Revivo

Revivo

Revivo nas voltas e voltas
De um torto ponteiro que me faz viver
Revivo na lembrança presente
Que não me deixa esquecer
Revivo presentes passados futuros
Revivo desejos insanos e impuros
Revalido o meu querer no reflexo
Que me imponho ao me ver
Revivo na entrega que faço
No amor com que me entrego
A mim no tempo e no espaço
Revivo em mim para me dar
Na luz da alma que emano
Sou eu que me dou não é engano
Nada me possui nada me tem
Pois eu apenas vivo
Porque hoje novamente me dei!..

Alberto Cuddel®
08/10/2015

Soneto Solto

Soneto Solto

Seja o amor vago, em ti intento,
Saber de mim em ti por dentro,
Mirada assaz fugaz num tiro certo,
Rosas perdidas, pétalas ao vento!

Verdes folhas nos frutos caídos,
Distantes do mundo, assim de tudo,
Marés em vida, mar distante -surdo,
Desabrochar no grito assim vividos!

Nascer do sol triste apagando,
eu triste, triste pela vida fora,
Peregrino em ti caminhando,

Recrio nas cinzas de passadas eras,
Corpo na alma, num sonho, sem hora,
Ladrão, sedutor roubando quimeras!

Alberto Cuddel®
19/10/2015

Por hoje…

Por hoje…

Dia, noite, tarde…
Tudo se confunde,
Tudo se infunde,
Miscelânea,
Noite de horrores,
Amanhecer, santificação,
Poema prosaico,
Desamores ensaiados,
Confúcios, traições mascaradas,
Noite, tiradas, raivas ofuscadas,
Encontros, jantares ocultos,
Ritos, crianças disformes,
Pedindo, enganando a fome,
Que dia, que noite,
Pérfida tradição,
Na pouca verdade,
Que a mentira contem,
E tudo pelo nada,
Que o hoje,
Apenas hoje,
A noite contém…

Alberto Cuddel®
02/11/2015

Ai, se eu te desse a vida

Ai, se eu te desse a vida

como gostava de ser desempregado
e não ter nada que fazer por dentro
vaguear cheio de mim como gado
correndo contra as esquinas no centro!

ai, se eu te desse a vida, que farias tu com ela?
que farias de mim sem ela, se eu te desse a vida
doar a vida é despejar-me de mim
é ter a alma própria e inteira.
e pensar em nada, é viver intimamente
o fluxo e o refluxo da vida… e sentir-te
não estar pensando em nada.
é como se me tivesse encostado mal, um desconforto
uma dor nas costas, ou num lado das costas,
que mói, não chega a ser a dor que é…

há um amargo de boca na minha alma:
é que, no fim de contas,
não estou pensando em nada,
E a vida, a pouca que me resta, doei-a…

Alberto Cuddel
12/10/2021
13:00
Alma nova, poema esquecido – XL

É isto…

É isto…

…nas verdades intrínsecas que o tempo desmente
há sempre uma certeza concisa, foi verdade até prova em contrário…

a matéria simboliza,
e a dominar o que a matéria simboliza,
para fins que não são materiais
é levar a mentira a uma consciência que nos molda
as dunas não são ondas, mas movem-se pelo vento
são, portanto, não sendo o que são…

nesse parece que é, e o que realmente é sem o ser
há apenas a perceção individual de uma realidade bacoca
vivemos segundo padrões errados, porque no final,
no final nada importa…
não há grande diferença entre o bem e o mal
a não ser a perceção dos outros…

não existem ruas que sobem ou ruas que descem
existem ruas que sobem e descem…
apenas a perceção de quem sobe ou quem desce…

Poeticamente a antítese ordinária entre o dia e a noite
Essa metáfora do tempo que contem a vida
É apenas isso mesmo, um vazio inexplicável…

Alberto Cuddel
11/10/2021
20:00
Alma nova, poema esquecido – XXXIX

Bloqueado no Facebook

Começa a ser uma censura evidente o que pratica está rede social… Bloqueado pela imagem

Reflexão porque eles também pensam e sentem…

Reflexão porque eles também pensam e sentem…

Incomoda-me o silêncio dos Homens

Não o nego ou negarei, sou poeta ou escrevente de sonhos, de sentires, de paixões vontades e desejos, incomoda-me o silêncio dos homens, muitos(as) se levantarão agora, “mas os homens comentam poesia”, verdade, cobertos de razão os homens comentam poesia produzida ou ficcionada pelo feminino, quando a imagem da autora é atraente, principalmente se escreve sobre: amor, paixão, carência, sexo, sedução. Experimentem falar de: pobreza, assedio, violência domestica, guerra, descriminação, escrever no masculino… não é mais uma cronica avulsa, como sabem, tenho vários heterónimos, o que me permite ter e ver o mundo com um olhar mais vasto, Joana Vala é um desses heterónimos, deu para compreender esse mundo dos caçadores e predadores silenciosos que se movimentam no silêncio. A cada poema, choviam mensagens privadas dos vários tipos, raros eram os que se mostravam na página, a maioria caçadores incultos e mal-formados, poucos são os que teriam a mínima hipótese de uma relação mesmo que experimental. Mas não lancem já os foguetes, se existem homens, existe o reverso, mulheres que fazem de tudo para caçar um homem, para isso existiu o Tiago Paixão, e enquanto a página esteve aberta a mensagens existiu de tudo até nudez integrais, sem que nada tenha sido exigido ou solicitado.
Depois de tudo isto porque digo quê, me incomoda o silêncio dos homens?
Simples, quando falo em: Amor, fidelidade, certezas, assédio, violência, apenas as mulheres se manifestam, os homens esses, mesmo os poucos poetas “honestos” remetem-se ao silêncio conveniente de não serem catalogados como, tradicionalistas, retrógrados, mentirosos, convictos, extremistas… sempre muito politicamente correctos e de bem com todos, como se pudessem agradar a Deus e ao demónio… se repararem sejam Homens ou Mulheres, existem meia dúzia deles com o estado civil declarado, dirão, mas isso cabe a cada um, no seu direito constitucional da privacidade, e tem toda a razão, mas é revelador do que procuram… um reconhecimento ilusório e enganador… não me incomoda que partam, que vão, que falem na surdina…

“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”
Martin Luther King
Alberto Cuddel
11/05/2018
13:45

Dizem-me de olhos laços de paixão, sexo não é amor… 

Dizem-me de olhos laços de paixão, sexo não é amor… 

Dizem-me de olhos laços de paixão, sexo não é amor, que amor é: Responsabilidade, respeito, disciplina, fidelidade, persistência e dedicação… e eu concordo, amor nada tem a ver com carinho, com romantismo, com reciprocidade, com afectividade…  

Os pais amam os filhos e fodem-nos, com castigos, com limitações, com imposições (responsabilidade, respeito, disciplina), fodemos os amigos não lhe dando o que desejam, contrariando-os, não confirmando os seus desejos, apenas porque é melhor para ele (Responsabilidade, respeito, disciplina, fidelidade, persistência e dedicação) ou seja sexo só com os meus inimigos… carinho e romantismo fica para quem? Pois o carinho e o romantismo é contrário à disciplina, contrário à responsabilidade… nestas características tão imponentes ao amor não há espaço à espontaneidade, ao acto de dar, de conquistar ou surpreender. É totalmente irresponsável gastar dinheiro num ramo de flores, numa lingerie para surpreender o companheiro. O respeito é inimigo dos jogos de sedução, pois um sim é respeitado e também o não: “Dás-me um beijo? – Não” e nunca mais na vida se beijaram. O “Não” foi respeitado. Mas dizem: mas devia insistir, mas a insistência não é em si uma falta de respeito, então o não vale ou não vale, o não também é sim? Onde está o limite? Porque não nos relacionamos com objectividade, com clareza, sem jogos linguísticos.  

Depois de divagar sobre vários pensamentos, sim o sexo cabe no amor, o amor não é um jogo de trocas, mas de entrega, o amor basta-se, quando se ama, todas as outras características como: responsabilidade, respeito, disciplina, fidelidade, persistência e dedicação, deixam de fazer sentido, pois todas descendem desse acto maior que é amar… e se a isso podermos juntar o prazer, óptimo…  

Fazer amor, é doar-se ao outro, dar prazer ao outro, sexo é almo maior, é a partilha conjunta do prazer sem tabus ou entraves…  

Dizem-me de olhos laços de paixão, sexo não é amor… e eu concordo… 

A de Alberto Sousa 

14/06/2021 

19:00 

A nudez das paredes que me revestem a memória

A nudez das paredes que me revestem a memória

… enchem-me as narinas com esse odor do bagaço da azeitona queimada, uma viagem no tempo, para as azenhas da juventude, os cheiro e sabores das noites de Inverno. As memorias da virgindade nada inocente das conversas nocturnas, eu novo, ela nova, mas tão mulher…
Há nesse reviver da palavra essa afirmação de tesão, essa vontade máscula de posse, mas a verdade, nua e crua é que ela, na sua aparente inocência comanda, nesse corpo que queima.
Há palavas redondas que nos fazem eco na alma, o sabor do chouriço assado e a broa quente, e o mel dos lábios nos beijos roubados, num jogo encenado que por ti são oferecidos… e na nudez das paredes, há esse jogo de orgasmos desejados, apenas na simplicidade digital da ponta dos dedos.
A de Alberto Sousa
13/02/2021
23:47

As mulheres preferem os falsos, os bajuladores e os que as enganam…

As mulheres preferem os falsos, os bajuladores e os que as enganam…

Antes de atirarem pedras leiam…

Imaginem um primeiro encontro:

-olá, como te chamas? Gostei do que vi, quero levar-te para a cama…

O mais certo é ele levar um estalo, e ser insultado do pior…

Ou o seguinte caso:

-olá como te chamas? Estás sozinha? Gostei da tua forma de vestir, do teu jeito de ser, da tua aura, posso convidar-te para jantar?
E por aí fora cheio de bajulações… até a levar para a cama? Depois ira abandoná-la como seria de esperar no primeiro caso. A diferença é que no primeiro caso ela sabia o que ia acontecer…

Este é um exemplo tosco do que se passa em todas as situações na vida, preferimos a mentira, a ilusão, à verdade… A sedução é uma falacia e o amor hoje apenas um jogo de cumplicidades onde a exigência de reciprocidade é a ordem do dia, o amor deixou de ser um sentimento, uma doação, mas apenas um jogo de pagamento por gestos e géneros. Ninguém quer saber da verdade, do real, da entrega sem condições, dos gestos altruístas apenas porque se ama. Todos preferem a ilusão, os jogos, o poder sobre o outro, não há relações estáveis, porque tudo se cobra, cobra-se o receber… mas não um receber na totalidade, mas sim o que cada um deseja receber… apenas o que lhe interessa…

Alguém me dizia, eu não tenho sorte nenhuma com os homens, todos com quem andei não me amam, só gostam de sair, beber, não ajudam em casa, só querem é boa vida… fiz uma pergunta obvia onde os conheceste? Como resposta “bares, discotecas, na noite” e lá procuras encontrar um homem, que trabalhe, que seja fiel, que te ame e que te ajude, que seja alguém para estar contigo em casa à noite? Para ele, tu és como ele, uma mulher que gosta de aproveitar a vida, de se divertir e que não procura esse tipo de relação, o resto são jogos…

Vale a pena pensar nisto

António Alberto T. Sousa

A noite que me abrace por dentro

A noite que nos abrace por dentro

Há nessa escuridão que nos abraça um conforto capaz, um abraço quente em nós mesmos, esse abrigo do vento das palavras vãs, esse crer absoluto de que nós somos, e somos apenas em nós, que que outra alma possua luz ou calor que nos reconforte… há momentos na vida em que abrimos portas, e por mais negro que seja o interior dessa sala entramos, por estar cansados, por estar fartos da luz, da existência, apenas procuramos o silêncio, a imobilidade, o ficar ali, enrostados num canto, sem absolutamente um som, uma gota, sem a distracção das sombras, do movimento… queremos apenas que tudo desapareça, absolutamente tudo… que não exista mais nada para além disto… eu quero apenas que o silêncio me preencha, que a escuridão me conforte… que nada mais exista…

António Alberto Teixeira de Sousa

Bom dia!

Chegou ao fim está enorme aventura que foi escrever poesia… Depois de tudo o que já foi escrito só me apetece dizer… E tudo é quase nada, que esse nada é já o tudo de mim…

Continuem por aí sejam felizes!

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