Que tempo é este?

Que tempo é este?

Que tempo é este em que acordas do sono?
Em que voas acordado em sonhos negros
No trespasse gelado nas águas da alma?
Morrerias se voltasses, se acordasses do sono…
Queria voltar a ser criança, apenas criança
Sem o saber de hoje, sem o falso amor dos grandes
Apenas queria ser pequeno, com pequenos sonhos…

Os significados dos dias em mares salgados do olhar
Só comparavelmente ao abraço do teu sorriso
Esse que me lanças no cruzamento das mãos
Sob lençóis quentes e húmidos, entre beijos de licor
Nesse tempo quero ser quem sou, ainda que seja
Tudo o que perdi, corremos atrás do tempo que já não temos…
Mas que juramos conquistar a cada minuto…

Que tempo este sem dias de memória, sem história
Na espera pelo tempo que tudo traga e tudo faça
E sabes, tudo depende do sim ao tempo
Enquanto ainda digo não, ainda digo espera-me…

E mesmo assim sonho o tempo todo
Com o tempo, que será apenas nosso
Sem pressa que a noite chegue, que o dia acorde
Que a saudade morra, sim, não quero ser criança
Quero ser quem sou e quem me fazes ser…

Alberto Cuddel
11/01/2019

Relógio, o congelador do tempo

Relógio, o congelador do tempo

Contamos o tempo mediano
Entre uma chegada, uma partida
O tempo que falta, um fim do ano
O tempo antes da despedida!

Esse milagre da chegada da madrugada
Bebendo silêncios por entre os lábios
Na chuva que teima em cair do céu
Que milagre é a noite em que és amada?

Damos o tempo que não temos
Pelo tempo que recebemos
Roubando à noite o dia, esperança,
Dando ao dia, a noite, confiança!

No tempo que eternizamos,
Congelamos olhares, abraços
Entre os ponteiros do relógio
Correm distâncias sem pressa,
Memórias gravadas no sempre
Entre as estrelas que nos espreitam…

E fico, e parto, levo-te comigo
Deixando-me livre, solto
Em ti, na escolha própria
Que de mim faço…
Congelando o tempo mediano
Entre um ficar e um partir
Sinto, saudade do sentir!

Alberto Cuddel
20/11/2018
Marvila, Portugal

Poema do dia 31/03/2018

Poema do dia 31/03/2018

Reparto o tempo
Porções desiguais
Tempo partido
Sem tempo para mais…

Escorre em ladeiras de musgo verde,
Ensaia-se o sol na colina, gerando vida
Arrastam-se almas cansadas do Inverno
Um inferno repartido pelo tempo…

Vi-te chegar, rosado, cansado de nascer
Cansado de um tempo cheio sem nada
Longe fez-se vida e madrugada, a lua?
Fingida que nada ilumina, gera poemas…

Seguem os navios sulcando águas,
Apartando as vitórias, dos feridos
Guerras que se travam a cada dia
Entre a alegria da chegada, partida!

Reparte-se o tempo em fatias
A que sente sem obrigações
A que se perde nas ilusões
A real fria vivendo nos dias…

Reparto o tempo
Pelo tempo partido
Para que seja inteiro…

Alberto Cuddel
31/03/2018
15:17

Poema XV

Poema XV

Rodam rodas redondas
Tic, tac, tic, tac…

Tempo, cru e nu
Veste-me as lágrimas
As que caem e as que calo…
Silêncio velado na ilusão
Sonhos? Nos que adormeço
Esperança de um acordar…

Tempo, redonda medida
Veste de branco, verde
Dourado e cinza
Ardem-me os dedos
Pernas cansadas
Duro caminho
Vozes desprezadas…

Engordam-me as pedras atiradas
Olhares de soslaio atirados ao desdém
Ombro amigo? Mão? Ninguém…
Arrastam-me as horas, as que perco
As outras perdidas que perco…

Rodam rodas redondas
Tic, tac, tic, tac…

Alberto Cuddel
27/09/2017
22:00

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: