Esta dor de amanhecer longinquamente…

Esta dor de amanhecer longinquamente…

Aqui, bem aqui, amanhece devagarinho
Rangem os troncos pelo sol a romper
Cheiro de urze, resina e algum pinho
Humedece esse orvalho de amanhecer…

Assim é todos os dias,
Tão vividos em surdina, tão cheios de esperanças
Fazendo de tudo arte, nas pétalas que se arrancam à consciência,
Tudo é limpo, puro como ribeiro de degelo…
Quadros férteis, não de figuras femininas imaculadas
Mas de mulher, de terra mãe e aconchego
De abraço reconfortante…

Na alma ressoa uma orquestra oculta, sons naturais
Essa voz que me chama, entre raios que me entram pela janela
Um apelo estomacal de café quente…
Brincam as borboletas irreais pelo excesso de luz…

O tédio da solidão em leito vazio,
Ainda que me arda o peito em saudade,
Quem tem, não perde, encontra…
Mesmo que creia, até a dúvida é impossível
Nesta impossibilidade real de ser hoje…

Mas o sol nasce, ergue-se
(vagarosamente)
Entre o cheiro de urze, resina e algum pinho
Pelo que é naturalmente natural
Num caminho verdadeiro de ser
Apenas perfume de um corpo ausente…

Alberto Cuddel
07/02/2019
17:30
#osuaveaconchegodopoema

2 thoughts on “Esta dor de amanhecer longinquamente…

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