Eram áridas as mentes e as mãos vazias…

Eram áridas as mentes e as mãos vazias…

Eram desérticas, vazias de sonhos
onde os pássaros incertos, nidificavam nas ondas
esvoaçando sempre na direcção oposta ao nascente…

Olhares que fugiam, desviavam-se
Palavras que cortavam o vento, os corpos sedentos
no silêncio da escuridão, eclipses solares
na grega luta, combate entre o sentir intenso,
e a mente em ebulição, insónias e sonhos

O desejo do amor que gritava: entrega-te!
Mas era corrompido pelas mãos vazias e dedos calejados
pela concreta razão que os empurravam para a solidão
rasguem-se os dias e as noites…

Esbarraram-se na madrugada fria,
Noites veraneias, na totalidade dos devaneios e sentidos,
Germinam os gemidos e sussurros
Quentes são as areias desérticas do mar aberto…
sussurros fundiram mente e coração.
E nos abraços abocanham os sonhos e os ninhos…

Eram áridas as mentes e as mãos vazias…
nelas o corpo ganhou matéria com o pó dos sonhos…
E delas fizeram-se as estrelas e os orgasmos…
do amor se formaram as asas…
e voaram a par…

Alberto Cuddel
07/08/2020
04:40

Poética da demência assíncrona…

Olha comigo o sol que se deita

Olha comigo o sol que se deita

demos as mãos,
olhemos o tempo que nos resta
esse que para no abraço
esse que se faz dia no cansaço
esperemos juntos o tempo que falta…

beijemo-nos na boca
como sempre nos beijamos
que nos abrace o sol
que nos envolva a noite
demos as mãos…

olha comigo o sol que se deita
marquemos encontro aqui
por acaso, mas aqui
aqui onde estou, onde estás
e demos as mãos
abracemos os amor que nos resta
no tempo que nos falta…

olha comigo o sol que se deita
e comigo espera que ele se erga
todos os dias, contigo, comigo
de mão dada…

Alberto Cuddel
19/01/2020
06:05
In: Nova poesia de um poeta velho

Poema XLVI

Poema XLVI

Magras, tuas mãos alargam-se sobre quem a vida sequestra.

Ainda que os braços pendam sem forças
sob o jugo do peso da discórdia
erga-se a vontade da vida, partilha do pouco
uma vontade de ser, apenas amanhã…

saudade de amar como uma viagem por fazer
o frio no chão como as campas,
húmidos estão os pés que não se movem por ninguém
morrem as bem-aventuranças, nesse umbigo onde gira o mundo…

saudade do futuro como de um sorriso estampado no rosto
(criança cheia de fome, e corre, e brinca tristemente)
há lares vazios de gente, e casas cheias de saudade de viver
há quem já não tenha medo de morrer, há quem o deseje…

tudo é dos outros salvo a mágoa de o não ser
até a culpa, até o medo…
eu? Eu sempre sempre serei inocente
mesmo que nada faça, do que deve ser feito…

Alberto Cuddel
05/06/2019

Silêncio das palavras

Silêncio das palavras

Comovido, humidade no olhar
Na beleza que me deixei perder
Nas voltas, rectas, curvas, deixar e fixar
Nobre arte de não só olhar, mas ver
Poderoso grito do silêncio
Dos que silenciados estão
Perdido num qualquer rascunho
Pedaço de madeira escrito
Pela força do punho!

Alberto Cuddel

Unamos as mãos

Unamos as mãos

Unamos as mãos
Como os braços de rio
Unamos as mãos como arcos de pedra
Sejamos um que nos suporta…

Dias que nos caem no olhar
Abobada celeste testemunha
Selado na natureza divina
Estrelas como lençóis
Luar que nos ilumina…

Unamos as mãos
Sejamos um
No duo que somos
Somos tudo
No nada que nos suporta…

Alberto Cuddel
19/07/2017
11:50

Não tragas nada nas mãos

Não tragas nada nas mãos

Assim ao abraçar-me apenas ganharás
Se ocupadas vierem, quanto perderás?

Não colhas flores para me oferecer
Entrega-me o jardim que eu merecer!

