Se a distância se dobrasse…

Se a distância se dobrasse…

se a distância se dobrasse
amar-te-ia longamente…

beijar-te-ia a boca, loucamente,
até que implorasses por mim em ti…

irias beber-me a essência até a última gota
como se não existisse o amanhã…
beijar-te-ia depois, iria percorrer-te o corpo
cada recanto mapeado na língua
segurar os teus cabelos, e entrar em ti… todo…

se a distância se dobrasse
amar-te-ia longamente
toda a noite, a noite inteira…

que o amor se faça tesão
que o tesão se faça paixão
que a paixão se faça amor
que o amor se faça prazer
sejamos prazer e orgasmo…
mutuo e uníssono
como se os corpos se fundissem
num único prazer…

se a distância se dobrasse
amar-te-ia longamente

Tiago Paixão
05:10 10/12/2020
a fúria da saudade

Nessa vontade máxima

Nessa vontade máxima

um medo que me desabita
uma alma que grita despedaçadamente
um rei que morreu, lá longe…
rasgam-se as veias em dilacerado ventre
mãe? onde morrem os teus filhos?
por um pedaço de terra?

nesta vontade máxima de frio
a terra que de abre de frente
pelo medo e vontade de gente
o amor é um axioma sentido

pelo fogo que vos arde no peito
desta verdade tão crua que aceito
já não há vinagre ou defeito
que eu vos possa apontar

também eu fui
pela estrada de luz,
pelo caminho que o rei me conduz,
grato vos sou,
pela pátria da voz,
neste fado gritado
onde a saudade somos nós…

Alberto Cuddel

E hoje, hoje apetece-me escrever…

E hoje, hoje apetece-me escrever…

A morte espreita em janelas rudes
– Desististe de viver?
Apenas não sinto, nem pressinto deixo que os dias se apaguem…
E voam sentinelas de asas pretas e gritos mudos
Choram distantes amores em casas frias.
As palavras perdem o sentido entre mentiras e verdades,
Mentiras que se sentem de verdades ditas
E verdades tão cruéis que se julgam mentiras…
Crepitam madeiros solitários em lume brando
O fogo arde em peitos de pranto e lágrimas soltas
A árvore murcha no canto da sala, as luzes não iluminam
O branco que era luz, hoje frio, vazio de nós
Há medos que matam, e dores que não morrem…
Fujo todos os dias e todas as noites
Corro para Longe, bem longe de quem sou
Fujo de mim, por medo de quem sou…
Ainda assim sonho…
Ainda assim depois de tudo sonho…
Sonho com um amanhã ainda possível e sem medo de morrer depois de um agora… De um tudo, de uma vida… Feliz…

Alberto Cuddel
28/12/2018

Vontade

Vontade

O frio da noite,
Que me desperta,
Que me inquieta,
Que faz o sangue
Correr descontrolado
Coração contraído
Passo apertado
Correndo apressado
Em direcção a nada
Busco na noite
Luar perdido
Sonho contido
O teu despertar,
Leio os lamentos
De outros momentos
Tidos atrás
Mas sigo adiante
Neste mesmo instante
Que embora distante
Quero encontrar!
Forte pulsar
Querendo sair
Do peito saltar
Na forte batida
Ofegante querer
Lento gemer
Que é respirar
Quente bafo
Na pele arrepiada
Que a mente prepara
De em ti pensar,
Corro na noite
A forte vontade
De partir sem saber
Se quero voltar!

Alberto Cuddel
http://facebook.com/poetaAlbertoCuddel

Na pressa de ser já…

Na pressa de ser já…

Não espero amor… não sei esperar
Amamos, queremos que seja agora
Que seja já…
Deixa vestidas as vestes, uma abre-se
Outra arreda-se…
O amor não tem hora, no desejo
Que seja já, que seja agora…

Deixa que te ame na pressa
Na vontade de estarmos
De nos unirmos e fundirmos
Único sentir, único viver
Único movimento, único prazer…

Na pressa de ser já, não há hora,
Que seja vontade, que seja agora…

Tiago Paixão
18/01/2018
19:21

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