Enquanto dormes

Enquanto dormes

Quantas vezes me prendo no teu olhar
Abnego a mim mesmo, – pertenço-te
Reflexo de manhãs claras doce acordar
De mim, de ti, nada, em mim penso-te!

Amor, jamais a imobilidade do corpos,
Manhãs, tardes, noites, – sei lá
Por onde me escorrem os beijos
Doces palavras arremessadas
Carinhosamente sopradas ao ouvido
– sabe tão bem assim acordar
No cantar dos pássaros, na pressa dos abraços
Nos braços que te ladeiam, despertam
Orvalho sob os pés delicados
Nas tabuas que um dia te carregamvivamos hoje, esquece um amanhã (eu) poeta louco, viajante dos versos Letra soltas esquecidas por ti

As vezes a sala parece-me tão vazia
Mesmo assim tao cheia de ti
Das tuas amarguradas ideias
Espalhadas pelas paginas prensadas
Fechadas nos livros empilhados
Contra uma branca parede!

Quantas vezes me prendo no teu olhar
Mesmo que durmas, sossegadamente
Navegando mar dos sonhos, outro (a)mar
Amanhã desejado assim livremente!
O mundo, roda que roda
Pula, vive, acorda, avança
-os poetas tristes
Os que escrevem versos tristes
E outros raivosos em riste
Também amam, amaram
Mesmo assim abnegam de si
A felicidade que tiveram nas mãos!
Os amantes, (os que acordam despidos)
Ao que ainda vestidos, sorriem para a vida,
Esses que não escondem o riso nos versos
Que choram lagrimas concretas
E os que tomam decisões certas
Para esses o sol brilha em prados verdejantes
Mesmo que o sol se esconda
E lá fora não exista mais que palha seca!

Quantas vezes me prendo no teu olhar
Pra simplesmente não sair e não pensar
Que tudo seria diferente, se todos soubessem AMAR!

Alberto Cuddel

Sabor a (a)mar

Sabor a (a)mar

Na turbulência das ondas, na crista a alva espuma,
Revolta contida, espraiada na areia, silencioso voo das aves
Gaivotas que se juntam e separam, em voo picado sob águas quietas
Estranho mar nublado, sob luz rompendo, vento que a barca move
Apagando o tempo, réstia aflorada memória, sofrer nas ruidosas batidas,
Gemidos e palavras ditas, calma da baixa-mar, reflexos da brancas nuvens,
Desenhando ondas azuis, formas do desejo no azul do teu olhar,
Calma serena, na brisa que tange à sua passagem, corpos quentes
Perfume de maresia, nos poros do teu corpo, no toque de Deus
Sussurro soprado, nos mistérios da sua mão criadora
Com me acaricias os cabelos, paisagem de teu corpo que me prende,
À vontade de mim, que me eleva e me move, na dura direção da bolina,
Nos dias e tardes de luz adormecida no olhar, que na rocha sentada,
Onde quero encalhar, escorrem algas secas ao sol como finos cabelos,
Naufrágio no teu delicioso corpo, afogando-me em teu ser,
Sopro das palavras, onde respiro, nos versos em que me perco
Onde me encontro, nas sílabas que desenho na areia, húmida da maré
Que me trouxe o sal, a origem da vida, a vogais do meu ser, consoantes,
Na alva espuma, no azul do céu, descobri o sentido do (a)mar!

Alberto Cuddel®

Paixão ao luar

Paixão ao luar

“Despertar o brilhante
Que vive no céu estrelado
É como uma estrela cintilante
Num coração amado”

Ana Margarida de Assis

Por entre horas desfilando em arco
Nas horas que contem a madrugada
Nascem gemidos
Beijos nas pontas dos dedos
Corpos que se enrolam na areia molhada!

Abraças o mundo, abraças-me
Sentir dormente, movimente das ondas
Estrelas reflectidas no mar do teu olhar
O rubro do rosto, iluminado pelo luar,
Salgado beijo onde deliro…

Consome do desejo de não tocar
Toda a plenitude do corpo e amar
O coração que acelera ofegante
Pela saudade de um tempo em nós distante,
Encontros sem tempo, sós
Na nossa solidão sem gente…

Noites, luar madrugador,
Areia quente, amor
Molhado, lavado
Gemido, beijado
Abraçado, movimentado
Num praia,
Que as marés do tempo
Não apagam,
Não acalmam,
O que o coração sente
Ou o corpo desejo ardente!

O sol espreita o horizonte
Iluminado teu rosto
Novo dia, que se aponte
Amar não é em mim pressuposto
É apenas a força do meu viver!

Alberto Cuddel
06/07/2016

Incertas certezas

Incertas certezas

Certamente que a incerteza existe
Coisas certas desistem,
As incertas persistem,
O sonho vive, antes que morra!

As pedras da calçada gastas do uso
Pelo caminho percorrido
Levam, trazem, param e convivem
Antes que o caminho se feche
Sem levar a lugar nenhum!

Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi

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