O tempo que passou

O tempo que passou

cicatrizes que me marcam a alma
a pele envelhecida, o peso do tempo
não te via assim, despido de tudo
hoje olho-te, como antes não via
antes, era eterno, agora despeço-me
sempre e a cada dia.

carregas no corpo o peso do mundo
e eu? herança da conquista
que de ti fica…
não te sabia assim, velho
sorrindo cansado
cada dia
uma vitoria
tempo arrancado ao passado…

não te via assim,
como agora te vejo…
cansado, mesmo assim
amo-te…

Alberto Cuddel

Delação

Delação

na cobardia aponto o dedo
não escreves, escreves falsamente
na tacanhez da cobardia, acuso antes de ser
[condenado]
eu tantas vezes vil, tantas vezes culposamente

[criminoso]

corrompem-me copiosamente numa lágrima
dessa puras que nos nascem no íntimo
os silêncios mordem-me as canelas
a indiferença, (ai a indiferença, essa apodrece-me)

ardem velas e oram aos santos, malditos ateus
tudo pela imagem
( e batem no peito e clamam por santa barbara)
pobres, pobres actores das palavras doentes
e crêem, e choram, e tem pena do poeta
e ele, ele ri por dentro
e ama, como se alguém nunca assim tivessem amado
até ao fim,
até ao ponto de exclamação!

depois, depois apaixonam-se de novo
(outra mulher, outro poema)
condenem-me, enjaulem-me, sentenciem-me
mas eu, eu cobardemente irei delatar,
na cobardia aponto o dedo!

Alberto Cuddel

Degelo do silêncio

Degelo do silêncio

noctívago no dom de fecundar ecos
fornicam-se as palavras estéreis
orgasmos fingidos por sentires alheios…

[há uma lua nova que não guia]

raspam os pés exaustos na calçada
já não há fado como ontem
o vinho, o vinho não é o mesmo
ninguém me leva pela mão…
mas tu, tu esperas-me,

[há tanto tempo me esperas]

há na saudade não sei de que que ainda não vivi
uma esperança futura de um amanhã
degelo do silêncio gravado no céu da boca
esse grito:
é agora, finalmente é agora…

[há tanto tempo me amas, e eu?]

depois da queda, ergui-me pela tua mão
percorrendo novos caminhos
as palavras novas, apenas novas pelo silêncio
gritam agora, nasci…

[há tanto tempo podia ter ressuscitado]

Alberto Cuddel

PINTEI LAÇOS

Já fizeram o vosso rastreio ???

PINTEI LAÇOS

Pintei nos meus seios, laços cor de rosa
Que na minha carne ficaram gravados
Cerrei meus olhos tristes e cansados…
E senti-me adormecida e derrotada
Como se estivesse anestesiada…
Mas então encontrei
No exacto momento em que despertei
Os vossos braços que me amparavam…
Ai a Deus eu roguei
E vi as vossas mãos estendidas
Que com força me seguravam…
Com os olhos já bem abertos percebi
Que muitas tinham o mesmo laço pintado
E que mantinham o sorriso franco
No corpo mutilado…
Então busquei forças
Em vocês mulheres destemidas
Todas sabiam o que era sentir-se perdidas
Como quisera eu que o tempo me embalasse
E que no passado lá me deixasse
Antevendo o que iria acontecer
Mostrando que tinha de ser forte
E não deixar-me morrer !!!
Somos mulheres com uma relação especial
Não entende
Quem não tem um laço igual,
O Laço cor de rosa…

Por Carla Oliveira

Perfil da autora:

https://www.facebook.com/carlarecuperface

Pagina da autora: ( a mesma perdeu o acesso a ela)

https://www.facebook.com/CarlaOliveiraAVidaDePernasParaOAr

George Ionel

Objectivo

Qual é o objectivo de estarmos neste mundo se por vezes somos surpreendidos pelas partidas menos boas que a vida prega
Sentimos um aperto no peito, um aperto chamado saudade
Crescemos e aprendemos a valorizar aquilo que é mais importante na idade adulta o peso de sermos responsáveis por nós mesmos é sentido na pele apenas quando perdemos as pessoas que nos são queridas
A vida dá chapadas, mas ensina muita coisa boa
Imaginamos que nos sentimos sozinhos no mundo
Viver é o melhor que nos pode acontecer

George Ionel
06-06-2022

Não me peçam razões

Não me peçam razões para perceberem quem sou.
Sou um comboio que anda por aí.
A viajar por estradas desconhecidas, e caminhos apertados
Com pressa de chegar ao seu destino.
Porque tem alguém à espera do seu abraço e do seu carinho.
Sou um comboio que anda perdido no meio da escuridão.
Sou um comboio que procura novos desafios.
Mas pelo caminho não encontra gente para partilhar o que sente.

George Ionel
20-02-2022

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Conheci este autor hoje, e a sua força a sua vontade mostrou-me a capacidade humana de superação!

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Memória… e tu…

Memória… e tu…

há nas paredes negras a memória desse gemido
esse querer abafado na alma, essa saudade estranha
e essa luz, que te emana da alma despida…

sob o olhar límpido do teu corpo desnudo
brilha-me a alma nesse desejo de palavra
essa vontade férrea de calor humano
esse desejo reprimido pela lente, e tudo igual, e tudo diferente…

escorre pelas paredes verticais esse passado de ontem
essa fome da alva pele que se resigna…
e vejo-te ali… de candeia na mão… esperando…
iluminando a ténue esperança, essa que te irá vestir de mim…

seja a porta fuga e a janela vontade…
seja o chão que pisas segurança
seja a tua mão chamamento…
seja o teu beijo jura
e o teu corpo confirmação…
que a luz que de ti brota, jamais se apague no teu olhar…

Tiago Paixão
15/06/2022

Modelo : Cecília Amaro

Instagram: https://instagram.com/_cecilia_amaro_1977?igshid=YmMyMTA2M2Y=

Foto de: Carlos Caneira Fotografia

Instagram : https://instagram.com/carlos_caneira_fotografia?igshid=YmMyMTA2M2Y=

Liberta-me…

Liberta-me…

deixa que em ti me liberte
que em ti me faça e seja eu…

que a vida nos escorra entre as pernas
que a fome se faça viagem consumada
quero-me palpável nessa distância de sopro
fazer-me febre no teu corpo
ser fonte de água na dança das almas…

liberta-me da volatilização do desejo
nessa força concêntrica do beijo

sejamos eternos, nessa efemeridade do sentir
e sente-me, prendendo-me a liberdade em ti
quero-me em ti nessa prisão de ser livre

que o sexo nos alimente, para que o amor transborde
misturemo-nos… nesse risco dos ritmos certos
enquanto as orquídeas me massajam a língua…
sejamos sangue que nos flui, abrindo poros
que as hormonas saltitem
faíscas que nos brotam dos dedos…

liberta-me, pois não há maior liberdade que amar…

Tiago Paixão
13/06/2022

afúriadapaixão

Escolhi Amar-te IV

Escolhi amar-te IV

Será possível? Talvez até seja, mesmo que continues a meu lado, mesmo que minhas narinas continuem impregnadas de teu cheiro, que tenha o teu sabor em meus lábios, sinto o coração apertado na saudade, pois sei que não te demoras, que irás partir. Sei que sofrerei em mim, a ausência de teu ser, teu corpo, que na solidão apertada da noite, apertarei contra mim a almofada, essa que me mantém, como memória de ti.

Noite esta que me dá em si o significado de ti, num aceno, num beijo, abandonas-me em mim, num solitário eu, na ausência de um nós que lhe dê significado. Assim sofro, como se soubesse que me arranca um pedaço de mim, para contigo vá, também eu dando significado à tua corporal ausência.

Vai, não te demores por mim, pelos meus carnais desejos de presença, vai, sei bem que vais contrariada, mas vai, recebe por ti nosso sustento, vai, não te prendas, leva-me contigo, impregnada em tua pele, meu cheiro no teu, meu sabor no teu, meu coração no teu. E como bate amor o nosso coração, sincronizado a um só som, uma só batida.

Um beijo, nada mais, um brilho escorrido no olhar, escondes a face, mas eu sei, também eu te sei, sigo-te com os olhos, com os ouvidos, toda eu te sigo… Ao olhar, vejo afastar-te, e mesmo sabendo da ausência de teu corpo, sinto-te em mim, como se me pertencesses, como se tu fizesses parte de mim!…

Vai, que eu estarei aqui esperando!…

Alberto Cuddel

#escolhiamarte #desejo #matrimonio #casamento #amor #paixao

Desbloqueia-me…

Desbloqueia-me…

faça-se em mim a tua vontade, o teu querer…

desbloqueia-me todos os bloqueios
desinibe-me, conserta-me a alma
recolhe-me nos teus braços e ama-me!

ardem no leito as febres estivais
recolhe-se do mundo a luz do desejo
resgata-me de esse querer suburbano
faz-me desaguar nos teus seios
faz-me pai de todos os teus filhos

que todo o meu corpo migre para ti
nesta alma louca que voa nas tuas asas
e saberás o que é “foder” na poesia,
sentir os orgasmos de todas as noites
de todas as auroras, todas as manhas!
nunca mais o meu amor,
morrerás longe dos meus braços,
tal como nenhuma das minhas mortes
será em vão…

desbloqueia-me a esperança do sentir
desse êxtase eterno do amanhã
que se anuncie em mim o teu desejo
que o mundo conspire em segredo
fantasias do sonho caladas por medo
e se faça em nós segundo a nossa vontade…

e que todo o mundo lá fora se foda…

desbloqueia-me…

Tiago Paixão
07/06/2022

O desespero das casadas

O desespero das casadas…

há homens que não esfregam o clitóris das suas mulheres
mesmo que o quisessem não o sabem fazer
com o mesmo dedo que tantas vezes levam à boca
humedecendo para virar impressos no seu emprego…

há homens que não beijam o clitóris das suas mulheres
com a mesma língua com que insultam os árbitros
com a mesma língua com que sentem a cerveja gelada
onde humedeceram o dedo para virar impressos….

há homens que não fazem amor, ou sexo, “aliviam-se”
enfiam o pénis na vagina como o carro na garagem
e ficam ali, para dentro e para fora, até bem estacionado
depois saem, viram-se para o lado, satisfeitos com o trabalho…

Depois há mulheres que mesmo assim teimosamente sonham,
com um príncipe em cavalo montado…
ou apenas com o vizinho do lado…

Januário Maria
08/02/2018

Voz queixosa de deus

Voz queixosa de deus

fiai-me o manto que me cobre
diante do queixume de deus
abrigai-me no centro da noite escura
diante do vapor da madrugada

que se erguem as vossas mãos
nesses braços silenciosos que pendem
que caminhem os vossos pés
nos corredios caminhos de pastos verdes

que nesses gemidos dos gregos deuses
não cuideis das oferendas aos homens
não vos embeiceis por ledas deusas
fertilidade da terra que vos chega ao nariz

cuidai de ser… a guerra nasce do ter
dessa avareza gananciosa da terra
nessa voz queixosa de deus, morremos
não escutamos as palavras que nasceram
por morrem fora dos nossos ouvidos
não sofre a nossa terra esta linguagem;
país onde se queimam feiticeiras
descobrem o mal numa inocente imagem,
como o demónio em casa das primeiras.

fiai-me o manto que me cobre
diante do queixume de deus
afastai dos vossos olhos a vergonha
da visão que minhas palavras mostram…

Alberto Sousa
29/05/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Velei teu sono!

Velei teu sono,

vi-te descansar,
acordaste, comeste
reuniste, e saíste,
de novo e sempre a trabalhar,
agora repouso,
agora espero,
agora descanso,
tua chegada,
para abraçar,
teu olhar,
cansado exausto,
para de novo,
teu sono, teu descanso, velar!
descanso, aguardo, espero…
teu chegar!

Alberto Cuddel®
02/07/2013

A existência de almas além da minha

A existência de almas além da minha…

Na compreensão da vida, existo
Existo pela existência do outro
Na clausura do ego não há existência…

Seja a vida a plenitude da troca, da dádiva
Realizo-me cada vez que dou, que recebo
Enalteço-me no teu sucesso, na tua vitória
Seja na amizade, no ensino, no exemplo
Eu sou tanto mais eu quanto mais tu o reconheces!

Partilhar é um acto nobre de poder ser “mãe”
Sou grato pela vida que partilho, por ser
E ser é amar-me e amar o mundo, ter fé
Sentir-me parte do futuro, ser no amigo
No conhecido, no desconhecido, no pupilo
Reconhecer o outro como ser em crescimento
É apenas o primeiro passo para um outro amanhã!…

Na existência de almas além da minha
Vejo-me como único, não melhor, não diferente
Apenas único, podendo dar-me nesse amor
A vida é amor, apenas isso, amor a dar
A receber, fazer amigos é a arte de se doar
Não a arte de negociar contrapartidas e trocas
Acreditar na amizade e ter fé nela, e construir
Todas as pontes que nos irão levar ao amanhã…

Creio na existência de almas além da minha
Na tua que me escutas e em todas as outras
Que aos poucos edificaremos, doando-nos ao mundo!

Alberto Cuddel
13/02/2019
11:20

Provocação

Provocação

A provocação tem um preço…
As vezes alto de mais para se pagar…
Continua a provocar,
Depois não tem como se queixar…
O desejo provocado, ou é consumado….
Ou leva à loucura de um corpo marcado…

Sírio Andrade
24/03/2015

Pensei amar-te…

Pensei amar-te…

“pensei amar-te, mas queria-te possuir na alma
todos os teus orgasmos pertenciam-me, assim o desejava”

Doar-me-ei por inteiro na vida e na alma
Não pelo altruísmo do ego, mas por amor
Esse que ganha significância na dadiva plena
Entre um rubro luar e um laranja do sol por

Nessa réstia de humanidade sou-te pleno
Nesse ondular da perfeita e alva maresia
Num crente caminhar duro e terreno
Diante de tudo o que o sonho mais queria

Ofertei-me no corpo, na excitação rubra
Nesse almiscarado e doce odor do prazer
Diante do desejo que de mim te cubra

Força orgasmica do corpo conhecimento
Dessa força que nos amarra e faz viver
Todo o orgasmo, eternidade, momento…

Alberto Sousa
22/05/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

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