Madrugada capitular

Madrugada capitular

Sentia por antecipação
A madrugada despida
Orgulho caído do luar
Desvirginada manhã
Raio alucinadamente
Apaziguador do teu ser!

Fazes-me crer pela tua igreja,
Que te apresenta assim nua,
Despida nas doces preces,
Que ilusoriamente recrias,
Personagem descrente de ti!

Ai, madrugada oculta,
Que na luz revela-te,
Triste, dormente e fingida,
Louca e melancólica,
Vivendo apenas nos sonhos
Tresloucados amores da noite!

Alberto Cuddel®
30/03/2016

Soneto da madrugada!

Soneto da madrugada!

Colinas noturnas da melancolia,
Vagueiam saudosamente sós,
Arrancam do peito a homilia,
Rasantes pensamentos, coesos!

Ah, poder anunciado do ósculo,
Promessa perdida, escrita no ar,
Vontade de a ti, juntar no cenáculo,
Delirantemente, tua pele borboletar!

Do cansaço delirante candura,
Acto heróico delicada bravura,
Queda, louco seria cansado,

Dor coloreada da triste madrugada,
Arte infeliz, saudade assim sonhada
Dormente, sequiosamente amado!

Alberto Cuddel®
30/03/2016

Perdeu-se o mundo na madrugada…

Perdeu-se o mundo na madrugada…

e despiu-se… de alma vestida despiu o corpo
e correm alvoraçadas rua abaixo ainda confinadas
as folhas soltas do Outono douradas pelo tempo
cravam-se desenhos aleatórios na parede, cores garridas…
há uma camisola de malha esquecida e um jornal…

de joelhos ergue os punhos aos céus,
libertando as mãos dos cabelos seus,
lábios abertos e boca cheia, nem um grito
um gemido… engole…

perdeu-se o mundo na madrugada
não há já esperança no acordar
é tudo agora, depois, depois nada…

ouço calado notícias do fado
não há saudade, não há medo
nem desespero, nem amparo
nem conhecido, ou segredo
perdeu-se o mundo na ombreira da porta
mesmo ali, diante da escada…
nesta vida não vales nada… nada…

e os homens? esses esqueceram de acordar…
dormem, como vagabundos abandonados
usados, bem usados… mas sozinhos…
porque elas já não precisam deles…

e caminham sozinhos assobiando satisfeitos
sem conhecerem a solidão que os habita
que os vai corroendo por dentro
como um cancro incurável que os mata…

Alberto Cuddel
09/12/2020
03:10
Poética da demência assíncrona…

Há rasgos de luz que nos cortam a madrugada!

Há rasgos de luz que nos cortam a madrugada!

Há sonhos despertos
E mares que nos acordam
Há sempre uma vastidão no peito
Um sentir certo, um querer perto!

Há rasgos de luz que nos incendeiam
Há um calor no corpo que nos acorda
Cama de espuma das nossas vidas
Pegadas em areia molhada maré vazia

Há sonhos na madrugada
Um cheiro a café e beijo
Há passeios de mão dada
Há em mim o teu desejo!

Há rasgos de luz que nos cortam a madrugada
Há um tempo sem pedir nada
Na vida de um verde olhar
Há esperança por amar!

Alberto Cuddel
01/10/2018

Poema do dia 30/01/2018

Poema do dia 30/01/2018

“Vou beijar-te com força meu amor”
Vanessa Martin

“Vou beijar-te com força meu amor”
Antes que a noite se ilumine, na saudade
Onde os corpos quentes se separam
Para mais um dia sombrio afastados…
Neste amor convencido e de verdade!

Que nunca digas adeus à eternidade
Onde moram as lagrimas de despedida
Caminhemos juntos na cumplicidade
Nestas aguas turvas que são a nossa vida!

“Vou beijar-te com força meu amor”
Porque eternamente estaremos unidos
Entre um adormecer e a madrugada
Corpos de luz em união fundidos
Esperam-se na ansiedade de cada chegada

Que nunca sejamos perfeitos no querer
Entre as nuvens de cada tarde
Somos ondas de um mar a manter
Num amor quente em volúpia que arde!

“Vou beijar-te com força meu amor”
Antes que a noite se acabe
Porque nunca serei completo
Sem o sabor a que um beijo sabe…

Alberto Cuddel
30/01/2018
08:22

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