No profundo silêncio da tua alma sussurras “quero”

 

No profundo silêncio da tua alma sussurras “quero”

Na solidão que nos damos, silêncio
Apenas duas respirações cortadas por um beijo
Suave, quente, que te nasce na nuca
Um morder de lábios, aprisionando o desejo…

No toque toda a destreza da perfeição
A brisa das vestes que caem subtilmente
Uma a uma, lenta e desejavelmente
Cada uma sincronizadamente beijada!

Nudez da vontade, silêncio amordaçado
Mãos que te contornam a aura, cada forma
Cada curva, cada recta, cada arrepio…

No apartar de cada verso, a hipérbole do desejo
Um sopro suave, um toque dos lábios
O calor da língua, metáforas circulares
Encontro com o centro do querer,
Cada vírgula, na pressa de um ponto final…

Firme propósito assim desejas
Nas entre linhas dos versos, em cada sinapse
O fluir profundo da virilidade desejada
Movimento brando entre estrofes
Apressados versos, desenhado nos lábios
Ainda apertados, a ânsia profunda de quebrar
Um silêncio apertado na alma num profundo gemido
Simmmm…

Tiago Paixão
10/06/2017
16:05

Desejos profanos

Desejos profanos

Com as mãos segurando o teu rosto
o olhar vasculhando a profundidade da alma
a língua no desejo de vasculhar todos os íntimos
e húmidos recantos da tua boca…
botões que se abrem
corpo que salta no desejo
mãos que te puxam a mim
firmes na vontade de colar a tua pele na minha…
corpos que rodam e rodopiam ma volúpia do querer
mãos que se colam ao busto,
que te desenham as formas redondas dos seios
pressionando-se e demorando-se
nos mamilos que alimentam os sonhos dos homens…
mas que te descem pelo ventre
que te arqueiam o corpo no desejo profano
que te vasculham, procuram a vontade e querer…
mãos loucas, como louco é o prazer
a vontade absoluta de preenchimento
de profundidade na união dos corpos…
e nesta louca vontade, acordas, húmida
e sozinha, de um sonho que o vazio do leito não preencheu…

Tiago Paixão
31/07/2017
12:30

 

Madrugadas

Madrugadas

Não espero o desfolhar das madrugadas
Nunca esperei ninguém
   – Não me perseguem as sombras erguidas no luar…

Vãs reticencias que me iluminam o pensamento
Sonhos de agoiros irrealizáveis
Recosto-me nos silêncios dos telhados de zinco
Esperando mãos soltas que me aliviem…

Dói-me o romper do sol…
Esventrando a noite
Inundando-a de luz..
O sono toma conta de toda a inspiração…
Inspiro, expiro, respiro… ainda vivo…

Alberto Cuddel
31/07/2017
00:20

Poesia oculta

Poesia oculta

Pudesse eu fechar-me em mim próprio
Construindo paredes perfeitas,
Pedras finamente cortadas empilhadas
Que afastasse de mim a luz e o mundo!

Pudesse eu ser apenas verso
Apenas rima e poesia, enclausurado
Nas frias e secas palavras despidas
Engavetado no mofo de fechadas gavetas!

Pudesse eu ser segredo oculto da branca beleza
Em folhas negras escritas a branco,
Em folhas brancas escritas a negro,
Tinta seca, palavras arrastadas nunca lidas!

Pudesse eu…
Mas arrasto-me pela devassidão dos olhares
Pela interpretação de humanos ávidos e sedentos
Vasculham as letras, os espaços, os silêncios
Procuram-me a essência, o âmago, procuram-me
Esperam encontrar-me a alma, a calma,
A devassidão prazerosa da vida, a formula do amor,
O mapa da felicidade, ou apenas ler-me,
Compreender-me no acto altruísta que de mim dou
Ao escrever-me nos seus pensamentos!
Pudesse eu ficar fechado numa gaveta,
Poder até podia, mas seria eu apenas e só
A falta da doce luz de ser poesia!

Alberto Cuddel

 

Caneta

Por 1000 noites me possuíste, por mais 1000 me possuirás

Por 1000 noites me possuíste, por mais 1000 me possuirás

Que sejam nas noites os desejos
Mãos que te afagam o corpo
Loucos movimentos desenhados
Almas que se penetram nos beijos

Eleva-me à lasciva vontade de te querer
A cada hora do meu dia, seja eu doce companhia
Profusa vontade de me ter em ti…

Seja eu possuído de amor,
Paixão, louco no tesão
Firme dos lábios que te bebem
Nas loucas palavras que te desenho
Arrepios soprados na saliva
Que me escorre da boca
Na fome absoluta de te ter…

Que seja orgasmo, amor, tremor
Que te percorre o corpo
Que seja vontade, desejo
Penetração e movimento
Que seja tudo isso…
Que seja abraço, silencio
E um sorriso no olhar…
Que seja uma noite,
Que seja sempre
Já por 1000 noites te possuí,
Mas por 1000 mais te possuirei…

Tiago Paixão
30/07/17
2:00

Nascem-me dos dedos coisas, até amores

Nascem-me dos dedos coisas, até amores

Na mais inocente das árvores alimentadas pelos sonhos
– Paixão crente de um poema de amor
Cresce abstractamente nas águas do olhar paixão
Carnes que se misturam e aglutinam em versos
Astros em orbitas circulares que caem, majestosamente
Incómodos pecados nocturnos de poemas absurdos
Balbuciados num sussurro dos dedos que gemem
Sob luzes foscas de uma cidade que dorme…
Ainda assim nascem-me dos dedos coisas…

O tempo começa onde se calam as palavras
Nos lábios que irrompem o silêncio, o beijo
Mãos que se estendem ao irmão, que escrevem
Que se erguem em oração, que pecam
Esquecidas nos bolsos da ilusão egoísta.
– Consagrarei as minhas mãos no teu corpo!

