Sonho verdades contrafeitas

Sonho verdades contrafeitas

O único problema dos sonhos é que são democráticos
Todos sonham, todos tem um, até alguns que sonham em branco,
E depois chove, chove lá fora ou dentro de cada um,
Uma chuva miudinha, meras poças onde chapinham as crianças
Onde choram as mães pela guerra, ou os pais por causa delas!

Sabes? Às vezes é domingo, mesmo assim acordo
Mesmo que não acredite, este é o dia depois do sétimo
Depois de tudo feito, onde tudo começa por se desfazer
Entre lençóis amarrotados, e a pilha de roupa para passar
Neste sonho onde ainda não acordei, sinto-te
Em votos brancos de uma mão que chega, gélida
Ainda que o sol torre lá fora por volta das dez!

Sonho vales verdes, como verdes são os limos
Que me cobrem os poços e as minas, em águas claras
Sonho juntas de bois, correndo e bailando pelo Minho
Ainda assim está frio, e não te sinto!

Há barulhos na rua vazia de gente
E cães que ladram com fome de quem passa
Há amor e lagrimas, fel pela vidraça,
Está suja, ninguém limpa os olhos da alma
E na alma do lar, faltas-me
Nesta vontade férrea de ainda te sonhar!

Os soldados marcham, e o carteiro sem pressa
Corre, de encontro à segunda-feira!

Alberto Cuddel
06/11/2018
Marvila, Portugal

Arrancado do son(h)o

Arrancado do son(h)o

Quanto burburinho pelo afogamento do homem no sonho
 – Apenas dormia, atribulado o poeta…

Quanta distância entre o sol e a seta
Nesse acordar do demónio da noite
No último poema, do último poeta
Em montanhas verdes e sombrias!

E mastigam-se sementes da transpiração da palavra
Longo é o sonho das musas, acordo e não o lembro
Nessas palavras subterrâneas irão transparecer segredos
Paixões ocultas nos dedos e todos os medos!

Diz-lhe que vieste, acordado esbofeteado
Pela realidade da noite que te adormece
Desperta e ama antes do sol raiar
Faz-te, gesticula a imaginação
Faz-te verso, sê melodia e canção…

E descem do monte amarelo
Farinha, fome e pão
Adormeces no son(h)o
Vives sem qualquer tesão!

Humedece os teus dedos na língua
Quente, apaixonada, ávida
Acorda e muda a página
Acorda e muda a página
Vive agora!

Alberto Cuddel
04/11/2018
Marvila, Portugal

Sono do sonho…

Sono do sonho…

Sabes gostava de adormecer,
Ser levado pela brisa das montanhas
Voar nas costas de um pombo,
Cavalgar livre como um garrano,
Saltitar como um cervo feliz
Nessa liberdade natural,
Vedada por arame farpado…

Gostava de ser coelho,
Perseguido por raposas,
Salvar o grupo em sacrifício
Mas não sabia o que isso era
Esse sacrifício pela perpetuação…

Queria adormecer, como as ervas
Que secas morrem esperando a chuva,
Largando as sementes nos regatos…

Queria-te comigo, mas escolhi
Apenas escolhi, dormir sozinho!

Poemas de insónias
Alberto Cuddel
03/11/2018
C.R.,Portugal

Por entre mentas e canela

Por entre mentas e canela

No roçar de lábios hálito fresco
Maresias enroladas em paus de canela
Ninhos redondos na palma da mão
Vínculos secretos por entre matas de amor
Humidade que te escorre da nascente…

Verbos gemidos contra paredes
Vaso hirtos em folhas de menta
Haste que te cresce nas mãos
Senhora minha de voz puríssima
Gemei baixinho ao meu ouvido
Lábios trémulos garganta cheia
Embriagues do sonho, erguido
Rosto que se prostra aos céus
Grito aprisionado nos lábios cerrados…

Por Deus caído no teu colo
Nas chuvas de amor pleno verão
Por ontem sonhado e desejado
Por hoje adormeceu…

Alberto Cuddel
06/09/2017
03:12

Poema do dia 22/08/2018

Poema do dia 22/08/2018

Insustentável leveza do pensamento
Levado e contorcido ao sabor do vento
Calam-se sonhos nos regatos que correm
Pés lavados na crença que sofrem!

Esvoaçam brilhantes as promessas de beijos fingidos no peito e soltos na alma, como flores adormecidas em prados orvalhados, navegam soltas as nuvens brancas embaladas pelo reflexo das águas que corre distante nos ribeiros dos dias. Na copa das árvores nidificamos, como ninhos que nos abraçam o peito, moramos lá, sem grades, presos um no outro…

Insustentável leveza do pensamento
Levado e contorcido ao sabor do vento
Calam-se sonhos nos regatos que correm
Pés lavados na crença que sofrem!

