De mim

De mim

Desfolhou-se a tarde no meu olhar
Inverneira, cinzenta, suicida paixão
O sol que me acalentava do coração
Havia morrido ali, bem longe de ti!

No teu amar não existo, apenas existes em mim
Não te compadeças das quimeras, apenas por fim
Dos beijos que morreram no desejo dos teus lábios
Olha as estrelas, videntes, cartomantes e sábios
De mim, tudo na transparência certa do ser pleno
Perguntas e certezas inscritas na perpétua areia
Lavradas e gravadas em ondas de um mar sereno
No brilho do orvalho matutino, noite de lua cheia!

Encontrei-me ao amar-te,
No espelho dos dias, vejo-te,
Não me encontro, ali, na solidão,
Para me ver, olho-te no doce olhar,
E nesse mar, onde habita a paixão,
Encontro-me, descobrindo o ato de amar!

Alberto Cuddel®

Prende-me a ti…

Prende-me a ti…

algema-me, tem-me ali…
diante de ti, à mercê dos teus caprichos
despe-me dos dias e da vida
despe-me o corpo, percorre-me a alma…

venda-me… toca-me, sente-me
sente o meu pulsar de desejo
a minha vontade de te ter
de te possuir por inteira
bebe-me, bebe-me longamente
sem pressas, sem mansidão
como que a saborear a memória
nessa firmeza fálica do querer que me impões…
bebe-me…

cavalga em mim noite fora
como numa corrida de longa distância…
em trote firme, mas sem que se perca o folego…
desprende-me, desvenda-me…
deixa que te possua…
porque a alma essa
já é eternamente tua…
vem-te… vem-te comigo
em mim…

Tiago Paixão
03:34 26/12/2020
a fúria da saudade

Tenho saudades… das noites, das manhãs… do sempre e do nunca…

Tenho saudades… das noites, das manhãs… do sempre e do nunca…

tenho saudades de ti e de nós
da roupa esquecida no chão
do beijo interminável
do silencio húmido dos nossos lábios

tenho saudades do sonho, da promessa
do que foi e do que teria sido
do acordar junto, do adormecer exausto
tenho saudades do que ainda nem foi…
tenho saudades dos nossos orgasmos
dos sentidos, dos gemidos em surdina
e dos que ainda apenas imaginamos…

tenho saudades de te despir a alma no beijo
o corpo nos dedos, peça a peça, a cada palavras
a cada gemido consentido…
tenho saudades de ti e de mim, de nós, de mim em ti…

Tenho saudades dos teus seios, dos beijos na nuca
De te abraçar de conchinha… de te sentir o corpo, a pele…
Tenho saudades de nós… do que fomos, do que somos e sonhamos…

Quero-te…
Loucamente quero-te…
Hoje, amanhã, ou depois…
Não importa quando, onde, como…
Mas sei que te quero…

Tiago Paixão
20:37 19/12/2020
a fúria da saudade

Lembrar-te-ás que eu desejo-te…

Lembrar-te-ás que eu desejo-te…

lembrar-te-ás que todo eu sou tesão na alma
que todo o meu ser te deseja possuir loucamente
que esta fome, esta sede de ti mesma, é sentir pleno
quiçá um amor efervescente que me brota do estomago…

quero-te como se loucamente se pode querer
sem pudores, despida de verbos e de pudores
quero possuir-te nos lábios, na boca
quero sentir o teu orgasmo na língua
quero o teu corpo sob o meu, o teu movimento
sentir-me todo em ti, em longas estocadas
amplo movimento do quadril…

quero rebolar em ti, ter-te por baixo, por cima
de frente e de trás, quero-te possuir ali… ali mesmo…
pode ser amor, que seja, desejo, tesão, paixão, que seja…
mas que seja foda, que não se esqueça, que se repita
que venham os ancores e as vénias…
que venham os beijos e as repetições
que venham as loucuras da boca
que nos sorvamos loucamente…
sincronizemos o desejo, o batimento cardíaco
sincronizemos o movimento, encontremos o “g” da questão…
massajar-te-ei o ego, entregar-te-ei a ti o orgasmo nascido na alma…
depois abraçar-te-ei e beijando conversaremos…
quiçá te confessarei, que te amo, que te amo como ninguém…

