A existência de almas além da minha

A existência de almas além da minha…

Na compreensão da vida, existo
Existo pela existência do outro
Na clausura do ego não há existência…

Seja a vida a plenitude da troca, da dádiva
Realizo-me cada vez que dou, que recebo
Enalteço-me no teu sucesso, na tua vitória
Seja na amizade, no ensino, no exemplo
Eu sou tanto mais eu quanto mais tu o reconheces!

Partilhar é um acto nobre de poder ser “mãe”
Sou grato pela vida que partilho, por ser
E ser é amar-me e amar o mundo, ter fé
Sentir-me parte do futuro, ser no amigo
No conhecido, no desconhecido, no pupilo
Reconhecer o outro como ser em crescimento
É apenas o primeiro passo para um outro amanhã!…

Na existência de almas além da minha
Vejo-me como único, não melhor, não diferente
Apenas único, podendo dar-me nesse amor
A vida é amor, apenas isso, amor a dar
A receber, fazer amigos é a arte de se doar
Não a arte de negociar contrapartidas e trocas
Acreditar na amizade e ter fé nela, e construir
Todas as pontes que nos irão levar ao amanhã…

Creio na existência de almas além da minha
Na tua que me escutas e em todas as outras
Que aos poucos edificaremos, doando-nos ao mundo!

Alberto Cuddel
13/02/2019
11:20

O mundo era…

O mundo era…

o mundo era…
e depois? não voltou a ser o mesmo…

depois da primavera que chegou sem aviso
ruas desertas e ervas nascidas
chegou depois de nós todos, e não lhe fizemos falta
chilreiam os pássaros soltos
ninhos armados onde podem
palhas que voam e estradas vazias…

e o mundo era… e continuou…
mesmo sem a gente de ontem…

Alberto Cuddel

Imagem própria:
Um borrão de café…

Não me dês a mão

Não me dês a mão, não me segures ou ampares, não me ergas ou me eleves… quero-te apenas comigo a meu lado…

Quero o teu amor feito lábios, ainda que o sol nasça todos os dias, a cada madrugada por detrás as montanhas. Quero os teus lábios feito beijo, a cada banho, a cada café forte bebido, a cada manteiga derretida no pão quente, a cada manhã…
Quero o teu amor novo descoberto a cada acordar, a cada gesto de paixão, a cada beijo do despertar, a cada vontade de se fazer dia, de nascer e viver, de olhar o céu…
Quero um amor feito de areia molhada, caminho traçado, a cada pegada, a cada perdão do passado…
Quero o teu amor conquistado, a cada abraço, a cada vontade de ficar, a cada saudade, em cada liberdade de partir, na vontade de sorrir…
Quero o teu amor feito braços, feito pernas que se entrelaçam…
Quero apenas amar-te hoje, não ontem ou amanhã, apenas hoje…

Alberto Cuddel

Tempo que espero

Tempo que espero,

Meu tempo, não é teu tempo,
O tempo que espero, não é perdido,
O tempo que medito, é sentido,
O tempo que nos afasta, nos congrega na saudade,
O teu tempo de ausência também nos une na verdade.

Sobem e descem marés, passam luas,
E medito, sinto, palavras que são tuas,
Releio-as, gravo-as no meu coração,
Declamo-as em prece e oração,
Sinto-te vivo dentro de mim,
Nunca de ti me afastarei,
Não depois de te ter dito “SIM”.
Podes contar Comigo!

Alberto Cuddel®
09/03/2015

Gratidão

Gratidão!

De muitas formas te revelas,
Para não me deixares cair,
Acordas nossos amigos,
Não os deixas dormir,

Amparas com seus braços,
Minha queda, minha angústia,
E os chamas a levantar-me,
Os chamas a amparar-me.

Me fazer abrir os olhos,
Cerrados e angustiados,
Pelo desalento,
E pelo sofrimento!

Fazes-me ver,
Fazes-me crescer,
Fazes-me voltar,
De Novo AMAR!

Alberto Cuddel®
09/03/2015

Escuridão

Escuridão

Escuridão,
E se um dia ao acordar,
O que existe acabar?
Podemos de novo começar?
Teremos essa coragem?
Poderemos iniciar essa viagem?

Com todos os fragmentos que nos ligam ao passado?
Podemos verdadeiramente de novo começar?
O passado não se esquece ou apaga,
Mas podemos escondê-lo nos recantos da memória!
Abandona-lo e mudar,
De novo começar,
Outra vida,
Outro Lugar!

Alberto Cuddel®
07/03/2015

Teia Virtual

Teia virtual

Enfileirei-me, estudei o mercado,
Enredei-me em redes e teias,
Teias finamente tecidas, e colocadas
Estrategicamente publicadas
Num horário, testado, para,
Que o isco, escrito, habilmente
Lançado, na rede sedutora,
De uma tristeza carente
Que te seduz habilmente
Nos instintos maternais,
Mulher,
Cruamente desprezada,
Perdida no sonho
De apenas ser amada,
Na retribuição carinhosa
Da atenção dispensada,
Há presas fáceis, da ardilosa
Armadilha,
Sob uma falsa montada
Capa descarada,
De uma liberdade imposta,
Seguro de si, o lobo,
Na capa de cordeiro armado,
Tece teias com seus tentáculos,
Enreda, tece, prende emocionalmente
Cada uma das presas, ensaiando,
De Estocolmo a síndrome,
De assumir para si
Papel de vítima!

Ó ardilosa e matreira conquista,
Na visão intimista,
De ver as suas
Enfileiradas presas
Presas a si pelo virtualmente
Seguro sentir, comendo-se vivas
Umas as outras, apenas para elevo
De um macho e louco, alter-ego!

Ó cruel, vil e triste manha,
Preso te encontras,
Na tua entorpecida liberdade,
Pela vaidade do engano!

Não, não sou melhor,
Maior ou diferente,
Ensaiei, tenho olhos, sou gente,
E tenho em mim, comigo,
Consciência, também eu fingi,
Levado, pelo deslumbre,
Pela facilidade,
Criando um outro eu!

Não, não é penitencia,
Tão pouco confissão,
Ou um lifting, tão na moda,
Apenas a certeza, que eu,
Eu, actor perfeito,
De perfeitos cenários,
Na realidade, na minha realidade,
Não sou, actor, encenador,
Caçador, pescador,
Mas presa voluntariosa,
Preso na teia sedutora
De uma perfeita e exímia
Caçadora, que me seduz,
Dia após dia, na paixão da partilha!

Alberto Cuddel

Na mesa da sala uma orquídea

Na mesa da sala uma orquídea

na mesa da sala,
na pequena mesa da sala uma orquídea,
florida, qual Primavera,
indiferente, ao calor que se faz sentir,
do lado de fora da janela!

na mesa da sala,
repouso o olhar, cansado, distante,
parcas horas de um diurno sono,
podia dormir, como podia,
sentado na velha poltrona,
onde desenhei sonhos,
onde sonhei conquistar as palavras,
rios de poesia, marés distantes de versos,
que versejo num sonhar!

na solidão deste solitário momento,
onde me permito desligar, do físico mundo,
das constantes da vida,
da edificação da conquista,
sinto-me,
verdadeiramente sinto-me,
eu… conquisto apenas o meu eu…
imobilidade da alma,
sem viagens alucinantes do tempo
sem passado, sem presente,
sem um futuro distante e ausente,
ainda não pensado…

na mesa da sala uma orquídea,
real natureza, máximo da beleza,
onde ainda me permito descansar!

Alberto Cuddel

Ode absoluta ao Amor

Ode absoluta ao amor

Seja o amor finito nas horas do dia,
Seja o amor infinito na saudade da noite,
Seja eu movido a desejos de beijos no regresso a casa,
Seja eu ardente e carente das viagens no teu corpo!

Viajo nos ditongos orais com que me vergas
Nas sílabas de um diálogo lido no olhar
O que importa?
A oração ou a nossa oralidade?
Viajas confusamente em lençóis de cetim
Se nas artes do conhecimento [foras ontem sonho]
Hoje navego descobrindo
A cada recanto do teu querer
Novos mundos onde a cada dia nos perdemos
[só assim nos encontramos, fora de uma monotonia]
Desumanamente, o tempo condena-nos à saudosa
Ausência de permanência desejada
Verdadeiramente almejada pelas almas que se desejam!

Por onde correm os livres ribeiros do desejo?
Não pelos corpos profanamente pecaminosos,
Mas na virtualidade do sentir pleno e decidido,
Somos braços que se abraçam no corpo maior
Vontade congregada e testemunhada por Deus!

Diziam-me os arautos da desgraça, profetas da inveja
Quanta delonga poeta em explanar o amor conjugal
Onde mora o teu efémero sentir, ou algo está mal?

Oh mundo que tudo condenas,
Não levas de mim maledicências
Se o mundo em tudo que nos atenta
Pelos brilhos da felicidade instantânea
Também é o mundo que nos exalta
A contrariar as vossas ciências,
Vivendo na felicidade apenas!

Os minutos em que verdadeiramente amo
São horas nos dias de solidão a que me condenais
Os segundos fixos no olhar,
São a esperança de a cada dia regressar,
Os arrufos, querelas e desentendimentos
São o adubo em terreno fértil
Ao diálogo consumado na paz que nos damos!

Se o amor, esse sentir decidido explanado nos beijos
Por muitos considerado capricho em desuso
É por nós consumado nos dias e noites longas
Também por Deus edificado nas noites escuras
Em que a saudade habita o lugar vazio a meu lado!

Doce temperança das manhãs claras
Aurora que desabrocha nos meus olhos
Abraço intemporal de um corpo cansado
Perfume de uma pele tatuada na minha
O amor é prova irrefutável dos dias
Sangue nosso que habitará o amanhã…

Alberto Cuddel
01:02
06/12/2016

Confiança

A escuridão que envolve por inteiro o meu ser,
O silêncio preenche todo o teu espaço vazio,
Quebrado pelo som dos finos saltos de agulha,
Que firmes pisam o soalho de carvalho polido,
No firme, sensual, decidido e compassado andar,
Com que me torturas na ausência e privação do sentir!
Aqui na profunda angustia da imobilidade,
Não vejo, não toco, não sinto, apenas o som,
Saltos pisando o soalho, deténs-te no silêncio,
Tua respiração profunda, quente em minha nuca,
Aceleração, o profuso desejo do toque, ânsia,
Silêncio estilhaçado, por um som, um único som,
Conhecido, desejado, almejado, inconfundível,
E o calor, a pele queimando, fervente sangue,
E voltas, martelando o meu querer, um após outro,
Nos compassados passos, de teus saltos no soalho!
Privação opulenta dos sentidos, aflorando o floreado
Sentir do toque, despertando cada poro, cada pelo,
Assanhando o desejo de estar em ti, na sintonia
Idealizada do movimento perfeito apenas pelo querer!
No silêncio nem uma palavra, uma imagem, um querer,
Apenas vontade, som, desejo, fervilhante tortura,
Sou teu, conhecimento, confiança, sem medos
Entregue à tua absoluta vontade de Amar!


Alberto Cuddel
27/02/2015

E o mundo parou,

E o mundo parou,

a noite caiu la fora,
o silêncio trancado,
na fechadura da porta,
aqui e agora, só nós existimos,
no profundo olhar,
no toque da memória,
na luz reflectida por tua pele,
eu e tu, na solidão do espaço,
todo preconceito, todo pudor,
trancados do lado de fora,
despidos de nós mesmos,
procurando a entrega plena,
da magia do acto de amar,
um só corpo formar,
sincronizar movimentos,
batidas, pulsares,
gemidos…
deleite supremo…
sincronização absoluta…
o eu, o tu?
que importa…
o prazer único,
sentido… gritado…
envolventemente gemido…

Alberto Cuddel
23/11/2014

Apenas por que é hoje,

Apenas por que é hoje,
E hoje não é um dia qualquer,
Também não é um qualquer dia,
Hoje comemoramos o futuro de ontem…
E a realização do sonho passado,
Sonhando sonhos novos…

Alberto Cuddel
14 de Novembro de 2014

O mar vem e vai…

O mar vem e vai…

Por entre ondas espraiadas de azul
Algas de verde-mar, areia muito fina
Estendem-se ao sol corpos luzentes
E outros que apenas olham o horizonte!

Conchas, rochas, búzios, estrelas e beijos,
Tudo se pode apanhar, recolher, guardar
Atrevidos, lábios molhados e outros desejos
Quentes corpos, fumegantes, quase a colar!

Navegam ao largo os sonhos de Verão
Levados pela brisa marinha, sozinha
Sonhos, desejos, olhares, doce paixão!

As rochas firmes, pelo tempo desgastadas
Esperam a tempestade que logo se avizinha
Quando partir o Verão, paixões agora acabadas!

Alberto Cuddel
15/08/2016

Mar revolto

Mar revolto

Chegas com a fúria na alma,
E nessa fúria logo se acalma,
De sentimento revolto, o Mar,
Mas pela Lua volta-se a afagar!

Que triste o constante vaivém,
Ora calmo, belo e espelhado,
Ora revolto querendo levar alguém,
Deitando por terra o que foi sonhado!

Deixam-me o tempo parar,
Deixa-me votar a sonhar,
Deixa-me voltar a teu lado caminhar,
Deixando de novo gravar,
Nas pegadas o que é amar!

Alberto Cuddel
18:50 29/05/2013

Duetos improváveis – dois tempos e duas mãos

Uma surpresa feita pelo meu querido irmão das letras António Alberto Teixeira Sousa!! O poema que fiz, há pouco mais de duas horas, agora, extensível a duas mãos! As minhas e as tuas! infelizmente ainda não consegues comentar, mas consegues ler!!
Obrigada pelo teu carinho, obrigada pela tua generosidade, obrigada pela surpresa! Obrigada por seres como és!!
🥰🙏🙏🙏🙏🙏

SER ( a duas mãos)

Presta-se o dia
para divagar nas entrelinhas de um suspiro
Aberto de cautelas e consciências plenas do nada…do vazio do inconsciente…
De propósitos de vida
e pensamentos vagos…
Mas sempre com uma prioridade assumida,

O amor…
O amor no mais puro conceito…

“Essa virtude humana que se agiganta no vento
Canas que se vergam as tempestades
E tudo passa, tudo é perfeito, na imperfeição das horas
E antes de tudo, o amor é, naturalmente natural… “

Ouço o frenesim dos pássaros e
dou por mim, cada vez mais apegada aos animais e às crianças …
A inocência de ambos é congénere …

“Numa fidelidade férrea gravada nas pedras
Vivo esse tempo raso, esse vai e vem marítimo,
Eterno, infinito, feminino, sensível até… “

Dois pequenos irmãos jogam à bola no jardim…
Não devem ter mais de oito anos
e a alegria dos seus sorrisos é contagiante!
Ausentes de responsabilidades e incertezas, não pressupõem sequer o que o futuro lhes reserva…

“Como duas pequenas crias de lobo
Aprendendo a cada brincadeira,
Como se edificassem Roma, criado um novo amanhã…”

Que perfeito seria um mundo, onde a proteção e direitos iguais, para as crianças e animais fosse um senso comum…

“Que perfeita seria a vida sem essa necessidade de diferenças
Sem distinção entre seres vivos,
Entre crianças e adultos, entre homens e mulheres,
Entre pigmentações, entre religiões Entre fronteiras, entre falsas e verdadeiras… “

Que perfeito seria um mundo sem guerras, sem ganâncias, sem ódios, sem censuras, maledicência, reparos ou reprimendas…

“somos um vírus na terra,
Uma bactéria que suga a vida,
Humanos tristes, gananciosos,
Invejosos, sedentos de fome…
Queremos o que não temos… “

Vivemos num mundo doente, com feridas que jamais irão sarar…
Com disputas que jamais irão parar…

Só um poeta consegue subtrair-se das trevas…
Por mais que sofra, o poeta sonha e vende sonhos a quem os queira comprar…
Alimenta-se e alimenta almas famintas com o mais puro alimento espiritual,

“O poeta sonha, idealiza a brisa no rosto
Uma paz capaz de ser sol num caminho
O poeta canta a beleza natural,
Essa ideologia natural que é a paz,
Fruto de uma pura sementeira…”

O amor
O amor no mais puro conceito!

No pouco tempo que não tenho para ter tempo para o que é vital
e dentro de uma existência invertida, continuarei sempre a ser poeta…
E…a ser poema…

“Enquanto o amor é semente a germinar… “

Célia Teles Ferreira
“Alberto Sousa”
16042022
Reservados os direitos autor

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