Embrulhei-me nas cartas e nas letras que te chegavam em sacolas, transportei-me nas frases e versos que arranquei do ventre, gravado a negro em brancas folhas fui o que sou vagueando nos sonhos de ser ave, ser nuvem, possuir-te o espirito livremente entregue sem os contractos dos homens…

Insustentável leveza do pensamento
Levado e contorcido ao sabor do vento
Calam-se sonhos nos regatos que correm
Pés lavados na crença que sofrem!

Embrenhei-me terra adentro, na essência de me fazer nascer, nesses caminhos de fé e esperança, apenas para me fazer florir poema e se colhido… não me quero fazer bolor húmido que come o tempo em folhas amarelecidas e esquecidas na estante, quero se vida, quero ser erva, animal do bosque, e formiga, arrecadar e dar, colher e viver, escrever, declamar ao vento a quem escutar…

Insustentável leveza do pensamento
Levado e contorcido ao sabor do vento
Calam-se sonhos nos regatos que correm
Pés lavados na crença que sofrem!

Grito a cada parto, no pranto de uma rima, da dor nasce o poema, do amor a poesia…

Alberto Cuddel
22/08/2018
09:50

Poema do dia 21/08/2018

Poema do dia 21/08/2018

Eu vou levar-te nas asas do sonho
Correndo caminhos verdes e ramos,
Transpondo montes e vales, subindo,
Voando nas madrugadas e leitos!

Chegou rasgando abobada celeste, absorvendo as estrelas, pintando de azul o arco do céu, nessas assas que te cruzam, pairam e abusam, levam distante o olhar, onde sempre me posso perder e sonhar. Abrem-se portas e janelas do amanhã, dormindo e acordando no já, esperança que renasce da morte do incerto, tu tão longe, desse desejo de te ter por perto, não sonho certo, nem medo incerto, entre vinhedos dourados e espigas de trigo, quero-te na vida, alimento, sempre comigo!

Eu vou levar-te nas asas do sonho
Correndo caminhos verdes e ramos,
Transpondo montes e vales, subindo,
Voando nas madrugadas e leitos!

Que exploda no meu peito o miocárdio, nesta gaiola que me enjaula a vida, procurando palavras e por ti, onde sempre te encontrei, e nunca te perdi… nas noites em que te procurei, nos rostos de ninguém…

Eu vou levar-te nas asas do sonho
Correndo caminhos verdes e ramos,
Transpondo montes e vales, subindo,
Voando nas madrugadas e leitos!

Alberto Cuddel
21/08/2018

Poema do dia 06/08/2018

Poema do dia 06/08/2018

Nessa maçã em que geme “pecado”
Movimento linguístico de prazer
Não em ti mulher, mas na vontade de te ter…

Dispo-me violentamente do ego que me cobre
Mostro-me nu, transparente no desejo que possuo
Quero-me nas palavras que grito,
Nos ditongos e vogais que gemo,
Amor, apenas paixão febril na inquietude…

Que me abracem as tardes, as noites de insónia
Os inaudíveis poemas escritos na mente…
Nos sonhos do luar em ruas estreitas
Vozes que me clamam em janelas abertas
Espero, anuindo em silêncio ao prazer
Que o pecado me trás… e trás…

Esperei, enquanto se espera, sem atitude
Apenas prazer de crescer no tempo que finda
Nesse pecado prazeroso de imaginar o desejo
Fico e procuro, procuro e fico
Delirantemente quente, despido
Nessa maçã que me condena
Nudez da alma que cubro, em palavras…

Procura-me e salva-me de mim…
Cobre-me de ti mesma, morde comigo as noites
As madrugadas, em vestes rasgadas no chão
Paredes que ocultam os olhos de “Deus”…

Morde comigo os desejos e os sonhos…
Sejamos unos na transparência florida
Em odores almiscarados que emanam de nós…

Nessa maçã em que geme “pecado”
Movimento linguístico de prazer
Não em ti mulher, mas na vontade de te ter…

Alberto Cuddel
06/08/2018
16:46

Poema do dia 28/07/2018

Poema do dia 28/07/2018

Duvido e divido o que sei e imagino
Por um lado sou tudo o que sou,
Por outro o que me imagino e esqueço…

Nestes vales agitados pelos ventos
Montanhas altas e trespassáveis
Folhagem agitada pela ilusão
Consumida, fogo ardente do Verão

De uma religiosa forma amo, ventos
E verdes, azuis e cinzas, naturalmente
As nuvens que passam, esvoaçam brancas
Asas que me levam, sonhos que me abraçam!

