Poema do dia 21/09/2018

Poema do dia 21/09/2018

… talvez um café, um cigarro que se fuma, como um qualquer orgasmo, que no fim, nada foi de memorável, apenas mais um… e procuramos o próximo…

Depois olhamos o céu na busca da palavra certa, para a frase certa, o verso certo, a rima certa, e vemos apenas azul, sem nuvens, apenas um lanterna amarelada que nos ilumina, ali como que parada… Abandonamos o fim do dia pelo olhar cansado, da mesmas coisas que diariamente nos incomodam, mas apenas desviamos o olhar, nada fazemos… nessas pálpebras pesadas que se abrem, que ainda se excitam numa promessa de copos, de uma noite!…

 

Abocanhamos a normalidade dos dias,

Tragamos essa monotonia disforme,

Na frequência das coisas escritas, querias,

Alma carente, sequiosa, com fome!…

 

Olho a praia, um braço, um corpo,

Essa promessa de beijo quente,

Pele dourada sob o azul do mar…

Apenas tu e esta vontade de ficar!

 

… talvez uma água, um vontade de refrescar, talvez palavra, atirada fora, ou apenas um sorriso, um riso com vontade, talvez sejas tu, ou mesmo eu, de tal modo constituídos um no outro, nessa sintonia abstracta que nos liga alguém, que nos arrebata nessa monotonia das vidas simples, como numa encruzilhada em que fomos sentenciados à proximidade de estarmos juntos, há quem lhe chame Amor, mas talvez seja apenas um beneficio arbitrário concedido, para que na decisão, percamos, apenas para ganhar!

 

Alberto Cuddel

21/09/2018

Castanheira do Ribatejo, Portugal

Poema do dia 18/09/2018

Poema do dia 18/09/2018

“Andava perdido, mas encontrei-me
Neste sangue que me circula no peito
Em batimentos longos, sei-me
Ciente e consciente do que foi feito”

Perdido sem um farol que me guie,
Levado à bolina ao sabor do vento,
Marés que me levam, marés que me trazem,
Solto liberto, indeciso sem rumo certo!

“Andava perdido, mas encontrei-me
Neste sangue que me circula no peito
Em batimentos longos, sei-me
Ciente e consciente do que foi feito”

Coração livre sem aperto, solto na brisa,
Curvas suaves nas dunas de teu corpo,
Calor do teu ser, sol na minha alma,
Nas asas do desejo, salgado sabor do beijo!

“Andava perdido, mas encontrei-me
Neste sangue que me circula no peito
Em batimentos longos, sei-me
Ciente e consciente do que foi feito”

Solto, livre, apaixonadamente solto,
Não há terra, não há mar,
Que me impeçam de sair,
Que me impeçam de sonhar,
Que me inibam de amar!

“Andava perdido, mas encontrei-me
Neste sangue que me circula no peito
Em batimentos longos, sei-me
Ciente e consciente do que foi feito”

Alberto Cuddel
18/09/2018
Castanheira do Ribatejo, Portugal

Poema do dia 10/09/2018

Poema do dia 10/09/2018
Tens noção de que amar-te nunca foi em mim um desejo? Apenas uma consequência do tempo que medeia, entre a vontade e a consequência da tua mera existência? Não existe uma assoberbada vontade expressa, mas uma paixão emersa nas nuvens que correm no céu sob as dunas que se espraiam entre os grãos de areia das horas da tua vida.
Tens noção que essas gotas fartas de suor que me escorrem, são a consequência directa da vontade de existir em ti, nesses dias em que meramente me sinto, quando o sentir se encaixa num amor que se soma a cada movimentos amplo dos nossos corpos, por uma vida que de nós nunca subtraíste?
Existir talvez seja uma dopante dependência,
Um estado eufórico de injecção de ti em mim
Correndo-me veloz na corrente sanguínea
Nas arritmias gemidas do movimento cardíaco!
Talvez grite, sei lá, talvez não…
Talvez me remeta ao silêncio de nunca o dizer
Deixar apenas a dúvida do mundo pairar sob nós
Para que nos descubram pelos gestos, pela forma de andar
Talvez me deixe apenas quieto, ou o passe a gritar!
Mas essa noção já ninguém a nos rouba,
Que eu nasci na certeza de que o melhor de mim
É definitivamente existir em ti…
Tens a noção perfeita, de que perfeitamente somos? Tens noção de que a água passa por nós enquanto ainda esperamos dias perfeitos? Tens noção dos aromas de café que irão perfumar todas as nossas madrugadas entre as gargalhadas do estar acordados e a letargia do cansaço em levantar de novo para um louco dia? Tens noção do tempo que nos roubam um ao outro por esse motivo fútil que nos é desgastar pelo trabalho?
Quantas vezes roubei a lua e o tempo apenas para te provar que te amava? Talvez nunca o saibamos, porque o sol esse, sempre nasceu em nós a cada alvorada!
Talvez não tenhas noção, mas ainda assim continuas a querer deitar-te comigo a cada dia, para que no abraço possamos por fim amar, o descanso que a paixão nos dá!
Alberto Cuddel
10/09/2018
Lisboa, Portugal

Poema do dia 28/08/2018

Poema do dia 28/08/2018

Voaram gaivotas sobre o mar
Em dedos entrelaçados no monte
Abraços perdidos no tempo
Olhares que ficaram por cruzar!

