O Silêncio que a Noite Traz

O Silêncio que a Noite Traz, o meu novo livro disponível a partir de Outubro!

 

Soneto de ti

Soneto de ti

Não existirá em mim nada além da morte
Nem dias, nem noites, quedas ou sorte
Talvez por isso escreva compulsivamente
Enquanto ainda amado ser em mim vivente

A vida que na caneta corre já esvanecida
Enaltece sentires devassos, escrita forte
Correntes quentes no gélido mar do norte
Folha branca tantas vezes incompreendida

Barcos ocos navegam à deriva nos versos:
Mulheres do mundo em amores dispersos,
Coração alheio com que poeticamente minto!

Escreveria assim um soneto em si puro,
Sendo de ti um quente e desejo duro,
O amor doente que em mim de ti sinto!

Alberto Cuddel
Poemas Com Alma – Edição de Autores – 07/2017 – ISBN – 978-989-691-938-1

Queria tanto acreditar…

Queria tanto acreditar…

Palavra que falsos pacifistas repudiam
Mas às vezes eu sinto,
Um sentimento que me corre na alma
Mas às vezes eu sinto,
Dentro de mim, pronto para explodir
Frases e letras impronunciáveis…

Nasci fora do tempo
Num tempo a que não pertenço
Num tempo sem palavra
Sem honra, sem valor
Nasci no tempo do “EU”…

Queria tanto acreditar
Não me refiro actos de “amor”,
Sentidos apenas nos corpos
Mas no antónimo de ódio
Sinónimo de bondade, de caridade
De atenção de disponibilidade
Mas o Homem decepciona-me!

A revolta?
Não lembro bem quando começou
Mas há muito tempo ela está comigo
E, no entanto, quero crer
Nesse antónimo do ódio

Alberto Cuddel
Poemas Com Alma – Edição de Autores – 07/2017 – ISBN – 978-989-691-938-1

Semeador de palavras

Semeador de palavras

Semeava palavras noite escura,
Jardim desalinhado sempre dura,
As que morrem essas irão florir,
As outras, cantarão meu o sentir,
Chuva que ainda te brota do olhar,
Triste sofrer, triste dor de Amar,
Cadáveres de palavras mortas
Parto difícil na luz de novo dia,
Sonhos, novas ideias supostas,
Ditongos, palavras e nova vida!

Plantas-me em ti, sopro de saudade
Palavras dispersas cantam verdade
Quimeras e pedras, arrancadas do chão
Encontras aqui semeado no coração
Jardim ressuscitado a cada sorriso
Asas que batem na tua liberdade!

Alberto Cuddel
Poemas Com Alma – Edição de Autores – 07/2017 – ISBN – 978-989-691-938-1

Amor Imortal

Amor Imortal

Não me custaria arrastar-me pela vida
Na palidez do rosto, no gélido sangue
Pelo amargo dos teus lábios, e os beijos
Com a lua iluminando-te as formas rosas
Ao chamamento, -vou, sou, pertenço
Amantes eternos, mesmo que o coração
Se imobilize nas tuas mãos, com a morte
Escondendo a nudez da tua alma, e o sangue
Deslizando na lâmina fria do ciúme,
– Pertenço-te apenas, na lucidez entorpecida
Do desejo animalmente humano,
Órfã dos pudores morais, de uma alma
Trajando o luto, da perda constante
De um amor Imortal!

Alberto Cuddel
Poemas Com Alma – Edição de Autores – 07/2017 – ISBN – 978-989-691-938-1

Mar de bruma

Mar de bruma

Bruma que se mostra escondendo
Ocultando um mar de pensamentos,
Penumbra refracção dos sentimentos,
Fustigada nas rochas, quebras a asas,
Perdes o sonho, a maresia, sopro
Um sopro e nada mais, a tua vida
Minha vida em tuas hábeis mãos
Calejadas pelo tempo, fustigadas
Mãos que rejeitei, na bruma deste mar
Mãos que tecem, que enaltecem
Mãos que ontem fizeram sonhar
Bruma no sentir, tolhendo, escondendo
O amargo fel do choro calado
Bruma, na felicidade de ver
Não sentir, querer saber,
Mar, azul oculto da manhã
Na bruma matutina
Que te impede de ver as noites
Iluminadas pelo doce luar!

Alberto Cuddel
Mar-À-Tona – Mar de Bruma- Poetas Poveiros- Março 2016 – ISBN 978-989-99500-5-4

Reticentemente

Reticentemente

Com muitas reticencias escrevo,
Não por não ter o que dizer,
Mas por não saber faze-lo,
Como pronunciar o teu viver,
Sentir, querer, chorar, sofrer?

Concisamente abstenho-me
Das reticências dos dias
Nas decisões, decido-me
Onde estão as coisas que fazias?

Versos faustosos sem dúvidas
Declamando perdões e dívidas
Sentires sentidos sem noção
Versos feitos sem qualquer paixão!

Arde-me o peito, o olhar
Os pensamentos negros
Os brancos, sem cor
Apenas o rimar,
Em versos brancos,
Sem cor ou transparência,
Sem virtude ou ciência!

Alberto Cuddel
Poesia com Reticencias (…) – Pastelaria Studios, 2017 ISBN – 978-989-99956-8-0

Aqui vivo

Aqui vivo

Nos passeios,
Crescem bancos de jardim
Vozes de um outro ontem,
Vidas sem fim
Sino que mede o tempo,
Antigo, novo
Hoje mede também o meu,
Nosso, acolhimento
Entre o rio e a serra,
Terras de Ataíde
Conde da Castanheira,
Dos romanos castelinhos,
O cheiro da sardinha, São João
Convento por terra, destruído,
Palácio, convertido,
Aficionado taurino
Esta é a terra,
Mais que um lugar,
Uma casa onde deitar
Um lugar a repousar
É gente,
É vida a borbulhar…
Castanheira do Ribatejo
Entre a serra e o tejo…

Alberto Cuddel
Oh! Minha terra, onde eu nasci…- MP edições- 2017 – ISBN 978-989-691-590-2

Onde nasci

Onde nasci 

Martelando-me os ouvidos segue o compasso, velocidade constante, lá vai o comboio, o que me trás, que ontem me levou, e lá vai ele serpenteando as curvas do rio, prateando o que é de ouro, no reflexo do sol da manhã. Rio Douro, corres antes que me leve. No apeadeiro curvado à direita, ninguém, hoje apenas as ervas secas se erguem à minha chegada, ontem cheio de vida de gentes, de vozes, risos das crianças, o meu riso, e a vontade de correr os 20 metros que me separam do rio, apenas para olhar o horizonte e sonhar. A viagem, subia ao meu íntimo adivinha-se longa, eu comungava silenciosamente comigo nestas memórias, como se a cada passo, sentisse os cheiros, do pão acabado de cozer, do mosto no lagar, da lenha queimada. Os sons do campo, das ervas, dos bichos, dos homens e mulheres da lavoura. Os sabores, da fruta madura, das uvas, das castanhas, dos fumeiros do inverno, da cevada com broa acabada de fazer. Ao longe o sino da igreja que ecoa no vale, o caminho de terra batida pelejado de pedras que serpenteia o monte, escadas e “escaleiras” que fazem transpor os socalcos, de uma vinha deitada ao abandono. De entre todos os lugares da freguesia, a Granja, lugar onde nasci, mas é entre Barreiros e Portinha, entre a paternidade e a maternidade, que as memórias do caminho, da infância, fazem-me ser quem sou! Mesmo avistando a terra neste cantinho plantado, tu Tomé, não acreditastes, tiveste que ver as suas mãos trespassadas, e meter a mão no seu lado para que acreditasses. Santo padroeiro de gente crente, de gente de fé, e as memórias, da catequese nas “escaleiras”, da “casa do padre”, da água da fonte, de ver nascer o sol no campo pela mão da minha avó. Esta não é a minha terra, esta é a terra em que nasci, é a terra que me fez, esta terra também sou eu. Memórias da minha infância, São Tomé de Covelas, Baião.

Alberto Cuddel
Oh! Minha terra, onde eu nasci…- MP edições- 2017 – ISBN 978-989-691-590-2

Amar e porque não?

Amar e porque não?

Para amar, não é preciso estar
Ter, sentir ou possuir, basta ser!

Não há outra forma de amar
Que não seja apenas amando
Mesmo que as flores sequem
Ali ficará a semente
Um dia germinará
Quando tocada pelo sentir
Amo porque assim decidi
Que não existe outra forma de vida…

Não procures reciprocidade na doação
No amor apenas existe a plena doação
Um tudo ou nada altruísta,
Amar assim é também sofrer
Amar e porque não?
Se amar é a melhor forma de viver!

Alberto Cuddel
Pérolas de Poesia – Miká Penha edições- 2017 -ISBN 978-989-961-679-4

Pérolas de poesia

Pérolas de poesia

Por entre os ferimentos das estrofes
Já cicatrizam calcificando a beleza
Mentes abertas em rimas limítrofes
Na poesia também cabe a tristeza!

Sopro de vida no amor produzido
Luares distantes em sonhos de vida
Semblante alado belo apaixonado
Lágrimas que rolam em cada partida!

Amor que se renova a cada contradição
Na madrugada dos dias, força do querer
A vida na crista das marés, reconciliação!

Nos passos pesados, cruzes que carregas
Firme caminho traçado, sentir que é viver
Alívio dos fardos, nas múltiplas entregas!

Alberto Cuddel
Pérolas de Poesia – Miká Penha edições- 2017 -ISBN 978-989-961-679-4

Antologia

Antologia

Nesta longa enciclopédia de poemas
Colhamos flores… dramaticamente
Desfolhamos as letras pretas
Impressas em brancas páginas
Poemas, janelas da alma abertas ao mundo
Ou jaulas onde se encerra o poeta
Numa fuga ao quotidiano visto pelo olhar!

Desdobramo-nos na leitura
Imaginária do diferente
Olhando e escrevendo a rosa,
Prendendo o perfume em letras redondas
Escrevendo a sangue os seus espinhos
Cravados no peito traído
Rosa essa, sem culpa de ter nascido…

E coleccionamos aglomerados de letras
Que formam palavras,
Que ditam versos,
Que se trocam nas rimas,
Capazes de humedecer o olhar
Quando tocam no fundo
Da alma, do poeta…
Esse que distraidamente
Leu o poema que era para si…

Alberto Cuddel
Livro Aberto – Ana Coelho/Autor Publica – 2017 – ISBN 978-989-691-618-3

Calo(me)

Calo(me)

Calando em mim a arte e o ensejo…
Se nada de mim se aprouver
Nas palavras que dito, desbocado
Bafejando a calçada despida de vida,
Tudo do mundo que ainda houver,
Por nada de mim será calado,
Num tudo esquecido, hoje lembrado!

Milagre, nem chegada, nem partida,
Metade de mim, é assim desvairado,
Metade de mim, será sempre mulher!

Alberto Cuddel
Livro Aberto – Ana Coelho/Autor Publica – 2017 – ISBN 978-989-691-618-3

Pensamento

Pensamento

Penso de mais
Provavelmente penso cerebralmente
Numa lógica constante nada emotiva
Poderia deixar de pesar com a cabeça
Deixar falar o coração, ser emoção
Ser superficialmente pensante
De um errante pensar,
-Mulher?
Não, esse ser magnífico conjuga
A emotividade do coração
Com a frieza calculista do pensar
Um verdadeiro emaranhado de certezas
De hipóteses certas e derradeiras consequências,
A verdade?
Tantas vezes negada a pés juntos,
A verdade, é que ela, a mulher,
É simplesmente um ser de elevado
Pensamento…

Alberto Cuddel
Livro Aberto – Ana Coelho/Autor Publica – 2017 – ISBN 978-989-691-618-3

Que seja amor…

Que seja amor…

Que me leve o sopro colina abaixo
Pelo amor contido d’alma gloriosa
Como rosa, jardim onde me encaixo
No corpo, dama honrada e formosa!

Amor belo e inocente, canta o poeta
Na mente encolhe e recolhe palavra
Erudita e bela, no desejo que esconde
Encapotado, sentir da “alma”
Corpo que fervilha pela visão da dama,
Que embuste de nobres intentos,
Sonho de uma noite possuído no leito!

Mas que seja amor o que a carne clama
Que seja de dor o grito da alma,
Na saudade que aperta ao senti-lo distante
Que seja amor, o que te cresce no ventre…

Alberto Cuddel
Livro Aberto – Ana Coelho/Autor Publica – 2017 – ISBN 978-989-691-618-3

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