De ontem

De ontem

Lembra-me o cansaço de ontem,
Das rosas caídas no terno abraço,
Lagrimas que os outros olhos contém,
Sorte a quem possuis no teu regaço!

Lembra-me o cansaço de ontem,
Os passos dados, roubados á preguiça
As mãos caídas que te desmentem,
Sem igualdade, sem dor, sem justiça!

Lembra-me o cansaço de ontem,
Artes profanadas, vê esventradas,
Os beijos prometidos, nada sentem!

Lembra-me o cansaço de ontem,
Corro apresado pelas tuas estradas,
Sei que apenas o cansaço me mantém!

Alberto Cuddel®
22-05-2016

Foram breves e sussurrados os gemidos de amor!

Foram breves e sussurrados os gemidos de amor!

Foram breves e sussurrados os gemidos de amor
fugir ao prazer dos corpos esfarrapava-lhe a alma
habitada que fora a saudade e a dor

estava dormente
sem força e querer, escondido na penumbra da lua
encontra em ti alma nua

as noites fogem
por ruas estreitas que se penetram nos sonhos
movimentos reles prazeres medonhos

e logo acordou
roubando desejo ao corpo a seu lado
despertou da cidade, rostos esquecidos na multidão
esquecidos, roubados a sofreguidão
dos sussurrados gemidos!

Alberto Cuddel
23-05-2016

Amo porque sim

Amo porque sim

… amo talvez por não me lembrar de um bom motivo para deixar de amar, por me ter esquecido de como é viver a vida sem amor, na mais completa felicidade de estar sozinho, sem amar ninguém. Acho que não me lembro de como se faz, de como se é capaz de percorrer sozinho a estrada da vida, correndo ou andando mas chegando sempre em segundo lugar! Esqueci-me e ainda bem que o fiz, pois hoje lembrei-me o quão bom é caminhar de mão dada!

Alberto Cuddel®

28/05/2016

A perda da inocência!

A perda da inocência!

Corre, corre
A bola gira e pincha
Rodopia e avança
Brincadeira inocente
No sonho da criança!

Corre, corre
Ocultos no mato
Respiram ofegantes
Gemem baixinho
Agora os amantes!

Alberto Cuddel

29/05/2016

Essa verdade de querer

Essa verdade de querer

Insinuas-te nessa provocação feminina
Nessa arte de sedução perfeita
Nesse querer de me possuíres em ti
Provocas-me, nessa partilha de paixão
Desprovida de vergonha, como se quer
Amas-me, conquistas-me, possuis-me
Inteiro pela visão dúbia do tesão
Amor, essa paixão que me prende
Força de vontade que me vence
Ali, mesmo ali, longe do leito
De tudo, de nada, aberto o peito…

Fodes-me…
Paixão religiosamente entregue como devoção
Oração fálica, que os deuses me protejam
Olho-te, olhas-me
Nessa confiança que te faz mulher
Sou teu, tao somente teu…
Como nunca fui de alguém
Porque tu és
Classe, paixão
Vontade e tesão
E possuis-me
Por inteiro
Apenas no olhar…
Amo-te, amas-me…
Amar-te-ei eternamente…

Tiago Paixão
05:35 01/03/2021

Afúriadasaudade

Poética IV

Poética IV

tínhamo-nos esquecido do tempo,
desse que passa por nós na berma da estrada
mesmo assim havemo-nos de casar um dia
mesmo nesse tempo bacoco sem memória, somos…

não, eu não sou o tal, não professo esse amor lamechas cheio de moscas
nem como o outro anseio “fornicar amor” contigo…
tão pouco irei sacudir-te a libido em busca de preliminares exíguos
mas casar-me-ei contigo várias vezes, noutras talvez mesmo acasale…

mas o tempo morre-nos a cada dia que nos ultrapassa fora de mão…
– esquece os morangos e o chantilly, até as bananas
que me importa a fruta? eu caso-me contigo porra…

sejamos pedreiros e trolhas, picheleiros até, na construção de momentos perfeitos
mesmo que os construas de joelhos enquanto te olho nos olhos
e se seguro os cabelos… mas sejamos com classe…
dessa que não se compra mas que existe em nós,
por sermos quem somos, não tenhamos vergonha de o ser…

tínhamo-nos esquecido do tempo,
desse que passa por nós na berma da estrada
e depois acordamos, olhamos o céu encoberto
desenhamos nuvens no chão… olhaste-me
deste-me um beijo! vamos?
rodei a chave e partimos rumo a esse destino desconhecido
esse mistério estudado pela ciência chamado amanhã…
e sim havemo-nos de casar lá também…

