Essa mentira tão verdadeira… Amor!

Essa mentira tão verdadeira… Amor!

e morreu-me ali diante dos olhos…
sabia-o no meu íntimo… conhecia as consequências
mas morreu-me ali diante da esperança que não perdi…

fica esse vazio que me abriste no útero
essa fome de vida que criei em mim
essa saudade sem retorno, esse abraço sem força
esse medo do que já não podemos ser…

fica esse amor sem resposta, essa memória do cheiro
da voz, do chamamento, do beijo, do crescimento…
fica a dor da alegria, do tempo em que existimos
e essa verdade da mentira, do perder no sofrimento…

não existe um adeus, nem um até sempre… apenas estás
deixando de estar… tornaste-te eterno…

Alberto Cuddel
07/09/2021
18:00
Alma nova, poema esquecido – XXXI

Eternidades…

Eternidades…

gemiam baixinho as finas estantes que me aprisionavam o teu nome
ali diante dos dedos hirtos que te procuravam no seio da existência
ou quando – ele próprio – subiu versos tão altos
para reconhecer menos do que a sua omnipotência – como apenas som
essa abolição mortal que se extingue no sopro, mas tão rara – mas tão bela
faria da palavra fé, essa premonição de crença, que se faz presença
essa gigantesca substância da imortalidade proferindo do seu nome – Poeta!

assim se faz a morte, essa perda absoluta da memória da dor da ausência
o amor faz-se vivo, pelas dores do parto da mãe, pela memória do grito
sucesso não se conquista pelo ter, mas pelo ser, por tudo o dinheiro não compra
estarás aqui amanhã, não pelo medo, não pela vitoria, mas pela memória do que és
pela dor de viver, pela força do amanhecer, pela grandeza dos gestos
pela firmeza das palavras, pelo que deixas edificado nos homens…

haverá eternidade, quando o teu nome for lembrado
quando os teus descendentes falarem aos descendentes deles quem foste
haverá eternidade quando as árvores crescerem em tua memória
e assim diria o Poeta – memória é apenas a repetição do gesto de dizer
enquanto ainda existimos para alguém…

Porque a vida é… e nada tem…

Olho as estantes, os livros, e converso com os meus amigos
Não são imaginários, mas são eternos… enquanto eu conversar com eles…

Alberto Cuddel
21/08/2021
17:41
Alma nova, poema esquecido – XXIV

Viagem pelo pensamento bígamo da consciência…

Viagem pelo pensamento bígamo da consciência…

eu procurei primeiro o pensamento,
li, reli, apreciei a textura das letras
eu quis, depois, a imortalidade…
esse tempo sem tempo onde nada se esquece…

um como o outro só deram ao meu ser
a sombra fria dos seus vultos negros
como se o caixão que envolve as folhas
forre amarado pela tinta das letras
encimado por laços de vírgulas…

na noite eterna longe dos meus braços…
eu procurei depois o amor e a vida
para ver se ali, diante dos abraços prometidos
esqueceria a dor deste social afastamento animal…

do pensamento e da ciência firme
da certeza da morte, essa eternidade do esquecimento
nova salvação na promessa da alma, o amor.
mas o amor, esse sentir de quem guardou a alma inteira,
e não podia haver amor para mim, eu já o consumia ávido…

depois na acção cega e violenta, onde eu
afogasse de vez toda a consciência
da vida, quis lançar meu frio ser em mares visigodos
nessa herança régia de quem luta pela independência da sobrevivência
sem amarras declaradas a ideias formatadas,
nesse tudo que sou e do seu oposto…
mora em mim um bígamo pensamento
entre o prazer e a dor de me dar
entre a saudade e a vontade de debitar
palavras e letras
versos e estrofes,
poemas e textos onde pairam as nuvens
espreitando o sol por de trás do luar…
ergam-se as lendas celtas das ruínas dos mouros castelos…
que meus versos sejam quadros dependurados numa floresta cinzenta
árvores de betão que ontem arderam
lidas por mascarados sem rosto com medo da morte…

Alberto Cuddel
13/08/2020
17:17

Poética da demência assíncrona…

Sinto-me às vezes tocado, como um pronuncio de morte…

Sinto-me às vezes tocado, como um pronuncio de morte…

sinto-me às vezes tocado, como um pronuncio de morte…
como se a vida acabasse ali, debaixo do chão
depois de tudo e antes do amanhã,
e como se tudo o que tenho feito, pensado,
sonhado, imaginado, querido, não valesse nada…

talvez seja uma doença amar assim tão desconcertadamente
amar como homem, com os genitais…
talvez seja quente ou frio, mas não si o sabor da morte ou do seu beijo
não sei se ela me abraçará, sei que virá o silêncio…

é difícil descrever o que se sente, quando realmente se sente
é tão mais fácil e cómodo descrever o que se finge
não sei quais serão as palavras humanas as que usarei
sê é que usarei algumas para dar voz ao que sinto…
não sei se estou ou sou doente, mas habita-me um sarcasmo na vida
um desalento que ultrapassa os limites da minha individualidade
impondo limites colectivos a coisas que apenas são minhas
que morrerão em mim sem que as grite…

porém sou um homem normal, com normais doenças
– será à morte apenas um sono do qual não se acorde?
[será que sonhamos mortos?]
Há momentos em que cada pormenor vulgar tem toda a importância
Apenas pela sua vulgaridade, e pela singularidade da sua ocorrência
(como um beijo antes de ser dado, na desistência de o dar)
Fica a penas o desejo de o receber…

sinto-me às vezes tocado, como um pronuncio de morte…
como se a vida acabasse ali, debaixo do chão
depois de tudo e antes do amanhã,
e como se tudo o que tenho feito, pensado,
sonhado, imaginado, querido, não valesse nada…
em que as paredes do meu reles quarto se fechassem sobre mim
e me absorvessem como matéria, e eu fosse apenas pó…
sem memória da existência do abraço que ficou por dar…

Alberto Cuddel
30/07/2020
00:50

Poética da demência assíncrona…

O beijo seco que ficou por dar

O beijo seco que ficou por dar

“há nesta forma de luta uma fome
essa que me agarra ao degrau da escada
essa que me impede de levantar e ir ali
apenas ali, para morrer…”
Sírio de Andrade

na sensação do beijo seco
está o provir da derrota
na consumação da cúpula
o fétido e triste enterro
semente de flor desidratada
que germina ao primeiro pensamento
sepulta-me no peito essa promessa de beijo
que os anjos e demónios do corpo me possuam
que me rasguem as carnes nesse pecado de pensamento
entre a traição à vontade humana
consumação do sentir da alma…
e morro sem que tu, sem que eu
saiba a incerteza da verdade do que poderia ter sido…
e nunca existiu a coragem de tornar real…

Alberto Cuddel
13/06/2020
00:05
In: Nova poesia de um poeta velho
(tributo póstumo à vida e obra de Sírio de Andrade)

Rasgados os céus e os caminhos descalços…

Rasgados os céus e os caminhos descalços…

“Ó vergonha escondida pelo sentir
Homem fugaz se eleva diante dos outros
Mas tristemente arrasta na alma
A perversidade de um desejo”
Sírio de Andrade

bandeiras desfraldadas em mastros hirtos
espinhos cravados nos pés, caminho de pó
há uma assassina da alma à solta
despe-se de negro, palavras mansas
ama, se ama, ama o conforto que possui
e ele? Morre a cada hora apenas um pouco
como se o amor o matasse por dentro…

Morreu a cada entardecer
Ave-marias rasgavam-lhe o silêncio
A morte advém-lhe da alma
Essa que o matou a cada ausência…

Onde estavas?
De onde o esqueceste?
O tempo, passa, passa…
( o tempo, apagou-o)
– ele, ele esqueceu-se de quem era, e de ti dependia…

