THE END

Despedida…

1590 poemas depois abandono o blog, a todos os que me seguiram o meu muito obrigado! foi bom sentir o vosso apoio e calor humano, foi bom crescer com as vossas criticas! quem sabe um dia, algures no futuro eu regresse.

Um enorme abraço,

Alberto Cuddel

O Estagiário

Capitulo II
Parte I

Não consigo parar de pensar, Gustavo foi o primeiro homem a oferecer-me um orgasmo, conduzir com todo o dia a passar-me na mente sob as luzes da cidade parece-me uma experiencia surreal, todo me parece tão estranho, como um sonho, demasiada informação. Gustavo tinha vindo atrás de mim, um pretexto estranho, mas a verdade é que me deu uma das maiores provas de amor… Concentro-me apenas em chegar ao destino, para voltar a sentir aquele homem em mim, sentir os seus lábios, as suas mãos, a sua profunda habilidade para com a s mulheres, quem o terá educado? Melhor nem pensar nisso, saber que tantas já o comeram, já enlouqueceram sob o seu corpo… Acabo de chegar, não existe lugar de estacionamento, duas voltas ao quarteirão e nada, e agora? Ligar ao Gustavo, provavelmente existe garagem.
– Estou, Gustavo?
– Sim Andreia, algum problema?
– Sim não encontro lugar de estacionamento.
– Espera à porta, já desço.
– Ok, até já.

Provavelmente existe garagem, menos mal, não me está apetecer andar pela rua apenas com um vestido preto… hummm… recompõem-te mulher, deixa essas ideias de lado, pelo menos até chegar ao apartamento.

– Olá mais uma vez…
– Olá, demorei muito?
– Não, hummmm
– Hummm? Quê?
– Muito sensual… apeteces-me
– Isso é bom, mas agora espera, onde ponho o carro?
– Ok, logo ali à direita na entrada de garagem. Box 3.
– Box?
– Sim garagem fechada.
– Interessante…

A minha mente começou logo a fervilhar… uma garagem fechada, será que chegamos ao andar? Gustavo não perde a oportunidade de me excitar, coloca uma mão na minha perna, entrando pelo meu minúsculo vestido, imediatamente a retido…
– E que tal deixares parar o caro?
– Desconcentro-te assim tanto?
E beija-me o pescoço, ao ponto de ter que travar a fundo, para não embater.
– Podes parar?
– Ok… parado…
Quase nem deixou parar o caro e beijou-me, voraz quase descobria o que lhe tinha preparado, sem qualquer roupa interior… bem as ideias da garagem passam-me, um pouco apertado para pensar em oferecer-lhe um striptease enfrente ao carro… não importa… estou demasiado erótica, este homem solta-me…
– Podemos subir?
– Sim claro… Andreia.
Entramos no elevador, hummm… um adorável e desejável botão de stop, a minha mente viajou, podia carregar nele, por favor Gustavo, carrega nele… Come-me aqui mesmo… lentamente vejo a sua mão viajar até a betoneira, clica no 3º andar, no meu prédio daria mais tempo. O elevador fecha as portas e arranca, Gustavo por detrás de mim, agarra-me contra ele, fantástico, leu-me os pensamentos, o elevador detém-se…
Rapidamente descobre que apenas o vestido me cobre, as suas mãos vagueiam, já pelo interior do meu vestido, enquanto me beija a nuca, tento virar-me, mas não o permite, afasta-me ligeiramente as pernas, apenas para me passar a mão e me sentir toda húmida, desejando, querendo-o… sussurra-me com aquela voz doce:
– Quero-te…
– Eu também te quero…
Senti-o desapertar as calças, tento virar-me, mas impede-me…
– Apenas com uma condição?
– Sim… Gustavo…
– Colocas-me o preservativo?
– Hummmm, parece-me um fetiche teu…
– Uma forma de partilha…
Viro-me e seguro-o contra mim, beijando-o, chupando a sua língua… ele retira o preservativo do bolso, ouvi o som da embalagem a rasgar… e oferece-mo, baixo-me, e aproveitando abocanho-o antes que me pudesse impedir… Apenas uma lubrificação, senti-o latejar dentro da minha boca, senti-o delirar… quero-o em mim, coloco-lhe o preservativo, desenrolando-o devagar, olhando-o nos olhos, todo ele é estase… ergue-me com força, e vira-me, levantando-me o vestido, curva-me para a frente, fazendo-me apoiar as mãos na porta, abre-me as pernas, e penetra-me de uma estocada só, uma sensação única, como se o tempo parasse, todo o ar dos pulmões retido no seu interior expelido de uma só vez, mordi os lábios para não gemer alto… retira-se de mim, para nova e forte penetração… toda eu estremecia a cada vez que me preenchia profundamente, foi aumentando violentamente a cadência, agarrando-me pelos quadris, quase não conseguia respirar, apenas o queria em mim, até que num gemido lancinante senti-o plenamente… caindo sobre mim…

Tiago Paixão

O restante apenas guardado para a versão impressa..

 

 

O Estagiário

XI

Parte X

Imprimi alguns dos documentos que queria discutir com ele, tinha urgência em entender todo este interesse, existe algo escondido, não podia ser meramente por mim. As ideias fervilhavam-me na cabeça, qual era o interesse dele nisto tudo? Mesmo assim não queria estar a sujeitar-me a um jantar que nada tinha de social, queria apenas falar com ele, a ideia de estar com outras pessoas naquela hora parecia-me ridícula. Não me cuidei minimamente, nem sequer me lembrei disso. Finalmente chego, fico apenas uns minutos no carro, com as mãos agarradas ao volante, com petrificada, não sei o que pensar, como agir, muita informação de uma só vez. Mas aqui nada mudará a não ser a congeminação de conspirações mirabolantes, “vamos lá Andreia, força, enfrenta a verdade.”
Ora então, 3º andar. “não me adianta tremer”.
– Sim?
– Sou eu.
– Ok, sobe.
Não consegui ver nada, nem tão pouco o nome na campainha, estava cega, apenas queria ver tudo esclarecido.
– Olá, eu sabia que virias.
Gustavo ensaiou um beijo, mas virei a face.
– Entra,
– Obrigada.
– Põe-te à vontade.
– Estás sozinho?
– Sim quem querias que aqui estivesse?
– Pensei que morassem aqui os teus pais.
– Não, infelizmente não.
– Infelizmente?
– Sim, perdi-os num acidente há três anos.
– Lamento Gustavo.
– Foi uma tragédia, um período difícil.
– Isso foi mais ou menos quando te conheci.
– Sim foi nessa altura.
– Então moras aqui sozinho?
– Sim, não tenho mais família, a minha irmã também faleceu nesse acidente.
– A tua irmã? Tinhas uma irmã?
Na minha cabeça uma luz acendeu-se, não, não era possível que Gustavo fosse o irmão da Teresa. Há três anos tinha perdido a melhor amiga também num acidente, e nem ao funeral pude vir, pois estava no estrangeiro em trabalho, já também com todo o processo de divórcio. Foi nessa altura que conheci Gustavo, um jovem estudante do programa Erasmos.
– Sim tinha, Teresa, julgo que a conhecias, andou na mesma universidade que tu, e mais ou menos na mesma altura.
– Se a conhecia? Era a minha melhor amiga.

Tudo começa a fazer sentido, o Pai do Gustavo era um grande empresário da construção ao nível internacional. Só não me lembro do nome da empresa, não pode ser? O Gustavo é o dono da Thacil SA.
– Desculpa Gustavo, mas agora tudo começa a fazer sentido o teu pai não era o dono da Thacil SA.?
– Sim era.
– Que hoje é tua?
– Não, não é.
– Como não é?
– Um processo complicado, devido aos credores, hoje tenho apenas uma pequena parte que me permite viver bem, mas os reais donos são um fundo de investimento internacional.
– Dai todo o teu interesse neste projecto e a tua entrada na empresa como estagiário, apenas para minar este projecto. Agora tudo começa a fazer sentido Gustavo, desiludes-me cada vez mais.
– Não Andreia, estás muito longe da verdade.
– Estou aqui, porque não me contas a verdade então?
– Vem comigo, estou acabar o jantar.
– Quero lá saber do jantar Gustavo.
– Mas quero eu, ainda não comeste hoje, e não são uns minutos ou aquilo que te vou contar que te irão retirar a necessidade de comer.
– Quero que me expliques tudo, porque não foste honesto comigo desde o início?
– Sem todas as provas jamais acreditarias em mim. Pois mesmo agora tens dúvidas.
– As minhas dúvidas não são relacionadas com o projecto, esse é para parar, fizeste um excelente trabalho de recolha, as minhas dúvidas prendem-se com os motivos, e porque eu? Porque a sedução?
– Nem sei por onde começar Andreia, sei que não foi totalmente honesto contigo.
– Que tal pelo inicio?
– Sim pelo início, podes chegar-me o arroz da dispensa, ai ao teu lado esquerdo?
 Que raiva, tudo a minha volta a desmoronar e ele ainda pensa no jantar?
– Toma o arroz, e podes começar.
– Pelo princípio não é?
– Sim pelo princípio, quero entender tudo isto.
– Lembras-te do dia em que nos conhecemos?
– Não, mas que importância tem isso agora Gustavo, quero perceber o porquê de ontem, disto, que importância tem quando e onde nos conhecemos?
– Toda, pois ontem e o hoje como dizes, começou nesse dia.

Não me consigo recordar, era uma altura muito complicada, com toda a minha vida a desmoronar, como espera que me lembre do dia em que o conheci, ou do que falamos?
– Desembucha de uma vez Gustavo.
– Certo, conhecemo-nos numa viagem de avião, de Paris para o Porto, nessa altura estavas muito em baixo, com o teu divórcio com o Victor, com os dois clientes que tinhas perdido. Mas durante essa viagem falamos essencialmente, sobre engenharia, principalmente ética e segurança, em como o mundo empresarial descurava a segurança visando apenas o lucro, eu estava no penúltimo ano e à procura de uma grande empresa para estagiar, na altura até me disseste que se não fosse o divórcio escusava de continuar a procurar, pois oferecias-me o estágio na Comais Lda.
– Sim mas em que é que isso nos traz ao dia de hoje?
– Pois bem, quando soube Comais Lda. tinha aceite um projecto recusado pela Thacil SA. isso deixou-me preocupado, pois nunca seria um projecto seguro. E quando me disseram que serias tu a responsável pelo projecto isso deixou-me mais preocupado ainda.
– Mas não me podias ter alertado?
– E irias acreditar num engenheiro inexperiente? Que era sócio de uma empresa concorrente?
– Provavelmente não, mas iria deixar dúvidas?
– Que dúvidas? Se nem nenhum dos estudos anexos ao projecto suscitam duvidas quanto à segurança e viabilidade do hotel?
– Talvez tenhas razão.
– Eu sei que tenho, importas-te de por a mesa?
– Onde estão as coisas?
– Na gaveta da mesa e o armário atras de ti.
– Não sei o que estás a fazer mas cheira bem.
– Normal, começas a ficar mais calma e a entender.
– Mas não acabamos quero saber tudo.
– E vais saber Andreia, mas antes devo confessar-te uma coisa que tenho atravessada na garganta já há uns três anos…
– O que Gustavo?
– És uma mulher fantástica.
– Não desvies a conversa.
– Tens razão. Mas vamos comer e continuamos a falar.
Gustavo passa mesmo junto a mim, a sua presença mexe comigo, será que tudo isto tem apenas a ver com uma paixão, sem outros interesses mirabolantes congeminados até a exaustão?
– Andreia?
– Sim.
– Amo-te…
– Gustavo não é altura para isso.
– Mas eu necessitava de o dizer.
– Em nada altera o que quero saber.
– Altera sim Andreia, altera tudo.
– Como assim?
– Vamos comer, já continuamos a conversa. Vinho?
– Sim acho que estou a precisar.
– Continuando, quando soube que era tu a engenheira responsável pelo projecto não hesitei, enviei o currículo para a Comais Lda. Para fazer o estágio, pois ainda não o tinha feito, e com as notas que tinha tido de final de curso sabia que dificilmente seria recusado. O mais difícil foi convencer o Victor para fazer o estágio contigo sem levantar suspeitas. Mas nem foi nada do outro mundo, o 20 a cálculo de estruturas elevadas falou por mim, nem pestanejou. Isso permitiu-me acompanhar e ter acesso a todos os documentos e estudos, só não contava que me fosse recusado o acesso ao estudo geológico efectuado pela Thacil SA. o que me atrasou bastante, pois tencionava avisar-te ante de iniciada a construção.
– Mas mesmo assim ainda não consigo perceber o porque de tudo isto?
– Andreia? Está assim tão complicado perceber?
– Não tem a ver com o projecto, mas contigo, não quero que estejas envolvida numa situação que pode colocar em risco toda a tua carreia, apenas por o Victor querer o lucro a todo custo sem olhar a meios.
– Não acredito Gustavo, tudo isto apenas por mim?
– Sim eu já te disse, eu amo-te não te queria ver acabar assim, em risco de inclusivamente ser julgada criminalmente caso a segurança fosse posta em causa.
– Mas e agora Gustavo?
– Agora deves suspender a obra, o que não é difícil, pois está apenas nas fundações e expor o estudo falso, inviabilizando por completo o projecto, tu não tens culpa pois tudo foi planeado assente num estudo errado, em conclusões erradas.
– Fizeste tudo isto por mim? Apenas por mim?
– Sim andreia.
– Desculpa-me Gustavo, por ter pensado tão mal de ti.
– Nada de desculpas, ainda temos o resto da noite e o domingo.
– Esta bem, mas eu sai de casa à pressa nem me preparei.
– Estás muito bem Andreia.
– No fim de jantar irei a casa.
– Como queiras mas não estava a pensar sair.
– Sim, eu também não. Mas de qualquer da formas quero passar em casa.
– Certo… queres que vá contigo?
– É melhor não Gustavo, da ultima vez nem saímos de lá.
– Sim tens razão, queres café?
– Sim, depois vou lá. Meia hora no máximo.
Um homem que se expõe da forma que se expos por mim, por mim apenas? Como pode o Amor ter este poder de alguém arriscar tanto apenas para salvar a pessoa que ama? Será isto uma prova de amor? Sei agora que nunca conheci o amor, com o Victor tudo foi natural sem grande entusiasmo, começámos sair na universidade, depois estagiamos juntos, ele formou a empresa à custa dos pais, casamos, mas nunca existiu intensidade, amor. Cheguei a casa, nem sei bem o que vim fazer, apenas queria um tempo para pensar. Bem vamos lá a isto, se é para ser que seja… tomei um banho, lembrei-me de ontem, irei preparar uma surpresa para o Gustavo. Vesti um vestido preto, apenas penteei o cabelo, sem muita maquiagem, um necessaire com o essencial e uma muda de roupa para o dia seguinte, não vá ficar por lá. Bem está tudo, vamos começar a viver. Espera ele ontem não tinha preservativos, será que os tem em casa? Talvez seja melhor estar prevenida, para azares já me basta o projecto.
– Estou? Gustavo?
– Sim?
– Vou a sair agora.
– Cá te espero.

Continua
Tiago Paixão

O Estagiário

wordpress-developer-748x420Parte IX

– Tinha pedido uma opinião a um colega meu geólogo, sobre os terrenos onde está a ser contruído o hotel no Dubai. Infelizmente todas as minha suspeitas se confirmam.
– Mas que suspeitas, estás a falar de quê?
– Vê tu mesmo Andreia!
Virando para mim o portátil. Estudos geológicos, projecções, analises, relatórios de risco, uma infinidade de documentos.
– Mas o que me estás a dizer?
– Vê o relatório de estabilidade e já irás perceber.
Em letras garrafais, desaconselhada a construção, falha geológica activa com possibilidade de colapso eminente.
– Mas onde foste buscar estes dados?
– Isso agora não é o mais importante, o importante é que vamos ter de fazer alguma coisa.
-desculpa? É importante sim, temos estudos que provam exactamente o contrário.
– Andreia sabes o porque da Thacil SA. ter desistido deste projecto?
– Eles não desistiram, nós ganhamos o cliente, apresentamos uma proposta melhor.
– Não andreia, eles desistiram devido ao terreno. Há muita coisa que não sabes.
Mas afinal quem é Gustavo, onde está o meu estagiário aplicado, dedicado, nem parece ele a falar, tão seguro do que diz.
– Sim parece-me mesmo que alguém me andou a enganar estes meses todos.
– Andreia, peço-te apenas que percas algum do teu tempo a ler tudo isso que consegui obter, acho que no final, sim vale a pena conversarmos. Vou deixar-te tudo numa pendrive, para que possas analisar com calma, depois logo falamos. Pois é conveniente que estejas sozinha, tens ai muita matéria, inclusive criminal.
– Mas espera Gustavo, e nós? Afinal o que aconteceu ontem e hoje, foi só por isto?
– Andreia? Se pensas que me aproveitei de ti? Que tudo isto não significou nada? Acho que eu é que estou enganado em relação à mulher que és.
– Gustavo?
– Se pensas que isto não significou nada para mim, é simples, tens ai tudo o que precisas. No final acho que vais perceber que és mais importante para mim do que alguma vez imaginaste.
Desligou o portátil, arrumou tudo, deu-me um beijo na testa.
– Espero noticias tuas Andreia! Até mais!
Não consigo fazer mais nada para além de pensar nisto, se tudo for como me mostrou o Gustavo, toda a minha carreira, toda a empresa pode estar em risco. Tenho que manter a cabeça fria e analisar e processar tudo isto.
Depois de horas e vários telefonemas para colegas e centenas de trocas de correspondência electrónica, só há uma conclusão, todas as suspeitas de Gustavo se confirmam. Não sei o que pensar, será apenas um estagiário muito aplicado? É verdade que os conhecimentos revelados são acima da média, mas todo este trabalho de recolha de provas e indícios deixam-me inquieta, não são apenas provas de erros na analise, mas indícios de que as mesmas foram forjadas com um prepósito. Tudo isto é demasiado, como é possível por em risco um projecto desta envergadura, será que o Victor está implicado nisto? Não posso acreditar que ele tenha sido capaz, tanto mais que teria muito a perder a penas para me implicar. Victor é o maior accionista da empresa e meu Ex-marido, existe algo muito mal explicado, tanto mais que só agora reflecti, o estudo geológico dos terrenos que deveria ter sido feito por uma empresa independente tinha sido realizado pela empresa da sua irmã. Como pude ser tão ingénua? Preciso de falar com Gustavo, preciso saber como ele se apercebeu de tudo isto, como é que ele sabia da desistência da Thacil SA. qual o seu real interesse em tudo isto? Muitas perguntas, muita informação a processar, o certo é que este projecto precisa ser parado imediatamente, custe o que custar. Tinha que ligar ao Gustavo, preciso saber tudo.
– Gustavo?
– Sim, Andreia.
– Precisamos encontra-nos com urgência.
– Já leu tudo?
– Por isso mesmo, tenho algumas dúvidas.
– Ainda estas com dúvidas sobre os perigos?
– Não sobre isso não, o projecto tem de ser parado imediatamente…
– Então é sobre quê?
– Preferia falar pessoalmente.
– Quando quiseres.
– Posso ir a tua casa?
– Claro que sim, quando quiseres.
– E é onde? (Como se eu não soubesse apenas queria que mo confirmasse)
– Na morada onde estiveste hoje de manhã, Avenida 12 Outubro nº15 3andar.
– Certo. A que horas?
– Pode ser as 19:30?
– Logo que possível.
– Aproveitas e jantas cá, nem deves ter almoçado.
Claro que não, com tudo o que fiquei a saber como podia ter almoçado. Ainda assim no meio de uma crise ele preocupasse se eu almocei ou não? Tudo isto me deixa confusa! Não sei o que sentir ou pensar.
– Isso logo se vê!
– Até já então.
– Até já.
Jantar em casa dele? Provavelmente tem lá a família, não acho que as circunstancias sejam as ideais, talvez umas horas antes e tudo teria sido diferente.

Continua…
Tiago Paixão

O Estagiário

X

Parte VIII

Compras arrumadas, Gustavo continua distante, mesmo assim ajudou-me arrumar as compras.
– Gustavo, queres almoçar aqui ou vamos fora?
Não me chegou a responder, recebeu uma notificação de correio electrónico. A sua face passa de uma indiferença para uma expressão de horror. Algo estava acontecer e esta a deixar-me preocupada! O que podia ser assim tão grave?
– Andreia? O meu portátil ficou no carro, preciso ir busca-lo.
– Sim, vai lá, toma a chaves.
Gustavo deixou o telemóvel na mesa de entrada, não devia fazer mas não consigo resistir! “Desbloqueio por impressão digital”, que desilusão, como eram bons os tempos em que bastava desbloquear numa tecla, como no tempo em que descobri que estava a ser traída ao ler as mensagens do Vítor, o meu ex-marido. Gustavo está de volta. Com o semblante mais carregado ainda.
– Preciso que me dês a tua palavra-chave da rede wi-fi.
– Sim, sem problema, mas o que se passa?
– Já vais saber, e realmente é grave, muito grave.
– Mas é sobre quê?
– Já vais saber, preciso que te sentes.
– Mas é sobre quê?
– Lembras-te de quando decidi vir contigo aqui a casa?
– Sim?
– Devo confessar que quando te convidei para sair, não era apenas por uma grande atracção física, ou por uma paixão incontrolada. Peço desculpa não ter sido totalmente honesto. E falamos sobre isso depois…
– Mas Gustavo…
– Deixa-me falar por favor.
Meu deus? Todo o meu mundo acaba de ruir ali aos meus pés, só me apetece sair dali, como pude ser tão inocente.
– Andreia, espera deixemos o que aconteceu desde ontem fora disto.
– Mas não estou a entender nada Gustavo.
– Como estava a dizer, lembras-te de quando me disseste para subir? Para falarmos do projecto do hotel?
– Sim, lembro-me, mas o que tem isso?
– Pois, o problema é mesmo o projecto do hotel.
– Agora não estou a perceber nada.
– Vê isto? Estava à espera deste correio electrónico há uns dias, acabou de chegar confirmando todas as suspeitas!

Continua…
Tiago Paixão

O Estagiário

IXParte VII

Saiu do carro e entrou na enorme porta dourada, pelo sorriso do porteiro deu para perceber que se conheciam. Nem demorou 3 minutos, vi que trazia uma mala preta, parecia-me um portátil.
– Podemos ir, onde queres ir às compras?
– Normalmente costumo ir ao centro comercial perto de casa.
– Então que seja.
– Mas o que foste fazer?
– Buscar o portátil e preparar umas coisas?
– Como assim buscar o portátil? Moras aqui?
– Sim, algum problema?
Problema? Como problema, mas como é que um estagiário pode morar aqui? Que estupidez, claro que pode, por isso não me convidou a entrar, a casa é dos pais, senti o meu rosto a encarnar de vergonha pelos meus pensamentos. Vamos lá as compras, só ainda não percebi a importância do portátil.
Gustavo continua a surpreender, não só me acompanhou nas compras como revela conhecimentos de gestão de uma casa surpreendentes, será possível existir um homem assim? Não é normal tudo isto, ou eu nunca conheci esta normalidade.
– Bem acho que esta tudo Gustavo.
– Quase.
– Quase? O que falta?
– Detergente da louça pois eu acabei com ele.
Não, definitivamente isto não é normal, um homem lembrar-se do detergente da louça?
– Agora já está?
– Sim, acho que sim.
– Vamos então?

Mais uma vez Gustavo faz o caminho em silêncio, consultando o telemóvel regularmente, como se espera-se alguma coisa.
– Passa-se alguma coisa Gustavo?
– Não, nada…
– Pareces-me preocupado com alguma coisa?
– Não é nada, ou espero que não seja nada…
– Certo, não pergunto mais.
– Espero bem que não tenha nada para te contar.
– Então sempre estás preocupado com alguma coisa?
– Sim, mas não é a altura certa para falar sobre isso.
– Não questiono mais.
Segredos, detesto segredos, uma relação de horas e já há segredos, os segredos deixam-me angustiada, mas que raio esta acontecer, o silêncio, a falta de espontaneidade, nem o facto de ter vestido uma mini-saia, simplesmente ignorou… Um homem tão fogoso, algo o inquieta e pelo rosto é algo de importante, estará relacionado com o portátil? Sim, deve estar, pois já tinha ido de manha a casa e não o tinha trazido, para o ir buscar de prepósito deve existir algo lá importante. O que eu dava agora para poder vasculhar aquele telefone.
– Bem, chegamos.
– Ajudas a levar as compras?
– Sim desculpa, estava distraído.
– Reparei nisso, aliás estas distraído desde que saímos daqui.
– Desculpa Andreia.
– Não precisas pedir desculpa, pois não há nada para desculpar.
– Desculpa, não te dar a atenção que mereces.
– Já disse não precisas desculpar-te.

