Um dia de trabalho

Um dia de trabalho

Saio correndo apressado,
Para que não chegue atrasado,
Entro passo cartão, portas e portinhas,
Já na sala comprimento um-a-um,
Chamando e memorizando o seu nome,
Inteiro-me do serviço pendente,
Das alterações, ocorrências e rotações,
Abro o email, o portal, as aplicações,
Um sinal que avaria,
Uma agulha talonada,
Uma porta avariada,
Um individuo na via,
Uma marcha pedida,
Um passageiro sem bilhete,
Mais umas quantas ocorrências,
Uma alteração há rotação,
Tantas e tantas urgências,
Um sinal fechado, “olha a ponte”,
É Ligeiro? É Pesado?
Comboio danado…

Na pressa do segundo,
Em que nada está parado,
Fica esquecido o sinal,
Que outrora estava fechado…

Mais uma ocorrência,
Um erro danado,
Que para futuro,
No cadastro registado…

No fim do turno,
A calma,
O descomprimir,
O ir para casa e sorrir.

Alberto Cuddel
29/11/2013

Solidão

Solidão

Porquê?
Outra vez sozinho,
Não, não vás,
Não me deixes
Neste desencanto,
Então foi só mais uma noite?
-Não, logo volto!
Que vida esta de encontros
E desencontros,
A coberto da noite,
Escondidos no dia,
Não, não vás,
Fica comigo ate o sol nascer,
-sabes que não, ele me espera!

Por ele, tudo por ele,
Maldito trabalho!

Albert Cuddel
04/12/2014
Palavras Desconexas – 34

Noites indignas,

Noites indignas,

Noites indignas,
Da força se fazem dia
Ninguém descansava
Ninguém dormia,
O tempo assim passava
Que trabalho, o sono fugia
As pernas tremiam
Do cansaço do dia
Onde os olhos não dormiam!

À, noites malditas,
Turnos barulhentos
Vida de trabalho
De suor, de sacrifício
Onde as noites, as ditas,
De olhos fechados sonolentos
Regresso, que suplicio,
Ver de longe nascer o dia,
Usar tudo o que sabia,
Mais um pouco e já caia,
Do cansaço, da fadiga,
Num abraço, caímos no leito
Eu abraçado, teu corpo rodeando
Tu com a cabeça no meu peito,
Caímos no sono, novo dia sonhando!

Alberto Cuddel

Trabalho

Trabalho

Que me seja devido o soldo respectivo
Que me seja pago, entregue, atribuído…

Na troca nada justa entre a força e o lucro
Roubam-me… Roubam-me os patrões
Os bancos, os supermercados e aldrabões,
As publicidades, as televisões e promoções…

Roubam-me a diferença,
Entre o que faço e o que mereço,
Roubam-me a utilidade do voto
Votando numa qualquer percentagem
Numa premissa e vil chantagem
Não escolhendo escolhem os outros por ti…

Quem faz o meu? Quem me alimenta a mim?
Quem será livre por fim?
Se não escravo do trabalho
Dos dais e dos tostões
E dessa cambada de ladrões…

Alberto Cuddel
01/05/2018
19:21

Viajante

Viajante

Olhares cansados,
Rudes e desgastados,
Pelo trabalho de uma vida,
Viaja solitário,
Sem ver que a seu lado,
Também viaja,
Uma vida sofrida.
Bem aja,
Aos que falam,
E partilham,
Uma vida sofrida,
Uma vida de trabalho.

Alberto Cuddel
Código do texto: T5157560

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: