Poética III

Poética III

Palavras obrigatórias:
Memória, manhãs, chaminés, partida, vento, rouxinol, plenitude, cantar, velas, quebradas, noite.

Rasgam-se as vozes sem tempo que ecoam na noite
Memória das manhãs claras, vapor das chaminés
Desenhos formados nos olhos pela mente num acoite
Plenitude da imaginação empurrada pelo vento…

Nessa partida do cais rumo ao norte,
velas quebradas… apenas um casco…
E o silvo da vida morre longe, na saudade…

No parapeito da janela,
[ali no momento em que o sol se ergue]
Como que num chamamento de despertar lembrando a casa
Um rouxinol a cantar… canta… canta…

E a vida corre longe… longe de casa, longe das planícies da savana
Longe dos animais, das bestas e dos bestiais…
E acordo aqui, desterrado, entre o rio e a serra.
Perto do céu, mas longe da minha terra…

Alberto Cuddel
01/03/2021 03:20
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XXXVII

Ausência, partida….

Ausência, partida….

O silêncio gritante que ficou,
Depois de tua partida,
Impotência, foi o que sentimos,
Os projectos por realizar,
Os sonhos,
Os conselhos que ficaram por dar,
Sentimo-nos sós…
Vazios de ti…
Agora preenches o nosso imaginário,
Falamos e questionamos-te em silêncio,
Sabemos que estas presente,
Talvez muito mais…
Do que alguma vez estiveste…

Neste vazio que deixaste,
Que o nosso amor preenche,
E nos impulsiona – “segui em frente”,
Deixaste-te a ti, viva entre a gente,
Na face e no sentir de cada um de nós,
Podemos ouvir tua voz, saber o que pensas,
Pois moldaste-nos como o barro,
Ficou Amor,
Ficou verdade,
Ficou saudade!

Alberto Cuddel®
2015

Poema à dor do adeus.

Poema à dor do adeus.

Neste peito dilacerado pela cobardia do adeus
Ardem velas, morrem telas e sonhos
Morrem as almas, a que fica, a que parte
Viva…

Desse amor que vive sem resposta
Que dói, que mata por dentro
Corrói-me a carne, os ossos
Nessa dor que dilacera devagar…
Na porta que se fecha atras de mim
À tua frente, nesse coração que para…

Fogo que se extingue na lágrima
 Diante do nada, as mãos pendem vazias
Já não limpam o rosto, não te abraçam…

Nessa dor do adeus, morro, todos os dias
 Morro em mim, matando-me
Matando um sentir que dói, que mói
Neste gélido corpo que deixei…

Morremos, pela cobardia do ficar
Pela cobardia do partir
Pela arrogância do desistir
Criamos a dor que nos mata…
Para que outros vivam na ilusão
Que o sol não dói, a cada dia que nasce…

Alberto Cuddel
24/12/2018

Poema do dia 20/12/2017

Poema do dia 20/12/2017

Tem-me enquanto sou novo, no tarde estorvarei
Agora enquanto a vida sorri, depois apenas chorará
Aproveita agora enquanto sou novo, não me uses
Abusa-me, em quanto posso, depois, definharei…

Tem-me enquanto sou novo, no tarde estorvarei
Aproveita-me agora enquanto me apeteces
Antes que a lua se ponha,
Antes que a força me abandone,
Antes que a vida se estinga…

Tem-me enquanto sou novo, no tarde estorvarei
E nesse tempo de abandono,
Quando já não te fizer falta,
Larga-me, espera que parta…
Depois, depois não me terás…
Nem necessárias serão as missas
As preces, as flores e visitas…
Depois apenas esquece-me…

Alberto Cuddel
20/12/2017
15:55

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