Continua…
Tiago Paixão

O Estagiário

IX

Parte VI

O choque do dia seguinte.
Acordo de um sono repousante, Gustavo não está na cama, são 10:12, levanto-me a custo, vejo o roupão no fundo da cama, mas nem sinal da roupa de Gustavo, como se nunca ali estivesse estado, apenas o meu corpo dorido apresentava sinais da sua presença…
– Gustavo?
Chamo eu timidamente, mas nada, nem um sussurro, uma resposta. Procuro pela casa, a cozinha impecavelmente arrumada, como se nunca lá estivesse estado ninguém na noite anterior, mas que raio de homem, arruma a cozinha antes de abandonar uma mulher na cama? Nem um sinal, um bilhete, uma nota, uma chamada… nada… sinto-me triste, sempre pensei que fosse diferente, mas afinal é apenas mais arrumado. O que lhe teria passado pela cabeça? Afinal eramos adultos, bastava dizer que precisava ir embora, afinal não pode fugir vai ter que me encarar na segunda-feira. Decido ir tomar um banho, demorei-me aproveitando a água quente no corpo para relaxar.
Está um cheiro estranho no ar, parece torradas… um barulho na cozinha…
– Gustavo?
– Ola bom dia, já acordaste?
– Que estas a fazer aqui?
– A preparar o pequeno-almoço, não se nota? Tive que sair, afinal não tinhas nada em casa, e aproveitei passar em casa tomar um banho e trocar de roupa.
– Serio? Pensei que tivesses ido embora sem te despedir, que te tivesses arrependido?
– Andreia, magoas-me ao pensar isso de mim…
– Sabes bem que… enfim tu entendes
– Sim, entender até entendo, mas eu?
– Desculpa Gustavo, estamos agora a conhecer-nos, é normal que me sinta insegura.
– Então tenho que te dar segurança é isso?
– Com o tempo e o desenrolar das coisas tudo se adquire, segurança, confiança…
– Tens razão, tomamos primeiro o pequeno-almoço?
– Sim claro…
– Tem alguma coisa marcada para hoje?
– Não, para além de ter planeado tratar da limpeza da casa e compras, nada!
– Ok, bom saber isso!
– Estas a pensar em quê?
– Nada, logo vês…
– Como assim…
– Surpresa… deixa que o tempo te guie…
– Agora deixaste-me inquieta.
– Relaxa, toma o pequeno-almoço, precisamos de repor energias!
– Repor energias? O que estas a pensar?
– Nada, sempre inquisitiva, relaxa, deixa-te levar!
Realmente, em que estaria a pensar? Que planos teria engendrado para hoje, eu apenas queria dar uma arrumação à cada que vem precisa e fazer umas compras, aliás, já me envergonhou ao ter que sair para ir às compras. Engraçado, ele vestido com calças de ganha e polo, o meu estagiário…
– Bem, vai vestir-te!
– Como assim, desde quando mandas?
– Desde que dormi aqui, e nem pequeno-almoço existia nesta casa, vai vestir-te que vamos às compras?
– Ir às compras? Contigo? Sempre fiz compras sozinha!
– Isso foi até hoje.
– Anda, vai vestir-te, enquanto eu arrumo isto!
– Mas porque tanta pressa?
– Quero ainda ir buscar uma coisa e ainda temos que limpar esta casa?
– Temos? Eu não te pedi ajuda…
– Bem, para quem dormiu comigo estás muito refilona…
– Tudo bem, vou lá….

A minha cabeça está as voltas, acordo sem sinal dele, saio do banho e tenho pequeno-almoço pronto, agora quer ir às compras comigo e limpar a casa? Será o Gustavo um psicopata manipulador e controlador? Meu Deus, novamente uma descida ao inferno? Não bastou o que passei com o Vítor? O meu ex-marido? Mas e se não for, se tudo me parecer agora manipulação? Será que ele apenas me quer agradar mostrando que podemos partilhar tudo? Não sei o que pensar, tenho as ideias a fervilhar na cabeça. Tudo isto é rápido demais, em menos de 24 horas. Bem vamos lá vestir.
– Estás pronta?
– Quase, deixa-me fazer uma lista.
– Para que? Já que não tens nada?
– Tens razão. Vamos então?
Quando ia a descer no elevador lembrei-me, mas como foi ele a casa se nem as chaves da garagem tinha levado?
– Como tiras-te o teu carro?
– Não tirei, foi de transportes públicos.
– Passaste na portaria?
– Claro…
– A esta hora já todos sabem no prédio…
– De certeza.
– “ Bom dia Sr. Gustavo, dormiram bem?”
– O porteiro?
– Sim, o porteiro…
– Quanto mais queremos privacidade, menos a temos…
– Natural não é Andreia?
– Como assim natural?
– A viver num condomínio com porteiro, todo vigiado por cameras?
– Pois…
– Vamos no teu carro ou no meu?
– No meu, sem dúvida!
A pensar ocultar isto, bem pelo menos na empresa ninguém ira saber, ao menos essa ideia descansa-me.
– Antes de irmos às compras quero que passes num lugar.
– Onde?
– Avenida 12 Outubro nº15.
– Mas isso é no centro, na zona chique da cidade.
– Sim, tens algum problema? É a 10 minutos daqui.
– Não nenhum, mas o que tens lá.
– Já vês…
Suspense, detesto suspense, gosto muito de controlar tudo o que acontece. Mas desde ontem tudo se tem precipitado, estranho todo o caminho o Gustavo veio em silêncio, não mostrando qualquer reacção no rosto, como que tivesse receio de algo. Não consigo descortinar o que lhe vai no pensamento, o que existirá lá, e na zona rica da cidade? Estranho, mesmo muito estranho.
– Chegamos…
– Sim, estaciono?
– Não, espera apenas 5 minutos.
– Mas…
– Já volto.