E corro solto em noites vazias
Cheias de tudo e de nada, palavra
Gemem os espíritos vadios, saudade
Um acordar abraçado pelos lençóis…

Entre o mistério da sombra, rubros olhares
Corpos quentes que se misturam, dia, noite…
Revisitam os mistérios naturais do desejo
Ante o crepúsculo pecaminoso do querer…
Distantes… apenas sombrios…

Duvido certamente da noite
Da carência do ter, em que nada é
O sol apenas aquece, dando vida
Iluminado a alma sombria
No regresso o que lembro, o que me faço…
Amarrotando os sonhos que desfaço…

Duvido e divido o que sei e imagino
Por um lado sou tudo o que sou,
Por outro o que me imagino e esqueço…

Alberto Cuddel
28/07/2018
17:55

Poema do dia 20/07/2018

Poema do dia 20/07/2018

Às vezes penso, numa realidade dura e apaziguadora, do que foi e nunca chegou a ser, ainda que a brisa que me acarinha o rosto, seja mera ilusão, e o mar, nada mais que areia levada pelos ventos dos sonhos. As palavras são gestos, formas, corpos, que se acariciam em leitos perfumados de quartos vazios, com uma volúpia descarada de posse, declamo silêncios… esses que existem entre uma respiração e outra, nos lábios colados ao meu ouvido, braços apertando teu corpo contra o meu, amo esses silêncios… na escuta do teu coração… onde te sonho ali, presente num amanhã…

Fui, sonhei-te até ao fim de mim, sem pestanejar, fui, irrompi em lágrimas de felicidade, por te saber sonhada, nessa exultação de suposições e hipóteses de realidades alternativas por onde viajam as nuvens e os sonhos, sonhei-te na língua e nos beijos, ainda assim, foste minha… ali, naquele momento, naquele sonho onde nos sonhei por fim… Por fim, desvaneceu-se como fumo, aquela visão do mar, a arte de escrever e sonhar, e senti apenas, um leve apertar, o calor de ainda, a tua mão na minha…

Alberto Cuddel
20/07/2018
17:14

Os sonhos, os que morreram e os que mataram

Os sonhos, os que morreram e os que mataram

Mataram os sonhos, os sonhados e todos os outros
Os meus? Já não tenho sonhos, nem esperanças
A vida é uma mera sequência de nadas imperceptíveis
Tudos que se extinguem a cada minuto, a cada momento
– Não, já não tenho sonhos, esperança num amanhã
Já não fantasio com romantismos ou noites escaldantes
Não acredito nos homens, na boa vontade, na bondade
Não creio no bem comum, na vida em paralelo
Na tua felicidade que me trará a minha…
– Qual minha? Se espero apenas o vazio eterno…

Já tive sonhos, desejos, esperanças
Mas foram mortos cobardemente pelos homens
Os mesmos que procuram sonhos, desejos, esperanças
Os que calcam os outros, os que recalcam e destroem
Esse que sonham os seus sonhos, não sabendo, ou sabem
Que na sua perseguição psicótica pela satisfação
Matam, aniquilam, exterminam e esterilizam
Todos os sonhos dos outros….

Já tive sonhos, desejos, esperanças
Mas hoje jazem mortos a negro
Numa branca folha de papel!

Alberto Cuddel
09/07/2017
17:25

Poema do dia 07/07/2018

Poema do dia 07/07/2018

Não cuides de sonhar a realidade, ela julgar-te-á…

O sonhador entrega-se a si mesmo na arte de dormir, os sonhos são conduzidos pelo desejo e pela arte de amar… mesmo que no nosso íntimo a repudiemos…

Sonhei-te vezes sem conta mesmo depois de te ter
Depois de te possuir em mim, de te conhecer
Sonhei-te e sonho-me em ti até ao infinito
Sonhar é em nós revelar o nosso íntimo…

Na arte de adormecer consciências, sonho-me nessa volúpia disforme de te amar em mim, como um colchão de nuvens de algodão onde o azul nos povoa a alma, nesta floresta verde e cinza de ideias onde adormeço sou inconscientemente teu… que me julgue a realidade dos prazeres mundanos e deste desejo absoluto de te querer…

O sonho é libertador,
Nele não existem julgados
Tão pouco condenados
Tudo nos é permitido
O que em nós e consentido
Sem os entraves do tempo
Do corpo ou do mundo…

Basta-nos sonhar,
Nos braços que nos levam a amar…

Alberto Cuddel
0707/2018
10:55

Poema do dia 06/07/2018

Poema do dia 06/07/2018

“Tenho sonhado muito. Estou cansado de ter sonhado, mas não cansado do sonhar…”

Tenho amado muito, mas não me canso de amar, amar é dar, e dar é em mim, o dom de me receber pela doação dos outros…

Amo tudo o que de mim dou…
Para que te possa amar a ti no que recebo…

Olhei demoradamente o teu dormir
Sorrindo, imaginei-te a sorrir
Nestes dias sem tempo, acordando
Entre um dormir e o sonho…

Atiro-me para uma rua vazia, que nunca me leva a lugar algum, nem mesmo esse parapeito alto da janela fechada, em aros verdes e vidros transplantastes, que ocultam o azul do teu olhar. Nitidamente os passos dados nunca significam nada, no sonho, nem a queda do precipício deste pesadelo sem fim que é a vida… ainda que as nuvens me amparem, por entre beijos salgados por lagrimas de amor, já mais se apagaram as velas que ardem iluminando as noites, em perfumes de canela e maça…

Neste tempo quase tão irreal quanto o sonho, nada é, que não o façamos…

Olhei demoradamente a porta de casa,
Estava fechada, implorando que a abrisse…
Ainda que o sonho de amar, seja tão real quanto ela…
Lá dentro moram todos os beijos, e todos os sonhos…

Alberto Cuddel
06/07/2018
15:00

Poema do dia 05/07/2018

Poema do dia 05/07/2018

Abrem-se todas as portas para que o vento passe as janelas,
A minha alma vazia de tudo, folhas soltas para que se encha…

Esperei que se entardecesse no chão
Para que a lua se erguesse,
De olhar posto na estrelas,
Viajo pelos sonhos, em maré cheia
Vela enchida de barlavento…

Na música que me enche os ouvidos
Viajo nas cordas do piano…
Para longe, em asas de sonho e gaivota…
Entre o sopro das monções
E a chuva miudinha do Verão…

Abrem-se todas as portas
Para que o vento passe as janelas,
Lavando a alma, para que se encha…

Alberto Cuddel
05/07/2018
12:04

Sonho corrido!

Sonho corrido!

Poesia,
Gritos ecoam por entre neurónios entorpecidos,
Dormentes do cansaço, as palavras que rodopiam,
Doem mastigadas, impeditivas do repouso, do dormir,
Reescrevo vezes sem conta todos versos já escritos!

Palavras,
Seguem compassadas numa absoluta perfeição,
Nascem, uma após outra e seguem a sucessão,
Formando orações, frases, versos, poemas intermináveis!

Amor,
Combustível que me move, na vontade de seguir,
Elo inabalável da vontade de permanecer na união,
Na total comunhão da alma, compreensão dos corpos,
Fio condutor da linha da vida, partilhada na imortalização,
Das palavras decididas, assumidas no desejo uno!

Queda,
Solidão momentânea na tristeza que inunda o ser,
Imobilidade, sem desejo, querer ou vontade,
De se mover psicologicamente para longe do abismo,
Curiosidade mórbida de entender a mecânica
Do passo em direcção ao nada!

Fuga,
Corrida a passos largos sem sair do lugar,
Escondendo fino desejo de parado ficar,
Tudo roda em tua inquieta permanência,
Apenas o sonho te leva para longe deste lugar!

Sonho,
Ai o sonho,
Se sonho durmo,
Se durmo descanso,
Se descanso posso parar,
Se paro para quê mais pensar,
Se não penso para quê mais escrever,
Intermináveis versos sem sentido, num sonho agora tido!

Alberto Cuddel

 

Poema do dia 29/04/2018

Poema do dia 29/04/2018

Todas as minhas horas são feitas de vento
De portas que batem e janelas que se abrem
Fecham-se rimas, para que liberte o pensamento
Voando solto por divãs brancos onde divago e divirjo…

Divirjo das árvores que morrem de pé
Das andorinhas que fogem à primeira chuva
Percorro o caminho maldito mesmo na tempestade
Ainda que me aninhe no teu decote na bonança…

Há um tédio nas perguntas que fito
Nas respostas que não digo de tão conhecidas
Cruzam-se as mãos geladas sobe o peito
Coração empedrado e morto de ser amado…

Há tão poucos dispostos amar o que não viram
Não há imaginação para sonhar a beleza
Usam violentamente as mãos causando dor
Onde só deveria haver prazer… forçam amor
Esse que nunca souberam ter… ou fazer…

Nos momentos de meditação sobre mim,
O que me inquietou, perturbando as noites
Não tive nunca a certeza, nem a tenho ainda,
De que essa disposição do temperamento
Não pudesse um dia descer-me ao corpo
Levado pela vontade de sonhar a realidade
Canto de outras paragens, belas e voluntariosas
Deusas Gregas. Romanas, Amazonas…

Abrem-se e fecham-se sonhos, realidade inventadas
Paixões do nada, marés que sobem e descem
Lua cheia, ciclo feminino perfeito, fértil
Como férteis são os campos arados
Palavras do poeta que apaixonam descuidos…

Não hesito em sonhar o impossível
Banhar-me de sol na meia-noite
Ler livros que nunca foram editados
Fazer amor em ilhas desertas…
Não abdico da loucura da existência
Da consciência lúdica e mirabolante
De ser poeta, de ser poesia, viva
Vivendo ela em mim, como posso
Eu conscientemente morrer?

Alberto Cuddel
29/04/2018
02:02

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: