A salvação profana!… ( o resgate)

A salvação profana!… ( o resgate)

Seja meu corpo insanidade no combate a tua loucura…

Resgato-te para mim das trevas, na insanidade da tristeza
Mostrar-te-ei a luz e a vida, neste voo sem retorno
Vem, vem comigo, descobre-te em mim
Ama-te, vive…
Finalmente vive…

Arranco-te definitivamente do inferno onde repousas
Voando nas núpcias da minha alma, faz-te imortal…

Encontra em mim a paz, a loucura, a paixão
A força que havias perdido, devora-me
Mas vive a luz que em ti deposito…

Não te quero demónio,
Não me quero anjo
Apenas mortais
Eu em ti
Tu em mim
E a vida que nos resta!

Pyxis de Andrade
18/03/2019
17:30

O frio de um amanhã anunciado…

O frio de um amanhã anunciado…

não o digo, não o creio, mas sinto-o, mas sei-o…
amar-te-ei aqui agora, mas sei, sei que o frio chegará…

nesta loucura desmedida que o tempo nos dá
em que unimos os corpos unidos pela alma
em que na fúria do querer esquecemos a calma
em que do teu corpo absorvo a luz e maná…
somos, o que a vida nos impõe e nos concede
enquanto do amor matamos a fome e a sede…

o lume extinguir-se-á, o teu corpo não estará cá
eu na solidão sobreviverei, na companhia de ninguém
tu, tu viverás a tua vida, longe deste mundo e deste dia
somos o momento que a vida escolheu, que escolhemos,
entre a vida que fizemos, o amor? o amor é consequência
nas lagrimas que amanhã derramaremos, pelo medo que tivemos…

o frio chegará, amanhã talvez…
quando já nada existir em mim
que te recorde por fim…
nem o teu perfume
nem a cinza deste sentir…

Pyxis de Andrade
14/01/2019

Acusações

Acusações

E tu vilmente homem?
De que me acusas agora?
De te usar? De te amar?
Da massagem do ego que me dás?
De te manter neste limbo de paixão?
Vai… Nunca te prendi, nunca te assumi…

De que me acusas?
Tu que te movimentas na sombra
Que me acordas ao alvorecer
Que chegas, que partes sem nadas dizer?
De que me acusas tu?
De ser mulher?
De te ferir o ego inflamado?
De te usar quando estás abandonado?
De que me acusas tu?

Quando tu és simplesmente Homem…

Pyxis de Andrade
03/05/2018
21:40

Movimento

Movimento

Era apenas uma ausência
Ausência de som, ruido
Uma ausência de movimento
Não carburava, não consumia
Apenas nada… Oxidação metálica…
Nada é perpétuo, nada se basta…
Quando acaba, nada… Apenas nada…
Dói-me que assim seja.
Que seja apenas memória
Uma visão inglória
Mas agora, agora nada…

Pyxis de Andrade
12/02/2021

Foto cedida por:
João Gomez photography

Rostos de pedra (o amor eternizado no suor)

Rostos de pedra (o amor eternizado no suor)

fosse em nós memória o abraço e o beijo
do que prometido fora, sem nuca ter sido
rege-se o amor pela solidez da pedra
inabalável na alma, irrealizável no corpo
levado contigo às tabuas do tempo…

no abraço que o querer nos revelou
nesse que o teu suicido nos roubou
essa esperança de ser corpo o sentir
essa volúpia do querer, onde fugir?

quantos foram os desejos e promessas?
arte nossa do tesão, orgasmos partilhados
mãos minhas, pensamentos teus
palavras nossas, desejos e beijos meus…

nos rostos de pedra a saudade do tempo
um abraço prometido, um beijo por dar
o musgo húmido que nos cresce nos pés
o verde da esperança que nos ladeia
morre sob o azul do tempo, sob as rosas
que ontem te depositei no tumulo…

hoje apenas choro, tudo o que podia ter sido
e no meu medo egoísta eu sempre recusei…
saudade do que podia ter sido e nunca foi
amo-te, amar-te-ei eternamente…

Pyxis de Andrade
29/01/2021
02:51

Desafio 11 de Ruth Collaço
Foto gentilmente cedida por:

@joão Gomez Photography

Momentos de outra vida VII

Momentos de outra vida VII

… treme em privação todo o meu corpo, na abstinente e louca paixão, reclusa prisão de não te ter em mim, ausente vontade do teu toque de midas, digitalização do toque que me eleva à louca e orgásmica explosão hormonal, sentir com que me privas.

Madrasta vida, que me previa do másculo ser que me completa, na possuída vontade de dar corpo ao amor que me emana nos poros. Quero-te, no imediato, no já, angustiante espera… vem, chega, toma-me como tua que sou, promessa jurada, confirmada na virginal vontade de ser permanentemente tua, realiza em mim a loucura de fazer gemer todo o amor que me transborda, apenas na caricia afável da minha doce Alma!

Pyxis de Andrade

Para quê tanto pudor?

Para quê tanto pudor?

Existe um exacerbado pudor quando a temática é sexo, escrevo sexo e logo correm, “não é sexo poeta, é fazer amor”, desculpem? É que nem uma coisa nem outra é foder mesmo… É maravilhoso juntar o amor ao sexo, sem dúvida alguma, mas não confundamos as coisas, sexo é a forma mais intensa de dádiva e partilha, de entrega e de cumplicidade… Atenção que eu não falo do sexo egoísta em que um dos parceiros se “alivia em minutos ou segundos”. Mas de prazer físico intenso sem pudor, que dois parceiros partilham sejam qual for o sexo ou orientação de cada um. Se a essa intensidade física juntarmos a intensidade da alma, o amor, então sim tudo será pleno.

Mas para que tanto pudor? Será que alguém acha que os pais não foderam para eles nascer? Que a mãe não gemeu, que não chamou por Deus enquanto o pai lhe dava prazer? Amar e fazer sexo é algo natural, aliás sexo é mais natural que amar, ninguém entrega a vida por sexo, mas sim por amor, e isso é anti natural…

Escrevo poesia erótica, sim, não tenho pudor nisso, acho mais excitante a formação da imagem no cérebro e a capacidade de transmitir desejo e sensações, que qualquer “filme ou foto”, a poesia erótica é o preliminar da palavra, o anúncio do gesto e do prazer…

Deixem-se de pudores, e se não gostam, olha removam a amizade…

Partilho a foto sensual de um modelo masculino, como repúdio à exploração e degradação da exposição do corpo feminino como objeto sexual do machismo.

António Alberto Teixeira de Sousa

THE END

Despedida…

1590 poemas depois abandono o blog, a todos os que me seguiram o meu muito obrigado! foi bom sentir o vosso apoio e calor humano, foi bom crescer com as vossas criticas! quem sabe um dia, algures no futuro eu regresse.

Um enorme abraço,

Alberto Cuddel

Nesses olhos inquisidores com que me fitas de baixo a cima…

Nesses olhos inquisidores com que me fitas de baixo a cima…

Li, sem entusiasmo e sem pasmo, esses olhares que me deitas na prosa, talvez até poemas, mesmo que me aprouvesse dizer umas quantas coisas estúpidas sobre o modo como me olhas as letras, apenas me despes, numa procura infrutífera por um Tiago, quem sabe até um Januário escondido por detrás da camisa, revoltado com as leis debitadas por uma assembleia da Ré-Pública. Talvez procures janelas castanhas, ou verdes de Sol, ou a mera coscuvilhice que te transtornou o cérebro a tal ponto de te parecer provável e plausível que as sombras de ideias que usualmente desenho nos versos e habitam as almas confusas, não sejam apenas isso, “ideias” de um sentir que apenas tu sentes, porque nenhum outro viveu a tua vida.

Talvez procures nas letras de uma Joana um sinal cabal de uma infidelidade do sentir, ou num Sírio que brilha nos confins do universo uma vontade férrea de sexo antes de morrer, talvez procures sinais de uma linguagem codificada que só tu entendes quando te digo que te amo, assim declaradamente ao mundo…

Às vezes em conversas distraídas que me ocorrem em pelo acto de pensar, vem-me à alma outras loucuras e amo de novo como pela primeira vez, não pessoa diferente, mas tu, apenas tu, ainda que procures nas letras outros corpos e outros orgasmos, apenas o poema existe como testemunha cabal de uma realidade sonhada de tão real…
Há na complexidade burocrática do meu acto de escrever uma loucura que me atrai, e nessa loucura desenhas teses mirabolantes de uma vida que nunca tive, a minha realidade mora ali, neste corpo terreno, bem dentro do peito, e tu? Tu sabes que existes, e eu também…

A de Alberto Sousa

Aniversario!

Faz exactamente hoje um ano que iniciei esta aventura… Um blog…

Hoje um ano depois estes são o números: 128956 visualizações, 15321 visitantes, 42854 likes, 6525 comentários e 1214 poemas/textos publicados. 
A todos os que me apoiam e me dão força para continuar, muito obrigado a todos os que me lêem…

Alberto Cuddel

 

Tenho fome das noites…

Tenho fome das noites…

Tenho fome de cavalgar em ti madrugadas
De passar noites acordada em ti…
Tenho fome de amor, nesta vida sem sabor
Tenho nojo da vida insípida que escolhi
Tenho desejo de viver apenas em ti…

Tenho fome das noites
Fartura de solidão
Tenho sede de paixão
Desejos no corpo… tesão…

Perca em mim o medo
O meu, o teu, o nosso
Sejamos carne, sejamos osso
Sejamos orgasmo desejado
Corpo delirante e beijado…

Ainda assim… o medo…
A incerteza do amanhã
Acomoda-me, prende-me
Impede-me de me entregar
A esta fome que me consome…

Pyxis de Andrade
18/01/2018
21:00

Permite-te…

Permite-te…

Permite-te ser abraçado pela noite
Nos gélidos estrados do dia, dor
Nos braços das trevas, sê apenas quem és…
Nada, um amontoado de formas bucólicas
Um enjoo… um vómito da humanidade perdida
Esquece-te… abandona-te no centro da sala
Senta-te no chão sujo, sem qualquer luz…
Escuta o vazio que há em ti…
Esse silêncio que te preenche de nada…
Fica, espera, escuta a vida a extinguir-se
Sem nada que se oponha…
Deixa-te levar pela noite…

Sírio de Andrade
16/12/2017
21:50

Ciúme

Ciúme…

Nas mãos que escorrem pelo teu corpo
Perco-me nos ciúmes loucos, raiva
Mãos que não minhas, que abomino…

Quero-te como quem se quer…
Quero-te meu, em mim, dentro de mim,
Pertences-me, divinamente és meu…

Arde-me a alma, ferve-me o sangue
Não o permitas, não te entregues
Ela quer-te o corpo, nunca a alma…

Desce vestida de negro, ceifando
Quer-te, entranha-se em ti…
Nunca o permitas, não cedas,
No meu louco ciúme, pertences-me…
Ela, perdeu…

Pyxis de Andrade
09/12/2017
0:35

Adeus…

Adeus…

Não bastava um adeus?
Um simples beijo?
Um bater de porta?
Para quê o sofrimento
Das palavras escritas
Doloroso momento
Palavras convictas
Se verdadeiro fosse o sentir
Então por que partir?
Se dizes ainda amar
Porque não conversar?
Mas na tua cobardia
Partes, sem um adeus,
Sem um até um dia!…

Pyxis de Andrade

Carência

Carência

Na carência em que te devotas
Nos medos e receios,
Na duvida do tudo, e do sentir
Queres… como queres o impossível
O amor não se compadece dos dias
Das águas que correm
Das cabanas que se constroem….
Na pressa dos dias, desejas…
Noites longas, virtudes…

Como te desprezas
Sem uma consciência que te suporte
O amor não é apenas devoção ao prazer
Não é apenas querer…
O amor é poder em consciência entregar-se
No corpo, mas também na plenitude da alma…
Na tua carência és… desejo, que sem pejo
Equacionando o impossível
Sem nada o ofertar…
Na tua carência, não sabes efectivamente amar…
Apenas desejas-me…
Como quem deseja um brinquedo…
 

Pyxis de Andrade
17/07/2017
2:50

 

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