continua…

Tiago Paixão

O Estagiário

IV

Parte V

Tirei os cafés, ele ia lavar a louça, mas não permiti, também era demais, obriguei-o a sentar-se e foi preparar um whisky. Ao atravessar a porta e ao vê-lo sorrir com um olhar de malicia, percebi que o meu robe se tinha aberto não me fiz de rogada, e optei por provoca-lo ainda mais. Aproximei-me e poisei o copo junto a ele, deixando que admirasse bem todo o meu corpo, ali ao seu alcance. Quando o contornei para me sentar, puxou-me e sentou-me no seu colo. Ali, assim, olhos nos olhos, olhou-me, e beijou-me…
– Quero-te outra vez…
– Aqui?
– Aqui, agora, já…
Senti-o puxar o toalhão por baixo de mim, expondo todo o seu corpo. Ergui-me e deixei cair o roupão aos seus pés, estava de costas, beijou-me as costas as nádegas, um arrepio percorreu-me o corpo todo, nunca tinha feito uma loucura destas na cozinha, virei-me lentamente permitindo que apreciasse bem todo o corpo, que as suas mãos o percorressem. Ele estava loucamente excitado, adorei ver toda a sua virilidade hirta, apenas por mim. Desta não me escapava como me tinha feito antes, tinha-o onde queria, sentado, ali, completamente entregue à merce dos meus caprichos.
– Não comeces nada que não possas acabar.
– Não te preocupes, vim prevenida…
Ajoelhei-me à sua frente, os seus olhos deliravam, como se adivinhasse todo o prazer… queria tê-lo na boca, senti-lo e chupa-lo, já que me tinha negado esse prazer, beijava-o, lambia-o, chupava-o enquanto Gustavo gemia, segurava-se a cadeira com todas as suas forças, como se pudesse em espirito ser transportado dali o seu corpo contorcia-se de prazer, de repente, puxa-me a cabeça para cima…
– Não, ainda não permito que o faças…
– Mas…
– Quero entrar em ti, quero-te mais uma vez…
Tirei então o preservativo que tinha trazido, lentamente rasguei a embalagem ali, diante dele, lentamente… e coloquei-lho, massajando-o.
– Aprendes depressa…
– Tudo o que se faz com prazer é fácil aprender…
Sentei-me no seu colo, permitindo que entrasse em mim, ali na cadeira, eu controlava todos os seus movimentos, as suas mãos alternavam entre as minhas nádegas e os seios que ele delirantemente lambia e chupava como um louco esfomeado. Eu cavalgava nele como louca, em pleno cio… ele então levanta-me e vira-me de costas, fazendo-me sentar nele novamente, arqueia-me o corpo para a frente, potenciando a profundidade dos movimentos, preenchia-me na totalidade, em movimentos de cadência alternada, eu delirava a cada dos seus gemidos.
– Hummm, não vamos terminar aqui.
– Não? Questionei.
– Vamos para o quarto.
Ergui-me, para cumprir os seus desejos, e ele gentilmente, pega-me ao colo, levando-me para o quarto, ali no seu abraço, com as mãos enroladas em volta do seu pescoço, beijei-o todo o caminho.
 Gustavo, perfeito cavalheiro, deitou-me suavemente sob a cama ainda desfeita, mais uma vez delicia-me beijando todo o meu corpo, eu que o desejo em mim mais que tudo, mas ele insiste em brindar-me novamente com a sua língua, com o seu traquejo em explorar toda a minha vontade, todo o meu tesão. Deixa-me completamente louca, apenas o quero em mim, ainda assim ele provoca-me… definitivamente quero-o, desliza então pelo meu corpo, entrando de uma vez, num movimento só, todo o meu corpo estremece quando ele me preenche. Quero-o, fundo, dentro, rápido, lento, simplesmente quero-o. Rebolamos na cama, quero monta-lo, subo em cima dele, brincando com o seu membro hirto, entre o desejo de o ter em mim, e a provocação de não estar lá, provoco-o, excito-o, enquanto se delicia nos meus seios hirtos. Deixo que o meu corpo caia sobre o desejo de me possuir, cavalgo no seu membro em movimentos circulares. Êxtase profundo. Gemendo e gritando a cada estocada, chupando os seus dedos na minha boca.
– Gustavo…
– Sim…
– Come-me de quatro…
– Estava a ver que não pedias…
Simplesmente do outro mundo, a cada investida uma descarga orgasmica percorria todo o meu corpo, arqueava-me, contorcia-me, sendo preenchida por ele, até que não me aguentei mais, ele pressentindo a chegada do orgasmo acelerou ainda mais, fazendo um delicioso uníssono. Caímos na cama, ofegantes, sem conseguirmos falar sequer. Simplesmente extenuados e extasiados. Ficamos apenas deitados olhando o tecto nos braços um do outro. Acabamos por adormecer ali, depois daquele louco momento de prazer.

continua…

Tiago Paixão

O Estagiário

VI

Parte IV

Não queria acreditar, tudo demasiado perfeito, mas que raio, porque Gustavo, tão delicado, tão educado e certinho estava sozinho, tinha que tirar isto a limpo, mas de qualquer das formas, agora nada iria descobrir, decido-me a desfrutar do momento, desta noite de todas as loucuras, e que loucuras, já não me sentia tão mulher há sei lá, demasiado tempo. Seria desta vez? Tudo tão perfeito, tudo tão repentino. Não consigo esquecer a conversa que tivemos no carro, será que tudo isto não passa de uma manobra? Afinal ele dependia da minha avaliação?
– Andreia?
– Sim?
– Vem?
– Sim claro.
Estava absorvida pelos pensamentos que nem dei conta que Gustavo já tinha vindo do banho. Hummm interessante, completamente sem roupa, apenas uma toalha enrolada na cintura.
– Assim ainda te vais constipar.
– Não está frio, ou será que fica quente demais para ti?
-A ideia não está má, mas estou com fome, e não é esse tipo de fome, nesse aspecto acho que nunca fui tão bem tratada.
– Não deve ter conhecido é os homens certos, quem sabe isso não muda a partir de hoje?
Como? A partir de hoje, ele tem ideias de futuro? A ideia fez acender estrelinhas na minha cabeça, nada pode ser assim tão perfeito…
– Bem vamos comer?
– Bem fiz o possível já que não tens quase nada em casa.
– Desculpa, mas não estou habituada a ter visitas.
– Nota-se…
Gustavo fez questão de se sentar ao meu lado, a refeição decorreu com normalidade entre conversas e risos, Gustavo é alguém especial, para além de toda a atracção física evidente existe algo na sua personalidade que me atrai. Gustavo levantou-se para levantar a mesa, até isso ele faz, provavelmente hábitos de morar sozinho.
– Tens café?
– Tenho, quer?
– Sim…
– Deixa estar que eu tiro.
– Certo.
– Queres, beber alguma coisa?
– Sim pode ser.
– Queres o quê?
– Não sei, o que quiseres, surpreende-me…

continua…

Tiago Paixão

O Estagiário

V

Parte III

Desculpa? Mas até nisto ele é diferente? Mas quem educou este homem? Será que encontrei o tal, o paraíso?
– Mas Gustavo, eu não…
– A noite ainda agora começou, temos muito tempo…
– Sim, mas eu vou ter que comer alguma coisa pois estou cheia de fome…
– Estava a pensar no mesmo, tens alguma coisa que se faça?
– Como assim fazer, também cozinhas?
– Bem eu moro sozinho, mal estava se não soubesse cozinhar.
Ele cozinha? Tanta perfeição, devo estar a sonhar.
– Mas tens alguma coisa?
– Acho que só tenho ovos e enlatados disse eu meia envergonhada.
– Serve…
– Onde é a cozinha?
– Corredor, última porta a direita…
– Vais tomar um duche?
– Não me estava a apetecer…
– Acho que devias para relaxar…
Relaxar? Mais? O que é que ele tem em mente?
A visão de o ver sair do quarto sem roupa em direcção à cozinha fez voar a imaginação, há muito tempo que não conhecia um homem com a segurança de Gustavo, principalmente com a idade dele. Bem, não o quero desiludir outra vez, vamos ao duche…
O cheiro vindo da cozinha é fantástico, Gustavo simplesmente é um anjo que me caiu do céu. Sigo ao seu encontro apenas com o robe colocado, ali está Gustavo, fico a admirar aquele homem, apenas com um aventar, com aquele rabo fantástico de fora, com as marcas de alguns arranhões, mesmo assim sexy… volto ao quarto apenas para me pentear, jaz encima da mesinha uma embalagem de preservativo vazio, despojos da loucura. Quem sabe não é melhor colocar outro no bolso?
– Cheira bem…
– Vai saber-te ainda melhor…
– O que fizeste?
– Ovos mexidos, salsicha grelhada, e uma salada…
– Hummm, e eu tinha tudo isso aqui?
– Bem a salada, parte de uma alface que enfim, maçã, meio tomate, queijo em cubos que encontrei, deu para fazer…
– Hummm.
– Vinho, tens?
– Sim vou buscar.
– Posso tomar um duche rápido?
– Sim, claro, as toalhas estão no armário.
– Excelente.