Não tragas nada nas mãos
Doa-te sem restrições
Sem pressa, apenas sem nada a temer…

Não tragas nada nas mãos
Não me tragas o passado distante
Quero-te limpo e livre no presente…

Não tragas nada nas mãos
Pois nelas deposito todos os dias
O meu singelo e apaixonado coração!

Alberto Cuddel
Palavras de Cristal Volume V – Modocromia – 2018 – ISBN – 978-989-99949-9-7

Poema do dia 03/06/2018

Poema do dia 03/06/2018

Não creio que a vida te nasça nos dedos, que a vingança seja a vitória dos teus medos, não creio ser poesia a fonética rimada dos segredos, apenas um amontoado de xailes negros, esvoaçando ao vento… em vozes redondas e chorosas cantando a saudade, de quê? De quem em boa verdade?

Projectas a sombra da lua em paredes despidas
Vazias de esperança em manhas frias…
Cobertas de dores, desilusões e enganos
A lua, esconde a face dos amantes…
Enaltece os poetas, mastigando as horas…
Indicam anelares que prazer que escorrem…
As noites enchem-se de solidão acompanhada…

Correm pelos beirais as lágrimas silenciosas, um segredo selado a medo, ardem no peito em desespero, culpa, amor, desejo e segredo… na ansiedade de ser, a felicidade escorre ali ao lado, alheia a mim mesma… no leito quente que dorme, num eterno abraço acompanhada… sem o saber… vive o sonho sonhado por outro alguém…

Alberto Cuddel
03/06/2018
16:40

Poema do dia 04/04/2018

Poema do dia 04/04/2018

De nada me serve lê-lo
Onde me conheço nas horas vivas
As mortas, essas no convento memorial
Templo sagrado do que foi, aprendizado…

Não me basta saber-me, se não o for…

Tanto quanto vivemos na ilusão dos sonhos
Passando a vida e nós passando com ela
Medindo e sendo medido nos olhares
Dos que nos escondem a mão…

De mãos estendidas aos Céus
No louvor da vida, poetizo-me
Num único poema onde sou
Existo, gratuitamente no vazio…
Na existência entre uma estrofe e outra…

Alberto Cuddel
04/04/2018
17:00

Enlacemos as mãos…

Enlacemos as mãos…

Enlacemos as mãos uma na outra,
Os sonhos uns nos outros,
Sonha-me como te sonho…

Enlacemos as mãos nos caminhos dos dias
Nos desejos das noites perdidas
Nos esforço e dor do sopro da vida…

Enlacemos as mãos, na tristeza da despedida
No conforto da chegada…

Deixemos as mãos enlaçadas,
Não nos separemos por nada
Com as outras livres, damo-nos ao mundo
E a todos os que na solidão não caminham de mão dada….

Alberto Cuddel
24/11/2014
22:30
#Solutampoetica

Poema I

Poema I

Pousei a mão sobre uma folha branca
Sem rimas ou rabiscos espaço de nada
Ideias onde o sentir assim se alavanca
Poesia métrica assim apenas formatada.

A mão que sobre a poesia pousei
Não apenas a minha, mas a de ninguém
Não me define, nem define o que sinto
O que me define são as letras
Que do sentir me provém…

Não me visto de rimas, de teoremas
Não me visto de palavras belas
Visto-me de sentir, das rotas acções
Das agulhas com que cozo os dias
Das linhas com que costuro as noites.

A mão que pousei sobre a mesa
Usa-a para desenhar o amor
Que sobre a razão desdenho
Sabendo em mim certeza
Minha mão uso com empenho!

A mão que pousei,
Não a usarei contra mim próprio…

Alberto Cuddel

Poema do dia 28/10/2017

Poema do dia 28/10/2017

Por entre as mãos que se enleiam
Corpos que se perdem
Que se encontram no abraço
Beijos de ontem, que ficaram por dar…

Solto-me, soltas-te,
No jovial enlace da paixão
Tremes, tremo, trememos
Como se nos amassemos
Pela primeira vez….

Nos abraços que são tudo
Encontramo-nos no nada
Que o tempo nos rouba e nos concede…

E hoje?
Hoje, recordamos o ontem
Não na saudade
Mas com um sorriso nos lábios…
Eu, tu, e o “nós”, que o abraço nos concedeu…

Alberto Cuddel
28/10/2017
11:30

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