Tiago Paixão
5:30 – 26/11/2020
A fúria da Saudade

Veste-me de loucura…

Veste-me de loucura…

corta-me a lucidez e o discernimento e veste-me de loucura
trespassa-me a alma com açucenas, rasga-me de paixão…

cega-me com o movimento amplo das ancas em pleno voo
lambe-me longamente o ego com tulipas negras
calça-me os pés de troncos secos, e arrasta-me pelas areias…

há este fogo de céu, estas marés de sargaço que me abraçam
na loucura com que me vestes como nesse excesso de velocidade
de não cumprir as regras do código da estrada e voar…

veste-me da loucura de te odiar no amor que me inunda…

e depois de tudo, rasgas-me as vestes e afogas-me no ar da tua boca
expiras e inspiras gemendo longamente a dor que se crava pela saudade…

mas dói-me essa loucura com me vestes…
perdido que estou na indefinição do que sou…
há um orgasmo contido nessa metáfora chamada poesia…
e a loucura é apenas o reflexo de me pensar existir em ti…
enquanto tu és meramente sonho…

Alberto Cuddel
17/01/2021 23:08
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XIII

Joana Vala

Joana Vala

Quem és tu?

Quem és tu que meu leito partilhas?
Quem és tu que despertas pela manhã?
Não te conheço, não te reconheço
Que vã esperança esta que me tolhia o olhar
Recuperar o ser que amei, que amava?
Quem és tu habitas sob o mesmo tecto
Que nada faz de concreto
Passam as horas e olho-te
Acabrunhado, acabado, velho
Com medo de tudo e de ninguém
Como se o tempo te fugisse dos pés
Com se a vida se tivesse esvaido
No último dia que entraste pela porta…

Quem és tu que não conheço
Que não sorris, que não sentes?
Quem és tu remetido ao silêncio
Que me repulsas, que te encerras
Que te fechas ao mundo?
Onde estás amor que eu sentia?
Onde está o ser que eu amava?

Quem és tu que apenas existes
Sobrevives dia após dia
No confinamento da tua alma…
Quem és tu que não me falas
Além do subterfugio das respostas obvias…
Deixa-me entrar na tua capsula
E resgatar-te para a vida…

24-03-2020
02:05

Se a distância se dobrasse…

Se a distância se dobrasse…

se a distância se dobrasse
amar-te-ia longamente…

beijar-te-ia a boca, loucamente,
até que implorasses por mim em ti…

irias beber-me a essência até a última gota
como se não existisse o amanhã…
beijar-te-ia depois, iria percorrer-te o corpo
cada recanto mapeado na língua
segurar os teus cabelos, e entrar em ti… todo…

se a distância se dobrasse
amar-te-ia longamente
toda a noite, a noite inteira…

que o amor se faça tesão
que o tesão se faça paixão
que a paixão se faça amor
que o amor se faça prazer
sejamos prazer e orgasmo…
mutuo e uníssono
como se os corpos se fundissem
num único prazer…

se a distância se dobrasse
amar-te-ia longamente

Tiago Paixão
05:10 10/12/2020
a fúria da saudade

Cadência marítima do desejo…

Cadência marítima do desejo…

Que se embalem os beijos nas ondas
Dispamo-nos de pudores e pecados
Deixemos a condenação no mundo
E amemo-nos, aqui, agora, já…

Deixa que meu corpo se entrelace no teu
Que a minha boca te desça ao ventre
Que me ajoelhe e te beije, te beba loucamente
Que o salgado da brisa nos embriague os sentidos

Quero o teu respirar, o teu gemido,
As mãos no meu cabelo, no meu rosto
Derruba-me por terra na areia molhada
Cavalga em mim, nesse movimento da água…

Fodamos, diante do mar, como amantes eternos
Sejamos prazer um no outro, movimento louco
Em ti, todo em ti, nesse apogeu marítimo
Na cadencia do gemido, a loucura do orgasmo
Único, irrepetível, sagado, beijado, gemido, desejado…
Despido de tudo e de pecado…

Tiago Paixão
10:40 – 05/12/2020
A fúria da Saudade

Há quantos dias não me fodes com vontade?