Chamem-me sonhador, inocente ou crente na humanidade
Não desisto… como posso desistir de mim?
Bebo da taça da fé, na bondade que me assiste em acreditar
Que o amanhã existe, é possível, mesmo que chova
Que o sol se esconda, ele brilhará…
Pedra sobre pedra que me suporta
Caia por terra a vã poesia rimada
Aquela outra que não conta nada
Que ilude a voz mortal do sonho
Deixem-me sonhar que posso fazer
Escrever, sonhar, viver…

Nascem-me dos dedos coisas, até amores

Alberto Cuddel
30/07/2017
0:50

Longe do céu

Longe do céu

Serpenteava os montes caminho
Verde musgo dos meus dias,
Sobre o olhar dormia o carinho
Que ainda ontem me oferecias

As estepes áridas que se erguem
Queimam as fontes do sonho
Perdidas nos dias que sucedem
Os desejos, agora onde os ponho?

Largos são os passos, perdem força
O arrastar pesado das duras noites
Dura solidão negra ainda reforça!

Céu, tecto alto que me oprime,
A brisa na face são os acoites
Liberdade forçada que me redime!

Sírio de Andrade
15/03/2017
13:20

185

 

 

Condenações permissivas…

prisao-civil1465250804Condenações permissivas…

Condenas,
O empresário que foge aos impostos,
Mas permeia a inteligência do vizinho
Que rouba o fisco aos bocadinhos!

Condenas,
A violência domestica sobre as mulheres,
Mas incitas a tua filha a bater nos rapazes
De quem ela não gostar dos avanços!

Condenas,
O absentista colega de trabalho,
Mas justificas as faltas do teu filho,
Apenas por não querer ir para a escola!

Condenas,
A mãe que mata o seu filho,
Mas permites que o mate no ventre!

Condenas,
Os desmandos dos políticos,
Mas nunca compareceste numa assembleia!

Condenas,
Os estado e atraso na saúde,
E corres para uma urgência
Apenas com uma constipação!

Condenas, condenamos,
Nada fazemos na condenação
Do que devia ser condenado!

Não descruzamos os braços,
Na condenação pessoal
Aos que junto a nós devem ser condenados…

Januário Maria

 

Sonho

Sonho

Podem as asas caírem
O voo circular terminar
O movimento quedar
Não me resigno à mortalidade do corpo!

Trémulas mãos seguram-me a alma
A vida esvai-se nos círculos da morte
No mundo resisto, doce perfume exala
Do ser que te sonhou a triste sorte.

Embala-me a alma em nuvens de algodão
Descendes de mim, mar da realidade
Ascende em ti a doce e fogosa paixão
Aplaca no teu corpo a dor da saudade!

Alberto Cuddel

413

Na Gaveta

Na gaveta

Nas vagas horas
Em que silêncio se estende
Vagueia redondo o pensamento
Perdido por entre os espaços da mente.

Nuamente na orfandade latente
Perdem-se ideias, sentir que mente,
Seguem correntes e brisas modistas
Sem conteúdo, apenas comodistas
Cópias, ideias curtamente repetidas
Ideias sombrias e sujas, escorregadias
Politicamente e socialmente aceitáveis
Mornas, travestidas de conceitos morais
Ideias em versos tristes, sem apoios sociais!

Nas vagas horas
Em que silêncio se estende
Escrevo e escondo
Pensamento redondo
Que me liberta a alma,
Ao pó, na escuridão da gaveta,
Poesia escrita a tinta preta,
Tantas vezes tingida de sangue!

Alberto Cuddel

 

Delírios

Delírios

Podes correr sem destino
Contornando
Paredes brancas!

Podes ficar sentado
Sonhando
Cama sem lençóis!

A solidão que acomoda
Informa
Hoje abraço-te!

A luz que cai do tecto
Apagada
Candeia vazia!

Enforca-me na ternura
Humedecida
Dos teus lábios!
 
Alberto Cuddel

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Críticas avulsas

 

Críticas avulsas

Criticas políticos, partidos,
Presidentes, directores, chefes,
Dissidentes, vizinhos, amigos,
Criticas, críticas, críticas…

Criticas a crise, a riqueza,
O dinheiro, a pobreza,
A estupidez, a inteligência
A sabedoria, a falta dela…

Criticas, loiras, morenas
Vestidas, despidas,
A praia, o campo,
As férias, a falta delas…

Criticas a televisão
Os canais, os programas
Os directores, apresentadores
Os actores, os realizadores…

Criticas o cão, o gato
O canário, o periquito
O peixe, o barulho
O silêncio, a música…

Criticas tudo, nada
Enquanto sentado
No sofá da sala
Vendo um qualquer programa
Sobre tudo, sem dizer nada
Criticando as críticas
Ontem efectuadas
E tu sem mexer uma palha!

Januário Maria

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Prece

Prece

De todos os gritos presos na garganta
Rosas e espinhos, por Deus se solta
Embate frontal na realidade fria
Fragmentos do sonho ousado sonhar!

No amor em que não se tropeça
Do nada que ainda assim aconteça
Semeado ao vento, eclipse solar
Brotam seivas floridas em dia lunar!

Apenas no sofrimento dos pés cansados
Encontramos a razão oculta do ser
Amamos porque sim, por quase nada
Dando e recebendo, gestos e verdades
Sem a razão do pleno entendimento
Encontrada numa prece lançada ao vento!

Alberto Cuddel
27/05/2017
00:17

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