Adormeço

Adormeço

Adormeço meu corpo, sol de Inverno
Espraio-me caído areia branca
Marés que me embalam os sonhos
Mar roncando, rugindo aflito
Novas de longe, corpos boiando
Inertes sem vida, da guerra fugindo
Nuvens que passam, passando em mim
Caio deitado, ficando à espera
Que tu ou eu, ou mesmo ninguém
Perguntando me erga, no mundo
Que hoje ainda me espera!

Alberto Cuddel®
17/12/2015

Vamos à praia

Vamos à praia

Levei-a comigo à praia,
Ao luar, para que saia,
Levei-a comigo à praia
Segurei-a para que não caia!

Sob um luar que não invejo,
Longe do leito, longe de casa,
Arrebatei-a para mim no beijo,
Voou em mim num golpe de asa!

Areia molhada brando ninho
Brilhando à luz como jardim,
Subi por ela bem devagarinho,
Novo beijo arrebatou de mim!

No tudo que me ofereço,
Por nada já a arrefeço,
Prazer numa noite de verão
Não é só paixão, é tesão!

Assim no calor do momento
Corpos apenas o movimento
Mar de gemidos, muita paixão
Assim acaba o nosso S. João!

Alberto Cuddel

Poema do dia 01/05/2018

Poema do dia 01/05/2018

Ensaios trabalhados na elipse das palavras
Rodopiando em curvas imaginárias de um caminho recto
Na meta, apenas o sonho ilusório de ter chegado…
Como destino a felicidade perdida ao ser encontrada…
Felicidade, um caminho sem finalidade…

Percorro as páginas brancas de um passado sem memória
Pés descalços, martirizados pelas pedras e espinhos,
Pelas rampas, pelas quedas, pelas curvas…
Passo a passo, letra a letra, sem destino final…

Segredos que se contam em silêncio
Gravados n’areia sob o luar da lua cheia
Sobem e descem marés, promessas sonhadas
Sob os meus pés, nunca nas mãos realizadas!

Correm jovens nas brisas do mar do sul
As gaivotas sob as ondas pairam e escutam
O mar? – Na cadência das ondas não regressa
Parte, distante, depois de uma noite que o esqueça!

Nos ensaios que o querer me dá
Nada espero de hoje,
Nada espero de um amanhã…
Quanta memória cabe num livro?
Escondido numa estante e nunca lido?

Alberto Cuddel
01/05/2018
16:40

Poema do dia 31/01/2018

Poema do dia 31/01/2018

Nesta praia onde nos fundimos com os grãos de areia
Na percepção infinita da eternidade, permeável
Onde nos funde o amor em rochas frágeis e vida
Em suspiros longos ao luar das noites, secas…
Nesta praia onde existimos um no outro como únicos
Peixes na água deste leito macio que se anuncia…

Longe existem os dias e as horas cinzentas de Inverno
Saudades do tempo que abandonamos à sua sorte
Que me reste o debater aflito da ansiedade de ar
Na tua presença apenas respiro nos teus beijos
Neles morro e renasço, nas fantasias de ser apenas eu
Um sonho desejado e sonhado apenas a dois…

Alberto Cuddel
31/01/2018
17:50

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