Entre o Sono e o Acordar

Entre um sono e o acordar

A sedução do dia
Cansaço da noite
Paixões do corpo
Desejos da alma
Vida tão aqui ao lado
Segues desamparado
O rumo incerto da horas
Contando minutos para o despertar…

Alberto Cuddel
In: Palavras que circulam – XI
12/09/2016

Apelo

Apelo

O frio e solitário leito me chama,
Clama por companhia…
Na aguda ânsia do descanso…
Que se faz longo o dia,
perde chama o sonho,
do deitar que agora anseio,
por vazio se encontrar,
o leito em que vou deitar…
Na sua memoria,
a tua forma,
o teu calor…

Alberto Cuddel®
03/11/2013

Dormindo e acordando, agora e depois,

Dormindo e acordando, agora e depois,

Talvez sonhando
Cansado, cansado
Desta distância
Tão vazio e tão cheio
Tão certo e tão concreto
Nesta certeza que dói
Neste sentir que mói
Tão perto, tão perto
Ai, bem ai dentro do peito…

Que sejam os dias alvuras
As noites madrugadas
Que sejam meses, semanas
Tão perto, tão certo
Este querer concreto
De viver sempre
Ai, bem ai dentro do peito…

Que se mar, rio que leva
Que seja hoje, amanhã
Beijos nos silêncios
Lábios e risos
Que seja saudade
O sorriso dos olhos
É na verdade
O amor que de ti carrego
No peito certo,
Tão longe, aqui tão perto!

A ti meu amor
Que a vida seja nossa!

Alberto Cuddel
01/10/2018

(Des)ama-te

(Des)ama-te

Seguem o comboio em direcção ao sul
Alma volátil que nos subtrai
Descansemos do sono, dos sonhos
Adormecimento egoísta dos membros
Rasguem-se os pneus, estrada quente
Chuva nas montanhas, rios de musgo
Alma minha natural, corre por campos verdejantes

Ó sorte madrasta que se esvai
A cada batida do musculo da vida
Se por Tróia ledo engano
Também por ambição a pobreza
Perda do tudo que tinha na mão
Já não me passam os anos no rosto
A noite vem, cambaleando a cada sol-posto…

(des)ama-te e vive, como se o amanhã fosse hoje…

Alberto Cuddel

Sono do sonho…

Sono do sonho…

Sabes gostava de adormecer,
Ser levado pela brisa das montanhas
Voar nas costas de um pombo,
Cavalgar livre como um garrano,
Saltitar como um cervo feliz
Nessa liberdade natural,
Vedada por arame farpado…

Gostava de ser coelho,
Perseguido por raposas,
Salvar o grupo em sacrifício
Mas não sabia o que isso era
Esse sacrifício pela perpetuação…

Queria adormecer, como as ervas
Que secas morrem esperando a chuva,
Largando as sementes nos regatos…

Queria-te comigo, mas escolhi
Apenas escolhi, dormir sozinho!

Poemas de insónias
Alberto Cuddel
03/11/2018
C.R.,Portugal

Acordei cedo!

Acordei cedo!

Sim acordei muito cedo,
Um lento despertar,
E fiquei, suspenso no tempo,
Com tempo para apenas te olhar!

Assim dormindo, na calma do sono,
Como um anjo, num sono profundo,
Fico olhando teu sono, velando,
Lembrando a cada dia, cada beijo,
Cada palavra, cada discussão, cada desejo,
Dias e dias de construção do sentir,
Sonhos, vontades, prazeres que estão pior vir!

Acordei cedo, mas por ser cedo,
Deixei-te dormir!

Alberto Cuddel

Dorme,

Dorme,

Repousa e descansa,
Dorme,
Depois de uma noite de luta,
Depois de uma noite de labuta,
Exausta do trabalho,
Da luta do sustento,
Repousa, Dorme…
Aqui estarei, esperando,
O teu acordar,
O teu despertar,
Dorme, descansa,
Sabendo que outra noite virá,
Que o trabalho não acabará,
Dorme, descansa,
Que pacientemente te espero,
Teu acordar,
Teu despertar…

Alberto Cuddel

Velei teu sono,

Velei teu sono,

Vi-te descansar,
Acordaste, comeste
Reuniste, e saíste,
De novo e sempre a trabalhar,
Agora repouso,
Agora espero,
Agora descanso,
Tua chegada,
Para abraçar,
Teu olhar,
Cansada exausta,
Para de novo,
Teu sono, teu descanso, velar!
Descanso, aguardo, espero…
Teu chegar!

