sem titulo

sem titulo

sem titulo
sem versos
sem rimas
sem ideias
sem mensagem
mas que raio de poema,
sem imagem
sem tema!

apenas assim,
como um céu nublado,
preludio do sol,
esse sim amado!

fora eu poeta,
fora eu autor
escreveria um mundo
um mundo de amor!

Alberto Cuddel®

Somos

Somos

Eco da palavra pensada
Eco da palavra fingida
Eco da palavra sentida
Palavra, verso, poesia!

Rima, parelha, saudade
Letras, sentir, verdade,
Poema, som decorado
No coração gravado!

Somos poesia,
Do dia a dia,
O poema da nossa vida!

Alberto Cuddel

28/06/2016

Diário Branco

Diário branco

Definem-me pelo tudo que tenho, sendo o eu o nada que possuo
Nem os meus pensamentos gritados ao vento são posse minha,
Perdem-se na chuva de gritos perdidos nos ouvidos do mundo,
Espero apenas que a lua se deite, para que amanheça em mim,
E por fim, descanso, do cansaço que o pensamento me causa,
Noite branca, dormente na inquietude pensante total e vazia,
Fustigam-me ideias suicidas de novos versos e reversos poéticos,
Poema inacabado, borboletas que esvoaçam perdidas no mar,
Doce imagem do teu corpo nu, vestido com a alma apavorada
Triste solidão que te conforta, no vazio silêncio que a noite dita!

Ai de ti poeta das rimas feitas e frases vazias,
Onde te deitas? Tabuas negras e frias!

Tenho mais certezas que duvidas, pois duvido de todas a certezas,
As dúvidas que me assaltam, espreme-me, esvaziam-me
Deixam-me nu, nunca me acostumo a despir-me das palavras,
Nem à ideia de que as gaivotas fogem do mar,
Ou que sejam as andorinhas a comandar a Primavera,
A casa essa está fechada, nada aberto, nem porta nem janela,
-mesmo assim duvido, que mesmo fechada vivas nela.

Nunca esperei um fim, um principio,
Tudo segue um rumo, um destino,
Um sussurro, um abafado grito,
Desdigo-me, minto, finjo
Nem de ti, nem de mim, nada dela,
Que me contas, do tempo do nada?
Porque te finges ser um tudo,
Se no tudo que do alfabeto se pesca
És meramente actor, um mero poeta!

Alberto Cuddel®

Aborrecimento!

Aborrecimento!

Passo adiante, apressado e constante,
Que aborrecimento, ver-te assim caído,
E sonho distraído, vago e ausente,
Diferente, indiferente a tanta gente!

Corra o mundo,- grite o mundo insanidade,
Que aborrecimento, que suja esta a cidade,
E esse vestido preto, onde me fazes sonhar,
Dispo-te o pensamento, na alça descaída,
Que me importa, não deixo perder-te no olhar,
Saio, não saio, fico, sonho e passo a saída!
Que aborrecimento, que faço eu da vida?

E chove, algures no mundo,
Aqui e agora pouco importa,
Sei-me indiferente, ao sol,
À chuva, ou a uma qualquer porta!

Que aborrecimento,
Tudo por um preto vestido,
Que quis em teu corpo despido!

Alberto Cuddel

Deixei cair o olhar

Deixei cair o olhar

Deixei cair o olhar, na volúpia da tua blusa,
Adormeci no longo azul que me cantava,
Deixei que minha mão caminhasse fogo adentro,
Que te encontrasse,

Que desenhasse mundos sem fim,
Que descobrisse em ti o universo gemido…

Deixei cair o olhar, lascivamente na tua saia,
Acordei dormente do sonho da mente,
Deixei que meu corpo se dobrasse,
Caísse por terra e te bebesse em tragos,

Que escutasse o rubor do teu rosto,
Que descobrisse em ti outra gramatica,
Outra forma de dialogo, e um universo de estrelas!

Deixei cair o olhar, sequiosamente nos teus lábios,
Suspenso na miséria e na grandeza de quem ama,
Neles alimentei a alma, na calma de me saber desejado!

Deixei em ti cair o olhar, e para mais ninguém o levantei!

Alberto Cuddel®

Às vezes em dias perfeitos

Às vezes em dias perfeitos

Às vezes em dias perfeitos, apenas a tua ausência
Tolhe-me o fogo que me arde nas veias,
Pergunto-me se sente o mesmo?
Ou sequer pensas na mera existência do sentir
Que em mim dói na dormência atroz de me faltares?
Sinto-me, disformemente amputado de ti,
Faltas-me, para que eu em mim exista na plenitude!
Faltas-me,
como as flores num jardim
como a lua na noite
como um veleiro sem vento
faltas-me inclusive nos sonhos
que teimosamente mantenho
mesmo que acordado
consciente da falta
do teu perfume no meu corpo!
Chegas-me, completas-me, compões-me
Fazes-me… assim és, dor da ausência
Por eu próprio não me ter,
Pergunto-me se tu também não te tens?
Ou que quer sou em ti ausência,
Ou apenas apêndice, como um qualquer adorno
Que apenas te faz mais, mais tu?
Às vezes em dias perfeitos, perco-me
Como se perdesse, como se te perdesse
Por apenas amar com o emaranhado de pensamentos…

Alberto Cuddel®

In: Tudo o que ainda não escrevi

Espelho da Alma

Espelho da Alma

“que as nossas Almas sejam Alfa na menina dos nossos olhos”
Eliomar Marinho


Nunca saberei definir o tangível do teu ser,
Espelho da alma onde de mim iras beber,
Reténs na retina a tristeza e o lamentos,
Faíscam sorrisos, gozos, alegrias e os momentos,
Abre-me no espelho da alma, o que de ti retenho,
Nos alfas pensamentos, sonhos primeiros!

Nas pálpebras fechadas e pesadas solta-se a voz,
Calada nos beijos impalpáveis, bebidos nos lábios
Movimentos oxidados dos desejos futuros, -leio-te
No olhar fechado, no movimentos dos dedos,
Expõem em mim a alma, os teus medos e segredos!

Ainda assim que nossas almas sejam Alfa,
Que nossas almas sejam beta, sejam alfabeto,
Que se espelhem na menina dos nossos olhos!

Alberto Cuddel®

Lanço poemas

Lanço poemas

Em tudo o que faço e refaço.
Meus pedaços em troca de laços
Dar o que em mim ainda há
Tanto sofro como choro
Tanto rio como sorrio!
De que me afasto se me basto
Chega! Agora basta!

Odes delirantes de alfobres
Berçários de versos, reversos
Saudades…
Amores, paixões, desejos profanos,
Sonhos e dores…
E arde em silêncio a candeia
Que me ilumina e incendeia
Chama que dança –lua cheia,
Triste e amargurado poeta
Por onde arrastas teus versos
Peregrinos, lançados pela janela
Ao colo de uma donzela,
Sofre em si abstinência do corpo
Lágrimas que lhe correm no leito
Pelos tremores do desejo,
Tudo por nada, apenas por um beijo!

Ai poema, poema,
Onde me levas, debruado na noites
Em cama de estrelas, sonho vê-las,
Palavras soltas, directas, concretas,
Rimando apenas na beleza do seu busto,
Nos versos procuro e rebusco, o sim,
O não, o amor, a paixão, ou apenas a visão
De te ver passar mais uma vez,
Lançando-te poemas para o colo!

Alberto Cuddel®
15/07/2016

Conflito…

Conflito…

Além do tempo, vive em ti o sonho
Lágrimas que caem, no eterno conflito
Entre a realidade e o querer do desejo
Leve como as pétalas no seu perfume
Na brisa esvoaçam, no vento perdem-se
Bailam como borboletas manhã primaveril
Nos verdejantes prados de flores
Tudo muda no vento, na tempestade
Até nova calmaria, nova bonança!

Alberto Cuddel®
17/07/2016

Ciclo!

Ciclo!

Uma branca parede
O vermelho escorre
O povo já com sede
A oposição já morre!

Ensaio armado, pelo teu poder
Tudo se faz, tudo se arquitecta
Tudo se justifica, e eles? A ver,
Esperando, estanque morte certa!

Velha, egotista olhando o umbigo
Europa, fogem as ilhas ocidente,
A oriente discordas correm contigo
E nós? Seguimos a vida indiferente!

Negras nuvens cobrem brancas paredes
A história é um ciclo, um dia repete-se!

Alberto Cuddel®

Actualidade preocupa-me…
20/07/2016

Em Papel Branco

Em Papel Branco

Em papel branco
Rabiscos letras
Tinta,
Formam-se versos
Do fundo de mim.

Enquanto dizem:
O AMOR não existe!
Grito:
E Eu? Como posso não existir!
Que faço eu com o sentir…
Com a decisão de te amar todos os dias?

Deliro:
Deixa-me viver mesmo que enganado!
Eu e o e o sentir que explano,
Em papel branco.
Sob a rubra paixão!

Alberto Cuddel®

Corpos… apenas isso

Corpos… apenas isso

Cenário do desejos mudos e quedos,
Raios de lua afagam-te os cabelos.
Lábios húmidos, desejo de beijos,
Lua sonâmbula adormecida,
Ondulantes formas de mulher,
Perpetuamente dormente…
Olhar cego e reto como destino
Entre o cansaço do dia e o desejo de carne,
Tolhem o olfacto as nuvens pardas de baunilha,
Mãos que se cruzam junto ao peito
Entre o abraço dos corpos,
O calor que apenas restou!

Olhemos as horas,
E o tempo que resta,
Ceus rasgados pelos raios de sol!

Alberto Cuddel®
25/07/2016
in: Tudo o que ainda não escrevi

Amar

Amar

Amar! só d’um amor que tenha vida…
Não que sejam só tímidos os beijos
Sem que fique pelos delírios e desejos
Mas pela acção duradoura e esclarecida!

Amor que vive e brilhe! Luz fundida
Que venha de mim – nunca desejos
Nem artes do corpo – teus arpejos
Amor entregue como forma de vida!

Amor realizado em nós, noite do dia
Realizado sorrindo, firmeza dos braços
Nevoeiro das palavras, sempre fantasia…

Nem de mim o sol ou a lua erguida…
Nem corpos celestes, vazios espaços
Com posso ser nada se o amor tem vida?

Alberto Cuddel®
26/07/2016
in: Tudo o que ainda não escrevi

Movimento

Movimento

Peito que se inclina,
Pernas que se movimentam
Olhares que se fixam,
Braços que se enrolam!

Sonhos partilhados
No balanço do tempo,
Amor compartilhado,
Assim vamos vivendo!

Alberto Cuddel®
27/07/2016
in: Tudo o que ainda não escrevi

Às vezes, leio-me e comento-te…

Às vezes, leio-me e comento-te…

Na imensidão do pensamento
Penso, às vezes penso
Penso que me basto
Nas palavras que produzo
Às vezes, penso,
Penso que sou tão ignorante
E depois? Depois leio-te
Leio-te a ti poeta
Que me contas outra vida
Outras rimas, outras terras
Amores novos e virgens
Leio-te, na minha originalidade
E sinto-me pequeno,
Infinitamente pequeno
Plagiador até,
As palavras que escrevo
Não são novas em mim
Não brotaram do meu ser
Mas do que li,
Do que contigo aprendi
Ao ler-te também a ti…
Repouso em ti poeta
A consciência,
O cinzento pensar
Que bebo nas tuas
eloquentes palavras
soltas, livres, vivas
nas frases, nas rimas
na sofreguidão da fome
de te ler, de te interpretar,
e comentar, na ânsia
pagã, de sentar-me à tua direita,
lendo-te e encontrando-me
na significância da tuas
puras e elaboradas palavras!

Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda na escrevi 49

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