Sonho

Sonho

Podem as asas caírem
O voo circular terminar
O movimento quedar
Não resigno à mortalidade do corpo!

Trémulas mãos seguram-me a alma
A vida esvai-se nos círculos da morte
No mundo resido, doce perfume exala
Do ser que te sonhou a triste sorte.

Embala-me a alma em nuvens de algodão
Descendes de mim mar da realidade
Ascende em ti a doce e fulgosa paixão
Aplaca no teu corpo a dor da saudade!

Alberto Cuddel®
29/08/2016
In: Palavras que circulam – II

Sustenho no peito o teu sonho!

Sustenho no peito o teu sonho!

Cai em mim o silêncio das estrelas
A noite escorre pelas paredes do quarto
Ouço-me, no profundo e vazio silêncio
Correm longe as palavras nos teus lábios
Dormes, sustentadamente no meu peito
Sentir que te emana da alma, ilumina-me
Corres pelos sonhos,
Como te vagueiam as mãos,
Pelo meu corpo despido…
Na tua companhia, estou só, sozinho,
Acordado sustentando teu sonho!…

Alberto Cuddel®
05/09/2016
In: Palavras que circulam – V

Eternamente

Eternamente

Nada do que foi criado é eterno
-palavras soltas no caderno
Sentes fingindo a saudade
-ausência de um hoje certo amanhã
A cadência verbal, sonoridade
-palavra gritadas ao vento matinal!

Sopras a vida, gritando e gemendo
-choro que me acorda, sangue da vida!

Alberto Cuddel®
09/09/2016
In: Palavras que circulam – VII

Entre o Sono e o Acordar

Entre um sono e o acordar

A sedução do dia
Cansaço da noite
Paixões do corpo
Desejos da alma
Vida tão aqui ao lado
Segues desamparado
O rumo incerto da horas
Contando minutos para o despertar…

Alberto Cuddel
In: Palavras que circulam – XI
12/09/2016

Novo Olhar

Novo Olhar

Quebrou-se em nós o vaso da virgindade
Nascem novas cores na arte do mundo
A vida em nós brotou, nascemos de novo!

Alberto Cuddel®
11/09/2016
In: Palavras que circulam – XV

Ciclicamente

Ciclicamente

Nefasto tempo
Equinócio que me desbrava
Uma folha esvoaça
Nos ventos da memória
Dourada, gasta pela vida
No chão morre sob o peso
Dos duros passos da humanidade
Alimento amorfo de nova vida…

Alberto Cuddel®
23/09/2016
In: Palavras que circulam – XVII

Ontem Choveu

Ontem choveu

Tantas vezes choveu ontem,
Mesmo assim com chuva sai de casa,
Percorro ruas e vielas, passeios estreitos,
Mas não procuro ninguém,
O meu olhar hoje não te procura,
Porque ontem choveu,
E eu sei onde estás, onde estavas,
Onde te encontrei
E te deixei à espera,
Há minha espera.
Ontem choveu,
E eu não te procurei…

Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam – VI
06/09/2016

Sonhos de menino

Sonhos de menino

Ainda ontem de mão estendida
Sonhava em mim novo mundo
Criança sem maldade e destemida
Gravado no coração amor profundo.

Ainda ontem, não conhecia o mal
Tudo o que o homem pode fazer
Para sua plena satisfação pessoal
Destrói sonhos, deixa o outro morrer.

Ainda ontem era feliz, inocência
Sem muito por nada já sorria
Ao amigo oferecia indulgência.

Hoje homem, o mal tomou forma
Perdia toda a inocência já feria
Por um qualquer prazer desforma.

Alberto Cuddel®
23/09/2016
In: Palavras que circulam – XVII

Na gaveta

Na gaveta

Em vagas horas
Em que o silêncio se estende
Vagueia redondo o pensamento
Perdido por entre os espaços da mente.

Nuamente na orfandade latente
Perdem-se ideias, sentir que mente,
Seguem correntes e brisas modistas
Sem conteúdo, apenas comodistas
Cópias, ideias curtamente repetidas
Ideias sombrias e sujas, escorregadias
Politicamente e socialmente aceitáveis
Mornas, travestidas de conceitos morais
Ideias em versos tristes, sem apoios sociais!

Em vagas horas
Em que silêncio se estende
Escrevo e escondo
Pensamento redondo
Que me liberta a alma,
Ao pó, na escuridão da gaveta,
Poesia escrita a tinta preta,
Tantas vezes tingida de sangue!

Alberto Cuddel®
18/08/2016

Ontem choveu

Ontem choveu

Tantas vezes choveu ontem,
Mesmo assim com chuva saio de casa,
Percorro ruas e vielas, passeios estreitos,
Mas não procuro ninguém,
O meu olhar hoje não te procura,
Porque ontem choveu,
E eu sei onde estás, onde estavas,
Onde te encontrei
E te deixei à espera,
Há minha espera.
Ontem choveu,
E eu não te procurei…

Alberto Cuddel

Pecado Original

Pecado original

Por entre os olhos,
Que se miravam,
Cada um sonhou o futuro
Em par a alma, e os corpos alinhavam!

– cada um de nós idealizou o depois…

Na duplicidade
Fusão do agora, nem acção nem pecado
… apenas um contínuo debochado…

Na mão que eu pedi,
Que ofereceste e recebi,
Não foi por ela que me debrucei, mas por ti…

– Meu nome é meramente poeta

Será por Deus, meramente pecado
Esta dormência despida da serpente
Que fielmente te procura como fértil vale,
Tentando sermos um só!

Das bocas, dos lábios
Não nascem palavras, sonhos
Das nossas frontes, no lascivo olhar
Apenas brotam, desejos e longos beijos!

Os braços, pernas, os corpos
Dedos e lábios que se misturam…

Mesmo assim sofres amargamente a saudade,
A ânsia e sede, uma fome sem fim!
– Tu de me teres em ti.
 E eu de te fielmente te pertencer!

Assim perante testigo
Toda te deste
Todo eu me dei…

Mil vezes morri, prostrado…
Mil vezes ressuscitei
Por uma dor mais vibrante
Uma ausência confirmada
Imposta contraria vontade
E um prazer mais torturado.

Enquanto os olhos se esbugalham
Numa imagem distorcida na memória
As doces curvas do teu corpo se contorcem
Todo eu aqueço na longínqua distância
O nosso olhar pousado no horizonte
No desespero desse abraço mudo,
Confessam-se diante de tudo!

… Enquanto nós pairávamos, suspensos
Entre a terra e o céu.

Pela dor atroz do esquecimento das leis,
– Pela própria lei de Deus,
E o homem se unirá a sua mulher
Juntos formarão uma só carne
Uma só alma!
 
Alberto Cuddel
2015

Apaixonadamente minha

Apaixonadamente minha

Trazes no peito as silabas do meu ser
Presença da perpetuação da minha existência
Nos lábios o doce sabor dos meus beijos
Tatuado na alma o calor dos meus desejos

Talvez escutes em ti o eco dos meus versos
Talvez sorrias ternamente na lembrança,
Talvez percorras a face sentindo-me em ti
Talvez ordenes as lágrimas a não caírem

Sabe-me eternamente teu, ausente assim
Num lapso de tempo, mero desencontro
No espaço e tempo que ocupas a mente
Que me anseia em ti saudosamente

O teu futuro, o meu futuro ligados
Rubra chama que crepita no teu seio
Ardentemente apaixonado, ligado
A mim ser em ti plenamente amado

Alberto Cuddel

Sonho

Sonho

Podem as asas caírem
O voo circular terminar
O movimento quedar
Não me resigno à mortalidade do corpo!

Trémulas mãos seguram-me a alma
A vida esvai-se nos círculos da morte
No mundo resisto, doce perfume exala
Do ser que te sonhou a triste sorte.

Embala-me a alma em nuvens de algodão
Descendes de mim, mar da realidade
Ascende em ti a doce e fogosa paixão
Aplaca no teu corpo a dor da saudade!

Alberto Cuddel

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Na Gaveta

Na gaveta

Nas vagas horas
Em que silêncio se estende
Vagueia redondo o pensamento
Perdido por entre os espaços da mente.

Nuamente na orfandade latente
Perdem-se ideias, sentir que mente,
Seguem correntes e brisas modistas
Sem conteúdo, apenas comodistas
Cópias, ideias curtamente repetidas
Ideias sombrias e sujas, escorregadias
Politicamente e socialmente aceitáveis
Mornas, travestidas de conceitos morais
Ideias em versos tristes, sem apoios sociais!

Nas vagas horas
Em que silêncio se estende
Escrevo e escondo
Pensamento redondo
Que me liberta a alma,
Ao pó, na escuridão da gaveta,
Poesia escrita a tinta preta,
Tantas vezes tingida de sangue!

Alberto Cuddel

 

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