Amo porque sim

Amo porque sim

… amo talvez por não me lembrar de um bom motivo para deixar de amar, por me ter esquecido de como é viver a vida sem amor, na mais completa felicidade de estar sozinho, sem amar ninguém. Acho que não me lembro de como se faz, de como se é capaz de percorrer sozinho a estrada da vida, correndo ou andando mas chegando sempre em segundo lugar! Esqueci-me e ainda bem que o fiz, pois hoje lembrei-me o quão bom é caminhar de mão dada!

Alberto Cuddel®

28/05/2016

Porque a verdade não o é…

Porque a verdade não o é…

não, a verdade não é exacta
a terra já foi plana, quadrada
circular e redonda,
a própria água nem sempre molha
nem sempre dois e dois são quatro
dois seios e dois testículos quando muito será um casal
nascemos na inverdade inventada, bebés trazidos por cegonhas
um velho vestido de vermelho que nos premeia o bom comportamento
que Adão não conhecia Eva até comer a maçã…
que depois do hoje só há o amanhã…
tentas as verdades que não o são…
e os pais? que só por amor concebem, e que o prazer do corpo é pecado…
porquê a verdade não o é?

porque a verdade não vem dos sentidos?
deixem viajar o instinto do querer conhecer e saber
que o nosso íntimo experiencie o orgasmo de descobrir
de se descobrir na mentira que te incutiram… porque as coisas são…

“a liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais
a liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!
como o luar quando as nuvens abrem
a grande liberdade cristã da minha infância que rezava
estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim…” *

nessa amálgama da crença
apenas o livre pensamento condicionado pela infância
me rasga o céu e as vestes procurando o teu orgasmo nos dedos…
onde se insere a mentira das marés, que força lunar me trepa pelo corpo
que medo é esse que cobre de verde as dunas fustigadas pelo vento?
em que bíblia humana querem que eu creia fielmente?
Freud? e na viagem pela psicanálise do cérebro humano?
despe-te no corpo e na alma,
hoje precisamos falar,
e registar a nossa verdade no silêncio dos lábios…

Alberto Cuddel
23/01/2021 22:30
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XVII

*Álvaro de Campos – A liberdade, sim, a liberdade!

A inconstante habilidade para coisa nenhuma

A inconstante habilidade para coisa nenhuma

Temo que o erro não seja uma inaptidão para a assertividade
Mas uma constante desconcentração visual pela a exactidão do pensamento…

Criticamente escrevo mais lentamente do que a velocidade do pensamento
E voam os dedos no teclado minúsculo, ou no desenho artístico das letras
Nessa inadaptação ao querer que seja já sendo o que foi
Penso que pensar não seja arte, mas uma ferramenta técnica de vida
Pensar é num acto simples estar vivo…
Sendo a poética a arte da inutilidade linguística
O deslumbramento frásico sobre a beleza da curvatura das vogais
Em pleno acto isolado de voar no céu da boca
Assim são as opiniões estabelecidas
E o mundo, à falta de verdades, está cheio de opiniões.
Como estão cheias de árvores as florestas ou deixaram de o ser.

Ser poeta é:
Ter a arte e o engenho de perder tempo, nesse tempo que não tem
Enquanto rodeado de ninguém observa um pássaro que nada num céu sem estrelas
Enquanto Santo António prega sem martelo sermões às sardinhas
Que num acto de misericórdia divina
Foram condenadas por bruxaria à expiação dos pecados pelo fogo…
Ser poeta é amar todo o universo contido numa gota de água que cai
E encontrar num lago a gota de chuva perdida…
“É amar assim perdidamente” todo o mundo e toda a gente
É olhar a alma por dentro e descobrir que não tem cor
Nem raça ou credo… e que os deuses se revoltam
Por não terem uma cerveja gelada…

E neste acto glorificado pelos canos das espingardas
Que deram liberdade aos cravos…
Os poetas morrem… enjaulados pelas prateleiras poeirentas da biblioteca…
Sem que as palavras mudas gritem em pleno Rossio…
Há vida para lá da rima… o poeta, fugiu…

Alberto Cuddel
29/12/2020 03:51
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha VI

Poética da demência assíncrona…

Poética da demência assíncrona…

há na realidade do pensamento humano,
uma essência flutuante e incerta,
tanto na opinião primária,
como em todas as outras pensadas
longamente na visão platónica do mar
como naquela outra que lhe é oposta,

as hipóteses do pensamento são em si mesmas instáveis
nesse rasgo visionário de um por do sol
ou no rasgo matutino gemido de um parto malformado
em dias de neblina pelo sol que se ergue no horizonte
no olhar não há síntese, pois, nas coisas da certeza,
apenas existe a tese da antítese apenas.

seja a areia do mar, registo flutuante do tempo
do que vai e do que vem, sem ter chegado a ser vidro
na síntese penso que sinto, e no que sinto sei o que finjo
na certeza do que é em mim, é verdadeiramente concreto
no que da minha alma brota, que em meu íntimo sangra…

nem os demónios me aceitam no convívio sádico da expressão
nem as rimas gritadas na dorida alma que orgasmicamente sente
nem no pensar concreto da consciência poética existe síntese
nem nas vogais, nas consoantes, nas orações desenhadas
só os deuses, talvez, poderão sintetizar este sentir atrófico
que finjo ser mentira de tão verdadeiramente sentido
num formigueiro que dolorosamente me percorre os dedos…

este pensar a poética pelo que alegremente se sente
numa consciência pagã do que se pode fingir
sentido que o que se escreve é ingenuamente a verdade da mentira…

Poética da demência assíncrona… ou a consciência da verdade…

Alberto Cuddel
24/12/2020
08:55
Poética da demência assíncrona…

Perdeu-se o mundo na madrugada…

Perdeu-se o mundo na madrugada…

e despiu-se… de alma vestida despiu o corpo
e correm alvoraçadas rua abaixo ainda confinadas
as folhas soltas do Outono douradas pelo tempo
cravam-se desenhos aleatórios na parede, cores garridas…
há uma camisola de malha esquecida e um jornal…

de joelhos ergue os punhos aos céus,
libertando as mãos dos cabelos seus,
lábios abertos e boca cheia, nem um grito
um gemido… engole…

perdeu-se o mundo na madrugada
não há já esperança no acordar
é tudo agora, depois, depois nada…

ouço calado notícias do fado
não há saudade, não há medo
nem desespero, nem amparo
nem conhecido, ou segredo
perdeu-se o mundo na ombreira da porta
mesmo ali, diante da escada…
nesta vida não vales nada… nada…

e os homens? esses esqueceram de acordar…
dormem, como vagabundos abandonados
usados, bem usados… mas sozinhos…
porque elas já não precisam deles…

e caminham sozinhos assobiando satisfeitos
sem conhecerem a solidão que os habita
que os vai corroendo por dentro
como um cancro incurável que os mata…

Alberto Cuddel
09/12/2020
03:10
Poética da demência assíncrona…

Essa insanidade que é morrer vivo…

Essa insanidade que é morrer vivo…

procuras o apogeu do nirvana no silêncio que cultivas
calas em ti esse turbilhão das palavras e ficas
ali na solidão acompanhada de um albatroz que plana
ao teu lado, como se na vida tudo fosse…
e ficas parado no movimento que te leva.

sopro de vento que se anuncia, silvo e a brisa no rosto
copa das árvores, abrigo, bando de asas fechadas
ardes por dentro ferrando os lábios, essa vontade de grito
e calas… tantas vezes calas o que dentro te revolta
até esse insuportável gemido de dor que te trespassa a espinha
mas aguentas, tu aguantas… enquanto isso ficas
na esperança da paz, enquanto no teu íntimo
geres uma guerra silenciosa que te levará…

há em nós essa insanidade de ir morrendo vivo
na esperança de ressurreição, de reencarnação longe
de um acordar em outro tempo, outro mundo
não tenho hoje memória, deste sonho?
quem sou de mim, de quanto quis ser eu.
nada de nada surge como memória do tempo que não foi vivido
podia nevar hoje, não deixaria de ser Primavera
por ser esse o tempo dela, podia ser Verão
mas nem os vivos lhe escaparão…

vivo o esforço inútil de adormecer, como se isso me aliviasse a dor
essa consciência de me saber, tempo em que me dou em penhor
roubando a vida, o que a morte reclama, dia após dia…
noite após noite…
essa insanidade de me saber a morrer ainda vivo…

Alberto Cuddel
22/11/2020
10:30
Poética da demência assíncrona…

Junto a este tronco de carvalho…

Junto a este tronco de carvalho…

Já não chove, e se chovesse quem seriamos nós de diferentes
Eu chamei-te, tu chamaste-me, viemos os dois
E olhamos a vida sem máscaras, sem distanciamentos
Apreciamos os pássaros, sozinhos, em bando
E as nuvens que correm ao vento, e falamos em silêncio
Desta vida que nos corrói por dentro
Que nos separa em dois lados, tudo tem dois lados
O lado de dentro, o de fora, o de cima e o de baixo
O lado certo e o errado, o lado da vida e o da morte
O meu lado e o teu…

Não gosto de poesia, disseste-me tu noutro dia
Não te convenço, tão pouco te confronto com a vida
Com essa que corre nos corredores dos hospitais,
Nas bibliotecas vazias, nas salas do parlamento…
Vergonha senhores, vergonha…
Tudo é porque assim é, assim é decidido, e tu discordas

Fazes bem em discordar, mas o que fazes para mudar?

Depois sentamo-nos, estamos bem aqui…

Façamos três tendas…
Fluem as palavras, rimas imperfeitas no movimento das folhas
Não há folhas no chão, o carvalho, nem caduca nem persistente
O carvalho não tem lado, perde e ganha, aprende…
Onde nos mora o sentido da conversa?
Nesta véspera de amanhã que há-de chegar
Entre o fumo da cera e do cigarro, fluem as palavras certas
Esse louvor da memória da nossa herança linguística
E Diniz? Será que dissertava para Isabel, ou outras o escutavam?

Falemos de tudo? Do néctar de baco, esse que nos aquece as orelhas e a mente
Ou dos prazeres do Eça, do exilio, desses opiáceos que no aliviam a imaginação
Aqui bem aqui debaixo deste carvalho, existimos os dois, e lá?
Para la dos limites circulares deste jardim, quem somos?
Quem sou? Quem és?

Esperemos a noite, e depois vamos, cada um para seu lado,
Porque tudo na vida tem um lado, e este é aqui, debaixo do carvalho…

Alberto Cuddel
30/10/2020
19:00
Poética da demência assíncrona…

Liberdade de escrever longamente…

Liberdade de escrever longamente…

“No dia brancamente nublado entristeço quase a medo
E ponho-me a meditar nos problemas que finjo…
(…)
Assim como falham as palavras quando queremos exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando queremos pensar qualquer realidade.”

“Poemas Inconjuntos”. Poemas Completos de Alberto Caeiro.

há no fingimento da realidade uma chuva miudinha que me turba o olhar
e penso, penso longamente do riso em riste, no punho erguido e na intolerância
não serão apenas humanos, sem catalogação de cor, raça, religião?
ou graça nessa humanidade perdida uma ignorância de lesa-a-pátria?
amaldiçoado o povo que não ri dos seus próprios defeitos, erguendo as mãos
defendendo uma fé cega da qual desconhece o fundamento…

a ideia de humanidade é minha, tão somente minha que não a evangelizo
creio que a realidade me consome as entranhas, pelo não questionamento
nua é a facilidade com que se crê, sem criticismos do que se escuta
tudo se toma pela verdade, mesmo que a mentira se escancare diante dos olhos…

já fui do tempo em que existia ciência,
em que as hipóteses de tese careciam de comprovação
hoje é uma mera questão de opinião crente…

as verdades não são perfeitas por serem escritas
mas antes por o ter sido questionadas, comprovadamente…
penso que a verdade é uma mera conclusão da irrealidade do sonho
e o mundo avança de mentira em mentira
perigosamente rumo a um passado que haviam esquecido…
reactivam-se as cameras de gás… há milhões em fila, rumo ao extermínio…
não dos corpos, mas dos ideais libertários de uma vida de pensamento livre
de uma vida com futuro…

ontem viajei o mundo mais rápido que o som, hoje não…
e calamos as vozes livres, porque elas condenam-nos…
por um bando de peçonhas que se acham donos da palavra…

“Assim como falham as palavras quando queremos exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando queremos pensar qualquer realidade.”

Alberto Cuddel
10/11/2020 1:37
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
venha deus e escolha II

No dia estupidamente frio como que de Inverno…

No dia estupidamente frio como que de Inverno…

adormeço quase a medo quando amanhece
porque há dias que nos amanhecem no olhar
ali, mesmo antes do sonho, de te sonhar
sinto o tudo que finjo, antes que sofra o que sinto…

se poeta fosse o que deveria ser?
e homem quem seria se o fosse?
deveria existir uma forma de encontrar as coisas
de lhe sentir o sentido, de as ver de fora
de olhar a tempestade a partir de dentro
como a totalidade do universo, não o infinito
mas esse conhecimento parcial da totalidade
como numa clareira, rodeado da floresta
mas reconhecemos a clareira na sua totalidade
reconhecemos a floresta, e a irracionalidade que a habita

mas como é que eu sei se teria sido feliz?
como é que eu sei qualquer coisa a respeito do que teria sido
do que teria sido, que é o que nunca foi?
e assim é tudo arrependimento,
e o arrependimento é pura abstracção.
dá um certo desconforto
mas também dá um certo sonho…
sonhar a possibilidade do que poderia ter sido
essa existência do tempo que foi sem o ser

poderia não ter casado, poderia não o ter escrito
poderia também nunca ter equacionado
ou duvidado do que foi concretizado
existem essa infinidade fria de ses, e se…
pelo menos é melhor pensar que é assim.
é um quadro de casa suburbana, alguém me espera
é uma boa paisagem íntima de cabelos castanhos
e os remorsos são sombras por detrás dos olhos azuis
em todo o caso, se assim é, fica um bocado de ciúme
se não tivesse percorrido o espaço do silencio
esse que mediava a não pergunta
e na não resposta afirmativamente positiva
“sim”…

mas o dia está frio, estupidamente como Inverno
e chego, como gelado, e adormeço a teu lado
ali, mesmo ali quando amanhece…

Alberto Cuddel
17/10/2020
03:22
Poética da demência assíncrona…

Nos passeios da vida

Nos passeios da vida

caminhando nas horas incógnitas,
encontros sucessivos e sem relação,
no passeio em que fui, o mesmo pelo que vim
na noite, no dia à beira ou distante do mar.
ali sob o céu, calcando a terra
e todos os pensamentos, os que fazem os homens
os que procuram, os que encontram
os que sonham mulher…
e todos os outros que têm feito viver os homens,
depois de todas as emoções, de todas as desilusões
de todos os sentimentos e todos os gestos
parar é sem dúvida o acto, o derradeiro acto
pelo qual os homens têm deixado de viver…

Alberto Cuddel
21/09/2020
11:17
Poética da demência assíncrona…

Requinte da procura…

Requinte da procura…

Requinte último! Perversão máxima! A mentira absurda tem todo o encanto do perverso com o último e maior encanto de ser inocente, inocente não é quem sente, mas quem não procura. O conhecimento existe, perversão é ignorar a sua existência e manter-se fiel à sua perversa inocência, quiçá ignorância rebuscada pela não leitura, pela não cultura. Se amo, então amo como do novo e diferente a cada dia, seja o corpo ou as palavras, amo-as, nesta escrevência de sentires cultivo-me nas novas formas de o dizer, mesmo que diga sempre a mesma coisa, – di-lo-ei diferente.

Fingimos tantas vezes escrever mentiras, sentimentos passados e outras estórias, mas quando a mentira começar a dar-nos prazer, falemos a verdade para lhe mentirmos. E quando nos causar angústia, paremos, para que o sofrimento nos não signifique, nem se faça em nós perversamente prazer…

A poesia é a estética das palavras, a beleza do som, nobreza da mensagem, filosofia da alma, a elevação suprema do leitor ao estatuto máximo de poeta ma absorção do sentir. E então se isso acontece passaram a ser as palavras em si mesmas poesia.

Por que é bela a arte da escrevência absurda de sentires? Porque ser inútil. Por não servir propósito algum pré-definido. Por que é feia a vida? Porque é toda fins e propósitos e intenções, porque é gestos, predeterminações com horários estabelecidos. Todos os seus caminhos são para ir de um ponto para o outro. Quem nos dera o caminho feito de um lugar donde ninguém parte para um lugar para onde ninguém vai! Esse é o propósito da arte, de espantar, de embebecer, de ficar e admirar, sem ir de um ponto ao outro, sem acrescentar ou retirar. A arte sente-se, mas não se vive…

— eu escrevo este livro para mentir a mim próprio, para trair a minha própria vida, para tornar real a mentira, mesmo que a creia real, como é real o ar que respiro, como é verdadeiro o amor que sinto, como é real a morte que me espera…

Alberto Cuddel
13/09/2020
05:30
Poética da demência assíncrona…

Tempo

Tempo

A volatilidade do tempo
Tanto o tempo passa
Como tanto passa o tempo
Sendo aproveitado o tempo
Tempo de bom proveito
Mesmo que passe o tempo
Não é perdido o tempo que passa
Sendo nosso todo o tempo…

Alberto Cuddel
In: Palavras que circulam – XIII
14/09/2016

Idade da Inocência

Idade da inocência

há em mim uma criança inoportuna;
impaciência da alma, palavras fotográficas
um desassossego sempre crescente
tão diferente e sempre igual.

sempre meditei no concreto além absurdo
onde a realidade substancial é uma série gestos
de sentires fingidos dentro da realidade do querer
não é por bondade que isto acontece,
mas sim porque se torna ridícula
a verdade existencial do prazer…

no regresso às coisas nulas em que viajo
há em mim a inocência infantil da vaidade
desse abraço dado e entregue
como um beijo roubado à sombra de um cipreste
pintando sonhos de mão dada com as poucas nuvens
brancas cor de algodão que nos erguem o olhar…

baixo os olhos de protesto pesado
pelo ledo engano do tempo passado
numa face que me é própria,
talvez fosse mulher
talvez sereia se tivesse aprendido a cantar.

Alberto Cuddel
22/08/2020
16:28
Poética da demência assíncrona…

Cansaço…

Cansaço…

Na terna vontade de despejar palavras,
Num horrendo cansaço que de mim se apoderou,
Volto pensando, nas palavras do passado,
Do abrupto corte de ideias,
Na imobilidade cerebral
Que me envolve o espírito…

Quero mas não tenho vontade,
Tenho vontade e não quero,
Imóvel me encontro,
Pensando em pensar,
Saber o que despejar,
De uma amálgama de ideias,
Vagas e sem sentido…

Estou,
Apenas estou…

Alberto Cuddel
20/11/2013

Tardiamente congrego  

Tardiamente congrego
 

Tardiamente congrego em mim o queixume

Redoma de amor chorado, e os ais gemidos

Compassos espaçados, carência a miude

Esmoreço no perfume da saudade, margaridas

Espaços entre gozos e cansaços, madre-silvas

Espasmos, e dormências do corpo, gaivotas

Bater de asas sereno, pegadas na areia seca

Brisas e ventos, xailes enrolados no corpo, dunas

Entre mãos, pernas, coxas quentes, olhos meigos

Entardecer, laranja e azul, e o cheiro de maresia

Perfume do teu corpo gravado em maré crescente

A tua ausência, e eu? Olhando o mar, doente…
 

Alberto Cuddel

02/05/2014

18:35

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