Generosamente Luísa…

Generosamente Luísa…

Poderia ser Maria, e dos teus seios alimentares a vida
Como alguém que pariu a eternidade do ventre, palavra
Acto desonesto de amor, geração aleatória do universo
Generosamente Luísa, angelical palavra de amor, mãe!

Generosamente Luísa…
Mulher, consciência plena dos tempos e vontades
E dos teus seios abdicou… por outra vida…

A palavra, força das tuas mãos e persistência
A palavras faz-se em mim, fome do conhecimento
Generosamente Luísa… por ti, fiz-me letras juntas
Por ti fiz-me poema…

Generosamente Luísa…

Alberto Cuddel
16/12/2020
20:50
Poética da demência assíncrona…

Maria…

Maria…

Talvez te ame em segredo
Talvez o escreva mais que o que devia
Talvez seja noite, talvez seja dia
A certeza está no teu nome, Maria…

Talvez me esconda nos versos, nos sonhos
Talvez nas metáforas quentes, libidinosas
Talvez no sentir profanado pelos beijos
Nos nomes que invento, gritado ao vento…

Apenas amo, mesmo em segredo
Esse abençoado nome que te deram
Maria… Mulher e paixão…

Alberto Cuddel

Rebordo amordaçado do luar

Rebordo amordaçado do luar

aquilo mesmo que senti me é claro.
alheia é a alma antiga; o que me sinto
chegou hoje, de longe uma onda que morre
enrolada n’areia fina que se move, espuma-se…

não há nuvens entre mim e o céu
as estrelas brilham e adormecem
Maria imóvel baila nos pensamentos e adormece
como quem beija o penhasco, fustigado pelas águas
entre a claridade das copas, brilha a lua que esmorece…

pares e diferentes nos regemos
por uma norma própria, e ainda que dura,
será à liberdade, inconfidência clara
de tudo é que por Deus ama, e sofremos
mesmo que morramos um no outro, sentimos
porque sentir é amar plenamente,
mesmo que nada façamos, a vida condena-nos
a esta verdade estupidamente humana
que é amar apenas por isso,
por ser esse o nosso propósito…

Alberto Cuddel
17/05/2020
05:17
In: Nova poesia de um poeta velho

O calor da tarde ou o aconchego do depois

O calor da tarde ou o aconchego do depois

“Crepita por detrás o madeiro
Vinho que se faz vida
Mulher, mãe de João
Dorme, em sonhos de anjo que anuncia…”

Queima no peito a inócua vida
“Mater” santa, natural fonte
Se de amor morro, por dele sei…

Doutos e ilustres fazedores
Que rimados sejam vossos versos
Meus singelos, sejam universos
Pelo sentir da alma lida
Em tardes longas que não findam!

Loucas sejam as vãs palavras
Que de amor morram todas as questões
Em coração oradas em solicitas orações
Pelos trechos de livros que lavras…

Crepita por detrás o madeiro
Neste tempo que se faz frio
Sejam longas as tardes
Nesse corpo que ainda arrepio.

Vinho que se faz vida
Em copo partilhado nos lábios
Oremos em segredos nossos
Esta vida sempre em partida!

Mulher, mãe de João
Em ti doei minha vida
Seja pecado em meu coração
Toda vez que parto em saída!

Dorme, em sonhos de anjo que anuncia…
Que a vida se gerou no teu ventre
Que seja de fel o que ele renuncia
Para que o amor possa seguir em frente…

Queima no peito a inócua vida
“Mater” santa, natural fonte
Se de amor morro, por dele sei…

Oh tardes longas, aconchegai-me no calor do vosso seio…

Alberto Cuddel
17/02/2019
14:20

Divagações da procura da alma gémea…

Divagações da procura da alma gémea…

Jamais te procurarei, por entre os nomes que te deram, [nunca te chamam, eu chamo-te], seja doença ou cuidar ausente, [Um poder maternal, ou entrega de amor], eu chamo-te mulher, talvez até Maria!

Criei-te diferente, sonho crente, sendo, foste, estando, és, [não mãe, ou esposa, talvez amante, talvez amiga], no sentir que sinto, crio-te novamente, como sempre te procurei, em tudo igual, em tudo diferente, um nome, um rosto!

Invento-te, a cada nova conjugação
A cada novo verso, a cada esgano do sentir
Representação perfeita das máscaras
Que de mim invento, que de ti sinto,
Que em mim represento, que sou cá dentro!

A cada nome, uma nova forma de ser
O que efectivamente em ti és… Perfeição, saudade, mesmo aqui, ao alcance da mão!
[mesmo assim sou novo… ou talvez não]
Talvez apenas seja o que sempre fui…
Talvez sejas o que sempre procurei
O que de mim eu encontrei…

Alberto Cuddel
15/11/2018
Castanheira do Ribatejo

https://www.facebook.com/AlbertoCuddel/

Poema do dia 30/08/2018

Poema do dia 30/08/2018

Sabes Maria?
Amar-te não é uma mera conjugação astral, um acto carnal de desejo, amar-te é em mim a própria existência corporal da alma. Amar-te é amar a própria vida, encontrar-me no mundo como único.

Sabes Maria?
Tenho tido saudades tuas, das nossas conversas, dos sorrisos e risos escancarados ao mundo, dos passeios, de olhar na mesma direcção, de ver as gaivotas no mar, de olhar a beleza de uma flor que nasceu, mesmo ali, ao nosso lado.

Sabes Maria?
Às vezes dou pelo meu reflexo a sorrir para mim, olhando-me nos olhos, como se já não me conhecesse, eu que sempre fingi ser tantos, sem nunca ter sido verdadeiramente eu, acho que o conheço, agora que me reencontro naquele reflexo, gosto dele, amo-o.

Sabes Maria?
Tenho pensado no amanhã, nesse tempo cheio de esperanças e sonhos, nesse tempo onde quero ser feliz, onde podemos correr o mundo, entrar no mar de pés juntos, sem medos, sem receios das marés, na certeza que o sol, esse voltará a nascer!

Alberto Cuddel
30/08/2018

Poema do dia 25/07/2018

Poema do dia 25/07/2018

Não desespero na busca inglória do porquê
Na verdade sei que sim, que amo,
Nunca soube ou saberei o porquê!
 (aconteceu como sempre acontece)
Amei-te desde sempre, e sempre é todo o nosso tempo…

Como se cada beijo
Fosse de ti a despedida
Desta mão tão cheia
Desta casca tão vazia!

Persigamos as horas e os dias, as noites e os meses, façamos de cada hora, novo sol, nova vida, deixa que me apaixone por ti, todos dos dias de novo Maria…

Olhemos as andorinhas em liberdade
A lua que se ergue e se deita a cada noite
Sejamos livres um no outro, nesta liberdade
Amamos a reclusão a que nos amarramos
Existindo sempre apenas a tua mão na minha,
Façamo-nos um no outro, sem entrega
Que nasçamos todos os dias, deixa que nasças em mim
Para que em ti possa renascer…
Nesta busca diária de me procurar,
No amor que em ti me entrego…

Alberto Cuddel
25/07/2018
03:55

Poema do dia 31/05/2018

Poema do dia 31/05/2018

Dos ventos que sopram desordenando as folhas caídas no chão, há uma ordem nova que se forma no sentir alheio ao querer… longas são as noites e a vontade de te dormir… há um banco sentado junto ao rio, homens passeando a pé pelas margens, barcos que cruzam, palavras que rimam, e gaivotas que pairam, ali diante do olhar…

Nos pés a vontade de partir
Nas mãos o desenho do sorriso
Nos lábios a dadiva das palavras
Na alma a vontade de sentir…

Escorrem verbos adjectivados
Pelos longos cabelos de prata
Nada perdoa, nem o tempo, nem a chibata …
Crescem os dias, minga o tempo, o amor
As mãos calejadas, cansadas e caídas
Não escrevem, não falam…

Existem bancos sentados, pintando poesia no rio, declamando poemas em silêncio, o tempo desses que reclamam, passou… apenas recordo Maria, a tua mão sobre a minha, olhando a outra margem, um lugar a que nunca cheguei… mesmo que nunca tivesses partido, nunca eu definitivamente me entreguei, foi tu… sempre o mundo me conteve bem mais do que me dei…

Alberto Cuddel
31/05/2018
01:00

Poema do dia 18/03/2018

Poema do dia 18/03/2018

Sabes Maria a importância do amanhã?

Cumpre-te hoje, amanhã apenas incerteza,
Quem sabe se o copo volta a encher
Se voltará a chover em mim, se irei nascer?
Cumpre-te hoje, sem as discrepâncias de ontem
Apenas hoje, onde a sorte se impõe
Onde moram as certezas, onde as mãos tocam o rosto
Não creias ou tenhas esperança no futuro
O futuro vira, mas sonha o agora, o já…
Não te prometas, comprometas com o depois
Esta é a vida, não depois disto ou daquilo
Sê tu própria a alegria que te inunda
A felicidade que procuras e almejas…

Conduz a dança a cada música, marca o compasso
Descompassa o fútil e errado, não ouças, não vejas
Enquanto sobre nós se debruçar o azul
Que importância terá o negro?
Pinta de arco-íris as paredes da alma…

Sabes Maria a importância do amanhã?
Se não viveres o hoje plenamente?

Alberto Cuddel
18/03/2018
12:45

Poema do dia 02/03/2018

Poema do dia 02/03/2018

Temo Maria que o futuro nos ultrapasse
Nessa hora que esquecemos o ontem
Talvez tudo nos mude
E hoje seja meramente vida
Sucessão constante de momentos
(que nunca serão eternos)

Talvez os passos e as notícias findas
Onde nos moram as certezas e os sonhos
Nunca partam, antes de terem sido realizados
Julgas, como julgo, que o amanhã nunca antes foi…
Será novo ao primeiro olhar…

Há braços que me esperam, que nos esperam
– mesmo quando nunca abraçaram trémulos
Uma sintonia perfeita e consciente de que existimos
Nunca de frente um para o outro,
Mas ali, já, agora, apenas um no outro…

Temo Maria que o futuro nos ultrapasse
E nessa hora em que esquecemos o ontem
Tudo mude à nossa volta…

Alberto Cuddel
02/03/2018
12:00

Poema do dia 08/11/2017

Poema do dia 08/11/2017

De todas as luas, em todas as noites
Poetas inconformados e sós
Cantam amores sinceros da alma
Sonhos onde habitam mulheres carentes
Submissas a um desejo másculo do ego…

Não me erguem o desejo esses dizeres
Firmes vontades declaradas sem pudor
Eu mero actor do querer alucinado
Que sejam… habilmente conquistadoras
As estrelas que se despem por vontade
Na sedução ardilosas das palavras quentes…

Oh, despiciente vontade fingida…
Eu filho de mulher casada
Amante da minha melhor amiga
Casado com a poesia…
E poesia é tudo o que te nasce no corpo
Nela me seduzes, nela me cativas…
Poesia tem apenas cinco letras
Na poesia inscrevo-te a ti apenas Maria!

Alberto Cuddel
08/11/2017
00:15

Seguiremos Maria

Seguiremos Maria

Nos dias quentes que percorremos
 – Vive comigo o Verão
Doce sabor maduro depois da Primavera
 – Mesmo nela choveu…

Vivamos o Verão enquanto estamos maduros
 – Que doces somos Maria

O Outono nos espera e aguarda,
O Inverno uma inevitabilidade
 – Enrosca-te em mim Maria
Definharemos juntos, quentes…
Até que o gelo nos leve…

Alberto Cuddel
14/08/2017
22:30

Poema do dia 22/10/2017

Poema do dia 22/10/2017

Sabes Maria, há dias em que não vivo
Nos dias em que te perco, não me entrego
Nos dias de gozo, ausente dos corpos
Horas sucessivas de nada, vazias…

Não importa que o amor se assente nos silêncios
Não se me aproveita de nada a paixão
Os gestos desenhados nos sonhos, vontades
Frases e versos, caídos em rios secos…

Desfolham-se frutos maduros, em terra seca
Nada cresce no calor dos dias, notes gélidas…

Feliz de quem nada tem
Nos gestos proclama
O mundo de alguém…

O gozo advém a quem se entrega
Por tudo, nas insignificâncias
De quase nada…

Alberto Cuddel
22/10/2017
08:33

 

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: