Lilases como as rosas

Lilases como as rosas

houve um tempo em que os homens eram feitos de espinhos
em que as sementes nasciam-lhes das mãos, e a terra era fértil!

nos caules que se erguiam até ao tronco
corria a seiva da vida e o suor escorria
a vida mastigava-se à brilhante luz do sol
e o tempo marcava o compasso da existência…

depois esperou, olhou, caçou a herança do sangue
rasgou-lhe as carnes e o ventre, perpetuação…

matou pela posse, pelo prazer de ter
o desejo mata, destrói… moveu montanhas
revolveu entranhas, terras e mares
por esse adjectivado sentir: -amor
prazer a procriação…

lilases como as rosas, na finitude do querer
detalhe inalcançável, querer o que não pode domar…

revelou-se o poder, o jugo que pende sob o animal
esse desejo carnal que o faz bicho…
a mulher, escrava, aprende, a domar a fera
a subjugar o mal, que lhe nasce do ventre…

lilases como as rosas, há homens
que hoje, não matam,
já há homens que hoje, amam…

Alberto Cuddel
08/12/2020
10:40
Poética da demência assíncrona…

Poema do dia 07/02/2018

Poema do dia 07/02/2018

nem no tempo redondo
te encontro nas esquinas esquecidas

nunca há dinheiro
nem do limpo ou sujo que pague ou compre

nos miosótis azuis que sonhas
olhando o tecto, nada te afasta da podridão e asco…

que fosse redondo o tempo
cada dia de novo, com novos sonhos e esperanças

homens mansos e rectos
não se passeiam na rua, não compram, não se ofertam…

as noites sucedem-se
uma após outra, o mesmo nojo, por uma sobrevivência…

Alberto Cuddel
07/02/2018
0:15

Poema do dia 16/12/2017

Poema do dia 16/12/2017

Ensaios poéticos caídos no grito
Por entre janelas fechadas
Morrem segredos de cama
Leitos de mel, fel das horas de solidão
Peso da vida que carregas em cada mão!

Companheira das horas de prazer
E tu, quem te alivia o sofrer?
Que se acerca das tuas lágrimas de sal
Caídas na alma entre sorrisos do mundo?

Rogas amor, imploras,
Ainda que muitos te amem
Nenhum efectivamente tem,
Quem nunca se entrega!

Doem-te os ecos da voz
Por entre soluços em leito vazio…
 Por troca de prazer
  Nada és, nada sou…
Pedaço de carne, suporte de uma alma sofrida!

Alberto Cuddel
16/12/2017
15:28

Poema do dia 15/12/2017

Poema do dia 15/12/2017

Cercai-me doutores e doutos literários
Que não me acerquem as venéreas, prazeres
Limpas sejam as mãos e os corpos que atacais
Nesta rua escura que subo olhando paredes altas
De olhos postos no chão, pernas e outras despidas…

Que assim seja a nobre poética do querer
Sentida na alma e por prazer
Verdade, mentira, quem ira saber
Se do poeta não há forma, ou outro viver…

Cercai-me e condenai-me doutos literários
Os meus versos não vos visam ou assombram
Sou poeta do mundo, das putas, das ruas…
Sou poeta da vida, e a vida se fez em mim poesia!…

Alberto Cuddel
15/12/2017
21:15

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