Por hoje…

Por hoje…

Dia, noite, tarde…
Tudo se confunde,
Tudo se infunde,
Miscelânea,
Noite de horrores,
Amanhecer, santificação,
Poema prosaico,
Desamores ensaiados,
Confúcios, traições mascaradas,
Noite, tiradas, raivas ofuscadas,
Encontros, jantares ocultos,
Ritos, crianças disformes,
Pedindo, enganando a fome,
Que dia, que noite,
Pérfida tradição,
Na pouca verdade,
Que a mentira contem,
E tudo pelo nada,
Que o hoje,
Apenas hoje,
A noite contém…

Alberto Cuddel®
02/11/2015

Ai, se eu te desse a vida

Ai, se eu te desse a vida

como gostava de ser desempregado
e não ter nada que fazer por dentro
vaguear cheio de mim como gado
correndo contra as esquinas no centro!

ai, se eu te desse a vida, que farias tu com ela?
que farias de mim sem ela, se eu te desse a vida
doar a vida é despejar-me de mim
é ter a alma própria e inteira.
e pensar em nada, é viver intimamente
o fluxo e o refluxo da vida… e sentir-te
não estar pensando em nada.
é como se me tivesse encostado mal, um desconforto
uma dor nas costas, ou num lado das costas,
que mói, não chega a ser a dor que é…

há um amargo de boca na minha alma:
é que, no fim de contas,
não estou pensando em nada,
E a vida, a pouca que me resta, doei-a…

Alberto Cuddel
12/10/2021
13:00
Alma nova, poema esquecido – XL

É isto…

É isto…

…nas verdades intrínsecas que o tempo desmente
há sempre uma certeza concisa, foi verdade até prova em contrário…

a matéria simboliza,
e a dominar o que a matéria simboliza,
para fins que não são materiais
é levar a mentira a uma consciência que nos molda
as dunas não são ondas, mas movem-se pelo vento
são, portanto, não sendo o que são…

nesse parece que é, e o que realmente é sem o ser
há apenas a perceção individual de uma realidade bacoca
vivemos segundo padrões errados, porque no final,
no final nada importa…
não há grande diferença entre o bem e o mal
a não ser a perceção dos outros…

não existem ruas que sobem ou ruas que descem
existem ruas que sobem e descem…
apenas a perceção de quem sobe ou quem desce…

Poeticamente a antítese ordinária entre o dia e a noite
Essa metáfora do tempo que contem a vida
É apenas isso mesmo, um vazio inexplicável…

Alberto Cuddel
11/10/2021
20:00
Alma nova, poema esquecido – XXXIX

Bloqueado no Facebook

Começa a ser uma censura evidente o que pratica está rede social… Bloqueado pela imagem

Dizem-me de olhos laços de paixão, sexo não é amor… 

Dizem-me de olhos laços de paixão, sexo não é amor… 

Dizem-me de olhos laços de paixão, sexo não é amor, que amor é: Responsabilidade, respeito, disciplina, fidelidade, persistência e dedicação… e eu concordo, amor nada tem a ver com carinho, com romantismo, com reciprocidade, com afectividade…  

Os pais amam os filhos e fodem-nos, com castigos, com limitações, com imposições (responsabilidade, respeito, disciplina), fodemos os amigos não lhe dando o que desejam, contrariando-os, não confirmando os seus desejos, apenas porque é melhor para ele (Responsabilidade, respeito, disciplina, fidelidade, persistência e dedicação) ou seja sexo só com os meus inimigos… carinho e romantismo fica para quem? Pois o carinho e o romantismo é contrário à disciplina, contrário à responsabilidade… nestas características tão imponentes ao amor não há espaço à espontaneidade, ao acto de dar, de conquistar ou surpreender. É totalmente irresponsável gastar dinheiro num ramo de flores, numa lingerie para surpreender o companheiro. O respeito é inimigo dos jogos de sedução, pois um sim é respeitado e também o não: “Dás-me um beijo? – Não” e nunca mais na vida se beijaram. O “Não” foi respeitado. Mas dizem: mas devia insistir, mas a insistência não é em si uma falta de respeito, então o não vale ou não vale, o não também é sim? Onde está o limite? Porque não nos relacionamos com objectividade, com clareza, sem jogos linguísticos.  

