Ama-me antes que chegue…

Ama-me antes que chegue…

ama-me antes que chegue, enquanto me pensas
enquanto te desnudas de cada peça,
enquanto sentes a água escorrer no corpo…
ama-me no roçar da toalha na pele quente…
ama-me enquanto me esperas, enquanto te vestes…

quando eu chegar, por favor não me ames…

fode-me como se o mundo acabasse ali…
enquanto a minha boca te percorre o corpo
te sobre pelas coxas… enquanto me bloqueias entre as tuas pernas…
não me ames… fode-me…

e logo depois do teu orgasmo…
enquanto a pele te ferve,
e todo o nosso mel te escorre pelas coxas…
e sim ama-me… e amar-te-ei… para sempre…

Tiago Paixão…
22/09/2021

Nesse querer que se faz em ti…

Nesse querer que se faz em ti…

Quero-me nesse olhar que me fita
Nesses rubros lábios que me desejam
Nesse beijo quente que me devora
Nessa pele que me chama…

Quero-te nas quentes palavras,
No abraço onde te prendo
Na tua pele contra a minha…

Quero beijar-te a boca, os lábios, a língua,
Quero beijar-te os seios, senti-los
Sentir-te nos dedos, sentir na língua a tua pele
Quero-te… quero a minha cabeça entre as tuas coxas
Meus lábios nos teus,
A minha língua conquistando a loucura…
Quero-te minha onde for…
Desde que seja por amor…
Por essa vontade de paixão
Por esse querer e tesão…

Que nos importa o mundo
E tudo o que é certo ou errado
Nesse segredo do pasmo
Queremos o prazer, o orgasmo…
Esse desejo de nos termos
Onde quisermos… por nós mesmos…

Tiago Paixão
07/09/2021

afúriadapaixão

Na saudade do tempo em que te tenho

Na saudade do tempo em que te tenho

No despertar eléctrico de todas as sinapses,
O tremor e o desejo que me trespassa o corpo
Mãos preguiçosas que se movem pela roupa
Apartando os cabelos e os sonhos húmidos
Nesses momentos de sonho, onde me vejo
Existimos em nós mesmos pelo sentir da alma
Que se faz dor no corpo pela abstinência…

Cavalguem do nascer do sol todas as amazonas
Trote confusos de cascos, onde estas tu?
Que me manténs acordado,
Que me despertas na noite,
Que me fazes desejado,
A quem me entrego, nesta ausência
Seja a noite, curta, longa, ausente, distante

Fantasio realidades inatingíveis
Sonho beijos tangíveis afagando-me o corpo
Aplacando-me a sede e a fome de ti…
Quero-te, sonho-te em mim
Em delírios escondidos na alma
Querer que nem a imaginação acalma
Na força do toque, na dor que me trespassa
E a saudade do trote…
Cavalgando madrugadas
Fazendo do meu querer o teu…
Emprestando-te as mãos, que percorreram meu corpo…

Mata-me apenas outra vez
Esta saudade que me queima
Mata-me apenas outra vez
Esta fome de prazer…
Percorre todo o meu corpo nu
Toda a minha alma despida

Sejamos carne e prazer…
Amemo-nos a cada madrugada
Dispamo-nos de pudores
E fodamos… até que os nossos corpos caiam extenuados
Na loucura de gemer em uníssono
Essa eléctrica descarga que nos percorre o ventre…
Na saudade do tempo em que te tenho
Apenas te quero, de novo…

Tiago Paixão
11:03 31/03/2021

Afúriadasaudade

Não é receio, mas saudade…

Não é receio, mas saudade…

fossem as palavras vitórias de Deus
fossem as palavras gestos livres de pudor
em gritos longos de paixão sem julgamento
voem livres as rimas e no chão as vestes
que a loucura faça sonhar os poetas…

não. não é medo ou receio da loucura dos orgasmos
mas há quantos dias não me fodes a alma
há quantos dias não me incendeias o espirito com tesão
com essa vontade férrea de te amarrar e de te possuir as ideias?
de te foder loucamente a vontade de conversarmos toda a noite?
quantos orgasmos ritmados perdemos sem olhar as estrelas?

quero-te, desejo-te…
vestida de mim e despida de preconceitos
quero-te de língua afiada, sem medos
sem receios, na pronuncia de tudo, dos pequenos nadas…
deixa que te falem as mãos e o corpo
que te incendeie o espírito na loucura do saber…
ama-me, penetra-me com as tuas certezas
fode-me a alma, depois, talvez depois
façamos amor, ou quem sabe
possamos foder até à loucura de nos doerem os corpos…

não é receio, mas saudade…
desses loucos preliminares inventados por Deus
a que chamam palavra, som, ritmo, gemido, poema…

Tiago Paixão
02:35 02/09/2021

Afúriadasaudade

Nunca foi apenas o sexo, mas esse orgasmo chamado amor…

Nunca foi apenas o sexo, mas esse orgasmo chamado amor…

Quero-te o corpo… essa dormência do cio…
Quero o teu desejo a tua volúpia
Mas quero-te depois, depois do orgasmo
Depois de te entregares onde eu me entrego
Antes de seres minha, onde eu fui teu por inteiro…

Deseja-me apenas… ajoelha-te e espera-me
Não a subserviência humana de entrega
Mas na humanidade póstuma de ser teu
Nessa loucura de me amares até ao ejacular
Até à perversão dê me fazeres apenas teu…

Deixa-me ser eterno em ti… amemo-nos
E Fodamos até ao amanhecer…
Nessa loucura de me encontrar…
Nesse virtude de me perder. ..
E ser apenas homem… em ti…

Tiago Paixão
07:30 20/09/2021

afúriadapaixão

Reflexão porque eles também pensam e sentem…

Reflexão porque eles também pensam e sentem…

Incomoda-me o silêncio dos Homens

Não o nego ou negarei, sou poeta ou escrevente de sonhos, de sentires, de paixões vontades e desejos, incomoda-me o silêncio dos homens, muitos(as) se levantarão agora, “mas os homens comentam poesia”, verdade, cobertos de razão os homens comentam poesia produzida ou ficcionada pelo feminino, quando a imagem da autora é atraente, principalmente se escreve sobre: amor, paixão, carência, sexo, sedução. Experimentem falar de: pobreza, assedio, violência domestica, guerra, descriminação, escrever no masculino… não é mais uma cronica avulsa, como sabem, tenho vários heterónimos, o que me permite ter e ver o mundo com um olhar mais vasto, Joana Vala é um desses heterónimos, deu para compreender esse mundo dos caçadores e predadores silenciosos que se movimentam no silêncio. A cada poema, choviam mensagens privadas dos vários tipos, raros eram os que se mostravam na página, a maioria caçadores incultos e mal-formados, poucos são os que teriam a mínima hipótese de uma relação mesmo que experimental. Mas não lancem já os foguetes, se existem homens, existe o reverso, mulheres que fazem de tudo para caçar um homem, para isso existiu o Tiago Paixão, e enquanto a página esteve aberta a mensagens existiu de tudo até nudez integrais, sem que nada tenha sido exigido ou solicitado.
Depois de tudo isto porque digo quê, me incomoda o silêncio dos homens?
Simples, quando falo em: Amor, fidelidade, certezas, assédio, violência, apenas as mulheres se manifestam, os homens esses, mesmo os poucos poetas “honestos” remetem-se ao silêncio conveniente de não serem catalogados como, tradicionalistas, retrógrados, mentirosos, convictos, extremistas… sempre muito politicamente correctos e de bem com todos, como se pudessem agradar a Deus e ao demónio… se repararem sejam Homens ou Mulheres, existem meia dúzia deles com o estado civil declarado, dirão, mas isso cabe a cada um, no seu direito constitucional da privacidade, e tem toda a razão, mas é revelador do que procuram… um reconhecimento ilusório e enganador… não me incomoda que partam, que vão, que falem na surdina…

“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”
Martin Luther King
Alberto Cuddel
11/05/2018
13:45

Dizem-me de olhos laços de paixão, sexo não é amor… 

Dizem-me de olhos laços de paixão, sexo não é amor… 

Dizem-me de olhos laços de paixão, sexo não é amor, que amor é: Responsabilidade, respeito, disciplina, fidelidade, persistência e dedicação… e eu concordo, amor nada tem a ver com carinho, com romantismo, com reciprocidade, com afectividade…  

Os pais amam os filhos e fodem-nos, com castigos, com limitações, com imposições (responsabilidade, respeito, disciplina), fodemos os amigos não lhe dando o que desejam, contrariando-os, não confirmando os seus desejos, apenas porque é melhor para ele (Responsabilidade, respeito, disciplina, fidelidade, persistência e dedicação) ou seja sexo só com os meus inimigos… carinho e romantismo fica para quem? Pois o carinho e o romantismo é contrário à disciplina, contrário à responsabilidade… nestas características tão imponentes ao amor não há espaço à espontaneidade, ao acto de dar, de conquistar ou surpreender. É totalmente irresponsável gastar dinheiro num ramo de flores, numa lingerie para surpreender o companheiro. O respeito é inimigo dos jogos de sedução, pois um sim é respeitado e também o não: “Dás-me um beijo? – Não” e nunca mais na vida se beijaram. O “Não” foi respeitado. Mas dizem: mas devia insistir, mas a insistência não é em si uma falta de respeito, então o não vale ou não vale, o não também é sim? Onde está o limite? Porque não nos relacionamos com objectividade, com clareza, sem jogos linguísticos.  

Depois de divagar sobre vários pensamentos, sim o sexo cabe no amor, o amor não é um jogo de trocas, mas de entrega, o amor basta-se, quando se ama, todas as outras características como: responsabilidade, respeito, disciplina, fidelidade, persistência e dedicação, deixam de fazer sentido, pois todas descendem desse acto maior que é amar… e se a isso podermos juntar o prazer, óptimo…  

Fazer amor, é doar-se ao outro, dar prazer ao outro, sexo é almo maior, é a partilha conjunta do prazer sem tabus ou entraves…  

Dizem-me de olhos laços de paixão, sexo não é amor… e eu concordo… 

A de Alberto Sousa 

14/06/2021 

19:00 

Revolta-me

Revolta-me

Revolta-me todo esse pudor em volta do sexo, dos sentimentos, das falácias da sedução… Não é a sedução um chorrilho de mentiras apenas para dar tesão?

Revolta-me esse desejo envergonhado tantas vezes camuflando no feminino, tantas vezes julgado por uma sociedade matriarcal que apenas deseja prazer entre as pernas e tem vergonha de o ter?

Revolta-me o julgamento das mulheres para com as mulheres que têm a liberdade de sentir, de desejar, de pedir, de implorar, de querer ser e existir como mulher plena, na vida, no trabalho, na família, no prazer…

Revolta-me que não f0dam como que o mundo acabasse no orgasmo… E vivem apenas no marasmo de não se sentirem amadas, realizadas, plenas e concretizadas…

Revolta-me a educação que as mães dão as filhas, aos filhos, que não os eduquem como iguais, na responsabilidade da ação, dos gestos, dos sentimentos, dos desejos, que as condenem quando descobrem o corpo, que não lhe passem conhecimento…

Revolta-me a mentira da escolha… Não é o homem que “pega”, não é o homem que escolhe, é a fêmea que aceita o macho… Não é o homem que convida, é a mulher que se faz convidada… Não é o homem que excita é a mulher que se permite ser estimulada…

Revolta-me este pudor mesquinho da nudez, se todo o ser humano nasce nu… E nasce de uma f0da…

Revolta-me as relações de posse os ciúmes doentios… O és minha ou meu… Isso não tem lógica de ser mantido… Não falo em promiscuidade, mas na responsabilidade de escolha, do querer, na vontade de ser…

Revolta-me… Sinto-me revoltado ao saber, que nada mudou, e muito pouco posso fazer…

Tiago Paixão

Tenho ganas de te foder todos os dias e também de noite…

Tenho ganas de te foder todos os dias e também de noite…

quero-te, é impossível não querer, amo-te, mas tenho vontade de te foder…
quero sentir-te, beber-te, quero-te sentir na língua…

não nessa consciência assoberbada do meu prazer
mas na virtude de te fazer contorcer a cada orgasmo
quero imiscuir o meu cérebro entre as tuas coxas
sentir na língua as tuas doces palavras gemidas na alma

que a cada metáfora fechemos os olhos
nesse movimento louco das águas
sejamos perpetuação das marés
cadencia, liberdade, eternidade feminina
libertemo-nos da opressão contida pelos trapos
soltemos os corpos ao prazer, sejamos alma…
liberta comigo a libido em laivos de poesia
empresta-me os teus lábios, abraça-me os versos
sejamos poetas do prazer, gemidos loucos
que se firmem as hipérboles e as antíteses
movimentos opostos em prefeito sincronismo…

sejamos de dia, de noite, ali, depois, agora ou já
fodamos… façamos amor com a alma…
amarremos os corpos em nós perfeitos
a alma em laços rubros, e descansemos depois…
abraça-me… comuniquemos com as mãos…
e fodamos de novo, outra vez, como sempre uma primeira vez…

a vida escorre-nos dos dedos sem tempo…
aproveitemos a loucura do tesão que nos é oferecido por Deus…
deixemos que os anjos cantem… a loucura de amar…
e depois… fodamos novamente…
sem pudor de ser prazer, orgasmo… gente…

Tiago Paixão
08:30 19/09/2021

Afúriadasaudade

Na saudade do tempo que tenho, há apenas o tempo que espero…

Na saudade do tempo que tenho, há apenas o tempo que espero…

Na solidão que nos damos, silêncio
Apenas duas respirações cortadas por um beijo
Suave, quente, que te nasce na nuca
Um morder de lábios, aprisionando o desejo…
Esse sonho de ontem que amanhã espero…

As horas também são feitas de saudade
Mas na verdade, em pranto espero
Que amor não são palavras, mas gestos
Que fazer amor são cadilhos pequenos
E sexo, nada mais é que confirmar no corpo
A exultação maior da dádiva e orgasmo
Da união que gravamos na alma!…

Penetro-te profundamente a alma
Sem que me vejas,
Sem me encontres nos versos,
Consumação do desejo…
Nos espaços vazios dos versos e dedos…
Entre sonhos e desejos, entre silêncios e beijos…

Que se toquem os nossos olhares
Que te adentrem no teu corpo
Sem licença, sem contemplações
Todas as palavras, todo o tesão…
Provoco-te, deliciosamente
Provocação de me provocares…
Fiel ao desejo oculto no querer…
Não vejo, vendo o movimento
Das palavras que crescem em ti…

E espero… que os corpos se unam…
Nesse fulgor que a paixão imprime
Não importa o lugar, a hora
Apenas nós… apenas tu, apenas eu…
E este querer que nos condena…

Tiago Paixão
18:05 28/05/2021

Afúriadasaudade

Na saudade do tempo em que te tenho

Na saudade do tempo em que te tenho

No despertar eléctrico de todas as sinapses,
O tremor e o desejo que me trespassa o corpo
Mãos preguiçosas que se movem pela roupa
Apartando os cabelos e os sonhos húmidos
Nesses momentos de sonho, onde me vejo
Existimos em nós mesmos pelo sentir da alma
Que se faz dor no corpo pela abstinência…

Cavalguem do nascer do sol todas as amazonas
Trote confusos de cascos, onde estas tu?
Que me manténs acordado,
Que me despertas na noite,
Que me fazes desejado,
A quem me entrego, nesta ausência
Seja a noite, curta, longa, ausente, distante

Fantasio realidades inatingíveis
Sonho beijos tangíveis afagando-me o corpo
Aplacando-me a sede e a fome de ti…
Quero-te, sonho-te em mim
Em delírios escondidos na alma
Querer que nem a imaginação acalma
Na força do toque, na dor que me trespassa
E a saudade do trote…
Cavalgando madrugadas
Fazendo do meu querer o teu…
Emprestando-te as mãos, que percorreram meu corpo…

Mata-me apenas outra vez
Esta saudade que me queima
Mata-me apenas outra vez
Esta fome de prazer…
Percorre todo o meu corpo nu
Toda a minha alma despida

Sejamos carne e prazer…
Amemo-nos a cada madrugada
Dispamo-nos de pudores
E fodamos… até que os nossos corpos caiam extenuados
Na loucura de gemer em uníssono
Essa eléctrica descarga que nos percorre o ventre…
Na saudade do tempo em que te tenho
Apenas te quero, de novo…

Tiago Paixão
11:03 31/03/2021

Afúriadasaudade

Amor

“Deixa que o teu corpo vazio
Se preencha com o perfume do meu corpo!”

Noites
vadias
insanas
saudosamente
amputadas
do orgásmico
espasmo
do amor
inconsequente
feito
em nós
habita-me
distanciadamente
no imaginário
da tua
doce presença
concilia-me
no desejo
profundo
do reencontro
almejado
no corpo
na alma
com que
nós
apenas
nós nos
amamos!

Alberto Cuddel

Poética XIII

Poética XIII

Há na noite vadia,
Pronuncio de sede
A leveza das palavras
E esse querer livre que nos consome…
Há copos partilhados
Segredos bebidos nos lábios
Voltas nocturnas nas dunas
E bronzeados de lua…
Esse tesão consumido
Querer gravado nos silêncios
E vírgulas em contramão.
Contra-ordenações da interpretação
Orgasmos nas exclamações
E comboio que passam
Sem a noção real das rimas
Caldeira cheia de carvão…
Pouca terra, pouca terra
Água que nos enche a caldeira
Mel bebido nos lábios
Em prece oração fálica
Bebes segredos da poética
E entre autores, ética…
Ninguém mama da inspiração
Apenas beija os seios
Do amago da significância…
Entre as eloquências da aparência
És… de Prada despida mulher
Rubro batom nos lábios
Verniz encarnado, nas faces de quem lê…
Assim é o orgasmo poético
Bebido lentamente
Em copos de poemas…
Engarrafados no tempo
Em que o poeta sadino
Com escarnio e bem-dizente
Cantava os orgasmos da corte…
Em resposta e contra-resposta
Que o ignorante nos pague a conta
Deste poema grosso
Que nos enche a boca…

Alberto Cuddel
22/03/2021 15:30
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XLVII
Poema resposta a Cristina Pinheiro / @asas da Cris

“Cabaré”

Gosto da noite vadia
Ostenta luxo e fantasia…
Sinto em mim odor sexo. ainda quente…
Excitante rotina de prazer!
Sou menina vestindo oiro
Talvez Prada ou Gucci talvez!
Me reinvento dia a dia
Neste alegórico trilho
Que preenche a minha vida…
Desfilando pelo baile
Oiço risos de engate
Derivam estes por vezes
Do Grant’s já embebido
De um coração desesperado…
Sim, gosto que olhes para mim
E me chames para ti…
Mas presta atenção… tem coragem
Olha-me nos olhos da verdade
Ouve o bater do coração…
Somos dois seres tão iguais!
Lembra-te que um dia eu também fui criança
Talvez criada no Nada…
Quedas mais quedas eu dei
Fiquei desenformada do que um dia talvez fui…
Tantas vezes o odor do vício desprezível me agoniza
E então vomito estas sequelas vividas…
De mim fujo!
Transformando-me então naquela boneca vestida de Prada preenchida d’um nada…

Cristina Pinheiro

Foto de João Gomez photography

Poética VI – Escrita a duas mãos

Poética VI

rasgam-se os céus santificados pelos orgasmos poéticos
contorcem-se os anjos nas catacumbas a cada metáfora
as ninfas dançam na sedução hirta e máscula do pecado
finge tão completamente o poeta que chega a ser real
o sexo fingido que realmente pratica sentindo que não

e vive o que sente e se assume supremo divino
as deusas pagãs com rimas vermelhas seduzem os santos
que loucos, ardentes, sedentos lhes bebem o mel
num mar que intenso ulula se entregam nas ondas
fazendo até das sereias e ninfas, tocarem-se soltas
livres e audazes aos olhos vidrados de homens cobardes
que apontam os dedos, condenam impunes
e escondem o sexo, castigam com dor a paixão da carne…

rasgam e apartam o mar dos sonhos, azuis e verdes
nos espinhos rosados aplacam a dor de uma alma velha
nos lençóis de linho o odor do pecado, esse prazeroso declamar
imiscuem-se os lábios pelos ósculos irresistíveis do silêncio
fundem-se gozando os poetas e os versos, os dedos
que digitalmente criam prazer, escrevem fontes de vida…

palavras suadas, frenéticos corpos, canetas que gemem
escrevem nos mantos de ouro e púrpura dor
o prazer que alucina e dá fogo à alma, sem fôlego
desenterram-se amores, evocam temores
inventam sabores, exsudam odores, tremores
poetas e musas, elfos e ninfas, deusas e astros
num orgasmo profundo, orgia sonora de rimas…

e eu, e tu, e a escrita que nos cresce nos dedos
e todos os deuses e deusas, e a musas que nos elevam
nobre sadino sem pejo nas palavras, patrono dos orgasmos
inventemos segredos escondidos à vista de todos
e todo o conhecimento que desconsolados desconhecem
boatos, beatos, beatas e línguas de trapos
somos poesia, ditongos e consoantes, livros e folhas em branco
silêncio selado em segredo nos lábios….

Alberto Cuddel
Ruth Collaço

04/03/2021 21:58
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XLI

Fazer amor ou não…

Porque a verdade é apenas como ela se sente.

Eu para fazer amor vou as putas e pago, com a mulher que amo fodo intensamente até ela delirar no orgasmo, pois não acho correcto que uma mulher represente para um macho sem ser paga!

Tiago Paixão

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