Não sou por não existir

Não sou por não existir

crendices poéticas, bebendo palavras,
rimas quebradas, plágios, ditas por ti,
vês, pelos meus olhos, os que os teus apenas imaginaram,
adjectivos, imagens transcritas, sentimentos 
finjo ver, escutar teu mundo
agarrar, aprisionar em mim
o som das marés, o abafado
caminhar dos teus pés…

não, não sou diferente
finjo poeticamente, ouvir-te
no bater de asas de um morcego
ver-te no brilho quase apagado
de uma estrela no firmamento…

não sou poeta, não sou ninguém,
escondo-me, por detrás das palavras,
nas entrelinhas, nas vogais, 
por detrás de um ódio, figadal
à luz, que me abrasa, que me queima
que me entorpece os dedos,
que me faz ser, 
quem não quero revelar,
por apenas querer,
continuar a ser,
palavra,
nada mais!

Sírio Andrade
 13 de Agosto de 2015

Esperança…

Esperança…

nessa esperança que espera, ante o tempo que passa
os dias que desconta do sonho por cumprir
e os passos dados em calçada gasta… há essa virtude…
esperança…

não há muito que mais faça, além de uma inglória espera conformada
aparte isso… passa o tempo que corre, com pressa de um depois
mesmo que o depois apenas seja a morte do sonho
num fim anunciado que não foi aceite no tempo que me restava…

e morre a esperança sem se cumprir…

Alberto Sousa
01/05/2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Moça feita mulher

Moça feita mulher

Pé ante pé, assim caminha segura, entre as flores do jardim,
Na imponência da sua juventude, lago de águas cristalinas,
Moça feita mulher, por entre serenas e verdes ervas,
Rosto resplandecente, na tua cândida e terna inocência,
Embriagada no perfume luxuriante do florido jardim.

Reina o equilíbrio e perfeição, brisa ligeira nos cabelos,
Quadro perfeito, esperas, como quem espera descobrir,
A embriagues de uma paixão, movimento de águas claras,
Ondas sincronizadas, como pedra caída no lago,
Denso corpo virginal, no olhar cândido e arrebatado!

Corpo trémulo, quente e fervilhante, escondes em ti,
Promessa fulgurante, a amorosa moça, mulher feliz,
Há noite sonhas, palavras que te circulam no palato,
Os perfumes floridos, doces, dão lugar, se transformam,
Na avidez do másculo toque que teu corpo anseia!

Alberto Cuddel
17/08/2015

Revivo

Revivo

Revivo nas voltas e voltas
De um torto ponteiro que me faz viver
Revivo na lembrança presente
Que não me deixa esquecer
Revivo presentes passados futuros
Revivo desejos insanos e impuros
Revalido o meu querer no reflexo
Que me imponho ao me ver
Revivo na entrega que faço
No amor com que me entrego
A mim no tempo e no espaço
Revivo em mim para me dar
Na luz da alma que emano
Sou eu que me dou não é engano
Nada me possui nada me tem
Pois eu apenas vivo
Porque hoje novamente me dei!..

Alberto Cuddel®
08/10/2015

O tédio das coisas simples

O tédio das coisas simples

às vezes quando olho a vida, escondo-me por detrás da sombra
por uma aversão às coisas inertes, que estão ali, porque sim

às vezes, quando ergo a cabeça estonteada dos livros que leio
coisas inventadas e a ausência de vida própria,
sinto uma náusea física, que pode ser de me curvar,
ao erguer os olhos a uma luz falsamente adquirida
mas que transcende os números e realidade…
e vejo-me em viagens ao submundo da existência
ali, onde tudo é real e possível… onde podemos matar
onde podemos fazer nascer, onde nos podemos apaixonar…

a vida desgosta-me como um remédio inútil,
e é então que eu sinto com visões claras
como seria fácil o afastamento deste tédio
se eu tivesse a simples força de o querer
de possuir em mim a garra de deveras me afastar

já pensei emigrar para um livro em branco
e construí-lo com palavras novas por inventar
desenhar montanhas submersas de desejo
e rios secos de angústia… quem sabe escrever um massacre global
ou então não escrever nada, e simplesmente permitir-me
sonhar e sentir tudo, como uma primeira vez…
mas depois invade-me essa inercia da acção
esse tédio de olhar o mundo e ficar quieto…
cheio de ideias, mas imóvel…
apenas invadido pelo tédio,
olho, apenas olho, sem falar nada…
uma cadeira tem quatro longas pernas
e as minhas apenas duas doem-me…

Alberto Cuddel
06/10/2021
19:00
Alma nova, poema esquecido – XXXVIII

Tenho ganas de te foder todos os dias e também de noite…

Tenho ganas de te foder todos os dias e também de noite…

quero-te, é impossível não querer, amo-te, mas tenho vontade de te foder…
quero sentir-te, beber-te, quero-te sentir na língua…

não nessa consciência assoberbada do meu prazer
mas na virtude de te fazer contorcer a cada orgasmo
quero imiscuir o meu cérebro entre as tuas coxas
sentir na língua as tuas doces palavras gemidas na alma

que a cada metáfora fechemos os olhos
nesse movimento louco das águas
sejamos perpetuação das marés
cadencia, liberdade, eternidade feminina
libertemo-nos da opressão contida pelos trapos
soltemos os corpos ao prazer, sejamos alma…
liberta comigo a libido em laivos de poesia
empresta-me os teus lábios, abraça-me os versos
sejamos poetas do prazer, gemidos loucos
que se firmem as hipérboles e as antíteses
movimentos opostos em prefeito sincronismo…

sejamos de dia, de noite, ali, depois, agora ou já
fodamos… façamos amor com a alma…
amarremos os corpos em nós perfeitos
a alma em laços rubros, e descansemos depois…
abraça-me… comuniquemos com as mãos…
e fodamos de novo, outra vez, como sempre uma primeira vez…

a vida escorre-nos dos dedos sem tempo…
aproveitemos a loucura do tesão que nos é oferecido por Deus…
deixemos que os anjos cantem… a loucura de amar…
e depois… fodamos novamente…
sem pudor de ser prazer, orgasmo… gente…

Tiago Paixão
08:30 19/09/2021

Afúriadasaudade

Raiva da memória que me atraiçoa

Raiva da memória que me atraiçoa

esse suave gosto como o do exílio,
em que sentimos o orgulho do desterro
esbater-nos em volúpia incerta a vaga
inquietação de estar longe, ali, mesmo ao lado
de mão dada…

não há perda no reencontro
na certeza absoluta deque o reencontro é a confirmação da perda
essa consciência absurda de que chove apenas por assim ter de ser
e cresce o que é natural, e as perdas são apenas consequências
de uma culpa partilhada, sem que os gestos se unam em conciliação…

há na raiva da memória que me atraiçoa, uma evidencia
o mar é… e eu não poderei ser, ou seca-lo…
o resto é uma consequência da sabedoria
da inacção do coração…
eramos tão felizes na ignorância…

o meu mundo sentido foi sempre o único mundo verdadeiro para mim.
nunca tive amores tão reais, tão cheios de sangue e de vida
como os que tive quando senti o que eu próprio criei.
que pena! tenho saudades deles, porque, como os outros, passam…
não que tenha deixado de sentir, sinto mais do que o consigo fingir
mas tenho saudades de ser e de existir… porque sou…
E nos gestos que minto, sou tudo o que de verdadeiro sinto…
Eu… existência física e material do mar de palavras, eu poeta…

Alberto Cuddel
02/09/2021
02:00
Alma nova, poema esquecido – XXX

Aleatoriamente versos

Aleatoriamente versos

nessa alarvidade de se fazer noite, suicida-se o dia
o vento quente do deserto curva as canas, mas não as quebra
a vida escorre pela goela como um copo de absinto gélido…
onde te perdi? nesse azul esquecido dos gestos?
nessa inconstância dos orgasmos pelo corpo empobrecido
nessa liquidificação das horas que não existem?
não há impressibilidades que me arranque do chão,
mas rasteiram-me tantas vezes contra ele…
o destino morre-me nas intenções,
nessa vontade de correr, mas chorar na dor da vontade…

(…)
fugia-me a cidade dos pés… os leitos que me chamavam
jazem hoje desfeitos e amarelecidos pela saudade…
a rua esta cheia… cheia de gente que fala, fala… mas não escuta
o “outro”, aquele que esta ali, um mero desconhecido… alguém que veio
que vai, que estará, mas depois parte pela manhã, sem um nome…

eu? eu já não tenho medo, a esperança?
via passar o dia, no passeio contrário
de óculos escuros e cabeça baixa… já não me iludo…
espera-me esse destino que faço…
sento-me, deito-me, espero que passe…

(…)
a minha vida haveria de ser só isso: a interrogação do depois…
depois do vento, depois da chuva, depois do sol
depois da morte, depois do adormecer, depois do viver
depois do casar, depois da separação, depois de escrever porque não?
mas infelizmente faço, não sei porque o faço, mas faço-o sem pensar
porque tem de ser, e assim é, uma vida sem significado da ação…

se as coisas fossem e o sol nascesse
eu esperaria o despontar da erva
o nascimento dos malmequeres
depois, depois pensava as nuvens e os sonhos
e talvez, nessa mera consequência do pensamento
pensasse a existência, e encontrasse o amor…
porque ele é, assim indefinido, apenas sentido e visto…

Alberto Cuddel
07/08/2021
20:30
Alma nova, poema esquecido – XIX

Dor da alma inquieta que há de partir…

Dor da alma inquieta que há de partir…

os meus passos soam no passeio
como um dobre ridículo a finados,
um ruído de espanto que nos acorda a noite
como uma gaiola ou uma janela.

separo-me de mim e vejo que sou
não que existo, mas que apenas sou
pela eloquência do estar vivo.

morreu quem eu nunca fui.
esqueceu a deus quem eu havia de ser.
da minha necessária morte
ninguém se lembra, não há coisa alguma a recordar
apenas era, antes de ser e de estar.

hoje ninguém sabe de onde vim
-nem mesmo eu…
apenas sei que pela palavra me fiz
entre o bolor dos livros, e as palavras dos antigos
obriguei-me a nascer poeta, antes de uma outra coisa qualquer
por isso fiz-me morrer, para nascer assim…

amante idiota das palavras por inventar…
-noivo de um livro por escrever…
viúvo de uma língua que se martiriza
por vergonha das almas velhas…

Alberto Cuddel
13/06/2021
03:00
Alma nova, poema esquecido – V

Alma rasgada pelos espinhos da vida

Alma rasgada pelos espinhos da vida

cravei a fogo em lapide inclusa
rip aqui jaz um poeta sem versos…

esperei como quem espera o tempo que basta
como se o amanhã fosse agora e já não houvesse segredos
as árvores agitavam-se adivinhando o futuro
e partiam as andorinhas… as cegonhas, ai as cegonhas
e as garças e os patos… todos partiam…
e eu? e tu… ficamos ali, indiferentes ao passado que mudou
a um presente que não existe, a um futuro perdido…

e calaram-se os versos…
teceram uma coroa com os silêncios
e coroaram-no de espinhos…
as palavras trespassavam-lhe a carne
as metáforas, queimavam-lhe a pele
e as ironias e hipérboles secavam-lhe a garganta…
pelas três da tarde, chegaram-lhe à boca um poema,
a custo declamou um verso e expirou…

a biblioteca adormeceu, rasgada ao meio
entre a dor da perda, e a certeza de viver nela tudo o que sobra…
a palavra ressuscitou o poeta…

Alberto Cuddel
11/06/2021
03:00
Alma nova, poema esquecido – III

Ondulação metódica do caos que é o ser

Ondulação metódica do caos que é o ser

eu vou amar-te, para que me perca
ainda que me encontre, nas tuas palavras…

e os degraus eram três
depois dos dois que antes estavam sujos
e eu descei-os, deixei-os para trás
lá onde a infância morre…

eu vou amar-te, para que me perca
ainda que te encontre, nas minhas palavras…

ecoava o cravo na nave vazia
esse ferir das cordas como quem mata
estridentes e lancinantes notas sem rosto…

e eu, eu tu, ali diante do altar…
a minha mão na tua, e pusemo-nos andar
a cidade vazia, o cheiro de morte no ar
não há vida para la porta, para lá do chão…

eu vou amar-te, para que me perca
ainda que me encontre, nas minhas palavras…

tantos de nós, de vós fechados em conchas
túlipas que secam em campos murados
sem palavras que nos alimente a alma
em raízes voláteis e secas de conhecimento…

eu vou amar-te, para que me perca
ainda que te encontre, nas minhas palavras…

começa a haver noite e frescura,
em vozes que aparecem daqui e dali,
e vales e montes, e mãos e pés que caminham…
trovões e bombos…
músicas do tempo de agora,
de ontem que se lembram…

eu vou amar-te, para que me perca
ainda que me encontre, nas tuas palavras…

As paredes oprimem e aquecem,
fecham ideias em janelas abertas,
o mundo entra dentro do quarto, da sala, mas prendem-me o corpo…
neste intervalo de tudo o que sonho e escrevo,
perco-me procurando-me entre as brumas que não chegam e nevoeiros,
meras recordações turvas dos copos
que tilintavam entre gargalhadas e brindes…
eu vou amar-te, para que me perca
ainda que te encontre, nas minhas palavras…

“Amores entre aromas de café”*
a vontade de o dizer de pé,
de o gritar, poemas de amor, ridículos, como ridículas as cartas…
nesta vontade de escrever silêncios, calo-me e fico, apenas fico…
nessas pedras empilhadas, o sino que chama
nesses rumos longínquos do tempo que passa
a lua vem… não arrefece, não aquece, não chega ninguém…

e eu?

