Solidão do léxico que me acompanha…

Solidão do léxico que me acompanha…

Não sei o que mais virá em mim revolver a conjugação verbal que calo… essa concomitância do sentir tão irritantemente absurdo na busca pelo novo, quando o velho nada tem a oferecer, e fico… já não me apetece dar os passos que devo dar, não me apetece mudar, mudar dói, crescer dói, aprender dói… para que ser, se tudo aos teus olhos se resume a esse absurdo tão familiar e natural do ter… e eu tenho, e posso ter tudo…

Ergo-me atónico da mesa do café, como se nunca me houvesse ali sentado cansado de olhar o mundo, e tu passas por ali como um desafio ou a tentações de Cristo, e eu? Finjo em mim que te resisto, não pelas formas do corpo, mas pelo desafio do espírito, tu fêmea, dona e senhora do mundo, na tua certeza multitarefas sabes, como sempre soubeste que podes por tu criar toda a humanidade. Isso revolta-me, o facto de me saber apenas escolhido, sem a mínima hipótese de ser eu dono do meu destino…

Em mim foi sempre menor a intensidade das sensações que a intensidade da consciência delas. Sofri sempre mais com a consciência de estar sofrendo que com o sofrimento de que tinha consciência. A vida das minhas emoções mudou-se, de origem, para as saias do pensamento, e vivi sempre mais amplamente o conhecimento emotivo da vida, como se procurasse nesse corpo e na descoberta do prazer nas sinapses neuróticas a razão humana do sofrimento da criação. E Deus criou-te, eu nasci de ti Mulher, solidão do universo que me acompanha… quero-te porque de ti descendo, para te absorver em mim nesse sentir complexo de tudo sentir…

António Alberto Teixeira Sousa
In: Sonho perigoso de um futuro que pode acabar…

Essa infelicidade de ser feliz

Essa infelicidade de ser feliz

“Esse ter uma flor ali ao pé da mão e não a colher
Para que não viole a beleza da planta indefesa…”

há no espírito concreto de ser uma impossibilidade do ter
esse desejo tão pecaminosamente humano
essa vontade férrea de ser vento,
de ser ribeiro serpenteando as pedras,
de estar parado e ainda assim ter tempo,
e procuramos esse desejo férreo nas cátedras,
e sentamo-nos na beira da estrada com uma arma ao lado
choramos a má sorte, o desejo que morre entre a vida e a morte
escrevemos longas despedidas num perdão pessoal em papel pardo
de olhar lavado e rosto molhado
erguemos a mão aos céus…

tínhamos tudo, temos tudo, e mesmo assim não somos absolutamente nada…
e nessa infelicidade de sermos felizes arrastamo-nos pela vida
entre copos de uma qualquer bebida
matando-nos aos poucos, na busca do esquecimento…

procuro nos rostos a simpatia da minha confirmação
uma fé que perdi, um rumo que esqueci
vivendo já sonhos que nunca sonhei
por a vida em mim ser já um duríssimo pesadelo insuportável…

essa infelicidade de ser feliz
para que não tenhas pena de quem já viveu…

Alberto Sousa
02-06-2022
Poemas de nada que se perdem na calçada

Fantasmas!

Fantasmas!

Reescrevo sem longas considerações,
Angústias veladas, perdidas no tempo,
Aninhado em mim, querendo partir,
Escuros lugares de onde quero fugir!

Há trevas que me envolvem, fantasmas,
Desoladores pensamentos, pesadelos,
Triste passado, sempre e sempre recordado,
Na fuga quero, sair de mim e esquecê-los!

Há vontade de mim que me consome,
Recolhe em mim no interior o sofrimento,
Que a ti nada te turbe, neste feliz momento!

Quero dar, sem sair, extrair o negro ser,
Triste e enfadonho, frio e calculista,
Que a capa exterior recolhe cá dentro!

Sou, sem ser, o que vês e não crês!

Sírio Andrade
26/01/2015

Ode absoluta ao Amor

Ode absoluta ao amor

Seja o amor finito nas horas do dia,
Seja o amor infinito na saudade da noite,
Seja eu movido a desejos de beijos no regresso a casa,
Seja eu ardente e carente das viagens no teu corpo!

Viajo nos ditongos orais com que me vergas
Nas sílabas de um diálogo lido no olhar
O que importa?
A oração ou a nossa oralidade?
Viajas confusamente em lençóis de cetim
Se nas artes do conhecimento [foras ontem sonho]
Hoje navego descobrindo
A cada recanto do teu querer
Novos mundos onde a cada dia nos perdemos
[só assim nos encontramos, fora de uma monotonia]
Desumanamente, o tempo condena-nos à saudosa
Ausência de permanência desejada
Verdadeiramente almejada pelas almas que se desejam!

Por onde correm os livres ribeiros do desejo?
Não pelos corpos profanamente pecaminosos,
Mas na virtualidade do sentir pleno e decidido,
Somos braços que se abraçam no corpo maior
Vontade congregada e testemunhada por Deus!

Diziam-me os arautos da desgraça, profetas da inveja
Quanta delonga poeta em explanar o amor conjugal
Onde mora o teu efémero sentir, ou algo está mal?

Oh mundo que tudo condenas,
Não levas de mim maledicências
Se o mundo em tudo que nos atenta
Pelos brilhos da felicidade instantânea
Também é o mundo que nos exalta
A contrariar as vossas ciências,
Vivendo na felicidade apenas!

Os minutos em que verdadeiramente amo
São horas nos dias de solidão a que me condenais
Os segundos fixos no olhar,
São a esperança de a cada dia regressar,
Os arrufos, querelas e desentendimentos
São o adubo em terreno fértil
Ao diálogo consumado na paz que nos damos!

Se o amor, esse sentir decidido explanado nos beijos
Por muitos considerado capricho em desuso
É por nós consumado nos dias e noites longas
Também por Deus edificado nas noites escuras
Em que a saudade habita o lugar vazio a meu lado!

Doce temperança das manhãs claras
Aurora que desabrocha nos meus olhos
Abraço intemporal de um corpo cansado
Perfume de uma pele tatuada na minha
O amor é prova irrefutável dos dias
Sangue nosso que habitará o amanhã…

Alberto Cuddel
01:02
06/12/2016

Confiança

A escuridão que envolve por inteiro o meu ser,
O silêncio preenche todo o teu espaço vazio,
Quebrado pelo som dos finos saltos de agulha,
Que firmes pisam o soalho de carvalho polido,
No firme, sensual, decidido e compassado andar,
Com que me torturas na ausência e privação do sentir!
Aqui na profunda angustia da imobilidade,
Não vejo, não toco, não sinto, apenas o som,
Saltos pisando o soalho, deténs-te no silêncio,
Tua respiração profunda, quente em minha nuca,
Aceleração, o profuso desejo do toque, ânsia,
Silêncio estilhaçado, por um som, um único som,
Conhecido, desejado, almejado, inconfundível,
E o calor, a pele queimando, fervente sangue,
E voltas, martelando o meu querer, um após outro,
Nos compassados passos, de teus saltos no soalho!
Privação opulenta dos sentidos, aflorando o floreado
Sentir do toque, despertando cada poro, cada pelo,
Assanhando o desejo de estar em ti, na sintonia
Idealizada do movimento perfeito apenas pelo querer!
No silêncio nem uma palavra, uma imagem, um querer,
Apenas vontade, som, desejo, fervilhante tortura,
Sou teu, conhecimento, confiança, sem medos
Entregue à tua absoluta vontade de Amar!


Alberto Cuddel
27/02/2015

Não é receio, mas saudade…

Não é receio, mas saudade…

fossem as palavras vitórias de Deus
fossem as palavras gestos livres de pudor
em gritos longos de paixão sem julgamento
voem livres as rimas e no chão as vestes
que a loucura faça sonhar os poetas…

não. não é medo ou receio da loucura dos orgasmos
mas há quantos dias não me fodes a alma
há quantos dias não me incendeias o espirito com tesão
com essa vontade férrea de te amarrar e de te possuir as ideias?
de te foder loucamente a vontade de conversarmos toda a noite?
quantos orgasmos ritmados perdemos sem olhar as estrelas?

quero-te, desejo-te…
vestida de mim e despida de preconceitos
quero-te de língua afiada, sem medos
sem receios, na pronuncia de tudo, dos pequenos nadas…
deixa que te falem as mãos e o corpo
que te incendeie o espírito na loucura do saber…
ama-me, penetra-me com as tuas certezas
fode-me a alma, depois, talvez depois
façamos amor, ou quem sabe
possamos foder até à loucura de nos doerem os corpos…

não é receio, mas saudade…
desses loucos preliminares inventados por Deus
a que chamam palavra, som, ritmo, gemido, poema…

Tiago Paixão
02:35 02/09/2021

Afúriadasaudade

Nunca foi apenas o sexo, mas esse orgasmo chamado amor…

Nunca foi apenas o sexo, mas esse orgasmo chamado amor…

Quero-te o corpo… essa dormência do cio…
Quero o teu desejo a tua volúpia
Mas quero-te depois, depois do orgasmo
Depois de te entregares onde eu me entrego
Antes de seres minha, onde eu fui teu por inteiro…

Deseja-me apenas… ajoelha-te e espera-me
Não a subserviência humana de entrega
Mas na humanidade póstuma de ser teu
Nessa loucura de me amares até ao ejacular
Até à perversão dê me fazeres apenas teu…

Deixa-me ser eterno em ti… amemo-nos
E Fodamos até ao amanhecer…
Nessa loucura de me encontrar…
Nesse virtude de me perder. ..
E ser apenas homem… em ti…

Tiago Paixão
07:30 20/09/2021

afúriadapaixão

Terra e as 4 estações!

Terra e as 4 estações!

Vi-te partir no raiar da aurora,
Vi-te chegar no equinócio de Outono,
Vi-te descer dourando o hemisfério norte,
Vi-te crescer pintando o hemisfério sul,
Vejo-te viva, envergonhada, oscilando,
Temendo, rodopiando em volta do sol,
Agarrando os reias raios, aquecendo,
Derretendo o teu coração de Inverno,
Derretendo os gelos, as neves, água,
Vida que te escorre pelas entranhas,
Vejo os frutos maduros caindo do céu,
As folhas douradas, levadas no vento,
As migrações, aves povoam os ares,
Ninhos, flores, cheiros, sabores,
Peixes que cruzam oceanos, correntes,
Marés, vida, pulsar, onde o calor arrefece,
Geminam, despontam, onde o frio aquece,
Neste imenso frenesim, segues rodando,
Oscilando, ao teu ritmo, quase impercebível,
Nas horas, nos dias, nos meses, danças,
Envergonhada, namoras o sol!…
Oscilando, florindo, pintando de dourado,
Prolongando ou reduzindo o alvo branco…

Alberto Cuddel
24/09/2015

Tenho ganas de te foder todos os dias e também de noite…

Tenho ganas de te foder todos os dias e também de noite…

quero-te, é impossível não querer, amo-te, mas tenho vontade de te foder…
quero sentir-te, beber-te, quero-te sentir na língua…

não nessa consciência assoberbada do meu prazer
mas na virtude de te fazer contorcer a cada orgasmo
quero imiscuir o meu cérebro entre as tuas coxas
sentir na língua as tuas doces palavras gemidas na alma

que a cada metáfora fechemos os olhos
nesse movimento louco das águas
sejamos perpetuação das marés
cadencia, liberdade, eternidade feminina
libertemo-nos da opressão contida pelos trapos
soltemos os corpos ao prazer, sejamos alma…
liberta comigo a libido em laivos de poesia
empresta-me os teus lábios, abraça-me os versos
sejamos poetas do prazer, gemidos loucos
que se firmem as hipérboles e as antíteses
movimentos opostos em prefeito sincronismo…

sejamos de dia, de noite, ali, depois, agora ou já
fodamos… façamos amor com a alma…
amarremos os corpos em nós perfeitos
a alma em laços rubros, e descansemos depois…
abraça-me… comuniquemos com as mãos…
e fodamos de novo, outra vez, como sempre uma primeira vez…

a vida escorre-nos dos dedos sem tempo…
aproveitemos a loucura do tesão que nos é oferecido por Deus…
deixemos que os anjos cantem… a loucura de amar…
e depois… fodamos novamente…
sem pudor de ser prazer, orgasmo… gente…

Tiago Paixão
08:30 19/09/2021

Afúriadasaudade

Há quantos dias não me fodes com vontade?

Há quantos dias não me fodes com vontade?

há quantos dias não fodemos amor?
quantos dias passarão sem que os nossos corpos se unam?

quero-te, é impossível não querer, amo-te, mas tenho vontade de te foder…
quero sentir-te, beber-te, quero-te sentir na língua…

loucas são as noites que passo sem te tocar
loucas são as noites que passo sem te amar
queima-me a pele na abstinência de ti
como se o amor fosse uma doença, uma adição
ferve-me o sangue no tesão de te pensar
quero foder-te, até pode ser fazer amor
mas quero-te inteira, com vontade…

há quantos dias não me fodes com vontade?
com essa vontade de amar, com esse tesão férreo
há quantos dias não sente a tua boca tesão pela minha?

amemo-nos sem barulho, de dia, de tarde, mas em surdina…

vivamos livres, sem pudor e sem pecado… mas amemo-nos…
fodamos até que o orgasmo nos trespasse a alma…
e deixemo-nos adormecer, abraçados como se não houvesse amanhã…

Tiago Paixão
4:50 – 25/11/2020
A fúria da Saudade

Dia 15/10/2018 – Um ano de poesia!

Durante 365 dias sem falhar um único escrevi e publiquei pelo menos um poema, foram usadas varias contas (Facebook), algumas perdidas, mesmo assim todos eles estão na Página de Alberto Cuddel http://facebook.com/AlbertoCuddel e no Blog https://albertocuddel.wordpress.com/ .

Durante este tempo entre 15/10/2017 e 14/10/2018, ri, chorei, emocionei-me, fui de um extremo ao outro, entre a poesia rasca e a de excelência, condicionei-me, obriguei-me a escrever, escrevi inspirado, emocionado, com o coração nas mãos, com lágrimas a escorrer pelas faces.

Mas hoje reservo-me o direito de deixar simplesmente de escrever. Com a mesma convicção com que escrevia. Sei que dificilmente irei editar este projecto, ficaria demasiado dispendioso para mim e mesmo para quem o desejasse adquirir. Assim sendo me despeço com a amizade que todos me merecem, e quem sabe até um dia, numa qualquer tertúlia no purgatório!

Alguém que um dia sonhou ser poeta:

Alberto Cuddel
15/10/2018
Castanheira do Ribatejo, Portugal

Poema do dia 14/10/2018

Poema do dia 14/10/2018

Não, recuso-me a despedir-me hoje,
Já disse, não, não quero um adeus,
Não quero um até sempre, recuso-me…

Seria certo que numa hora como esta ciente da realidade a que a minha vida se destina te dissesse um simples até logo, até amanhã, mas tanto ainda ficou por dizer, por escrever, por beijar, por abraçar, quantos orgasmos nos foram negados por essa mesma vida? Recuso-me a despedir-me, não já disse…

Suspendo o tempo entre a partida e a chegada, entre o pôr-do-sol e alvorada, entre uma metáfora e a outra, entre o querer e o poder, suspendo o tempo entre o rio e o mar, entre a montanha e o vale, entre o céu e a terra, fico apenas suspenso entre um momento e o outro, mas, recuso-me terminantemente a despedir-me…

Não, recuso-me a despedir-me hoje,
Já disse, não, não quero um adeus,
Não quero um até sempre, recuso-me…

Recuso-me a deixar-te vazia de mim, na carência de versos, recuso-me a partir, cheio de tudo o que não fiz e vazio de gestos, recuso-me a boiar na ondulação cadenciada dos minutos, abandonar o calor da tua alma, a despir-me no degelo do peito, na abstinência de me entregar à palavra. Recuso-me a suportar a inquietude de um silêncio que não respira, recuso-me a suportar a ideia de um corpo deitado em leitos de tabuas, enquanto o relógio avança na espera do tempo certo.

Nesta minha recusa, aponho o corpo e o peito aberto ao mundo, neste dourado Outono em que o frio me trespassa, na espera desse dia certo, em que somos de novo, sem pressa, abraço e letras, prosa e beijos, versos, rimas, desejos e orgasmos, enquanto isso convalesço estéril e sozinho, sofrendo de uma doença que nunca tive e para a qual não existe cura, a abstinência de ti, curar-me-ei, quando existir em ti sem despedidas, quando for eu poesia e tu musa dos meus dias, mas agora recuso despedir-me, por não querer ir, apenas para não ter que voltar…

Não, recuso-me a despedir-me hoje,
Já disse, não, não quero um adeus,
Não quero um até sempre, recuso-me…

Alberto Cuddel
14/10/2018
Castanheira do Ribatejo, Portugal

Poema do dia 13/10/2018

Poema do dia 13/10/2018

Choram no leito as almofadas tua ausência
Clamo por tua alma nua contra a minha
Entre o carinho e a segurança do abraço!

Apartam-me as noites por entre madrugadas
Que me sorriem as lágrimas na chegada
Antes que o dia entardeça, morram as borboletas
Que partam todas as andorinhas, quero gritar ao vento
Toda a minha doce sorte, em saber que te amo

Sabes Maria, há dias em que não vivo
Noites em que te perco, não me entrego
Nos dias ausentes dos corpos, saudade
Horas sucessivas de nada, vazias…

Depois de tudo no tempo que nos roubamos
Inventamos todo o outro tempo
Aquele em que nos encontramos sem pressa!

Alberto Cuddel
13/10/2018
Castanheira do Ribatejo, Portugal

Poema do dia 12/10/2018

Poema do dia 12/10/2018
Seguimos o caminho sem medos até onde nos levar
Nesse abraço descomplicado sem ontem
Na segurança de um beijo, de um olhar
Amamo-nos uma e outra vez, e depois
Nessa segurança que o sentir nos dá
São os gestos, bem mais doces que todas as palavras
E os beijos novas juras de uma outra eternidade
Na esperança que nos dói na saudade.
Que seja sempre um acto isolado
Entre um silêncio e o abraço
Embalados pelo som do coração
Batimentos sincronizados,
Desejo e ebulição, seja, alma, seja calma
Pressa, volúpia, querer,
Seja amar, seja apenas viver…
Os dias começam agora, não antes
Apenas agora, neste abraço
Num abrir olhos à cor da alma
Nesta certeza confinada a nós
Tatuamos nos lábios um sorriso
Na serenidade e calma
Que as noites, são o prenúncio
De todos os nossos novos dias…
Seguimos o caminho sem medos até onde nos levar
Nesse abraço descomplicado sem ontem
Na segurança de um beijo, de um olhar
Amamo-nos uma e outra vez, e depois…
Alberto Cuddel
12/10/2018

Poema do dia 11/10/2018

Poema do dia 11/10/2018

Ainda que me perca no acto de te amar
Espero que me encontres nesses caminhos
Que um dia me levaram até ti…

Nada me peças do tudo que te posso dar
Nada procures do tudo que podes encontrar
Nesses dias cinzentos abraça-me apenas
Escuta os meus olhos, bem lá no fundo
O que te diz a minha alma?
Nesta hora exacta onde exactamente moras
Acontecem nas formas naturais das coisas
Onde outrora a minha voz acontecia.
Fados dedilhados sem saudade, aqui onde te espero
Se eu te chamasse, chamar-te-ia Vida
Com vida são as folhas da floresta caídas
Nesse brilho de Outono dourado
Cama em terreno fértil, onde germinam?
Apenas na morte de uma outra criação…

Esperamos a lua, o brilho os astros
Esperemos o tempo que temos e todo o outro
Não tenho pressa, já tive pressa e não cheguei
Já tive pressa e não parti, tu Lua,
Se já não podeis dar-me essa beleza
Que tantas vezes tive por te desejar
Hoje apenas sou na parte que se perde em ti
Que só em meu corpo fique a alma e o ser
Morra quem sou, quem me fiz, carbono
Nesta anónima presença que beijas,
Seja eu morte de mim e nascimento novo
Tal qual fui, não sendo nada, seja eu agora
– apenas vida nova em ti!

Ainda que me perca no acto de te amar
Espero que me encontres nesses caminhos
Que um dia me levaram até ti… e que me recordes
A morte de todas as folhas que eu jurei guardar!

Alberto Cuddel
11/10/2018
Marvila, Portugal

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