Alberto Cuddel
12/06/2020
02:50
In: Nova poesia de um poeta velho
(tributo póstumo à vida e obra de Sírio de Andrade)

Dessa raiva de partir

Dessa raiva de partir
“Sentei-me como se sentam os que esperam
Esses que no leito negro esperam que os levem…”
Sírio de Andrade
sob a campa rasa, nem a memória dos sonhos tidos
nem uma lágrima vertida
esquecido leito, a morte, premeia-te o silêncio
das noites amantes em palavras frescas
nem a constelação mais brilhante te pronuncia o nome
o amor abandonou-lhe os seios, e o tesão da carne definha
sob as laminas que te pedem sob a alma
gravo a sangue nas entranhas a dor que a fogo se forma
nobre sofredor do amor que se dá
seco, sem vida, esvaziaste-te de alma
que secos sejam os espinhos sob os meus pés
de veludo negro as pétalas secas das rosas sem rosto
e esse perfume que me fica gravado nas mãos…
o teu perfume, e a vontade de chorar…
que a chuva e as marés te lavem do esquecimento
que do homem viva a alma das palavras cantadas
pela vontade mórbida de entregar à morte
a vida de sorte que o amor lhe talhou…
Alberto Cuddel
11/06/2020
00:05
In: Nova poesia de um poeta velho
(tributo póstumo à vida e obra de Sírio de Andrade)

Afoito da alma no vale dos esquecidos

Afoito da alma no vale dos esquecidos

desta alma baça de régio nascimento, não reza Hades
porta cerrada, sentinela morta, apelo do barqueiro
custo pago com vida, nome inscrito no esquecimento!

há tempo que passa na gente que vive
humana raça uniforme dos cegos
mudos que não contam segredos
surdos que não escarnecem das palavras malformadas
gritadas e gemidas no céu da boca aberto à vida

é tarde, muito tarde,
finalmente…
já não devo passar no regresso
caio e não me ergo de alma lavada
na margem da porta do tempo
de joelhos levados ao chão
caio…
a chorar o esquecimento lembrado
do tempo que de mim esqueci…

barqueiro… ó barqueiro…
de que cor é a raça da minha alma?
eu afoito lembro-me…
de todos os que de mim se esqueceram…

Alberto Cuddel
10/06/2020
00:07
In: Nova poesia de um poeta velho

Hoje visitei o meu túmulo

Hoje visitei o meu túmulo

Desde que abandonei a vida poucos sentiram a minha ausência, nem mesmo tu Pyxis… nem mesmo tu, sempre soube que ninguém faz falta, mas uma réstia de esperança mantinha-me lúcido, vivo… Achei deveras interessante que a minha ultima morada fosse apenas terra, sem lapide, sem memorial, apenas a essência, como a vida, apenas porque é, apenas porque que se vive, não há jarras ou flores, apenas ervas daninhas e papoilas, elas que tanto alento me deram em vida, que me levaram pelos sonhos…

Confirmo o que sempre soube, ninguém absolutamente ninguém faz falta, o mundo continua, como dizia Alberto Caeiro:

“Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.”

Na realidade a realidade supre a nossa ausência, sim podes dizer-me que sim, sentistes a tristeza, a saudade, mas a vida encarrega-se de ocupar o meu vazio… quis, é verdade que quis, a vida não tinha já significância, na morte vejo com clareza, esse vazio que me habitava, tão cheio de tudo e de supérfluo… o que eu queria? Essa verdade inatingível, foi a morte que ma deu.

Dizia Pessoa na Elegia da Sombra:

Quem nos roubou a alma? Que bruxedo
De que magia incógnita e suprema
Nos enche as almas de dolência e medo
Nesta hora inútil, apagada e extrema?

Os heróis resplandecem a distância
Num passado impossível de se ver
Com os olhos da fé ou os da ânsia;
Lembramos névoas, sonhos a esquecer.

Hoje na hora em que visito o meu túmulo descubro-me como sempre me quis, apenas só, apenas vazio, apenas eu… mais ninguém, e tudo continua… mesmo depois da morte, a vida continua…

Sírio de Andrade

A verdade da morte…

A verdade da morte…
“A vida, toda a vida, é o eterno boato, e a morte, toda a morte, o eterno desmentido.”

Pantaleão

há na justa incerteza verdade escorrida em lábios finos
foi e é o que em vida a palavra calou
na justa humildade ninguém é nada até que morra
depois na alma edifica-se pedestal
na eternidade a palavra ganha corpo
concretiza-se o sonho de vida, mesmo morto
o que não era, torna-se perfeito
no derrube do templo
a palavra constrói-se em três dias
o papel ergue-se para sempre como memória
nessa verdade absoluta do que era vão
hoje torna-se matéria
para que o futuro se construa depois dele…

há uma verdade na morte
que desmente o que em vida era…

Alberto Cuddel
16/05/2020
05:17
In: Nova poesia de um poeta velho

Espantoso

Espantoso

Tudo se funde num luar
Carros que cruzam avenidas
Embuste de um segundo
Logo após um primeiro!

O sonho do que se consegue a seguir
E o caminho vai por degraus visíveis,
Na noite cai no pátio, depressa
Dias que nascem no horizonte…

Conquistamos todos os impérios,
Nos livros guardados na fúria
Memória da incúria de um romance
Artes das palavras surdas!

Penitência dos anjos pecadores
Amantes de criados e servos
Prazeres que se aspiram sonhos
Da racionalidade das horas
Minutos em que dormes!

Alberto Cuddel
21/05/2017
19:14

Nunca me disseste que ia doer tanto

Nunca me disseste que ia doer tanto

Toca o despertador, na hora marcada, 15 minutos depois da hora do costume, agora não é preciso ser tão cedo. Passaram 20 dias desde a quarentena total e absoluta, a vida mudou, mudou muito, já não vive connosco a esperança, a maioria dos seniores já não esta entre nós, e os que estão, estão gravemente doentes, os meus pais, sogros, tios, já todos partiram deste mundo… tomo um banho sem vontade, já não ouço as notícias, tomo um pequeno almoço ligeiro e desço à garagem. Entro no carro, ainda me incomoda o dístico redondo no pára-brisas, redondo, amarelo, com aquela palavra “essencial”. Abro o portão da garagem, ligo o carro, abro o vidro e saio… não ligo o rádio, ouço apenas o silêncio do caminho, a Primavera chegou à uns dias, para trás fica um local confinado, a morada, local de regresso obrigatório, há uns tempo chamei-lhe lar, hoje apenas espaço onde estar. Escuto os pássaros, sinto o cheiro das flores, deslizo devagar, não é preciso pressa, não vou pela auto-estrada, não há necessidade, apenas circulam os veículos do famoso dístico amarelo…

Não há gente na rua, nem filas, nem ninguém espera um autocarro, um comboio, os poucos resistentes, circulam, com um dístico amarelo ao peito, “essencial”. Hoje já ninguém vai à praia, ao cinema, aos bares, os que há uns dias arriscaram ou estão presos ou foram abatidos…

Tenho familiares presos, tolhidos de morte no seu íntimo, quebraram as regras, visitaram os mais vulneráveis, levaram os netos a ver os avós, hoje, os avós não estão cá…

Nunca me disseste que ia doer tanto, ver as filas de caixões há porta dos cemitérios, dos crematórios, nunca me disseste que ia doer tanto saber que tantos partiram chorando e despedindo-se por telefone, sozinhos, abandonados como cães, privados de contacto…

A estrada leva-me, as ruas desertas, quase tudo parou, alguns dos que já têm o visto de deslocação, partem para o interior, por onde a morte passou, numa tentativa de regresso as origens, a subsistência básica da terra, tudo foi desinfectado pelos militares, mas a tristeza e o manto negro mora lá… dísticos roxos, como uma ultima esperança de penitência…

Nunca me disseste que ia doer tanto não se ter obedecido a processos simples e básicos, a um recato social, mas era giro desafiar o poder, o estado, as autoridades, fecharam-se escolas, depois bares e discotecas, restaurantes, fábricas, comércio, mercados e hipermercados, e vós inconscientes, continuavam a desafiar, fecharam-se fronteiras, primeiro a pessoas, depois as mercadorias… e vós desafiavam…

Depois o fim… quarentena obrigatória, apenas os dísticos amarelos podiam sair, pessoal essencial ao país, fizeram-nos exames rigorosos, não podemos ter contacto com ninguém, apenas desempenhamos um papel que nos foi dado.

Ligo o rádio, mais um hospital fechado para ser devidamente desinfectado, no país sobram poucos, pouco mais do que uma mão de hospitais, o resto, aguarda que haja pessoal medico livre da maldita doença, para reabrir. Chego finalmente, para mais um dia de trabalho, hoje circulam pouco mais de uma dezena de comboios, nenhum de passageiros, apenas combustível e algumas mercadorias, pois na Europa, não há hoje outra forma de transportar.

Nunca me disseste que ia doer tanto um povo não saber obedecer, não saber se comportar…

In: Nunca me disseste que ia doer tanto

A morte dormia ao meu lado e eu amava-o…

A morte dormia ao meu lado e eu amava-o…

Dormia ao meu lado na cama a dor e a arma…
Esse ciúme violento de quem doente me espera
Eu, sonhava e era violada….
Doía-me a alma, presa ao destino, doente, eu amava
Todos me diziam, deixa, parte, vai, vive, foge…
Mas a morte dormia ao meu lado e eu, eu amava-o…

Depois, depois olhei-me no espelho e não me conheci
Depois olhei-me no espelho e vi…
Eu, eu não me amava, não amava os filhos espancados
Os pratos vazios e barrigas de fome…
E decidi dentro de mim matar a morte e fugir…
A morte já não dorme ao mau lado, e eu, AMO-ME…
Nessa mão estendida que agora me apoia
Quando eu o soube pedir…

#poeticamortem
@Suicídio poético
18/10/2019

Porque amanhã vou morrer

Porque amanhã vou morrer

vou morrer amanhã, não hoje ou agora, mas amanhã morro…

abraça-me agora, deixa as coisas do mundo, ali, quietas
apenas beija-me se tiveres vontade
ama-me, façamos amor, porque amanhã morro
de que nos vale a cama feita
a pia limpa, a roupa estendida
se amanhã eu não estiver nos teus braços
se amanhã for lágrima que te corre na face
se amanhã não esperares já que eu chegue?

de que me vale correr hoje para o trabalho
escrever aquele estúpido poema
se amanhã deixar de beijar os teus lábios?
de que me vale agradecer as publicações
escrever novas palavras e opiniões
e não tiver percebido que os teus cabelos cresceram
a cor das unhas mudou
que os chinelos adormeceram fora do quarto?
de que me vale a perda de tempo,
se morrer amanhã sem te ter beijado
sem hoje termos feito amor?
porque amanhã eu morro,
hoje apenas te quero amar…

Alberto Cuddel

Nada posso, contra eles

Nada posso, contra eles

não posso contra eles: o que deram
aceito, assim mesmo sem mais nada.
nascem marés pelos dedos vergados
finca pés na certeza do deserto
há mulheres de idade que alcançam
e novas estéreis, que dão à luz…

havemos de ser quando morrermos
conhecemos quem será o morto
o morto é bom, os maus não morrem
e se morressem quem os velaria?

nada posso contra eles
eles vestem-se de uma verdade própria
de uma luz de candeia
e mordem calados na sombra…

a vida é, apenas porque assim está escrito
tudo o que vive será morto
e tudo virá no seu tempo…

Alberto Cuddel

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