As mulheres preferem os falsos, os bajuladores e os que as enganam…

As mulheres preferem os falsos, os bajuladores e os que as enganam…

Antes de atirarem pedras leiam…

Imaginem um primeiro encontro:

-olá, como te chamas? Gostei do que vi, quero levar-te para a cama…

O mais certo é ele levar um estalo, e ser insultado do pior…

Ou o seguinte caso:

-olá como te chamas? Estás sozinha? Gostei da tua forma de vestir, do teu jeito de ser, da tua aura, posso convidar-te para jantar?
E por aí fora cheio de bajulações… até a levar para a cama? Depois ira abandoná-la como seria de esperar no primeiro caso. A diferença é que no primeiro caso ela sabia o que ia acontecer…

Este é um exemplo tosco do que se passa em todas as situações na vida, preferimos a mentira, a ilusão, à verdade… A sedução é uma falacia e o amor hoje apenas um jogo de cumplicidades onde a exigência de reciprocidade é a ordem do dia, o amor deixou de ser um sentimento, uma doação, mas apenas um jogo de pagamento por gestos e géneros. Ninguém quer saber da verdade, do real, da entrega sem condições, dos gestos altruístas apenas porque se ama. Todos preferem a ilusão, os jogos, o poder sobre o outro, não há relações estáveis, porque tudo se cobra, cobra-se o receber… mas não um receber na totalidade, mas sim o que cada um deseja receber… apenas o que lhe interessa…

Alguém me dizia, eu não tenho sorte nenhuma com os homens, todos com quem andei não me amam, só gostam de sair, beber, não ajudam em casa, só querem é boa vida… fiz uma pergunta obvia onde os conheceste? Como resposta “bares, discotecas, na noite” e lá procuras encontrar um homem, que trabalhe, que seja fiel, que te ame e que te ajude, que seja alguém para estar contigo em casa à noite? Para ele, tu és como ele, uma mulher que gosta de aproveitar a vida, de se divertir e que não procura esse tipo de relação, o resto são jogos…

Vale a pena pensar nisto

António Alberto T. Sousa

Porque a verdade não o é…

Porque a verdade não o é…

não, a verdade não é exacta
a terra já foi plana, quadrada
circular e redonda,
a própria água nem sempre molha
nem sempre dois e dois são quatro
dois seios e dois testículos quando muito será um casal
nascemos na inverdade inventada, bebés trazidos por cegonhas
um velho vestido de vermelho que nos premeia o bom comportamento
que Adão não conhecia Eva até comer a maçã…
que depois do hoje só há o amanhã…
tentas as verdades que não o são…
e os pais? que só por amor concebem, e que o prazer do corpo é pecado…
porquê a verdade não o é?

porque a verdade não vem dos sentidos?
deixem viajar o instinto do querer conhecer e saber
que o nosso íntimo experiencie o orgasmo de descobrir
de se descobrir na mentira que te incutiram… porque as coisas são…

“a liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais
a liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!
como o luar quando as nuvens abrem
a grande liberdade cristã da minha infância que rezava
estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim…” *

nessa amálgama da crença
apenas o livre pensamento condicionado pela infância
me rasga o céu e as vestes procurando o teu orgasmo nos dedos…
onde se insere a mentira das marés, que força lunar me trepa pelo corpo
que medo é esse que cobre de verde as dunas fustigadas pelo vento?
em que bíblia humana querem que eu creia fielmente?
Freud? e na viagem pela psicanálise do cérebro humano?
despe-te no corpo e na alma,
hoje precisamos falar,
e registar a nossa verdade no silêncio dos lábios…

Alberto Cuddel
23/01/2021 22:30
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XVII

*Álvaro de Campos – A liberdade, sim, a liberdade!

Por três vezes…

Por três vezes…

Sobem-me aos lábios dúvidas estranhas
Saudades escorrem regidas por Neptuno
Incertas, ventosas e negras montanhas,
Semblante carregado, duro e taciturno
Noites distantes, ausentes e suplicantes
(…)
Caem sob os telhados gotas brilhantes
Sentires alheios, sonhos e passos perdidos
Segue o reinado, súbditos vacilantes
E por três vezes me negas os beijos
Triste e caído, dormentes desejos…
(…)
Ontem, apenas ontem, esqueceste
Por três vezes negaste, disseste não
O sonho do hoje perdeu-se no tempo
Sucedem-se nuvens e as lágrimas caladas
Pranto gritado na alma, preso entre dentes
Cerrado nas gengivas fechadas…
(…)
Por três vezes, disseste não
À terceira vez…
– eu, aceitei-o!

Alberto Cuddel
14/12/2016

Reinventem-se mentirosos

Reinventem-se mentirosos

há muito tempo que não passo à tua porta
mesmo assim, rasgam-se as paredes
ventos gélidos da arrogante saudade!

as ruas continuam estreitas, escuras,
sujas, fechadas em si mesmas
já não há arco-íris nos céus
tão pouco bilha o sol, apenas um ar cinzento!

inventem-se novos amores
novas relações, novas paixões
as velhas essas morreram de velhas!

inventem-se novos poemas, novos teoremas,
novas formas de amar, jamais amem
apenas porque sim,
porque sentem, afinal o que é o sentir?

se as palavras nada significam
e os gestos, os gestos ficam quietos
não se envolvem, e mentem….

Alberto Cuddel

Poema do dia 18/12/2016

Poema do dia 18/12/2016

Por entre as bases do tempo
Entre uma partida e a minha chegada
Nada é da arte do fingir
Que de verdadeiro não se saiba…

Mesmo por entre cafés e palavras baratas
Nas conversas de comadres descobrem-se
Todas as ocultas verdades, e outras mentiras…

E seguem os dias, as horas, sem mudanças
Nas mundanas vivências
Não há amor que nos salve…

Alberto Cuddel
18/12/2017
15:31

Poema do dia 22/11/2017

Poema do dia 22/11/2017

Visto-me de escolha em cada defeito
Entre um céu nublado e outro encoberto
Serpenteio as gotas que caem e as que molham
Caminhando por estradas lamacentas
Realidade suja e ordinária na falsidade
Tudo parece o que não é…

Rasgas silêncios em palavras gritadas
Pelas verdades sentidas, escondidas
Nunca proferidas ou ditas, gemes em silêncio…
(onde moram as honestas declarações)

Perfidamente confesso-me sentenciando-me
Por verdades omitidas e mentiras ditas
Sentimentos fingidos e outros sentidos
Outros omitidos na alma, no silêncio escuro…
(onde me escondo? De quem?)

Na poesia finjo ser quem não sou
Sendo verdadeiramente o poeta que escrevo
Na irrealidade das palavras sinto-me
Na verdade da mentira que inscrevo
Sendo que a verdade é…
(quem de mim dirá o que sou,
Sendo eu nada, sempre posso ser tudo)

Rasgando a alma, brotam sentires e desejos
Dos sonhos, dos beijos, de ontem, amanhã
Quem sabe talvez até depois….

Alberto Cuddel
22/11/2017
02:36

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