Momentos de outra vida VII

Momentos de outra vida VII

… treme em privação todo o meu corpo, na abstinente e louca paixão, reclusa prisão de não te ter em mim, ausente vontade do teu toque de midas, digitalização do toque que me eleva à louca e orgásmica explosão hormonal, sentir com que me privas.

Madrasta vida, que me previa do másculo ser que me completa, na possuída vontade de dar corpo ao amor que me emana nos poros. Quero-te, no imediato, no já, angustiante espera… vem, chega, toma-me como tua que sou, promessa jurada, confirmada na virginal vontade de ser permanentemente tua, realiza em mim a loucura de fazer gemer todo o amor que me transborda, apenas na caricia afável da minha doce Alma!

Pyxis de Andrade

Para quê tanto pudor?

Para quê tanto pudor?

Existe um exacerbado pudor quando a temática é sexo, escrevo sexo e logo correm, “não é sexo poeta, é fazer amor”, desculpem? É que nem uma coisa nem outra é foder mesmo… É maravilhoso juntar o amor ao sexo, sem dúvida alguma, mas não confundamos as coisas, sexo é a forma mais intensa de dádiva e partilha, de entrega e de cumplicidade… Atenção que eu não falo do sexo egoísta em que um dos parceiros se “alivia em minutos ou segundos”. Mas de prazer físico intenso sem pudor, que dois parceiros partilham sejam qual for o sexo ou orientação de cada um. Se a essa intensidade física juntarmos a intensidade da alma, o amor, então sim tudo será pleno.

Mas para que tanto pudor? Será que alguém acha que os pais não foderam para eles nascer? Que a mãe não gemeu, que não chamou por Deus enquanto o pai lhe dava prazer? Amar e fazer sexo é algo natural, aliás sexo é mais natural que amar, ninguém entrega a vida por sexo, mas sim por amor, e isso é anti natural…

Escrevo poesia erótica, sim, não tenho pudor nisso, acho mais excitante a formação da imagem no cérebro e a capacidade de transmitir desejo e sensações, que qualquer “filme ou foto”, a poesia erótica é o preliminar da palavra, o anúncio do gesto e do prazer…

Deixem-se de pudores, e se não gostam, olha removam a amizade…

Partilho a foto sensual de um modelo masculino, como repúdio à exploração e degradação da exposição do corpo feminino como objeto sexual do machismo.

António Alberto Teixeira de Sousa

Desabafo

Desabafo

Acho que nunca me viram (leram) neste registo no blog, mas hoje apetece-me… o que se pode fazer? Ou suicido-me ou digo tudo sem papas nos dedos…
Estou cansado dos bloqueios no facebook/Tumblr/Instagram, sou poeta, escrevo literatura erótica, não tenho pudor ou vergonha alguma, não é uma questão de sonho ou de até de desejo pessoal, que querem? Tenho jeito para fazer os outros sonharem… “mas à parte isso” e agora ate citei Álvaro de Campos um dos heterónimos de Pessoa, no seu famoso poema “Tabacaria”, (Ora fodasse, além de polémico ainda é culto), à parte, estou cansado de não ser lido como devo ou seja: tudo o que de mim lêem deve ser interpretado segundo vocês mesmos, não na busca de mim nas palavras, defino-me como romancista preguiçoso, posso ter bebido toda a noite whisky, e escrever a ode da minha vida à “vodka com laranja”, às vezes canso-me de escrever o amor, não que o amor me canse nas suas maravilhosas vertentes, mas por que todos cobram do amor, quando amar é apenas doação, ninguém pode cobrar do amor orgasmos, porque isso é prostituição. Falam-me da amizade na poética, como se por ser amigo eu tivesse o dever a OBRIGAÇÃO, de dar like ou comentar “maravilhoso” a um texto que não usava para limpar o fundo das costas que evacua se tivesse ido ao wc por mais fofinho que fosse…
Estou cansado de uma poética de conto, onde todos contam as suas mágoas e desejos, eu não quero saber se traíste o teu marido, se está apaixonado por outro fulano, se a fodeste na praia, eu quero encontrar-me nos teus desejos, na tua volúpia no por do sol na praia, nada mais simples do que amar pela alma de outro alguém, mesmo que esse alguém tenha vivido no início do século XVII…
Mais que uma arte fonética, que uma arte gráfica (ortografia) a poética é uma arte de alma, uma arte de dois sentidos, o olhar e ou o escutar, ( reparem que não referi ver e ouvir), para a percepção da poética é necessária uma predisposição espiritual única, um pouco como a diferença entre o amor doado e o foder narcisista, canso-me por encontrar no leitor a arte do cagalhão, olham a forma, mas não a arte do cozinheiro que confeccionou a refeição… indo ou pouco mais além, e tudo se resume ao amor que o agricultor dedicou ao cultivo dos pepinos…

Eu e todas as outras personagens que sou

21/08/2019

15:30

THE END

Despedida…

1590 poemas depois abandono o blog, a todos os que me seguiram o meu muito obrigado! foi bom sentir o vosso apoio e calor humano, foi bom crescer com as vossas criticas! quem sabe um dia, algures no futuro eu regresse.

Um enorme abraço,

Alberto Cuddel

Nesses olhos inquisidores com que me fitas de baixo a cima…

Nesses olhos inquisidores com que me fitas de baixo a cima…

Li, sem entusiasmo e sem pasmo, esses olhares que me deitas na prosa, talvez até poemas, mesmo que me aprouvesse dizer umas quantas coisas estúpidas sobre o modo como me olhas as letras, apenas me despes, numa procura infrutífera por um Tiago, quem sabe até um Januário escondido por detrás da camisa, revoltado com as leis debitadas por uma assembleia da Ré-Pública. Talvez procures janelas castanhas, ou verdes de Sol, ou a mera coscuvilhice que te transtornou o cérebro a tal ponto de te parecer provável e plausível que as sombras de ideias que usualmente desenho nos versos e habitam as almas confusas, não sejam apenas isso, “ideias” de um sentir que apenas tu sentes, porque nenhum outro viveu a tua vida.

Talvez procures nas letras de uma Joana um sinal cabal de uma infidelidade do sentir, ou num Sírio que brilha nos confins do universo uma vontade férrea de sexo antes de morrer, talvez procures sinais de uma linguagem codificada que só tu entendes quando te digo que te amo, assim declaradamente ao mundo…

Às vezes em conversas distraídas que me ocorrem em pelo acto de pensar, vem-me à alma outras loucuras e amo de novo como pela primeira vez, não pessoa diferente, mas tu, apenas tu, ainda que procures nas letras outros corpos e outros orgasmos, apenas o poema existe como testemunha cabal de uma realidade sonhada de tão real…
Há na complexidade burocrática do meu acto de escrever uma loucura que me atrai, e nessa loucura desenhas teses mirabolantes de uma vida que nunca tive, a minha realidade mora ali, neste corpo terreno, bem dentro do peito, e tu? Tu sabes que existes, e eu também…

A de Alberto Sousa

Aniversario!

Faz exactamente hoje um ano que iniciei esta aventura… Um blog…

Hoje um ano depois estes são o números: 128956 visualizações, 15321 visitantes, 42854 likes, 6525 comentários e 1214 poemas/textos publicados. 
A todos os que me apoiam e me dão força para continuar, muito obrigado a todos os que me lêem…

Alberto Cuddel

 

Tenho fome das noites…

Tenho fome das noites…

Tenho fome de cavalgar em ti madrugadas
De passar noites acordada em ti…
Tenho fome de amor, nesta vida sem sabor
Tenho nojo da vida insípida que escolhi
Tenho desejo de viver apenas em ti…

Tenho fome das noites
Fartura de solidão
Tenho sede de paixão
Desejos no corpo… tesão…

Perca em mim o medo
O meu, o teu, o nosso
Sejamos carne, sejamos osso
Sejamos orgasmo desejado
Corpo delirante e beijado…

Ainda assim… o medo…
A incerteza do amanhã
Acomoda-me, prende-me
Impede-me de me entregar
A esta fome que me consome…

Pyxis de Andrade
18/01/2018
21:00

Permite-te…

Permite-te…

Permite-te ser abraçado pela noite
Nos gélidos estrados do dia, dor
Nos braços das trevas, sê apenas quem és…
Nada, um amontoado de formas bucólicas
Um enjoo… um vómito da humanidade perdida
Esquece-te… abandona-te no centro da sala
Senta-te no chão sujo, sem qualquer luz…
Escuta o vazio que há em ti…
Esse silêncio que te preenche de nada…
Fica, espera, escuta a vida a extinguir-se
Sem nada que se oponha…
Deixa-te levar pela noite…

Sírio de Andrade
16/12/2017
21:50

Ciúme

Ciúme…

Nas mãos que escorrem pelo teu corpo
Perco-me nos ciúmes loucos, raiva
Mãos que não minhas, que abomino…

Quero-te como quem se quer…
Quero-te meu, em mim, dentro de mim,
Pertences-me, divinamente és meu…

Arde-me a alma, ferve-me o sangue
Não o permitas, não te entregues
Ela quer-te o corpo, nunca a alma…

Desce vestida de negro, ceifando
Quer-te, entranha-se em ti…
Nunca o permitas, não cedas,
No meu louco ciúme, pertences-me…
Ela, perdeu…

Pyxis de Andrade
09/12/2017
0:35

Adeus…

Adeus…

Não bastava um adeus?
Um simples beijo?
Um bater de porta?
Para quê o sofrimento
Das palavras escritas
Doloroso momento
Palavras convictas
Se verdadeiro fosse o sentir
Então por que partir?
Se dizes ainda amar
Porque não conversar?
Mas na tua cobardia
Partes, sem um adeus,
Sem um até um dia!…

Pyxis de Andrade

Carência

Carência

Na carência em que te devotas
Nos medos e receios,
Na duvida do tudo, e do sentir
Queres… como queres o impossível
O amor não se compadece dos dias
Das águas que correm
Das cabanas que se constroem….
Na pressa dos dias, desejas…
Noites longas, virtudes…

Como te desprezas
Sem uma consciência que te suporte
O amor não é apenas devoção ao prazer
Não é apenas querer…
O amor é poder em consciência entregar-se
No corpo, mas também na plenitude da alma…
Na tua carência és… desejo, que sem pejo
Equacionando o impossível
Sem nada o ofertar…
Na tua carência, não sabes efectivamente amar…
Apenas desejas-me…
Como quem deseja um brinquedo…
 

Pyxis de Andrade
17/07/2017
2:50

 

Noites vazias

Noites vazias

São vazias as noites
Corpo amorfo leitado em meu leito
E tu? Não estás
Saudosos pecados longínquos
Em mim me faziam mulher
Não eram os dias indecisos
Ou noites mal dormidas
Paixão necessária que me ardia
Arde…

Entre tudo de ti
Ou o nada de mim
Escolhi…
Cuidar do sangue que cresce
Na herança da humanidade
De mim mesma…

Pyxis de Andrade
22/07/2017
02:28

Faço o que tem de ser feito

Faço o que tem de ser feito

Quero-te, ainda que não o deva
No que devo? Rosas desfolhadas
Margaridas caídas, cama de camélias
Sonho paixões lunares, sonho-te
Doce ilusão do desejo
Carnes que se queimam
Longe distante, minutos teus
Mãos e dedos meus…

No futuro? Não existimos
Existes, existo…
Na paixão que me consome.
Faço o que tem de ser feito….

Pyxis de Andrade
13/08/2017
13:22

Amor é a dor de abdicar da paixão

Amor é a dor de abdicar da paixão

Por um amor maior arde-me o peito
Acomodo a paixão no bolso dos dias
Compreende-me assim é tudo feito
Por um amor maior, mas tu já sabias!

A dor de me prender à desilusão
Grande sofrer nesta louca ilusão
Saber-te ai, sem muito a oferecer
Louco seja em nós ainda esse prazer!

Não me solto da dor das amarras
Mantendo enclausurada em grades
Por um futuro que sei não amparas!

Na herança do meu sangue, amor
Amor maior olhar para eles grandes
Amordaço a felicidade na minha dor!

Pyxis de Andrade
12/08/2017
10:41

Imagem: Jean-Baptiste Greuze (1725-1805)

Poema I

Poema I

Por ai?
Entre serras e pilares
Escondido nos versos
Nos silêncios das moitas?

Onde anda você?
Sim você, o que procuro no leito das noites
Ao meu lado na estrada da vida,
Brincando alegremente comigo
Roubando beijos, enquanto preparo o jantar?

Onde anda você?
O pai de filhos que nunca tive
Que nunca contigo foram gerados
Dos loucos pedidos de amor,
Da mão sobre a mão ao sol-pôr!

Onde anda você?
Por ai? Sem estar perdido
Precisando ser encontrado,
E sem saber já é amado!

Pyxis de Andrade

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