Há quantos dias não me fodes com vontade?

há quantos dias não fodemos amor?
quantos dias passarão sem que os nossos corpos se unam?

quero-te, é impossível não querer, amo-te, mas tenho vontade de te foder…
quero sentir-te, beber-te, quero-te sentir na língua…

loucas são as noites que passo sem te tocar
loucas são as noites que passo sem te amar
queima-me a pele na abstinência de ti
como se o amor fosse uma doença, uma adição
ferve-me o sangue no tesão de te pensar
quero foder-te, até pode ser fazer amor
mas quero-te inteira, com vontade…

há quantos dias não me fodes com vontade?
com essa vontade de amar, com esse tesão férreo
há quantos dias não sente a tua boca tesão pela minha?

amemo-nos sem barulho, de dia, de tarde, mas em surdina…

vivamos livres, sem pudor e sem pecado… mas amemo-nos…
fodamos até que o orgasmo nos trespasse a alma…
e deixemo-nos adormecer, abraçados como se não houvesse amanhã…

Tiago Paixão
4:50 – 25/11/2020
A fúria da Saudade

Rasga-me a alma nesse orgasmo incontido…

Rasga-me a alma nesse orgasmo incontido…

choram-me os lábios pela carência dos teus
seca-me a pele pela ressaca da tua
quero-te como um homem deseja uma mulher
assim carente, entregue ao desgosto apático da saudade…

permite-me que te beije a boca, que a minha língua envolva a tua
deixa-me ferver na tua carne, misturar meu corpo no teu
sente-me… que os nossos movimentos se unam
que o nosso suor escora, falemos um pouco
sincronizemos a alma e o desejo, elevemos a libido
procuremos no nosso amago um uníssono gemido…

tenho saudades de ti, de nós, de ambos os dois
tenho saudades das manhas, das tardes, das noites que estão por vir
tenho desejos de me vir, de me ir, de me ficar em ti…

sonhos que te pertencem, que te tocam, que te envolvem
quero ser eco da voz que escutas, gemido que te enlouquece
quero ser fonte do teu sorriso, quero ser origem do teu suor
quero amar-te, ser prazer, ser loucura e orgasmo solitário…

rasga-me a alma nesse orgasmo incontido
essa carência que te tenho da alma
esta abstinência que me confere o corpo
tenho saudades de ti, e do amor que fazemos…

Tiago Paixão
04:30 – 25/11/2020
A fúria da Saudade

Corpos… apenas isso

Corpos… apenas isso

Cenário do desejos mudos e quedos,
Raios de lua afagam-te os cabelos.
Lábios húmidos, desejo de beijos,
Lua sonâmbula adormecida,
Ondulantes formas de mulher,
Perpetuamente dormente…
Olhar cego e reto como destino
Entre o cansaço do dia e o desejo de carne,
Tolhem o olfacto as nuvens pardas de baunilha,
Mãos que se cruzam junto ao peito
Entre o abraço dos corpos,
O calor que apenas restou!

Olhemos as horas,
E o tempo que resta,
Ceus rasgados pelos raios de sol!

