Provocação

Provocação

A provocação tem um preço…
As vezes alto de mais para se pagar…
Continua a provocar,
Depois não tem como se queixar…
O desejo provocado, ou é consumado….
Ou leva à loucura de um corpo marcado…

Sírio Andrade
24/03/2015

Pensei amar-te…

Pensei amar-te…

“pensei amar-te, mas queria-te possuir na alma
todos os teus orgasmos pertenciam-me, assim o desejava”

Doar-me-ei por inteiro na vida e na alma
Não pelo altruísmo do ego, mas por amor
Esse que ganha significância na dadiva plena
Entre um rubro luar e um laranja do sol por

Nessa réstia de humanidade sou-te pleno
Nesse ondular da perfeita e alva maresia
Num crente caminhar duro e terreno
Diante de tudo o que o sonho mais queria

Ofertei-me no corpo, na excitação rubra
Nesse almiscarado e doce odor do prazer
Diante do desejo que de mim te cubra

Força orgasmica do corpo conhecimento
Dessa força que nos amarra e faz viver
Todo o orgasmo, eternidade, momento…

Alberto Sousa
22/05/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Que jamais me desejes de novo…

Que jamais me desejes de novo…

que jamais me desejes de novo
neste corpo gasto senil…
nesta forma abjecta que sou pela erosão do tempo
que jamais te volte a ferver a carne,
nesse desejo de misturar teu corpo no meu
deixei de ser quem era para ser quem sou
um pedaço caminhante de massa carbónica
que sofre o pecado capital da gravidade…
que te importa o que sinto, o desejo da mente?
que te importa eu?
que jamais me desejes pelo nada que te posso ofertar!
“já te amava antes de te f@oder
nos contornos redondos da tua alma
nas formas voluptuosas dos teus seios
já te amava antes de te saber o gosto
o cheiro o perfume da pele
já te amava pela forma quente de articulares um “amo-te”
um “quero”, essa palavras quentes com que imploras ter-me em ti…”
hoje apenas te amo, já sem esse fogoso desejo da jovialidade
e nesse amor que ainda carrego como fardo que suporta a cruz
imploro, que jamais me desejes de novo…
mas logo depois desse teu orgasmo…
enquanto a pele te ferve, e a alma te arde
e todo o nosso mel te escorre pelas coxas…
e sim ama-me… e amar-te-ei… para sempre…
mas que jamais me deseje de novo…
Tiago Paixão
09/05/2022
afúriadapaixão

Entrelaça as mãos soltas…

Entrelaça as mãos soltas…

olhar cheio da nocturna densidade da saudade
entrelaça os dedos e contorce a alma
arqueia o desejo sob o peso aglomerado dos lençóis
seja nua a veste que te cobre o discernimento
seja pura a vontade lasciva que te percorre…

que as tuas mãos voem,
que voem em silêncio
onde eu guardo os sonhos…

sonhos que me pertencem, que te tocam, que te envolvem
quero ser eco da voz que escutas, gemido que te enlouquece
quero ser fonte do teu sorriso, quero ser origem do teu suor
quero amar-te, ser prazer, ser loucura e orgasmo solitário…

entrelaça as mãos soltas, os dedos húmidos, e deixa-me
deixa-me escutar-te, no silêncio das paredes, enquanto te olho…
mesmo que na minha pele, não sinta agora o calor da tua…
nesta louca fantasia… amo-te…

Tiago Paixão

Afúriadasaudade

Ps: um novo cuidado na escolha das imagens… Um impercetivel detalhe “as alianças” os casais também merecem os seus momentos de renovação não da paixão, mas do tesão…

Ode absoluta ao Amor

Ode absoluta ao amor

Seja o amor finito nas horas do dia,
Seja o amor infinito na saudade da noite,
Seja eu movido a desejos de beijos no regresso a casa,
Seja eu ardente e carente das viagens no teu corpo!

Viajo nos ditongos orais com que me vergas
Nas sílabas de um diálogo lido no olhar
O que importa?
A oração ou a nossa oralidade?
Viajas confusamente em lençóis de cetim
Se nas artes do conhecimento [foras ontem sonho]
Hoje navego descobrindo
A cada recanto do teu querer
Novos mundos onde a cada dia nos perdemos
[só assim nos encontramos, fora de uma monotonia]
Desumanamente, o tempo condena-nos à saudosa
Ausência de permanência desejada
Verdadeiramente almejada pelas almas que se desejam!

Por onde correm os livres ribeiros do desejo?
Não pelos corpos profanamente pecaminosos,
Mas na virtualidade do sentir pleno e decidido,
Somos braços que se abraçam no corpo maior
Vontade congregada e testemunhada por Deus!

Diziam-me os arautos da desgraça, profetas da inveja
Quanta delonga poeta em explanar o amor conjugal
Onde mora o teu efémero sentir, ou algo está mal?

Oh mundo que tudo condenas,
Não levas de mim maledicências
Se o mundo em tudo que nos atenta
Pelos brilhos da felicidade instantânea
Também é o mundo que nos exalta
A contrariar as vossas ciências,
Vivendo na felicidade apenas!

Os minutos em que verdadeiramente amo
São horas nos dias de solidão a que me condenais
Os segundos fixos no olhar,
São a esperança de a cada dia regressar,
Os arrufos, querelas e desentendimentos
São o adubo em terreno fértil
Ao diálogo consumado na paz que nos damos!

Se o amor, esse sentir decidido explanado nos beijos
Por muitos considerado capricho em desuso
É por nós consumado nos dias e noites longas
Também por Deus edificado nas noites escuras
Em que a saudade habita o lugar vazio a meu lado!

Doce temperança das manhãs claras
Aurora que desabrocha nos meus olhos
Abraço intemporal de um corpo cansado
Perfume de uma pele tatuada na minha
O amor é prova irrefutável dos dias
Sangue nosso que habitará o amanhã…

Alberto Cuddel
01:02
06/12/2016

Confiança

A escuridão que envolve por inteiro o meu ser,
O silêncio preenche todo o teu espaço vazio,
Quebrado pelo som dos finos saltos de agulha,
Que firmes pisam o soalho de carvalho polido,
No firme, sensual, decidido e compassado andar,
Com que me torturas na ausência e privação do sentir!
Aqui na profunda angustia da imobilidade,
Não vejo, não toco, não sinto, apenas o som,
Saltos pisando o soalho, deténs-te no silêncio,
Tua respiração profunda, quente em minha nuca,
Aceleração, o profuso desejo do toque, ânsia,
Silêncio estilhaçado, por um som, um único som,
Conhecido, desejado, almejado, inconfundível,
E o calor, a pele queimando, fervente sangue,
E voltas, martelando o meu querer, um após outro,
Nos compassados passos, de teus saltos no soalho!
Privação opulenta dos sentidos, aflorando o floreado
Sentir do toque, despertando cada poro, cada pelo,
Assanhando o desejo de estar em ti, na sintonia
Idealizada do movimento perfeito apenas pelo querer!
No silêncio nem uma palavra, uma imagem, um querer,
Apenas vontade, som, desejo, fervilhante tortura,
Sou teu, conhecimento, confiança, sem medos
Entregue à tua absoluta vontade de Amar!


Alberto Cuddel
27/02/2015

E o mundo parou,

E o mundo parou,

a noite caiu la fora,
o silêncio trancado,
na fechadura da porta,
aqui e agora, só nós existimos,
no profundo olhar,
no toque da memória,
na luz reflectida por tua pele,
eu e tu, na solidão do espaço,
todo preconceito, todo pudor,
trancados do lado de fora,
despidos de nós mesmos,
procurando a entrega plena,
da magia do acto de amar,
um só corpo formar,
sincronizar movimentos,
batidas, pulsares,
gemidos…
deleite supremo…
sincronização absoluta…
o eu, o tu?
que importa…
o prazer único,
sentido… gritado…
envolventemente gemido…

Alberto Cuddel
23/11/2014

Poema XII

Poema XII

Não sei se é amor,
Tão pouco vislumbro a eternidade
Amantes jazem por amor, Romeu
A vida ainda nos corre nas veias

O “felizes para sempre”
O sempre um breve instante
De tudo no já e de ora avante
Somos, sou apenas amante

A vida conflui apenas no sonho
O amor incipiente
Nasce da vontade consciente
De um decidir conciso
Comboio rumo ao paraíso…

Não sei se é amor,
Mas embarco contigo
Seja para onde for…

Alberto Cuddel
04/05/2017
23:01

“Ainda me ondula no pensamento o movimento das tuas ancas…”

“Ainda me ondula no pensamento o movimento das tuas ancas…”

há na fúria do tempo uma noção de sonho
essa vontade que ainda me crepita nos lábios
um odor perfumado entranhado na pele
esse espasmo que te percorreu o corpo
esse olhar que me devorou a alma
como se tivesse possuído ali, uma e outra vez…
ali mesmo, nos degraus que se fizeram leito…

e apenas subias, eu subia contigo…
ainda havemos de nos querer
como nos quisemos, porque o tempo
o tempo sempre nos será infinitamente escasso,
pelo sentir da alma, pelo tesão do corpo
pela vontade de estar, pelo ficar,
pelo ir e pelo vir…
pelo uníssono tantas vezes alcançado…

“ainda me ondula no pensamento
o movimento das tuas ancas…”
apenas pela saudade ausente
de quando não sobes à minha frente…

Tiago Paixão

Afúriadasaudade

31-01-2020

Já te amava antes de te f@der…

Já te amava antes de te f@der…

já te amava antes de te f@oder
nos contornos redondos da tua alma
nas formas voluptuosas dos teus seios
já te amava antes de te saber o gosto
o cheiro o perfume da pele
já te amava pela forma quente de articulares um “amo-te”
um “quero”, essa palavras quentes com que imploras ter-me em ti…

já te amava antes de te f@oder
quero-te o corpo além da alma despida
permite-me que te beije a boca, que a minha língua envolva a tua
deixa-me ferver na tua carne, misturar meu corpo no teu
sente-me… que os nossos movimentos se unam
que o nosso suor escora, falemos um pouco
sincronizemos a alma e o desejo, elevemos a libido
procuremos no nosso amago um uníssono gemido…

tateiam os meus dedos o ar na saudade do toque
do teu perfume almiscarado, na provocação do gemido…
há um silencio rude que me rouba o ar
a saudade do beijo, das palavras e da língua
uma vontade de fuga…

já te amava antes de te f@der…
e amar-te-ei depois eternamente…

Tiago Paixão…
13/03/2022

Amo-te agora!

Amo-te agora!

Não interessa o lugar, a hora,
Certa, certeza, alma inquieta,
Fome de ser, vontade opressora,
Eu, tu, nada existe, luz violeta!

Somos fruto do desejo da entrega,
Firme abraço, que nos aconchega,
Lábios mordidos, amplos beijos,
Mãos inquietas, revelando desejos!

Aqui, agora, já, sem partir, sem chegar,
Força, vontade, avidez, um querer amar,
Almas que brilham e transpiram à média luz,
Ocultas no tempo, no desejo que as seduz,
Indiferentes ao mundo, sujo e imundo,
Só eles existem, só neles persistem,
Os quereres, as vontades, os desejos,
A troca de fluidos, carícias e beijos,
Amam-se em segredo,
Ocultos a um canto,
Não por qualquer medo,
Mas pelo encanto,
De se amarem,
Assim, onde deu a vontade,
De proclamar,
Não é apenas sexo,
É amor de verdade!

