As chaves da saudade

Desafiado por Ruth Collaço a escrever sobre uma imagem

As chaves da saudade

entre promessas e desejos de uma paixão crente
há essa impossibilidade de distância a percorrer
não daqui a aí… mas a distância do sonho à realidade…

há esse movimento circular de rodar, de contornar o corpo
esse querer consciente de beijo, de te desnudar a alma
como viagem persecutória ao combustível do desejo…
será a viagem da vida essa loucura de sonhar o orgasmo?

entre chaves e portas, entre promessas e desejos
sonho-te liquidamente em mim, como a viagem
em que ao plano físico atrelamos os sonhos
desejo e saudade, do que será, depois de ter sido…

entre promessas e desejos, carregamos o sonho…

Tiago Paixão
19:46 19/01/2021
a fúria da saudade

Com a gentil autorização de:
https://www.facebook.com/joaogomezphotography

Promessas e desejos…

Desafiado por Ruth Collaço a escrever sobre uma imagem

Promessas e desejos…

há nas chaves dos desejos uma promessa de sonho
esse querer acordar noutro tempo e noutro lugar…

há um caminho de realidade a percorrer
não sonhar, não criticar, não idealizar…
mas um caminho de ficar, de esperar,
um caminho a cumprir, a prevenir…

de que me valem os sonhos se o amanhã não existir
de que me valem os desejos de beijos se não houver a quem beijar…

não basta criticar… mas sim também fechar a porta…

Alberto Cuddel
19/01/2021 18:08
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XIV

Com a gentil autorização de:
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Prometo

Prometo

Prometo fazer de cada noite manhã
de cada manhã o nosso dia
Prometo fazer subir e descer marés
acabar em cada entardecer com a monotonia!

Prometo ser poema
ser página em branco
Prometo sem ti ser pena
onde escrevemos novo plano!

Correm prometidas as águas
dos rios em direcção ao mar…

Prometo amada…
não amor, não fachada
mas um caminhar de mão dada!

Prometo quebrar todas as promessas
se a promessa for quebrada…

ainda assim prometo
ser teu, a cada madrugada!

Alberto Cuddel

Poema IV

Poema IV

“o beijo da ressurreição por oposição ao nascente”

a poente espalham-se as nuvens soltas
espalhando as cores que o céu contem
aquando do parto de um nascer do dia!

há um vasto sossego no silêncio
nesses pássaros que morreram e não cantam
não há paixões na Primavera,
a morte reina no peito deste lado do Trancão…

cobardemente fico-me, como se não pudesse partir
ali, bem ali ao alcance dos dedos a felicidade
essa que aporta e desagua guiada pelo farol que ainda não sigo…

há casas brancas que olho, varandas para onde sorriu
nesse cinzento dos dias há arco-íris no teu olhar
esse que me mostras ao chagar, e eu? que não chego…

sou como alguém que procura distraidamente o que já encontrou
(como sei, como sabes que te amo? se fujo a esse cotidiano dos dias)
há uma ressurreição latente no beijo que me espera a poente,
mesmo que o dia comece quando a noite se põe….

Alberto Cuddel
24/02/2018
14:10
#osuaveaconchegodopoema

Poema do dia 29/04/2018

Poema do dia 29/04/2018

Todas as minhas horas são feitas de vento
De portas que batem e janelas que se abrem
Fecham-se rimas, para que liberte o pensamento
Voando solto por divãs brancos onde divago e divirjo…

Divirjo das árvores que morrem de pé
Das andorinhas que fogem à primeira chuva
Percorro o caminho maldito mesmo na tempestade
Ainda que me aninhe no teu decote na bonança…

Há um tédio nas perguntas que fito
Nas respostas que não digo de tão conhecidas
Cruzam-se as mãos geladas sobe o peito
Coração empedrado e morto de ser amado…

Há tão poucos dispostos amar o que não viram
Não há imaginação para sonhar a beleza
Usam violentamente as mãos causando dor
Onde só deveria haver prazer… forçam amor
Esse que nunca souberam ter… ou fazer…

Nos momentos de meditação sobre mim,
O que me inquietou, perturbando as noites
Não tive nunca a certeza, nem a tenho ainda,
De que essa disposição do temperamento
Não pudesse um dia descer-me ao corpo
Levado pela vontade de sonhar a realidade
Canto de outras paragens, belas e voluntariosas
Deusas Gregas. Romanas, Amazonas…

Abrem-se e fecham-se sonhos, realidade inventadas
Paixões do nada, marés que sobem e descem
Lua cheia, ciclo feminino perfeito, fértil
Como férteis são os campos arados
Palavras do poeta que apaixonam descuidos…

Não hesito em sonhar o impossível
Banhar-me de sol na meia-noite
Ler livros que nunca foram editados
Fazer amor em ilhas desertas…
Não abdico da loucura da existência
Da consciência lúdica e mirabolante
De ser poeta, de ser poesia, viva
Vivendo ela em mim, como posso
Eu conscientemente morrer?

Alberto Cuddel
29/04/2018
02:02

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