Eu vou amar-te…
para que me perca
ainda que me encontre,
nas tuas palavras,
que levemente atiras na despedida
“amo-te ainda que não o saibas…”

Alberto Cuddel
02/04/2021 4:44
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha LII
*Livro de Tomé Nicolau

Poética XIV

Poética XIV

hirtos mastros erguem orgulhosamente bandeiras…
onde vos mora a pátria?
no chão? na voz?
no coração, na alma humana?

sou filho das gentes com quem me cruzei
filho do mundo e da língua que falo
enteado adoptado pela terra onde vivo
herdeiro das palavras já escritas
filho bastardo da literatura marginal

filhos dos mestres que me ensinaram
e de ti, madrasta filosofia que me ensinaste a pensar
e de ti alucinado poeta que me obrigaste a descobrir-te…

filho da rima e do ritmo do fado,
do vira do Minho e do volta a virar…
sou filho das gentes, não do lugar…
é nesta pátria língua que nos conhecemos
não na poeira dos pés, não nas pedras do monte…

quem somos e quem nos fez…
como viemos, onde estamos
pouco importa… apenas sei
que me entendem…
e ser humano é partilhar o que se sabe…
com outros que nos compreendem…
isso é ser… existir…
o resto…
bem o resto é apenas naturalmente natureza…

Alberto Cuddel
26/03/2021 15:15
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XLVIII

Esta dor de já não saber quem sou…

Esta dor de já não saber quem sou…

doí-me saber que amas, mas és doente…
doí-me saber que me queres, mas eu sou…

que me importa saber que me amas, se não me deixas viver
esse ciúme, esse medo inseguro de não me deixares voar…
eu tenho vontades e quereres, tenho personalidade
porque não posso ter amigas? diz-me, se a ti escolhi…
diz-me porque não posso ter conversas privadas?
porque me segues e controlas? diz-me qual é o teu medo?
que te troque? que não te ame? se tudo o que fazes me dói…

não, disse tantas vezes não…
e tu? achas que são as tuas tolas ameaças que me impedem de te trair?
o medo de que cumpras com o teu suicídio? o medo de que me deixes?
não, nada disso, apenas quero ser eu… apenas eu, a mulher por quem te apaixonaste…

esta dor de já não saber quem sou…
porquê… se os filhos são nossos, apenas doei o ventre…
mas tu és a mãe, porquê desta dor que me corrói a alma?
és doente… esse teu ciúme, mata-me aos poucos
eu quero ser mulher, livre na minha individualidade
se estou contigo, se estou contigo, é por amor
por livre vontade, não por medo ou controlo
não por chantagem doentia, não pelos filhos
mas por querer, por me amar em ti…
não me violes mais a individualidade
a privacidade… ou amando-me
abandonar-te-ei, para que te cures pela abstinência doentia
pela solidão que te irei impor…
ama-me livremente… e amar-te-ei eternamente…

poeticamortem

@Suicídio poético
10/01/2021
07:50

A violência não é apenas física, a dor não é apenas física, a violência não é apenas máscula, não é apenas hétero… a violência nasce dos distúrbios de personalidade, na insegurança do amor próprio, da falta de reconhecimento da liberdade do outro… saibamos a cada momento reconhecer, combater, denunciar e condenar todo o tipo de violência contra a pessoa humana!

Vida aprisionada na liberdade de ontem

Vida aprisionada na liberdade de ontem

teria sido apenas ontem que nos amamos livremente
sem o julgamento dos olhares e o sol sob as cabeças
na partilha do fruto da videira espezinhado pelo homem
sem máscaras ali, diante do mundo, sem a cor que nos condena…

saudades dessa vida libertina de nos encontramos na rua
– seriamos nós, apenas nós, sem os medos à porta do hospital…

Liberdade, saudade dessa liberdade de escolha
De estar, de ficar, de olhar a luz do dia ao teu lado

Hoje nesta vida aprisionada na liberdade de ontem
Somos nós, escondidos e confinados do mundo

Mas hoje livremente escolhemo-nos, sem medos
Sem medo do julgamento estampado no rosto
De todos aqueles a quem a vida roubou a inocência…

Alberto Cuddel
26/01/2021 22:56
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XIX

Foto cedida por :
João Gomez photography

Vestes que despes contra a parede do tempo…

Vestes que despes contra a parede do tempo…

nas paredes amarelecidas pelo tempo
as vestes que despes de uma alma nua
estendes marcos aos olhares do mundo
condenam-te as vistas que passam
pelas molas podres e o gasto da roupa…

corres pela rua acima, em portas e janelas fechadas
rotos que espreitam por detrás das cortinas
gente com medo da rua, com medo da vida
e estendes ao mundo as línguas de trapos
a bocas imundas de palavras porcas…

estendes ao sol
as vestes que despes contra a parede do tempo
em alma lavada corada ao tempo…
e esperas… que o tempo te seque…
calcorreando o empedrado da rua…
aprisionado entre paredes gastas…

Alberto Cuddel
21/01/2021 15:10
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XVI

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