Alberto Cuddel
17/08/2015

Amanhecer em mim

Amanhecer em mim

sou, despido de qualquer capa,
definho na tua ausência,
anoiteceu em mim,
na falta da tua luz,
no gélido querer,
corpo coberto pelo teu,
espero em vão na noite,
certo que amanhecerei em ti,
quieto, palpitante coração,
sôfrego choro, clamor,
arde por dentro, saudade,
conto horas, minutos, segundos,
na memória, o beijo, e o estrondoso,
ruído do bater da porta,
fechou-se em mim,
consciência de não te ter,
velas que ardem em silêncio,
num corpo mal despido,
trémulo, ressacado pela falta,
pela abstinência do teu,
teu calor, tua paixão,
teu amor…
fico, tremendo na espera,
que amanheças em mim!

Alberto Cuddel
Sedução e Erotismo – 25
24-08-2015

No sopro de uma brisa,

No sopro de uma brisa,

Despi-me de ti,
Desnudei meu ser e esperei,
Me abrindo, te abracei,
No suave encanto de um dente-de-leão,
Soprado ao vento, chegando ao coração,
Espalhando sementes, em fértil ser,
Querendo mais, querendo saber,
A razão do encanto, a razão da paixão,
Que feitiço é esse em que me prendes,
Em que querendo conquistar,
Sou completamente conquistado,
Em que querendo seduzir,
Sou seduzido,
Em teu jogo, em teu enredo,
Em que fugindo, me esperas,
E esperando, me afastas,
Deveras em teu jogo estou viciado,
No vício da paixão, me sinto amado,
E fico descansando em teu aconchego,
Partilhado contigo a vida,
A tristeza, alegria…
Renovando a cada dia,
A chama que nos alimenta,
Neste jogo, nesta partilha…
Que é o Amar metade de nós…
Sendo um…

Alberto Cuddel
01/04/2015

De entre tudo o que somos…

De entre tudo o que somos…

um abraço, um decote provocador
um toque na face, o sentir da pele
a mão no cabelo, o cheiro, ameaça de beijo
o teu corpo contra o meu,
o meu contra o teu,
a rubra imagem…

o início da viagem, o beijo desejado
o busto despido, os seios hirtos
o querer e a volúpia, o toque de mãos
a minha boca na tua, a minha língua na tua
e tu, ali em mim, para mim, nua,
que sejamos tudo, apenas um no outro
sejamos, amor, vontade, tesão
queira eu sentir-te na mão, teu cheiro nos dedos,
sem pudores, sem receios, sem medos
apenas nós, eu tu, e nos mesmos…

dispamo-nos diante das almas nuas
sejamos desejos meus, nossos, mãos tuas,
toquemo-nos, conheçamo-nos,
percorrer todo o teu corpo nos lábios
sentir-te o sabor na língua, na boca
lambuzar-me em ti, beber-te
oferecer-te todo o prazer,
todos os gemidos e gritos da alma…

toco-te, tocas-me, tocamo-nos,
excitamo-nos no beijo, na loucura
possuímo-nos, de todas as formas
de todas as posições conhecidas
desconhecidas de nós mesmos
até que todo o amor se liberte de nós…
num uníssono grito orgásmico…
até que o prazer nos liberte…
da prisão de nós mesmos…
ficando apenas imóveis
e as almas dormentes num abraço…

enquanto nus nos amamos olhando o tecto em silêncio
apenas no abraço… ofegantes…

Tiago Paixão
02/11/2017
13:00

Ama-me antes que chegue…

Ama-me antes que chegue…

ama-me antes que chegue, enquanto me pensas
enquanto te desnudas de cada peça,
enquanto sentes a água escorrer no corpo…
ama-me no roçar da toalha na pele quente…
ama-me enquanto me esperas, enquanto te vestes…

quando eu chegar, por favor não me ames…

fode-me como se o mundo acabasse ali…
enquanto a minha boca te percorre o corpo
te sobre pelas coxas… enquanto me bloqueias entre as tuas pernas…
não me ames… fode-me…

e logo depois do teu orgasmo…
enquanto a pele te ferve,
e todo o nosso mel te escorre pelas coxas…
e sim ama-me… e amar-te-ei… para sempre…

Tiago Paixão…
22/09/2021

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