Tenho ganas de te foder todos os dias e também de noite…

Tenho ganas de te foder todos os dias e também de noite…

quero-te, é impossível não querer, amo-te, mas tenho vontade de te foder…
quero sentir-te, beber-te, quero-te sentir na língua…

não nessa consciência assoberbada do meu prazer
mas na virtude de te fazer contorcer a cada orgasmo
quero imiscuir o meu cérebro entre as tuas coxas
sentir na língua as tuas doces palavras gemidas na alma

que a cada metáfora fechemos os olhos
nesse movimento louco das águas
sejamos perpetuação das marés
cadencia, liberdade, eternidade feminina
libertemo-nos da opressão contida pelos trapos
soltemos os corpos ao prazer, sejamos alma…
liberta comigo a libido em laivos de poesia
empresta-me os teus lábios, abraça-me os versos
sejamos poetas do prazer, gemidos loucos
que se firmem as hipérboles e as antíteses
movimentos opostos em prefeito sincronismo…

sejamos de dia, de noite, ali, depois, agora ou já
fodamos… façamos amor com a alma…
amarremos os corpos em nós perfeitos
a alma em laços rubros, e descansemos depois…
abraça-me… comuniquemos com as mãos…
e fodamos de novo, outra vez, como sempre uma primeira vez…

a vida escorre-nos dos dedos sem tempo…
aproveitemos a loucura do tesão que nos é oferecido por Deus…
deixemos que os anjos cantem… a loucura de amar…
e depois… fodamos novamente…
sem pudor de ser prazer, orgasmo… gente…

Tiago Paixão
08:30 19/09/2021

Afúriadasaudade

Guardiões dos versos

Guardiões dos versos

Ladeiam-me os guardiões do tempo
os protectores das rimas e métrica
da poesia sonora ao som da citara
dos fingires e contadores de historias
das palavras directas e irrisórias!

Condenam-me, enclausuram-me
Nas páginas esquecidas e brancas
Nas capas duras escuras fechadas
No mofo esquecido de um léxico
Desconhecido desta enorme maioria!

Poeta escrevente de dramas e amor
copista sem poder de concepção
modeladora em perfeita arte,
do sentir idealizado no pensamento
e tu “livre” preso a único momento!

Concebida fortemente a emoção,
a frase que a define espontânea
e o ritmo que a traduz surge pela frase fora.
não concebo, porém, que as emoções
estejam despidas do poeta, da arte
do choro e do sorriso, de toda a paixão
que finja, mas que o finja na verdade!

Ainda assim ladeiam-me o peso do ontem
e das palavras que o tempo não esquece
desses poetas maiores, que Pessoa enaltece
e toda a beleza e retórica quem os montem!

Nada me liberta,
aqui pertenço,
não por moda
mas assim penso!

Alberto Cuddel
18/06/2017

Depressão poética

Depressão poética

(…)
Esqueci-me dos versos
Das rimas e estrofes
Das quadras, dos poemas
Escrevo brancamente
Frases soltas, pensamentos
Sem amor, sem sentimentos
Sem desejos, sem beijos
Sem prazer, sem morte
Apenas frases, pensamentos…

(…)
A rua corria deserta
O chão desabrochava
Sob as pisadas das tulipas
As nuvens desenhavam
Sonhos perdidos no olhar
Os pensamentos morriam
Sob o peso da abóboda celeste
À sombra da figueira
Que me acolhe nos braços…

(…)
As areias que se agitam
Sob os ventos do tempo
Correm viajando sob o luar
Assim meus pés caminham
Sob águas mansas da manhã
Numa qualquer direcção
Onde te possa encontrar
Perdida memória do passado…

(…)
Escondo-me nas antíteses
Nas hipérboles da vida
Nas metáforas do sentir
Escondendo segredos por entre
Palavras aleatórias de um poema
Se o amor me possui
Todo o ódio me espreita…

Alberto Cuddel

Poema XXIX

Poema XXIX

Intervalei-me nos versos
Entre sonhos e desejos
Sendo eu ou metade de mim
Seja sem princípio ou fim!

Reflexões de mim próprio
Destorcidas no reflexo curvo
Sentir imaginário, escorrido na pele
Dor que transpira da alma
Letras desenhadas, na pressa da calma…

Rasgo preceitos, tabus e conceitos,
Escrevo, escrevendo sobre tudo
Neste nada que é a vida, num tempo finito
– Quem sou, o que sinto, se minto
Na verdade com que sinto, calando no silêncio
Gritos abafados na garganta
– Nunca declamados ou registados
Versos longos e curtos de palavras ocas
Lidas nos intervalos das reticências longas
Nos silêncios e tu e apenas tu compreendes…

E mesmo assim duvidas e temes
Que o teu entendimento te engane…
– Ainda que seja verdade…

Alberto Cuddel
08/10/2017
0:50

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