Continua…

Tiago Paixão

O Estagiário

II

Parte II

– Onde está o “a senhora manda?”
– Peço desculpa Andreia, não era minha intenção fragiliza-la!
– As desculpas não se pedem, evitam-se.
Silêncio, acabamos por chegar à porta do apartamento, abri a porta e convidei-o a entrar. E antes que dissesse alguma coisa, agarrei-o eu e aí sim beijei-o com toda a fome, devorando-lhe os lábios. Estava quase imobilizado pela surpresa. Deixei que respirasse e que se recompusesse, agora sim sabia quem mandava ali.
– Poe-te à vontade, queres beber alguma coisa?
– Sim, algo forte, o que tens?
– Tens o bar aí à direita, o gelo se quiseres esta na cozinha, 1ª porta à esquerda. Vou trocar de roupa e já volto.
Deve ter pensado que iria cozinhar para ele, mal sabia ele, que ele era o prato principal. Tiro o vestido e porra, agora visto o que? Bem pijamas com BD não são propriamente apelativos, roupa desportiva muito menos, porque nunca me preparo para esta eventualidades, já moro sozinha há quase dois anos, a verdade é que também não tenho tido uma vida muito activa a esse nível, bem qualquer coisa se arranja, podia ir só em lingerie, acabo por vestir uma t-shirt comprida, mas curta o suficiente para me evidenciar… isto promete.
Porra esqueci-me de fechar a porta do quarto.
– Estas aí há muito tempo?
– O suficiente para apreciar as curvas do céu, queres alguma coisa?
– O que bebes?
– Gim…
– Pode ser também, mas não prepares, bebo do teu.
Nesse instante retiro-lhe o copo da mão, levo-o aos lábios, bebo um pequeno trago, que lho entrego num beijo, quase nem há tempo para pousar o copo, agarra-me pelas coxas elevando-me…
– Gosto disso um homem com atitude…
– Nem imaginas os talentos deste homem…
Senta-se na cama ficando eu no seu colo, as suas hábeis mãos não demoram uma fracção de segundo a libertar-me da prisão do soutien, uma grande habilidade, com apenas dois dedos. Percorre-me todo o corpo, como que o quisesse memorizar. Bocas coladas, liberta-me da t-shirt, do soutien, rebola-me para o lado, ficando ele no controle.
Meu Deus, há quanto tempo não me sentia assim tão desejada, tão excitada, arranco-lhe a gravata a camisa quero sentir o seu corpo contra o meu, os seus beijos profundos enlouquecem-me… Estremeço quando me beija os seios, lambendo e chupando cada mamilo alternadamente, a sua habilidade de mãos enlouquece-me… De repente:
– Temos um problema, não tenho preservativos comigo!
– Serio? Não te preocupes, eu tenho! 
Interessante, vem para um encontro comigo e não trás preservativos, será que nem nos seus sonhos pensou conseguir levar-me para a cama? Gostei disso.
– Posso estar há algum tempo sem ninguém mas continuo prevenida, estão aí na primeira gaveta.
– Nesta?
– Sim?
Levantei-me e abracei-o por trás, as mãos foram descendo, até a sua cintura, desapertei-lhe o cinto, lentamente, sentia-o ofegante, apreciando cada momento, adoro quando o homem, se permite não ter pressa, o botão enquanto lhe beijo a nuca, caem as calças no chão, liberto-o da opressão dos bóxeres… estive tentada a ficar ali aninhada esperando que simplesmente se virasse, mas não, fui subindo acompanhando a curva das suas coxas, até o sentir na minha mão, senti-o estremecer. Deixou o preservativo na mesinha, mesmo à mão. As suas mãos procuravam-me, excitadíssima, pela antecipação. Tentava a custo introduzir a mão nas minhas calcinhas, estava quase conseguindo quando se virou, deitou-me suavemente na cama, eu que o queria sentir quente na minha boca, apalpava-me suavemente os seios, os mamilos hirtos, beijava e chupava como louco, e meu Deus, começou a descer… hummm… retirou-me as calcinhas, acompanhando todo o meu corpo por beijos suaves, até aos pés, para de novo subir, beijando, lambendo, afastando-me as pernas a cada beijo, uma doce e excitante tortura, até que finalmente um beijo suave, e outro, e outro, até que lhe sinto a língua quente, magnificamente hábil, a cada movimento, enlouquecendo-me, como um jovem pode ter esta perspicácia na satisfação de uma mulher, não resisto a segurar-lhe a cabeça, bem contra mim, afagando-lhe os cabelos… doce loucura…
– Sim…

Delírio total, uma raridade encontrar um homem que saiba usar a língua na perfeição, olha-me nos olhos, e ergue-se, deslizando o corpo contra o meu, deixando-me louca, pedindo-me que abra o preservativo, costuma ser um momento constrangedor para os dois, mas não com Gustavo, até esse momento é gerido com estrema sensualidade.
– Queres coloca-lo?
– Nunca o fiz, normalmente não sou eu a fazê-lo.
– Há sempre uma primeira vez…
– Retiras o ar da ponta e vais desenrolando lentamente…
Como é possível que com ele seja tudo tão natural? Insinuei que gostaria de o sentir na boca, mas ele recusou, em vez disso, deitou-me entrando em mim, de uma vez, com uma estranha habilidade, todo o meu corpo estremeceu na cadência, com as mãos no seu delicioso e redondo rabo, onde adoro cravar as unhas, controlo todos os seus movimentos, abraço-o com as pernas, deliciosamente… a excitação é máxima… Gustavo preenche-me na totalidade, levando-me à loucura…
Não, ainda, não… estou no limite, não quero e não o desejo agora, mas um violento orgasmo percorre-me o corpo, não o consigo evitar, uma sensação estranha e violenta… E ele? Meu Deus, que fui eu fazer, normalmente com outros até o tinha que fingir, mas com Gustavo tudo se precipitou.
– Violento? Consegues falar?
A custo consegui gemer um sim…
– Gustavo desculpa, isto não é normal.
– Nada existe a desculpar, vieste-te, tiveste prazer, que mal pode existir?
– Desculpa? E tu? Eu desiludi-te.
– Não Andreia, muito pelo contrário, desilusão seria não teres prazer ou teres de o fingir.

Continua
Tiago Paixão

O Estagiário

I.jpg

Parte I

“… A fome que me cresce no peito
Ânsia da volúpia do prazer quero-te
Não me faças esperar…”

20:00 Chamada no intercomunicador,
– Menina Andreia?
– Sim!
– O Sr. Gustavo espera-a no carro!
– Sim, avise que já desço!
As pernas tremiam-me, nunca me tinha sentido assim, tão expectante, tão insegura, tão excitada, afinal, conhecia o Gustavo há alguns anos, apesar de achar que ele nunca me tinha visto como mulher, fui surpreendida pelo seu inusitado convite para jantar. Nunca pensei que algum dia isso pudesse acontecer, ser convidada pelo Gustavo. O Gustavo esperava-me encostado ao carro.
– Olá boa noite está linda.
– Olá, de fato?
Que frase estupida, meu Deus nem consigo articular um pensamento, Gustavo sorriu, não estava habituada a vê-lo de fato e gravata, no trabalho sempre o vi de polos. Dá-lhe um ar de galã. Depois de dois beijos, dois beijos? Está demasiado formal, acompanhou-me a porta do carro.
– Espero que goste desta noite!
– Porque não haveria de gostar Gustavo?
Não me deu resposta, fechou suavemente a porta. Fiquei acompanhando os seus passos em volta do carro.
– E vamos a onde?
– A um lugar exclusivo, que me foi aconselhado, calmo onde podemos falar à vontade sem grandes interferências, ou prefere algum outro lugar?
– Não pode ser perfeitamente, afinal o convite foi teu, surpreende-me.
Tenho as mãos a tremer, nunca me senti tão nervosa, afinal é apenas um encontro, “apenas um encontro? Porra é o Gustavo.”. Gustavo apenas de ser um estagiário em início de carreira é simplesmente o homem com mais charme de todo o escritório.
– Mas fale-me de si Andreia, tive medo que recusasse o convite.
Teve medo que recusasse? Mas existirá ali alguma mulher que lhe recusasse um convite, é que nem a Gabriela da recepção já quase nos 50 anos, que suspira cada vez que ele passa por ela.
– Antes de mais Gustavo trata-me por tu, não estamos no escritório, e como podia recusar um convite teu?
– Sabe bem porque Andreia?
Não, mas que raio é que ele estava a falar, o meu nervosismo deixa-me incapaz de raciocinar, nem mesmo a diferença de idade é assim tão significativa, são 5 ou 6 anos no máximo.
– Não, mas porque eu deveria recusar o seu convite, um jovem elegante, charmoso, educado, interessante… desejado por todas, ups…
– Realmente, tirando o facto de ser a minha tutora no escritório.
Merda, isso, como não me lembrei disso, isso até pode vir a ser um problema. Realmente, agora reflectindo bem, provavelmente não devia ter aceitado, mas aquele homem faz-me esquecer todas as responsabilidades.
– Tens razão Gustavo como não me lembrei disso, isso pode trazer-nos problemas.
– Andreia, estou plenamente consciente dos meus actos, e não se esqueça que o meu estágio acaba já na próxima terça-feira, e o relatório de avaliação já foi entregue.
Porra, o relatório, nunca mais me lembrei da porra do relatório, será que ele sabe que ainda não despachei o relatório de avaliação e isto é apenas uma forma de me influenciar?
– Sim tens razão, mas mesmo assim, pode não ser visto com bons olhos.
– Andreia, estamos a tempo de corrigir este erro, peço imensa desculpa, também não reflecti, vou leva-la a casa.
– Talvez seja melhor, adiamos este encontro até a divulgação dos resultados dos estágios.
-Sem duvida, não quero que pense que de alguma forma eu a tentem influenciar sobre nada, apenas a convidei por que sabia que a avaliação já estava entregue.
– Apenas por isso Gustavo?
– Sabe bem…
– Sabes por favor.
– Sabes bem que uma mulher como tu não me é indiferente, e que és a única com quem eu desejava sair naquele escritório.

Não sei o que pensar, será que ele queria realmente sair comigo? Não tenho forma de saber, a não ser esperar.
– Bem, andreia, chegamos.
– Sim, muito obrigada por compreenderes a minha posição.
– Claro que sim, não tenho interesse nenhum em arranjar-nos problemas, e foi bom podermos falar fora do escritório, saber que também não te sou indiferente. E não me importo de esperar mais uma semana ou duas se me prometeres que da próxima voltas aceitar.
– Sem dúvida Gustavo, ia adorar um novo convite.
– Bem já cá esta, uma boa noite e bom fim-de-semana.
– Gustavo, por minha culpa ainda não jantaste, não queres subir? Conversamos mais um pouco, posso pedir que nos levem a casa o jantar, há aqui perto um restaurante que faz entregas e a comida é óptima. Além disso existem uns assuntos que gostava de discutir contigo sobre o projecto do hotel.
– E será boa ideia? Subir contigo?
– Espera deixa-me confirmar apenas uma coisa. Sim, contorna o prédio tenho comigo a chave da garagem, escusamos de passar na portaria.
– Ok, mas para quem teve receio de ir jantar, agora queres que suba?
– Uma coisa nada tem a ver com a outra, queres jantar ou não?
– Claro que sim, de entre outras coisas…
– Não te ponha com ideias!
Meu deus, como o desejo, agora que todo o nervosismo desapareceu, apera quero-o, o meu doce moreno estagiário. Controla-te mulher, não deixes que as hormonas assumam o comando, mas como? Já vai para quatro meses desde o meu último encontro, diga-se com justiça, uma perfeita desilusão.

– Estaciona no 17, não mora ninguém nesse apartamento.
– A senhora manda…
– hummm, gostei disso…
Soltamos uma leve e maliciosa gargalhada. Mais uma vez apressa-se a abrir-me a porta, um prefeito cavalheiro. Não se vê muito disto hoje em dia.
– Qual é o piso?
– 7º Andar
– Isso dá-nos algum tempo?
– Tempo…
Antes que completasse a frase agarrou-me pela cintura puxando-me para ele e beijou-me loucamente, afastei-o irritada.

 

Continua….

Tiago Paixão

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