Escorrem verdejantes os canteiros
em passos sincronizados,
vão florindo esperanças rosas,
amarelas, arco-íris plantado
regado nas palavras cantadas!

Na questão de uma pergunta calada
Lábios que se abrem, silêncio da resposta
Gravada a ferros na alma, nessa dor
A que chamam felicidade…

O tempo corre em sentido contrário
Como que a água voltasse a passar no moinho
Recuperando o tempo suspenso
Onde o ontem, volta a ser hoje
Florindo nova esperança para o depois…
O depois é, vai ser, todo o nosso tempo…

Alberto Cuddel
28/08/2018

Poema do dia 20/07/2018

Poema do dia 20/07/2018

Às vezes penso, numa realidade dura e apaziguadora, do que foi e nunca chegou a ser, ainda que a brisa que me acarinha o rosto, seja mera ilusão, e o mar, nada mais que areia levada pelos ventos dos sonhos. As palavras são gestos, formas, corpos, que se acariciam em leitos perfumados de quartos vazios, com uma volúpia descarada de posse, declamo silêncios… esses que existem entre uma respiração e outra, nos lábios colados ao meu ouvido, braços apertando teu corpo contra o meu, amo esses silêncios… na escuta do teu coração… onde te sonho ali, presente num amanhã…

Fui, sonhei-te até ao fim de mim, sem pestanejar, fui, irrompi em lágrimas de felicidade, por te saber sonhada, nessa exultação de suposições e hipóteses de realidades alternativas por onde viajam as nuvens e os sonhos, sonhei-te na língua e nos beijos, ainda assim, foste minha… ali, naquele momento, naquele sonho onde nos sonhei por fim… Por fim, desvaneceu-se como fumo, aquela visão do mar, a arte de escrever e sonhar, e senti apenas, um leve apertar, o calor de ainda, a tua mão na minha…

Alberto Cuddel
20/07/2018
17:14

Poema do dia 18/07/2018

Poema do dia 18/07/2018

Antes que caísse o crepúsculo sob a cidade da poesia, uma última volúpia declamada na vontade de ser verso…

Cavalguei madrugadas nas asas de uma gaivota, na vontade de ser mar, perdi o chão, na vontade de ser sonho…

Nobre desejo de ver o mundo é construir

Amar sem existir e destruir

Ser saudade de mão dada sem pedir

Ser liberdade em prisão voluntária…

Onde te moram os sonhos vistos no olhar?

Cuidei ser prosa, ideia e concretização

Nesta alegria ilusória de nascer

Ser novo e forte em cada dia

Novos mares a cruzar, nova vida…

Antes que anoiteça,

Cuidei de mim, fiz-me

Novo, tão somente poesia!

Alberto Cuddel

18/07/2018

16:16

Poema do dia 15/07/2018

Poema do dia 15/07/2018

No barco sem ninguém, apenas nós dois
Sem vento ou maré, com pouca fé,
Quatro mãos, sem vontade de remar,
Olhamos ao longe, sem a vontade de amar!

Esculpidos em erros reais, entre a dor do perdão em sofrimento, dos pés rasos a cada momento, edificaram nas palavras os remos, num destino incerto entre os sonhos e a verdade. Faltam palavras não perguntadas, não ditas e caladas, o vento que não chega, entre o dia e a madrugada!

Remamos contra marés do descuido, da traição, contra todos os segredos, contra os medos, contra as velas caídas, contra os ventos sem medida, contra todas as tempestades, por novos dias de sol…
O sal, salga-nos a alma…

No barco sem ninguém, apenas nós dois
Sem vento ou maré, com pouca fé,
Quatro mãos, esta nova vontade de remar,
Olhamos ao longe, o destino e o querer amar!

Alberto Cuddel
15/07/2018
12:50

Mar de bruma

Mar de bruma

Bruma que se mostra escondendo
Ocultando um mar de pensamentos,
Penumbra refracção dos sentimentos,
Fustigada nas rochas, quebras a asas,
Perdes o sonho, a maresia, sopro
Um sopro e nada mais, a tua vida
Minha vida em tuas hábeis mãos
Calejadas pelo tempo, fustigadas
Mãos que rejeitei, na bruma deste mar
Mãos que tecem, que enaltecem
Mãos que ontem fizeram sonhar
Bruma no sentir, tolhendo, escondendo
O amargo fel do choro calado
Bruma, na felicidade de ver
Não sentir, querer saber,
Mar, azul oculto da manhã
Na bruma matutina
Que te impede de ver as noites
Iluminadas pelo doce luar!

Alberto Cuddel
Mar-À-Tona – Mar de Bruma- Poetas Poveiros- Março 2016 – ISBN 978-989-99500-5-4

Poema do dia 05/06/2018

Poema do dia 05/06/2018

Dispo-me das marés que sobem
Dunas cheias de vento e cactos
Não há dia, nem sol, apenas tarde
Uma noite que me cai na alma
Esta saudade de não te ver chegar!

Olho a vida distante num poema inacabado, uma vida ceifada pelo destino, um amor que seria, e não chegou a meio, embalam as ondas os barcos, gaivotas que pairam, cadencia do mar, num vai e vem, para nunca mais votar, a quem tão queria bem… perco os passos olhando o horizonte, lágrimas que me molham os pés, notícias de ontem… nunca aceitarei este negro que me veste, por ti, que nunca partiste na semente que carrego no ventre…

Dispo-me das marés que sobem
Dunas cheias de vento e cactos
Não há dia, nem sol, apenas tarde
Uma noite que cai, que me abraça
Que me enlaça pela cintura
E sinto na brisa do tempo
Ainda os teus beijos salgados
Doces, ternos e molhados…

Alberto Cuddel
05/08/2018
12:20

Retorno

Retorno

No olhar transporta o sonho,
Na noite se perde o sonhar,
Espera novas no barulho do mar,
Marés que à terra o façam chegar,
Distante país, de longe a navegar,
Espuma do mar, ondas a quebrar,
Longas noites perdidas no luar,
Olhares que se cruzam,
Saudades ausentes,
Quentes palavras por entre dentes,
Soltos gemidos, quentes sentidos,
Que o homem faz jorrar!

Decidiste entregar-te cegamente,
Sem duvidar apenas a mim,
Dás-me a tua alma, teu ser,
Pelo meu, pelo teu prazer,
Sonhos contidos,
Sentidos, gritados e gemidos,
Prazeres sem fim,
Entregas a alma, o ser, o corpo,
Por amor, por vontade,
Pelo verdadeiro sentido do ser,
Verdadeiramente de alguém,
Sim, sei que sim…
Em minhas mãos te tomo,
Não apenas como minha,
Mas para que na verdade,
Possamos ser um!

Alberto Cuddel

Ver o mar?

Ver o mar?

Quem vem de longe ver o mar?
– Por detrás das dunas…
Não importa a solidão e cousa triste
O mar limpa o olhar, na imensidão azul…
(brisa que te afastas os cabelos)

(…)
Anjo branco na tez da pele
Penas que esvoaçam na pele nua,
Longe nas entranhas das águas
Sulcadas pelos teus pés…
Abres as asas e voas, sob o verde das marés…

(…)
Nas noites correm-te rios nos olhos
No medo de um acordar solitária
Sem ninguém, sem a guarda,
Sem corpo que um anjo deva guardar…

Alberto Cuddel
05/02/2018
05:10

Poema XXXI

Poema XXXI

Mar que me aparta a vida da morte
Cruzado por barcaças ventos de sorte
Mãos que recolhem as rosas desta vida
Pernas cansadas adiam a partida…

Rasgos e laivos de maresia
 Morrem onde me nasce a poesia…

Oh madrasta angustia que me sei
Nunca de ti soube qualquer lei,
Perdida que foi a vontade de caminhar
Ergo-me na noite antes de me deitar…

As coisas que dizem não me contentam
Nas tuas raízes que me matam por dentro…

Alberto Cuddel
09/10/2017
06:50

Poema XXI

Poema XXI

Entardece o dia
Por entre areias molhadas
Nuvens transportam sonhos
Olhares que se cruzam na lua
Fome de ser minha, na fé creio…

Amanhã velarei o dia de hoje
Ontem, qual ontem?
Voam folhas em marés esvaziastes
Lua embarcadiça no horizonte
Lívida solidão que me conforta
Reflexo das águas turvas…

Externo exposto ao vento dos tempos
Alma encoberta por alvos mantos
Purificado na baptismal crença
Banhado em águas frias…

No peito teu que leio
Deposito o meu olhar
Descanso das letras dos montes
Por vales de estrofes rimadas…

Passos, largos, apressados
Perdidos nas areias da vida!

Alberto Cuddel
01/10/2017
21:40

Poema do dia 14/11/2017

Poema do dia 14/11/2017

Na mais leve andança,
Do leva e trás,
Que a espuma deixa
A vã esperança
Que se desfaz num sonho
Plantado na areia,
Uma concha, um búzio,
Um coração desenhado
Um desejo traçado,
Tudo de desfaz
Ficando a lembrança
Do leva e trás…

Memória de um Verão,
Ontem passado por paixão,
Nevoas do tempo
Que a maré arrasta…
No leva e trás,
No trás e leva…
Do tempo que passa
Na saudade que trespassa…
Espuma desfeita…

Alberto Cuddel
14/11/2017
16:20

Poema do dia 03/11/2017

Poema do dia 03/11/2017

Deixei que me adormecessem os versos
Sob o olhar pesado e cansado…

Despi-me de tudo
Das palavras quentes
Dos gélidos sonhos
Dos contos e fantasias
Deitei-me
Onde de deitam os que dormem
Antes que outros se levantem
Gritando aos quatro ventos
Que o dia, morreu em mim…

Que assim matem os dias
Morrendo no cansaço
Onde te morrem as ondas
Que um mar que vai e vem…

Alberto Cuddel
03/11/2017
2:10

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