Alberto Cuddel®
25/07/2016
in: Tudo o que ainda não escrevi

Fúria de amar…

Fúria de amar…

não são as palavras quentes
mas os longos movimentos da língua
essa traiçoeira que nos percorre a espinha
nos amplos movimentos do beijo
digladiam-se as bocas pelo tesão das mãos
caiam as veste… rasguem-se as roupas e os pudores
percorram-se os corpos, descubram em si mesmos o prazer
toquem-se…
toquemo-nos…
beijemos todos os cantos, recantos, vales e montanhas,
sorvamos o regato que escorre…
apreciemos os sabores almiscarados do desejo
mostra-me o teu olimpo, a tua louca divindade
faz-me reconhecer o teu céu…

ergue-te, ergue-me, deitemo-nos
lento, forte, seguro, rápido…
forte, fraco, todo ou apenas parte…

conduzamos a noite longa pelo querer
saber é descobrir, estudar, gritar, gemer
procurar constantemente a sintonia inversa
chegar ao orgasmo, agora, já, depressa…

cair extenuados, encharcados
abraçar, beijar, conversar, carinho, devagarinho
e tudo outra vez,
sem pensar, no sofrimento do ninho…

amanhã?
amanhã voltamos a nos apaixonar…
tanto de novo a realizar…
a descobrir, amar…
porque foder, não é morrer
mas voltar a nascer
a cada dia que nos queiramos envolver…

Tiago Paixão
04:10 – 11/11/2020
A fúria da Saudade

Amor ou a arte de foder

A maioria das mulheres dizem que os homens não sabem amar, mas eu digo o oposto, a maioria dos homens não sabe é foder…

Amar é simples, são pequenos gestos do dia a dia, ajuda, carinho, atenção, compreensão, diálogo, isso é simples… Agora foder? Isso sim é complicado… Planear os preliminares com horas ou dias de antecedência, uma mensagem, uma palavra, um gesto erótico, um elogio… O manter a libido no auge, o toque, o cheiro, a excitação… A emoção, o sentir, a entrega da alma, a fantasia, o induzir o desejo… Isso sim é complicado, isto para não falar no investimento colossal no orgasmo dela, quais as posições que o facilitam, que tipo de orgasmo devemos provocar, qual o investimento a ter em conta para a elevar ao Olimpo? Pois é, amar é fácil, agora foder? Só está ao alcance de muito poucos…

Vale a pena pensar nisto…

A. De Alberto Sousa

Vampira do meu querer…

Vampira do meu querer…

Pudesse eu calar esta fome em mim,
Atingisse eu o apogeu celibatário de ti
Extinguiria o fogo que me consome
Sangue bombeado, ânsia disforme
Pensamento tolhido, corpo de mulher
Libidinoso sonho erótico, ser em ti
Consumir-me nos loucos movimentos
Escravo do teu ávido e sedento prazer
Sossega-me, deixa-me repousar
Lenções escarlates, húmidos e quentes
Deixa-me repousar no conforto do teu seio
Reconforto de me saberes teu
Sempre, e só, servo dos teu desejos!

Sírio de Andrade

Fúria da saudade, insónia que te corrói…

Fúria da saudade, insónia que te corrói…

é na abstinência do corpo
nessa ressaca da alma
essa carência que te corrói
que te rouba o sono e os sonhos
essa falta de mim em ti…
apenas porque me amas…
essa falta do toque de midas
o calor das mãos, o perfume do abraço
essa presença que te acalma
sou, na normalidade do que sou
remédio cabal, tratamento eficaz…
há nos beijos prometidos, ainda não dados e não sentidos
uma saudade do hoje, uma vontade do corpo
uma carência de alma, de espírito…
queres-me, todo, totalmente em ti…
porque me faço gente, gememos de contente
sim, eu sou… antes de ser, não te fazia falta
não me sentias, não era em ti vicio…
hoje, mesmo na abstinência que o tempo nos faz
não há desmame, apenas ressaca e dor…
falto-te, faltas-me, nessa confluência dos orgasmos
desse prazer que se oferece, que te ofereço, em troca de nada…
nesta falta de tempo, neste desalinhamento dos astros
fica a saudade, e a dor que nos atravessa o corpo
que nos dobra o espírito…
nesta fúria da saudade, insónia que te corrói…
tremem-te as pernas, faltam-te os meus lábios, a minha língua,
o meu beijo, o meu toque, a totalidade do amor que ofereço…
rezas e oras, que o dia amanheça, e que o encontro aconteça
nessa explosão orgasmica do calor da voz, de um beijo…

Tiago Paixão
02/10/2020
03:10

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