Hoje não me apetece falar

Hoje não me apetece falar

Hoje não me apetece falar, depois de mais uma mulher ter sido vítima da uma masculinidade que não aceito, de um sentimento doentio de posse que nem na escravidão admitia. Não consigo falar de amor, da vida, de beleza, quando mais alguém perde a vida, às mãos de uma sentimento e tipo de relação ignóbil.

Ainda há pouco escrevia que amar é fácil, difícil é foder, afinal, o difícil é aceitar a decisão do outro, aceitar que quando alguém está connosco esse alguém esta porque quer, e não porque nos pertence. E sobre isso recebi alguns comentários que infelizmente demosntam bem que existem homens com grandes dúvidas sobre a sua forma de agir. Que não sabem nem respeitam os desejos das mulheres, que não sabem nem aceitam o que a mulher quer na vida e ao seu lado.

Será assim tão difícil ao homem, ao ser humano aceitar que nem sempre as coisas resultam? Que ninguém é de ninguém? Para quê tanta violência?

Mas o meu pensamento hoje vai para as crianças que sem culpa de nada, por um sentimento inqualificável de homens que nem homens sabem ser deixam milhares de crianças órfãos de mãe e pai.

A. De Alberto Sousa

Amor ou a arte de foder

A maioria das mulheres dizem que os homens não sabem amar, mas eu digo o oposto, a maioria dos homens não sabe é foder…

Amar é simples, são pequenos gestos do dia a dia, ajuda, carinho, atenção, compreensão, diálogo, isso é simples… Agora foder? Isso sim é complicado… Planear os preliminares com horas ou dias de antecedência, uma mensagem, uma palavra, um gesto erótico, um elogio… O manter a libido no auge, o toque, o cheiro, a excitação… A emoção, o sentir, a entrega da alma, a fantasia, o induzir o desejo… Isso sim é complicado, isto para não falar no investimento colossal no orgasmo dela, quais as posições que o facilitam, que tipo de orgasmo devemos provocar, qual o investimento a ter em conta para a elevar ao Olimpo? Pois é, amar é fácil, agora foder? Só está ao alcance de muito poucos…

Vale a pena pensar nisto…

A. De Alberto Sousa

Para quê tanto pudor?

Para quê tanto pudor?

Existe um exacerbado pudor quando a temática é sexo, escrevo sexo e logo correm, “não é sexo poeta, é fazer amor”, desculpem? É que nem uma coisa nem outra é foder mesmo… É maravilhoso juntar o amor ao sexo, sem dúvida alguma, mas não confundamos as coisas, sexo é a forma mais intensa de dádiva e partilha, de entrega e de cumplicidade… Atenção que eu não falo do sexo egoísta em que um dos parceiros se “alivia em minutos ou segundos”. Mas de prazer físico intenso sem pudor, que dois parceiros partilham sejam qual for o sexo ou orientação de cada um. Se a essa intensidade física juntarmos a intensidade da alma, o amor, então sim tudo será pleno.

Mas para que tanto pudor? Será que alguém acha que os pais não foderam para eles nascer? Que a mãe não gemeu, que não chamou por Deus enquanto o pai lhe dava prazer? Amar e fazer sexo é algo natural, aliás sexo é mais natural que amar, ninguém entrega a vida por sexo, mas sim por amor, e isso é anti natural…

Escrevo poesia erótica, sim, não tenho pudor nisso, acho mais excitante a formação da imagem no cérebro e a capacidade de transmitir desejo e sensações, que qualquer “filme ou foto”, a poesia erótica é o preliminar da palavra, o anúncio do gesto e do prazer…

Deixem-se de pudores, e se não gostam, olha removam a amizade…

Partilho a foto sensual de um modelo masculino, como repúdio à exploração e degradação da exposição do corpo feminino como objeto sexual do machismo.

António Alberto Teixeira de Sousa

Desabafo

Desabafo

Acho que nunca me viram (leram) neste registo no blog, mas hoje apetece-me… o que se pode fazer? Ou suicido-me ou digo tudo sem papas nos dedos…
Estou cansado dos bloqueios no facebook/Tumblr/Instagram, sou poeta, escrevo literatura erótica, não tenho pudor ou vergonha alguma, não é uma questão de sonho ou de até de desejo pessoal, que querem? Tenho jeito para fazer os outros sonharem… “mas à parte isso” e agora ate citei Álvaro de Campos um dos heterónimos de Pessoa, no seu famoso poema “Tabacaria”, (Ora fodasse, além de polémico ainda é culto), à parte, estou cansado de não ser lido como devo ou seja: tudo o que de mim lêem deve ser interpretado segundo vocês mesmos, não na busca de mim nas palavras, defino-me como romancista preguiçoso, posso ter bebido toda a noite whisky, e escrever a ode da minha vida à “vodka com laranja”, às vezes canso-me de escrever o amor, não que o amor me canse nas suas maravilhosas vertentes, mas por que todos cobram do amor, quando amar é apenas doação, ninguém pode cobrar do amor orgasmos, porque isso é prostituição. Falam-me da amizade na poética, como se por ser amigo eu tivesse o dever a OBRIGAÇÃO, de dar like ou comentar “maravilhoso” a um texto que não usava para limpar o fundo das costas que evacua se tivesse ido ao wc por mais fofinho que fosse…
Estou cansado de uma poética de conto, onde todos contam as suas mágoas e desejos, eu não quero saber se traíste o teu marido, se está apaixonado por outro fulano, se a fodeste na praia, eu quero encontrar-me nos teus desejos, na tua volúpia no por do sol na praia, nada mais simples do que amar pela alma de outro alguém, mesmo que esse alguém tenha vivido no início do século XVII…
Mais que uma arte fonética, que uma arte gráfica (ortografia) a poética é uma arte de alma, uma arte de dois sentidos, o olhar e ou o escutar, ( reparem que não referi ver e ouvir), para a percepção da poética é necessária uma predisposição espiritual única, um pouco como a diferença entre o amor doado e o foder narcisista, canso-me por encontrar no leitor a arte do cagalhão, olham a forma, mas não a arte do cozinheiro que confeccionou a refeição… indo ou pouco mais além, e tudo se resume ao amor que o agricultor dedicou ao cultivo dos pepinos…

Eu e todas as outras personagens que sou

21/08/2019

15:30

THE END

Despedida…

1590 poemas depois abandono o blog, a todos os que me seguiram o meu muito obrigado! foi bom sentir o vosso apoio e calor humano, foi bom crescer com as vossas criticas! quem sabe um dia, algures no futuro eu regresse.

Um enorme abraço,

Alberto Cuddel

Reflexão, porque os homens também pensam!

Reflexão, porque os homens também pensam!

Há mais ou menos um ano atrás alguém comentava: estou cansada, o meu marido não ajuda nada em casa, trabalho como ele, mas em casa ele não ajuda em nada, quando chega de trabalhar, toma banho e sai para o café com os amigos. Perguntei se foi sempre assim ao que respondeu sim desde o casamento, perguntei se algum dia ela pediu para ele fazer a cama junto com ela, ou ajudar na limpeza da casa, e ela simplesmente disse que ele não queria porque isso era trabalho dela!
Trabalho dela? E ela aceitou? Logo no início da relação? Como cobrar agora depois de anos neste sistema? Muitos dos homens entram numa relação com deficit de cultura de auto-suficiência, ou seja, a sua anterior mulher (mãe) não o educou para fazer as suas tarefas, como tratar da sua roupa, da limpeza do quarto, ensinar a cozinhar, essa tarefa de educação mutua esta a ser transferida para a esposa, e cabe a ela e aos dois educarem-se para a relação. Caso não o façam, tudo irá continuar a ser o que era até ai.
No fim da conversa, ela diz-me o seguinte, “Bem tenho que ir fazer a cama e arrumar o quarto do meu filho” que idade tem? 18. Dezoito anos e a mãe faz tudo para o rapaz? Como pode reclamar do pai dele? Se não está a educar o marido da nora? As mulheres tem o poder de mudar o mundo em poucas gerações mesmo assim não o fazem, para que outras sofram o que elas sofreram…

Alberto Sousa

O (ser) Ferroviário.

Reflexão porque eles também pensam e sentem…

O (ser) Ferroviário.

Antes de qualquer outra consideração ser ferroviário é diferente de trabalhar na ferrovia. Ser ferroviário é em si mesmo um acto de amor no sofrimento.

Seja na área de circulação, manutenção ou sinalização, ser ferroviário é aceitar a responsabilidade de ter nas mãos a vida de centenas de pessoas, é saber abdicar com um sorriso nos lábios, de parte da sua vida familiar, abdicar dos almoços com amigos, dos jogos de fim-de-semana, dos natais em família, dos feriados, dos passeios de domingo. É abdicar do acompanhamento do crescimento dos filhos, passar semanas longe de casa, em despedidas intermináveis, na incerteza do regresso, é trabalhar em horários incertos, sem grandes planos para depois de amanhã.

Ser ferroviário é saber dar o melhor de si, mesmo quando a vida nos decepciona, mesmo no sofrimento da perda, no calor dos dias, de uma noite mal dormida, de um dia sem descanso, é saber estar presente pelo dever, por saber que outros de si dependem. É saber ser criticado, mal-amado pela sociedade, quando em situação de conflito, por acidente, incêndio ou delito, o comboio não anda, não chega, não inicia… é ser olhado de lado por ser empregado do “estado”, com todas as regras e deveres do privado, é ser enxovalhado por fazer greve, pedindo condições de trabalho, e um pouco mais de ordenado, mesmo que a família não tenha aguentado esta vida, e ele: sozinho, deprimido, triste e cansado, continue sorrindo, trabalhando, e os outros reclamando…

Ser ferroviário é encontrar nos colegas a família, encontrar no trabalho uma outra vida, carregando nas mãos a vida de tantos, que desconhecem quem os suporta…
Mais que um trabalho, um emprego ou profissão, ser ferroviária é um acto de amor, de paixão!

(Alberto Cuddel)
António Alberto Sousa

Aniversario!

Faz exactamente hoje um ano que iniciei esta aventura… Um blog…

Hoje um ano depois estes são o números: 128956 visualizações, 15321 visitantes, 42854 likes, 6525 comentários e 1214 poemas/textos publicados. 
A todos os que me apoiam e me dão força para continuar, muito obrigado a todos os que me lêem…

Alberto Cuddel

 

Porque natal só é quando a TV disser!

Porque natal só é quando a TV disser!

Texto escrito em 25/12/2015

O natal do dia seguinte

Hoje, nas ruas espalhados, voam papéis de embrulho, lençóis dos que ontem eram lembrados, a sopa não chega, tão poucos os restos que sobram, ontem tinham frio e solidão era cortada, pelos voluntários, ontem era natal!

Hoje os voluntários não chegam, chega a solidão e o frio, o Deus menino tem dia para nascer, no coração de pedra de muitos homens, o natal, essa doce natividade é duramente esquecida, tantas vezes apenas bonita, num circulo de amigos, então que fizeste, – “voluntariado com os Sem-abrigo”!

O natal em cada um de nós, não é apenas a boa vontade do dia, mas a vivência dos gestos silenciosos, dos gestos cegos de amor, das palavras mansas ditas ao ouvido, o natal pode ser todos os dias… ontem muitas famílias se reuniram, talvez
pela última vez do ano, quem sabe talvez também a primeira desse ano.
Lembrem-se que a família de Belém, estava só, São José, Maria e Jesus, mesmo sendo José descendente da Casa de David, estavam sozinhos, num estábulo, sem lugar na sala de visitas.

Naquele tempo como hoje existiam os marginalizados, hoje sem abrigo e arrumadores de carros, naquele tempo, pastores guardadores de gado, e foram eles os que nada tinham os primeiros a ver o Deus menino.

Muitos hoje acordam após uma grande festa de família, mas sem a consciência de que tanto podem fazer por eles e pelo mundo que os rodeia. Saibamos cada um de nós reservar tempo para os outros, para os que temos mesmo ali ao nosso lado, para as esposas, para os maridos, para os filhos, para os irmãos, para os pais, para os amigos, para Cristo, para Deus… todo esse tempo que damos, receberemos na melhor moeda, a felicidade de receber um sorriso… o maior bem não se compra, doa-se livremente para receber em dobro!

Era Bom que o natal fosse lembrado também nas TV, nas redes sociais, nos Hipermercados, nas ruas, nas casas, em todo lado, até nos corações mais adormecidos!

Alberto Cuddel

Reflexão, porque os homens também pensam!

Umas quantas coisas sobre mim e o facebook!

Como vos tinha relatado há pouco tinha tomado a opção de abandonar o facebook, mas claro as amizades mais próximas e as que me seguiam regularmente não acharam muita piada à coisa. Após varias mensagens, pedidos e muita insistência, lá voltei eu ao facebook, agora apostado em cumprir as “normas de conduta” texto e imagens dentro dos padrões da comunidade evitando bloqueios e dissabores. Não abri conta nova, usei uma que estava parada desde 2014, sem “amigos” ou contactos, usei o nome de Alberto Cuddel, alias já bem mais conhecido que o meu próprio, pedi algumas amizades aos já amigos, publiquei alguns poemas já publicados em livros e antologias, e tudo corria normalmente. Na semana passada partilhei lá um poema de Tiago Paixão (conteúdo erótico), com imagens “apropriadas”, depois mais um, e BOMMMMM… esse poema é partilhado 10 vezes por alguém, e de um momento para o outro passo de 107 amizades para 380… nada que já não me tivesse acontecido. O estranho foi a chuva de mensagens que se sucederam, e o que me assustou e incomodou foi o seu teor: És lindo? És casado? Moras onde? É possível conhecer-te? Bem como um conjunto de fotos de fazer inveja à revista PlayBoy. Este tipo de abordagem pode não incomodar a maioria dos homens, alias a maioria deve estar agora ou com inveja ou a insultar-me. Mas a verdade é que a maioria das perguntas incomoda-me pois as respostas são públicas, estão no perfil, onde moro, a idade, o estado civil e com quem, etc… são muito poucas as conversas inteligentes sobre o assunto de fundo a poesia. A verdade é que é comum pensar-se que só o público feminino é assediado, mas vos garanta que o assédio feminino é bem maior e mais bem mais grave. Pois em caso de rejeição agem com vingança, acontecendo coisas como: “desculpe mas não procuro companhia feminina!” Como resposta “és gay?” Ou “Não estou interessado e ter nada consigo” como resposta: “agora é tarde meu filho, já pedi amizade a tua mulher, e vou dizer que tens um caso comigo.”, e na verdade disse, a minha esposa já tinha visto todas as mensagens e simplesmente eliminou depois de a colocar no lugar. Nem todos estamos no facebook à procura de sexo!

A parte boa de tudo é que no meio de muita escória, sempre vem pessoas interessantes mesmo ligadas ao mundo da produção literária e editorial. Voltei ao facebook, em breve estou a pensar começar no blog uma rubrica nova: A minha vida no facebook com transcrição de mensagens e publicação de fotos que me enviam, sempre poderão ficar a saber os interessados onde andam as disponíveis…

 Novo perfil em: http://facebook.com/PoetaAlbertoCuddel

 António Alberto Sousa

 

Reflexões – A volatilidade da vida,

Reflexões –  A volatilidade da vida,

Hoje no dia de São Valentim sou sacudido violentamente por uma notícia que nos molda, faleceu o marido de uma amiga da minha esposa, com vinte e poucos anos, vítima de câncer.

Quanto vale a vida? As preocupações do dia-a-dia? Quanto vale adiar seja o que for? As chatices, as discussões? O que farias hoje se soubesses que amanhã não estas cá? O que farias hoje se soubesses que quem amas não estará cá amanhã?

Se realmente amam alguém, não esperem, amem hoje, falem hoje, ofereçam-se hoje… vivam hoje… amanhã pode ser tarde demais…

Alberto Sousa

 

Reflexões sobre a poética e poesia…

Reflexões sobre a poética e poesia…

Ao longo dos tempos muitas definições tentaram dar à poesia, como arte sonora, no inicio, como cântico da beleza e do sentir, como arte matemática das sílabas e rimas, para mim a poesia é simplesmente a arte de emocionar, não é apenas a beleza ou a rima ou a vida, mas a emoção. Quanto mais leio sobre o assunto mais a entendo como um diálogo íntimo e pessoal, não como uma mensagem do poeta ao leitor, mas de uma reflexão interior por quem a lê. O poema que a um leitor o emociona pelo amor, a outro pode emocionar pela saudade, ou mesmo pela dor da perda.
Já estive em alguns debates sobre se a poesia deve ou não ser sentida ou “vivida” pelo poeta, encontro em mim mesmo sempre a mesma resposta, deve o romancista viver os romances que escreve? Mesmo assim emociona, deve o actor viver as cenas que representa? Mesmo assim emociona… Então porque deve o poeta sentir ou viver o que escreve, se a intenção é emocionar e não passar uma vivência… juntando 2 ou 3 leitores a uma mesa e dando a ler o mesmo poema encontrarão 3 visões diferentes segundo a vivência de cada um, então qual a relevância do poeta ter vivido o que escreveu, se apenas nele faz sentido? Sei que muitos ficam chateados quando lêem estas linhas, que a poesia deve nascer da alma, que o amor deve vir do coração, etc… Então como por um poeta a escrever da pobreza se não for pobre? Como escrever um poema de um sem-abrigo se não for um, como escrever um poema contra o abuso sexual, racial, étnico se não o tiver sofrido?
Se ao lerem-me eu emociono, não é por mim, mas pelo sentir que impus nas palavras, pelo sentir que me impus ao escrever, e quando escrevo sou actor dos sentires que debito… não me escrevo, descrevo sentires e emoções, sendo que no tudo que escrevo, também está parte do que sinto…

Alberto Cuddel

Reflexões – porque eles também sentem

“Não”- dizer, escutar e aprender a aceitar (Parte I)

 

De todas as palavras o “não” é talvez a das mais importantes na nossa vida, como pessoa, como processo de formação, como na afectividade e nas relações pessoais que se estabelecem.

Primeira parte “o dizer”: Se a dificuldade em dizer “não” fosse uma questão meramente racional, já a teria resolvido. No entanto, na maior parte das situações, ela está relacionada com histórias de vida, crenças erradas ou negativas,  emoções, e um processo deficiente na formação, educação na infância e vai-se sedimentando ao longo da vida.

Muitas vezes, o desejo de agradar, de ser aceite está por trás desta dificuldade. A culpa, a pena e a total responsabilização pelo bem-estar do outro, podem também estar na sua base.

Quantas vezes o nosso coração e pensamento nos dizem não, mas a boca profere a palavra contrária e nos sai um Sim? A dificuldade em dizer “não” causa frustração e o desrespeito próprio, uma vez que não respeitamos os nossos limites e as nossas vontades. Paralelamente, é como uma bola de neve, sentimos que os outros não nos respeitam, porque se aproveitam da nossa boa vontade. Criamos a fantasia de que deveriam ser os outros, a perceber, a não pedir, quando na verdade compete-nos a nós impor os limites que queremos ver respeitados.

Na realidade a vida não é assim, porque somos um ser único, independente, os riscos que corremos diante de um erro, quem arcará com as consequências somos nós, então porque aceitar sempre? Onde estão nossos valores? Nossa personalidade? Onde estão nossos conceitos e nossas decisões? Porque devemos sempre agradar? Presenciamos adultos indecisos, viciados, problemáticos que concordam com tudo, que aceitam sem questionar, sem reclamar os seus direitos porque teve a criação no SIM, ao dizer Não, estaremos aptos a dizer com clareza que eu assumo aquilo que eu faço, eu faço porque desejo e quero, porque conheço os meus limites. Na maioria das vezes, fazemos o que o outro quer. 

Como pode o outro saber quais os nossos limites se nós não os damos a conhecer?

Segunda parte “O escutar”: O ser humano está sempre pré disposto a agradar, a dizer sim, a receber o sim como resposta. Temos assistido a casos sequestro, de morte, simplesmente porque o rapaz não aceitou receber um não da namorada. Dentro deste quadro, onde presenciamos muitas vezes o adulto, sem querer enfrentar uma situação, mentir ou criar estratégias para não magoar. Temos como exemplo bem comum, o caso da mãe que, quando o telefone toca e ela não deseja falar, pede ao filho para dizer que ela não está. Isso ocorre porque ela não assume a verdade, agindo assim, com certeza servirá de exemplo aos filhos. Quando o filho deseja algo e não consegue, de imediato abre um berreiro,  aí vem a mãe correr e faz-lhe a vontade, não dando a conhecer o significado do Não. Saber escutar um não é educar a nossa vontade própria, sabermos impor limites a nós próprios. Isso acontece na infância, mas também nas relações entre casal, entre namorados. É de fulcral importância saber receber um não, aceitar a vontade do outro, disciplinar o nosso querer e desejo, conhecer os limites para nos adaptarmos aos requisitos e vontades também dos outros. Saber dizer está num patamar de igualdade com o saber receber.

Terceira parte “aprender a aceitar”: As mulheres, com tantas funções e tarefas, com tanto “poder” nas mãos, exactamente por tantas responsabilidades, correm um sério risco de deixar de dizer os NÃOS necessários, em todas as áreas da nossa vida, apoiadas na falta de tempo, no excesso de trabalho, no cansaço, na depressão, na carência afectiva, em muitas situações,  fazem com que o SIM seja sempre a resposta mais fácil, mas que muitas vezes, traz terríveis consequências. Precisam dizer NÃO seja a quem for ou ao que for. Precisam dizer NÃO à si mesmas na compulsão por comprar, por comer, a tudo os que lhe faz mal, aos namorados, filhos, maridos, amigas, colegas etc… Os homens da mesma forma devem saber dizer não, a tudo o que os prejudica, a tudo o que lhe traz prazer apenas pessoal sem partilha. Tanto homens como mulheres devem aprender a dizer Não, e a saber aceitar um Não como resposta. Impondo limites a si próprios, conhecendo os seus limites e das pessoas com que convive. Só assim é preservada a sua individualidade e independência intelectual, podendo a sim complementarem-se afectivamente.

Muito mais há a reflectir, mas ficará para um próximo artigo.

A. Alberto Sousa

 

Reflexão, porque os homens também sentem!

Amor: Sentimento, decisão ou será acção?
(continuação?)

Caros amigos e amigas, na minha última publicação deixei uma ideia em aberto, muitos não me perceberam ou quiseram perceber: “Fácil é conquistar, difícil é manter. Amar é para aqueles que decidem, depois de um dia de trabalho, voltar para os mesmos braços”.

Nesta frase não quero dizer que é sofrível voltar aos mesmos braços, ou há mesma “Mulher” ou mesmo “Homem”, o que pretendia dizer é que é necessário Amar para conquistar a cada dia, ou por outras palavras é necessário conquistar a cada dia para continuar Amar.

Mais uma vez afirmo pleno da controversa afirmação, Amar é agir, dá trabalho… Mas acreditem vale a pena…

Exemplificando: quantos de nós homens não sonhamos em chegar a casa e ter a nossas “esposas”, “companheiras”, “namoradas” etc… todas perfumadas há nossa espera? Banho pronto, jantar na mesa, filhos caso existam fora de casa, na vizinha ou familiares? Que sonho? Que belo projecto de noite? Bom não era?

Mas a realidade não é essa pois não? E porquê?

Eu digo-vos, culpa vossa… única e exclusivamente vossa…

E não estejam já falando mal de mim… a culpa é vossa porque nunca agiram… quantas vezes prepararam um banho, um jantar, arrumaram a casa, esperaram vossas “esposas”, puseram os filhos em casa de amigos ou familiares? Quantas vezes partilham as tarefas domésticas? Quantas vezes ficam em casa ou preparam um programa para os dois esquecendo os amigos no café, pesca, futebol etc…? Quando foi a ultima vez que ela se sentiu escolhida? Especial? Única?

Quantos se lembram da última prenda que ofereceram? Das flores que estavam no ramo? Quantos perdem tempo as escolher as flores a colocar no ramo? Pelo significado pelo gosto pessoal da nossa cara-metade? Será que sabem as medidas da vossa companheira? Os gostos?

Mesmo assim ainda tem coragem de se sentirem frustrados pela as vossas companheiras não vos realizar um sonho, do qual elas nem sabiam? Querem ser amados? Querem loucas noites de paixão? Amem… Amar da trabalho… Amar são pequenos grandes gestos,  que fazem toda a diferença…

Amar é essencialmente acção, gestos, demonstração constante, não é apenas sentimento, é compromisso reciprocidade, nada descreve melhor o Amor conjugal que a Terceira Lei de Newton “ Toda Acção tem uma Reacção”, se quer ser amado(a), reaja… não fique apenas a lamentar até já nada restar!

Alberto Sousa

Reflexão, porque os homens também sentem!

Amor: Sentimento ou decisão?

Será o Amor apenas um sentimento, ou o sentimento será apenas paixão?

Muitas vezes me dizem, gostava de sentir e viver um amor assim, tal qual o descrevo em muitos do meus poemas. Mas a verdade é que amor não é apenas sentir, se o Amor fosse apenas sentimento um bastaria para Amar. Amor é essencialmente decisão, há uma frase que muitas vezes digo e escrevo dedicada à minha esposa e que ilustra bem o que digo, “hoje voltava a escolher-te a ti”, ou seja decidimos a cada dia amarmo-nos mais que no anterior, o amor também é decidido. O amor como apenas sentimento é egoísta, sofredor, não é compreensivo, nem comprometido com a felicidade una dos dois.

Mas o Amor como decisão diária, conjunta e comprometida, esse sim dá origem à felicidade e ao gozo pleno de viver esse amor conjugal. E nunca basta apenas um amar, o Amor é um sentimento e uma decisão reciproca, para Amar necessitamos ser amados, ou apenas iremos sofrer a revolta da entrega cobrando reciprocidade ao nosso sentir.

Há uma frase que me acompanha, e que muitas vezes já a debati, seja com homens, mulheres, filósofos, psicólogos e terapeutas comportamentais: “Eu decidi Amar-te, eu escolho-te a cada dia outra e outra vez, nada me foi imposto, aceitamos caminhar lado a lado, pois por nós foi perante Deus escolhido!”.

Que sentido faz dizer o amor entre nós acabou? Talvez faça mais sentido dizer “o Amor entre nós alguma vez existiu?” Será que algum dia estivemos realmente comprometidos um com o outro? Alguma vez nos decidimos amar a cada dia, na compreensão, do dialogo, no acto de amar?

Seja no amor conjugal, filial, ou de pura amizade, a decisão de amar deve ser constante e comprometida!

Para quem decide amar, o amor é bússola. É ter com quem compartilhar momentos ou mesmo apoiarem-se mutuamente, pois se um cair o outro ajuda a levantar. É abandonar de vez a jornada solitária de conquistador e dedicar-se a planejar estratégias e decisões para fidelizar eternamente a pessoa amada (conquistá-la todos os dias).

Fácil é conquistar, difícil é manter. Amar é para aqueles que decidem, depois de um dia de trabalho, voltar para os mesmos braços e dormir em paz. Abrir mão de novos sorrisos e olhares e decidir sempre, retornar ao aconchego caloroso da outra metade da laranja. Amar é quando não dá mais para disfarçar, é não somente gritar aos quatro ventos que fará o outro feliz, mas dedicar parte do seu tempo para ouvir os anseios alheios e tudo fazer para os concretizar.

Decidir amar é esquecer de vez os velhos fantasmas dos antigos relacionamentos, entrar de cabeça nessa nova oportunidade da vida (onde a mesma nos permite escrever uma nova história quantas vezes for necessária), manter o foco e permitir-se ser e fazer alguém feliz.

Amar é decidir fazer alguém feliz, sem medo de sofrer. Pois até no sofrimento pessoal, podemos encontrar a felicidade do amor conjugal. Isso vale para a vida.

(continua)

Alberto Sousa

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