Alberto Cuddel
01/03/2021 03:40
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XXXVIII

A incapacidade do romantismo

Joana Vala

A incapacidade do romantismo

Ensaio-me, denuncio o desejo de ti
No toque dos dedos, nos lábios
Na forma como te olho, desejo
Morangos que docemente levo à boca…

E tu nessa tua insensibilidade de macho rude
Dizes: – “Não os comas todos eu também quero”
Mas sem essa coisa das natas…

Eu que me preparei até ao detalhe
Para uma noite perfeita e tu continuas tu
Básico rude e simplesmente cansado
Onde estás Mário? O homem com quem casei?

Morangos com chantilly e o desejo?
Fico-me assim por aqui…
E uma pilha de louça por lavar
E tu? – acho que vou descansar?

Vai-te, catar, cuidado com a porta
Um dia podes deixar de passar…
A vida vai torta…
Jamais se endireita…

28-02-2021 23:50

Plantei intenções diante do teu olhar

Joana Vala

Plantei intenções diante do teu olhar

Plantei intenções diante do teu olhar
Foste, vieste, demoraste para chegar
Trouxeste a mesma vontade que levaste
E uma outra na mão, coisas que foste comprar…

Despi-me de pudor, quase implorei
Fode-me, mas tu, tu apenas chegas
Cansado, exausto, podia ser amante
Podia, mas não era apenas conformismo
Trabalho e muito comodismo…

Plantei intenções diante do teu olhar
E tu o prazer me continuas a negar
Que esperas tu? Onde isto nos vai levar
Se a mim, só me apetece começar a encornar…

Ainda te amo, ainda te quero
Plantei intenções diante do teu olhar
“Isso não é de mulher decente”
Mas é de uma mulher que se faz presente
Que é e quer ser diferente…
Que quer prazer, ou que meramente a venhas foder…

14/02/2021 00:05

De mim

De mim

Desfolhou-se a tarde no meu olhar
Inverneira, cinzenta, suicida paixão
O sol que me acalentava do coração
Havia morrido ali, bem longe de ti!

No teu amar não existo, apenas existes em mim
Não te compadeças das quimeras, apenas por fim
Dos beijos que morreram no desejo dos teus lábios
Olha as estrelas, videntes, cartomantes e sábios
De mim, tudo na transparência certa do ser pleno
Perguntas e certezas inscritas na perpétua areia
Lavradas e gravadas em ondas de um mar sereno
No brilho do orvalho matutino, noite de lua cheia!

Encontrei-me ao amar-te,
No espelho dos dias, vejo-te,
Não me encontro, ali, na solidão,
Para me ver, olho-te no doce olhar,
E nesse mar, onde habita a paixão,
Encontro-me, descobrindo o ato de amar!

Alberto Cuddel®

Para Ti

Para Ti

O mundo, tudo de mim,
Mas de mim nem uma palavra,
Do meu silêncio nada brotava,
Nem flor, nem magia, de novo nada!
Uma certeza, um sinal, um calor,
Definitivamente amava!
Neste silêncio, amordaço-me,
Calo-me ao mundo, falo-te
apenas a doce força do abraço,
do gesto contido,
do sussurro ao ouvido!

Para ti
Um tudo delineado no sonho
Suavemente agitado nas horas
em que o sol se deita, em que o luar espreita,
nos tempos em que as alvas nuvens
correm nos céus, na suavidade da brisa
olhos que se perdem entre o cheiro da erva
e os desenhos curvilíneos o teu corpo,
sonhamos o futuro, como sonhamos
as formas das nuvens
que nos levam os pensamentos!

Alberto Cuddel®

Prende-me a ti…

Prende-me a ti…

algema-me, tem-me ali…
diante de ti, à mercê dos teus caprichos
despe-me dos dias e da vida
despe-me o corpo, percorre-me a alma…

venda-me… toca-me, sente-me
sente o meu pulsar de desejo
a minha vontade de te ter
de te possuir por inteira
bebe-me, bebe-me longamente
sem pressas, sem mansidão
como que a saborear a memória
nessa firmeza fálica do querer que me impões…
bebe-me…

cavalga em mim noite fora
como numa corrida de longa distância…
em trote firme, mas sem que se perca o folego…
desprende-me, desvenda-me…
deixa que te possua…
porque a alma essa
já é eternamente tua…
vem-te… vem-te comigo
em mim…

Tiago Paixão
03:34 26/12/2020
a fúria da saudade

Tenho saudades… das noites, das manhãs… do sempre e do nunca…

Tenho saudades… das noites, das manhãs… do sempre e do nunca…

tenho saudades de ti e de nós
da roupa esquecida no chão
do beijo interminável
do silencio húmido dos nossos lábios

tenho saudades do sonho, da promessa
do que foi e do que teria sido
do acordar junto, do adormecer exausto
tenho saudades do que ainda nem foi…
tenho saudades dos nossos orgasmos
dos sentidos, dos gemidos em surdina
e dos que ainda apenas imaginamos…

tenho saudades de te despir a alma no beijo
o corpo nos dedos, peça a peça, a cada palavras
a cada gemido consentido…
tenho saudades de ti e de mim, de nós, de mim em ti…

Tenho saudades dos teus seios, dos beijos na nuca
De te abraçar de conchinha… de te sentir o corpo, a pele…
Tenho saudades de nós… do que fomos, do que somos e sonhamos…

Quero-te…
Loucamente quero-te…
Hoje, amanhã, ou depois…
Não importa quando, onde, como…
Mas sei que te quero…

Tiago Paixão
20:37 19/12/2020
a fúria da saudade

Lembrar-te-ás que eu desejo-te…

Lembrar-te-ás que eu desejo-te…

lembrar-te-ás que todo eu sou tesão na alma
que todo o meu ser te deseja possuir loucamente
que esta fome, esta sede de ti mesma, é sentir pleno
quiçá um amor efervescente que me brota do estomago…

quero-te como se loucamente se pode querer
sem pudores, despida de verbos e de pudores
quero possuir-te nos lábios, na boca
quero sentir o teu orgasmo na língua
quero o teu corpo sob o meu, o teu movimento
sentir-me todo em ti, em longas estocadas
amplo movimento do quadril…

quero rebolar em ti, ter-te por baixo, por cima
de frente e de trás, quero-te possuir ali… ali mesmo…
pode ser amor, que seja, desejo, tesão, paixão, que seja…
mas que seja foda, que não se esqueça, que se repita
que venham os ancores e as vénias…
que venham os beijos e as repetições
que venham as loucuras da boca
que nos sorvamos loucamente…
sincronizemos o desejo, o batimento cardíaco
sincronizemos o movimento, encontremos o “g” da questão…
massajar-te-ei o ego, entregar-te-ei a ti o orgasmo nascido na alma…
depois abraçar-te-ei e beijando conversaremos…
quiçá te confessarei, que te amo, que te amo como ninguém…

Tiago Paixão
5:30 – 26/11/2020
A fúria da Saudade

A vida tal como ela é…

A vida tal como ela é…

há nessa paixão de viver uma admiração pelos pássaros
esses que em liberdade se recolhem da chuva sob os ramos das arvores…
porque não voam com as penas molhadas…

mas o homem não…
arrisca a vida e a liberdade pela inconsciência do viver agora
sem o medo da chuva… e morre…

será a valia do eu quiçá mais importante
que toda a liberdade que questione o valor do nós?
a vida tal como ela é…
uma mera questão filosófica do egoísmo…

a minha deixou de valer
nada vale além das indefensáveis palavras
que teimosamente rabisco no tempo
porque opiniões, cada um tem a sua…
e o nós encolhe a cada minuto…

Alberto Cuddel
20/01/2021 15:55
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XV

Veste-me de loucura…

Veste-me de loucura…

corta-me a lucidez e o discernimento e veste-me de loucura
trespassa-me a alma com açucenas, rasga-me de paixão…

cega-me com o movimento amplo das ancas em pleno voo
lambe-me longamente o ego com tulipas negras
calça-me os pés de troncos secos, e arrasta-me pelas areias…

há este fogo de céu, estas marés de sargaço que me abraçam
na loucura com que me vestes como nesse excesso de velocidade
de não cumprir as regras do código da estrada e voar…

veste-me da loucura de te odiar no amor que me inunda…

e depois de tudo, rasgas-me as vestes e afogas-me no ar da tua boca
expiras e inspiras gemendo longamente a dor que se crava pela saudade…

mas dói-me essa loucura com me vestes…
perdido que estou na indefinição do que sou…
há um orgasmo contido nessa metáfora chamada poesia…
e a loucura é apenas o reflexo de me pensar existir em ti…
enquanto tu és meramente sonho…

Alberto Cuddel
17/01/2021 23:08
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XIII

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