Depois de divagar sobre vários pensamentos, sim o sexo cabe no amor, o amor não é um jogo de trocas, mas de entrega, o amor basta-se, quando se ama, todas as outras características como: responsabilidade, respeito, disciplina, fidelidade, persistência e dedicação, deixam de fazer sentido, pois todas descendem desse acto maior que é amar… e se a isso podermos juntar o prazer, óptimo…  

Fazer amor, é doar-se ao outro, dar prazer ao outro, sexo é almo maior, é a partilha conjunta do prazer sem tabus ou entraves…  

Dizem-me de olhos laços de paixão, sexo não é amor… e eu concordo… 

A de Alberto Sousa 

14/06/2021 

19:00 

A nudez das paredes que me revestem a memória

A nudez das paredes que me revestem a memória

… enchem-me as narinas com esse odor do bagaço da azeitona queimada, uma viagem no tempo, para as azenhas da juventude, os cheiro e sabores das noites de Inverno. As memorias da virgindade nada inocente das conversas nocturnas, eu novo, ela nova, mas tão mulher…
Há nesse reviver da palavra essa afirmação de tesão, essa vontade máscula de posse, mas a verdade, nua e crua é que ela, na sua aparente inocência comanda, nesse corpo que queima.
Há palavas redondas que nos fazem eco na alma, o sabor do chouriço assado e a broa quente, e o mel dos lábios nos beijos roubados, num jogo encenado que por ti são oferecidos… e na nudez das paredes, há esse jogo de orgasmos desejados, apenas na simplicidade digital da ponta dos dedos.
A de Alberto Sousa
13/02/2021
23:47

As mulheres preferem os falsos, os bajuladores e os que as enganam…

As mulheres preferem os falsos, os bajuladores e os que as enganam…

Antes de atirarem pedras leiam…

Imaginem um primeiro encontro:

-olá, como te chamas? Gostei do que vi, quero levar-te para a cama…

O mais certo é ele levar um estalo, e ser insultado do pior…

Ou o seguinte caso:

-olá como te chamas? Estás sozinha? Gostei da tua forma de vestir, do teu jeito de ser, da tua aura, posso convidar-te para jantar?
E por aí fora cheio de bajulações… até a levar para a cama? Depois ira abandoná-la como seria de esperar no primeiro caso. A diferença é que no primeiro caso ela sabia o que ia acontecer…

Este é um exemplo tosco do que se passa em todas as situações na vida, preferimos a mentira, a ilusão, à verdade… A sedução é uma falacia e o amor hoje apenas um jogo de cumplicidades onde a exigência de reciprocidade é a ordem do dia, o amor deixou de ser um sentimento, uma doação, mas apenas um jogo de pagamento por gestos e géneros. Ninguém quer saber da verdade, do real, da entrega sem condições, dos gestos altruístas apenas porque se ama. Todos preferem a ilusão, os jogos, o poder sobre o outro, não há relações estáveis, porque tudo se cobra, cobra-se o receber… mas não um receber na totalidade, mas sim o que cada um deseja receber… apenas o que lhe interessa…

Alguém me dizia, eu não tenho sorte nenhuma com os homens, todos com quem andei não me amam, só gostam de sair, beber, não ajudam em casa, só querem é boa vida… fiz uma pergunta obvia onde os conheceste? Como resposta “bares, discotecas, na noite” e lá procuras encontrar um homem, que trabalhe, que seja fiel, que te ame e que te ajude, que seja alguém para estar contigo em casa à noite? Para ele, tu és como ele, uma mulher que gosta de aproveitar a vida, de se divertir e que não procura esse tipo de relação, o resto são jogos…

Vale a pena pensar nisto

António Alberto T. Sousa

A noite que me abrace por dentro

A noite que nos abrace por dentro

Há nessa escuridão que nos abraça um conforto capaz, um abraço quente em nós mesmos, esse abrigo do vento das palavras vãs, esse crer absoluto de que nós somos, e somos apenas em nós, que que outra alma possua luz ou calor que nos reconforte… há momentos na vida em que abrimos portas, e por mais negro que seja o interior dessa sala entramos, por estar cansados, por estar fartos da luz, da existência, apenas procuramos o silêncio, a imobilidade, o ficar ali, enrostados num canto, sem absolutamente um som, uma gota, sem a distracção das sombras, do movimento… queremos apenas que tudo desapareça, absolutamente tudo… que não exista mais nada para além disto… eu quero apenas que o silêncio me preencha, que a escuridão me conforte… que nada mais exista…

António Alberto Teixeira de Sousa

Bom dia!

Chegou ao fim está enorme aventura que foi escrever poesia… Depois de tudo o que já foi escrito só me apetece dizer… E tudo é quase nada, que esse nada é já o tudo de mim…

Continuem por aí sejam felizes!

O tédio das coisas simples

O tédio das coisas simples

às vezes quando olho a vida, escondo-me por detrás da sombra
por uma aversão às coisas inertes, que estão ali, porque sim

às vezes, quando ergo a cabeça estonteada dos livros que leio
coisas inventadas e a ausência de vida própria,
sinto uma náusea física, que pode ser de me curvar,
ao erguer os olhos a uma luz falsamente adquirida
mas que transcende os números e realidade…
e vejo-me em viagens ao submundo da existência
ali, onde tudo é real e possível… onde podemos matar
onde podemos fazer nascer, onde nos podemos apaixonar…

a vida desgosta-me como um remédio inútil,
e é então que eu sinto com visões claras
como seria fácil o afastamento deste tédio
se eu tivesse a simples força de o querer
de possuir em mim a garra de deveras me afastar

já pensei emigrar para um livro em branco
e construí-lo com palavras novas por inventar
desenhar montanhas submersas de desejo
e rios secos de angústia… quem sabe escrever um massacre global
ou então não escrever nada, e simplesmente permitir-me
sonhar e sentir tudo, como uma primeira vez…
mas depois invade-me essa inercia da acção
esse tédio de olhar o mundo e ficar quieto…
cheio de ideias, mas imóvel…
apenas invadido pelo tédio,
olho, apenas olho, sem falar nada…
uma cadeira tem quatro longas pernas
e as minhas apenas duas doem-me…

Alberto Cuddel
06/10/2021
19:00
Alma nova, poema esquecido – XXXVIII

Reinvenção da palavra

Reinvenção da palavra

Simplesmente mudá-la-ia de nome
Porque se chamaria assim? Incógnita?

Depois talvez visitasse quem tem aquários,
Apenas pela sensibilidade de serem contidos
De terem diante de si todo um universo
E mesmo assim ama-lo até à exaustão…

Talvez me chegasse à boca a vontade de gritar
Quem me ouviria nessas novas palavras nunca ditas?
Quem será a alma aberta à novidade da criação?

Depois reinventaria a partir do nada essa amizade
Em novos abraços dados com os olhos…

Alberto Cuddel
04/10/2021
16:00
Alma nova, poema esquecido – XXXVII

Reflexões do amanhecer

Reflexões do amanhecer

“sabes em quantos dias divido o mundo?
ou qual é a distância entre a madrugada e o crepúsculo?
quantas as vértebras que arranquei para expor a alma,
ou a roupa que vesti para esconder a lágrima?”

despertam as pernas no orvalho,
e os pés que caminham em direcção ao trabalho,
correm as pedras soltas, e as linhas do caminho
o sol que timidamente aquece, esmorece ao dourado da cor…

vesti-me de túnica purpura… era comum o verde
na expiação da alma, penitência imposta
caminho descanso sob espinhos, as mãos estendidas vazias…
cingi os rins…

invento sonhos que nunca sonhei,
em dias que nunca dormi,
poemas que nunca escrevi,
mesmo que sinta em mim que o fiz,
que o quis, nesta poética macabra de pensar o nada e o tudo,
o tempo que foi e o mundo, uma ausência temporária,
uma outra imposta, neste tempo que avança sem retrocesso,
neste novelo que desenrolamos!

passeamos pela alvorada de mão dada,
em jardins que nunca floriram,
embalados pela brisa do fim do Verão,
sem nunca lá termos estado, beijei-te,
como quem beija intensamente e sem pecado,
ali, diante de todos, de nós e do mundo,
fomos sonho, e carne, e sentir, e desejo, fomos tudo… e os dias?

os que não fazemos, apenas existem,
esperamos o depois de amanhã,
ou um futuro que chegue, ou um sonho, um poema,
ou apenas um acordar juntos com o sol batendo no rosto,
enquanto caminhamos…

Alberto Cuddel
01/10/2021
09:00
Alma nova, poema esquecido – XXXVI

O casual caso da virgem…

O casual caso da virgem…

esmerou-se no lamber da folha
fino orvalho caído dos beirais
desponta da terra quente a vida fina
vento que adorna os fartos fios de prata

no vislumbre do futuro recompensa
impressão pintada das horas de lazer
brincam os dedos na madrugada
cavam os pés a terra arada,
entre coxas desesperada…

amassam o pão do jerico
os dentes que a boca mordem
lábios finos desenhados
cansaço das coisas feitas
finas laminas sob as cabeças…
Para os que insistem, o motivo expresso:
Se no erro se trona humano
penso um pouco a respeito,
e percebo que não nasci pra ser predicado
e sim sujeito, entre as asas que carregas no peito

entendi que quem guia não é a razão,
e sim o que bate no peito,
ganhei de ti o direito
de ser feliz e imperfeito
meramente humano
meramente homem
por defeito…

Alberto Cuddel
27/09/2021
05:53
Alma nova, poema esquecido – XXXV

Chove-me longamente em dias de Sol

Chove-me longamente em dias de Sol

já não me resta muito tempo depois disto
não que antes houvesse, mas antes os peixes voavam
na minha varanda em que olho de longe o sol
morrem-me os perfumes da lavanda
enquanto exalo um fumo azul sob os malmequeres…
espero uma chuva que me lave, que me baptize…

Tudo se gasta e se consome, a roupa gasta-se
O dinheiro gasta-se, o tempo gasta-se
O amor consome-me por dentro, e amo
Acho que está tudo perdido enquanto não me levanto
Enquanto não me ergo e não dou um passo em frente
A vida escorre gota a gota como resto de água sobrante
Há fome de viver ali, na janela de fronte a mim
Talvez espelho baço do que foi, do que ainda é…

Dou por mim a chamar pessoas que nada significam
E também as outras, os amigos, ou os que pensam ser
E todos os que me orbitam e que acham que me devem
A mim? A mim ninguém me deve, nunca emprestei a eles as mãos
E chamo as outras… as que me são nada, por saberem quem são…

Chove-me longamente em dias de sol
Enquanto espero uma doce alvorada
Enquanto acordam depois de terem dormido
Depois de um enorme sonho
Depois de um grande nada, que nos ira acontecer depois…

Alberto Cuddel
25/09/2021
05:10
Alma nova, poema esquecido – XXXIV

Os anjos existem…

Os anjos existem…

Podemos não acreditar, podemos não os ver… mas os anjos existem, vivem entre nós no anonimato, e sempre que a identidade de um deles é revelada, ele deixa de o ser, abandona por completo a sua forma de agir na sombra, para ser apenas um entre os milhões de mortais…
Não, os anjos não tem asas, não fazem milagres, não nos livram do mal, apenas ajudam, não por pedido expresso, mas porque sentem a necessidade de ajudar sem receber nada em troca… os anjos alegram-se com o sucesso dos outros, mas não ficam para tirar fotos, os anjos são capazes dos gestos mais altruístas sem revelar a sua origem ou ajuda… os anjos existem… conheço alguns dos meus… sou-lhes eternamente grato… mas sei que pouco mais posso fazer… porque eles são… sem se mostrarem…

António Alberto T. Sousa

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