Alberto Cuddel

Poema do dia 28/02/2018

Poema do dia 28/02/2018

Preocupações
Nada me preocupa tanto quanto a falta de sono quando devo dormir, sei que o devo fazer mas o sono escapa-me entre os dedos nas letras mortas que penso. Preocupa-me o movimento circular do relógio, que se acelera ferozmente quando durmo, como se não pudesse memorizar os sonhos que sonho e nunca me lembro, passam carros na rua, lá do outro lado da janela, lá onde vivem os outros que leio e penso, e uma natureza que chove e sopra, friamente… Às vezes nada me preocupa, preocupando-me com coisas insignificantes, quantos passos medeiam entre a cama e a porta, nunca os contei, nem entendo a importância de o saber, mas seria interessante contar passos imaginários em vez de carneiros imaginários e irrequietos…
Preocupa-me o sono, essencialmente a falta dele… ainda que tenda de dormir, hoje não me apetece, há coisas que simplesmente não nos apetecem, mas na minha falta de sono apeteces-me…

Alberto Cuddel
28/02/2018
12:00

Sono e a sua ausência

Sono e a sua ausência

Talvez devesse adormecer minh’alma
[mas não quero ou não posso]
Na verdade a sua privação adormece-me
Conscientemente para a vida e o sofrer
Agita-se o vento na memória
Dos perfumes primaveris das flores
E nos sonhos das tuas coxas desnudas…

Esvazio-me na incumbência absoluta
De que a noite nada me dá
E em tudo me conquista e arrebata,
[finalmente fecho os olhos]
Não num arrebate de sono
Mas na visão dantesca
De que em mim, não te tenho
Seja noite ou dia, o sono
Ou a sua ausência
Sempre me condenará
A certeza de que eu existo
No sofrimento da perda diária
De mim mesmo…
Por te ter perdido em mim…

Alberto Cuddel

Duas horas e meia de sono…

Duas horas e meia de sono…

Duas horas e meia de sono
Ou o que restou de um sonho
Entre o dormir e acordar,
E no fim? Levantar,
os gatos não me largam…
Não sei o significado dos sonhos
Sei apenas que me tiraram o sono
Duas horas e meia de sono…
Umas seis depois disso…
Mesmo assim ele não chega
E o cansaço não se apodera…

Penso nos gatos,
Porque teria eu sonhados os gatos,
Porque sonharia com algo?
O cansaço da noite,
Diluiu-se nos sonhos,
Sonhando com gatos…

Alberto Cuddel
22/11/2017
18:20
#Solutampoetica

O sono e voz que me inquieta

O sono e voz que me inquieta

Já adormeci no tempo
No tempo em que espero
No desespero em que adormeço
E a maldita voz que me inquieta
Uma flauta que mói, juízo
Pardacento branco sonolento
Num luzeiro azul fundo
Espera-me o sonho e o futuro
Preso entre as paredes e o muro, medo
Inquieta-me a voz do tempo
Nada me apraz que não seja o sono
E um pensamento vago do Verão
Ribeiros secos sem água que me embale
Lágrimas que se estilhaçam nas vidraças
Nada quero escrupulosamente medido
No tempo mediano da floração
Um qualquer desejo de mulher
Na futilidade e na ordinarice
De ser apenas o que é, Mulher
Com todas as formas que me inquietam
E as vozes doces que me roubam
O inquietante sono
E a triste almofada
Quente…
Onde ainda repouso
A cabeça
Que transporto acima dos ombros…

Existe o sono
E uma voz que me inquieta…
Nos corpos que se querem despidos
No leito onde repousam…

Alberto Cuddel

Poema XXXIV

Poema XXXIV

Embrenhei-me pelo sono
Sonhei o ontem e o depois
Por sonhos correntes
Gestos…. Esses? Ausentes…

Somos felizes sonhando
Mesmo que acordados?

Jamais saberei…
– Ou sequer que alguém saiba…
– Onde existe a realidade
Se nos sonhos, ou numa outra verdade?

Escorrem os dias pelas paredes
As noites pingam nos beirais
Luas que cruzam céus
E sois? Esses que martirizam a pele…
Queimando os sonhos alvos de pura ceda….

– Mesmo assim, não me amedronto
Diante todos os sonhos que ainda não sonhei…

Alberto Cuddel
11/10/2017
14:50

 

 

Poema do dia 17/11/2017

Poema do dia 17/11/2017

Crescem sonos e desejos de cama
cansaço dos dias que cai sobre nós
um sono que nos sobe pelas pernas
que nos rodopia na espinha…

depois há sonos,
de que não queremos acordar,
outros que quando acordarmos
tudo esteja diferente,
mudado, que tudo tenha passado…

outros sonos que nos crescem
onde sonhamos e ficamos ali…
sonhando, sonhando…
não sei se dormindo ou acordando
mas sonhamos…

há sonos que não nos adormecem
que não nos descansam
sonos que nos cansam
nas voltas da cama
e no mundo lá fora…

há sonos que nos engolem…
há sonos que nos devoram…
há sonos que nos despertam…
e outos que nos matam…
mesmo assim sempre haverá sono…

Alberto Cuddel
17/11/2017
12:06

 

Poema do dia 19/10/2017

Poema do dia 19/10/2017

Há noites que passo sem dormir
E outras em que sem dormir
São as paredes que me oprimem…

Quase me esqueço que penso
Sem do pensamento ocupado por ela
E ela? Sem o saber…
Amar não se pensa…
Mas pensa-se, a falta de corpo…

Não sei bem o que penso
Se é que penso em como encontra-la
Quase prefiro não o fazer…
Pensar… pensa-la tira-me o sono
E sem sono, não posso sonha-la…

Deixarei para depois o pensamento
Agora, agora apenas a penso
Em como sonha-la
Esperando que me adormeça
No meu doce intento…

Alberto Cuddel
19/10/2017
14:02
#Poemasdodia

 

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

<span>%d</span> bloggers like this: