Jardim de ontem!

Jardim de ontem!

Colhi em mim as flores abandonadas
Num qualquer outro jardim plantadas
Numa qualquer esperança, ali regada
Encantamento, fonte das aves amada!

Caminhos, passeios, não levam a lugar algum,
Rodopiam, contornam, ladeiam, circundam,
Caminhos, correm, pulam, dançam, choram,
Ficam, partem, caem sozinhos na triste solidão
Sozinho assim fica sentado no único banco
Que o jardim moribundo não viu partir!
Aves que ontem se abrigavam, partiram
Os jogos de tabuleiro, acabaram
As crianças que brincavam, cresceram
Hoje passam apressadas, não param
Pobre cantoneiro saudoso, sentado
Deixado só, na saudade, tempo passado!

Alberto Cuddel®
08/12/2015

Condenação

Condenação

Selamos o tempo
Congeminamos teorias
Inquirimos o nosso intimo
Apenas uma pergunta
Uma única questão
Sem qualquer resposta
Sem qualquer razão
Porquê?

Rebobinamos passados
Procuramos, revemos
Nada, sem hipótese
Nem uma ínfima teoria
Porquê?
Que prepósitos ocultos?
Que esperanças?
Que ideias, que desejos?
Que quebra de algo
Que não descortinamos?
Porquê?
Que factos
Provas
Acusações
Peculato
Desrespeito
Falta de amizade
Civismo
Humanidade
Porquê?
Nada
Condenado
Sem acusação
Sem julgamento sumario
Assim está
Um poeta
Que até ontem
Era amado!

Alberto Cuddel®
23-05-2016

Memória

Memória

Leio e torno a ler as palavras da memória,
De hoje, de ontem passado sem esquecer,
Memória em mim, que de ti escrevo,
Os braços abertos que te esperam,
O desejo, o vazio, a tristeza, erros,
Agora passado, há sombra da lua,
Novo tempo que construímos,
Vida nova em nós, que abertos esperamos,
Estrelas cadentes que te incendeiam o olhar,
Desejo que desponta, numa palavra soprada,
Sopro de vidas que percorre teu corpo,
E do nada o ontem é passado,
A cada dia de novo, decidido, amado,
Conquistado, a felicidade nasce em ti,
Em mim, na palavra que vive,
Soprada a cada batimento no peito,
Num coração que se ama…
Eu me amo, para te poder amar,
Eu me entrego, para que te possas dar,
Eu palavra viva… Eu decisão…
Eu que escolho ser…
Sou feliz na espera,
Para o reencontro,
Poder escolher a cada dia,
Voltar a escolher-te a ti!
Para memória dos teus dias!

Alberto Cuddel
25/03/2015

Poema do dia 08/05/2018

Poema do dia 08/05/2018

Um silvo agudo,
Um martelar metálico,
Uma cadência,
Uma viagem ao passado!

A cada memória do beijo
A imagem de um rio que me conduz
As promessas de regresso
O desejo que em mim produz…

Os montes verdes, cachos rubros e dourados
O sabor a mel, o fel do adeus….
Longas são as viagens, a pressa do regresso
No abraço teu, minha vida em suspenso…

Um silvo agudo,
A cada curva da vida
Um martelar metálico
Entre a chegada e a partida
Uma cadência
Entre um abraço e a despedida
Uma viagem ao passado
No tempo e vida que nos tem afastado…

Revisitados que estão
Os anos de oiro
O amor não se perdoa
Mesmo que muito nos doa
As memorias e o sofrer
Só nos fazem crer
Que amar, é sem dúvida
A melhor forma de viver…

Alberto Cuddel
08/05/2018
14:58

O que foi e que passa

O que foi e que passa

O que foi e que passa
Por essa beira da estrada
Morrem os sonhos de calçada
Por entre pés descalços…

O que foi e que passa
Arco descrito do sol
Arco-íris perseguido
Chovam beijos na lembrança…

O que foi e que passa
A dor da despedida
A alma entregue e despida
Os sonhos dessa bendita…

O que foi e que passa
Pelas andorinhas e borboletas
Rodas e bicicletas
Roda a cima, roda a baixo…

O que foi e que passa
Não voltará a passar…

Alberto Cuddel
10/01/2018
03:16
http://www.facebook.com/AlbertoCuddel

Poema do dia 28/11/2017

Poema do dia 28/11/2017

Na estrada do passado não se olha o futuro,
Nada já nos inquieta nem altura do muro,
Pedras arremessadas não rolam paradas
Construindo o hoje passo a passo, apanhadas!

Quebram-se as rosas no olhar marejado
Nos espinhos dos dias, escadas erguidas
Apoiado no querer, no caminho cajado
Assim és tu que comigo caminhas nos dias!

Perdi, para que ganhe novo alento
Mesmo que sempre morra algo cá dentro…

Alberto Cuddel
28/11/2017
23:00

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