velhos em espíritos juvenis
como se morressem depois, felizes…
matando e ferindo a matilha alfa que deixaram
na segurança da toca…
há luares de sangue que se erguem no rebanho…

Alberto Cuddel
10/01/2021 05:02
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha VIII

sem titulo

sem titulo

sem titulo
sem versos
sem rimas
sem ideias
sem mensagem
mas que raio de poema,
sem imagem
sem tema!

apenas assim,
como um céu nublado,
preludio do sol,
esse sim amado!

fora eu poeta,
fora eu autor
escreveria um mundo
um mundo de amor!

Alberto Cuddel®

Somos

Somos

Eco da palavra pensada
Eco da palavra fingida
Eco da palavra sentida
Palavra, verso, poesia!

Rima, parelha, saudade
Letras, sentir, verdade,
Poema, som decorado
No coração gravado!

Somos poesia,
Do dia a dia,
O poema da nossa vida!

Alberto Cuddel

28/06/2016

Rasga-me a saudade no reflexo ti

Rasga-me a saudade no reflexo ti

Quero que me tenhas, que me possuas
Que fique em ti gravado na eternidade o meu perfume
Quero o meu sabor nos teus lábios,
O meu suor no teu corpo, quero-me em ti…

Que no teu peito me sintas, como teu
Aprisionado na alma, no coração
Apenas como teu, não fruto proibido de uma noite
Mas uma verdade absoluta do sentir
Uma noite de amor, eterna, sem dormir…

Que o sol desvirgine a madrugada
Que rasgue os lençóis negros da noite
Mas é em ti que permaneço
Mesmo depois de partir, depois do beijo
De todos os orgasmos prometidos e entregues
É em ti que permaneço,
Em ti que em teu peito me guardas,
Em ti que meu perfume consomes
Que te abraças à almofada fria e triste…

Rasga-me a saudade no reflexo ti
Até que regresse numa qualquer noite
Sem que me esperes…
Para que te conforte
No meu abraço…

Tiago Paixão
03:34 28/12/2020
a fúria da saudade

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