Lanço poemas

Lanço poemas

Em tudo o que faço e refaço.
Meus pedaços em troca de laços
Dar o que em mim ainda há
Tanto sofro como choro
Tanto rio como sorrio!
De que me afasto se me basto
Chega! Agora basta!

Odes delirantes de alfobres
Berçários de versos, reversos
Saudades…
Amores, paixões, desejos profanos,
Sonhos e dores…
E arde em silêncio a candeia
Que me ilumina e incendeia
Chama que dança –lua cheia,
Triste e amargurado poeta
Por onde arrastas teus versos
Peregrinos, lançados pela janela
Ao colo de uma donzela,
Sofre em si abstinência do corpo
Lágrimas que lhe correm no leito
Pelos tremores do desejo,
Tudo por nada, apenas por um beijo!

Ai poema, poema,
Onde me levas, debruado na noites
Em cama de estrelas, sonho vê-las,
Palavras soltas, directas, concretas,
Rimando apenas na beleza do seu busto,
Nos versos procuro e rebusco, o sim,
O não, o amor, a paixão, ou apenas a visão
De te ver passar mais uma vez,
Lançando-te poemas para o colo!

Alberto Cuddel®
15/07/2016

Paixão ao luar

Paixão ao luar

“Despertar o brilhante
Que vive no céu estrelado
É como uma estrela cintilante
Num coração amado”

Ana Margarida de Assis

Por entre horas desfilando em arco
Nas horas que contem a madrugada
Nascem gemidos
Beijos nas pontas dos dedos
Corpos que se enrolam na areia molhada!

Abraças o mundo, abraças-me
Sentir dormente, movimente das ondas
Estrelas reflectidas no mar do teu olhar
O rubro do rosto, iluminado pelo luar,
Salgado beijo onde deliro…

Consome do desejo de não tocar
Toda a plenitude do corpo e amar
O coração que acelera ofegante
Pela saudade de um tempo em nós distante,
Encontros sem tempo, sós
Na nossa solidão sem gente…

Noites, luar madrugador,
Areia quente, amor
Molhado, lavado
Gemido, beijado
Abraçado, movimentado
Num praia,
Que as marés do tempo
Não apagam,
Não acalmam,
O que o coração sente
Ou o corpo desejo ardente!

O sol espreita o horizonte
Iluminado teu rosto
Novo dia, que se aponte
Amar não é em mim pressuposto
É apenas a força do meu viver!

Alberto Cuddel
06/07/2016

A noite é escura, muito escura

A noite é escura, muito escura

a noite é escura
na sua escuridão faz brilhar a mais ténue luz
há na distância um casario, na janela uma luz
uma pequena luz que ilumina um busto,
e brilha… uma luz que me faz mais humano
e mora la alguém que são sei que é
e se soubesse que importância teria…

nada me importa naquela luz
não sei quem ilumina,
apenas a luz reflectida pela lua no lago
há entre mim e a luz um lago
um pedaço de espelho que me reflecte o céu
eu que irei habitar o inferno

em relação à distância onde estou há só aquela luz,
e o lago que me separa, a noite esta escura
há o homem e a família dele
são reais do lado de lá da janela
eu estou do lado de cá,
a uma grande distância…
a luz apagou-se.
que me importa que o homem continue a existir?
se a noite escura não me incomoda…

Alberto Cuddel
28/08/2020
23:35
Poética da demência assíncrona…

Corpos… apenas isso

Corpos… apenas isso

Cenário dos desejos mudos e quedos,
– Raios de lua afagam-te os cabelos.
Lábios húmidos, desejo de beijos,
Lua sonâmbula adormecida,
Ondulantes formas de mulher,
Perpetuamente dormente…
Olhar cego e recto como destino
Entre o cansaço do dia e o desejo de carne,
Tolhem o olfacto as nuvens pardas de baunilha,
Mãos que se cruzam junto ao peito
Entre o abraço dos corpos,
O calor que apenas restou!

Olhemos as horas,
E o tempo que resta,
Céus rasgados pelos raios de sol!

Alberto Cuddel
08/06/2016

Amor Imortal

Amor Imortal

Não me custaria arrastar-me pela vida
Na palidez do rosto, no gélido sangue
Pelo amargo dos teus lábios, e os beijos
Com a lua iluminando-te as formas rosas
Ao chamamento, -vou, sou, pertenço
Amantes eternos, mesmo que o coração
Se imobilize nas tuas mãos, com a morte
Escondendo a nudez da tua alma, e o sangue
Deslizando na lâmina fria do ciúme,
-pertenço-te apenas, na lucidez entorpecida
Do desejo animalescamente humano,
Órfã dos pudores mortais, de uma alma
Trajando o luto, da perda constante
De um amor Imortal!

Alberto Cuddel
25/05/2017

Poema do dia 01/08/2018

Poema do dia 01/08/2018

Eu vou amar-te, para que me perca
Ainda que te encontre, nas tuas palavras…

… e tudo o que adveio da madrugada entre suspiros e soluços engolidos, seja em mim vontade de abraçar-te mais um pouco, ainda que o tempo, não nos espere lá fora, e as estrelas perfumem os ponteiros que param num tempo tão nosso… nada se compara às cearas que doiram ao nascer do sol…

Eu vou amar-te, para que me perca
Ainda que te encontre, nas tuas palavras…

…nesta vontade inteira de ser parte de tudo, de ser em ti o que em mim nasces todos os dias e todas as noites, nas folhagens que se agitam diante da janela despida, iluminada por uma lua envergonhada pelos nossos amplos movimentos, e quedamos, como quem se queda num abraço, imobilizados pelo querer que nos envolve…

Eu vou amar-te, para que me perca
Ainda que te encontre, nas tuas palavras…

…nelas que calas no olhar azul, como azuis foram os ribeiros secos, depois de todas as fúrias e todas as lágrimas… Eu vou amar-te, para que me perca, onde sempre me encontrei… nas tuas palavras…

Alberto Cuddel
01/08/2018
14:50

Poema do dia 12/05/2018

Poema do dia 12/05/2018

Ensaiou envergonhado um nascimento,
Um parto de vocábulos mortos sem alma,
No final deu-lhe um nome, “poema”!

Percorro com a nudez dos dedos
A distância que medeia outras horas
Desvendo roupas e outros segredos
Nas lágrimas que caem quando choras!
 
Fundimos a noite na linguagem silenciosa,
Na cama solitária vestida de rubras sedas,
Lua tímida, anafada ocultamente receosa,
Escondidos por entre arbustos e veredas!
 
Cai a noite, beijo salgado, cansado, dormente
Saudade ausente, lábios teus escritos na noite
Gemem as pedras, as ervas, cala-se outra gente
Cai o vento na alma, a brisa nos cabelos, acoite!
 
Corre a água em direcção ao mar,
Dormente ser cativo, doce (a)mar,
Olhar infinito, nuvens, tempestades,
Azul, céu estrelado, tuas vontades!
 
Com os dedos assim vestidos de luxúria
Percorro o tempo e a negra escuridão
O vazio da alma sofrimento da penúria
Devoto crente, triste e humana desilusão!
 
O dia nasceu, cansado sentou-se
Os pássaros irrequietos voaram
Mas o homem, tristemente negou-se,
 
Esperou pensativamente a noite
Vozes dormentes na mente soaram
Veloz pensamento assim afoite
 
Na solidão das estrelas, adormeceu
Sonhos de menino, humanas vontades
Palavras duras, puras, certas verdades
De alma despida o ser Amor, enalteceu!
 
Alberto Cuddel®
12/05/2018
10:25

Luar, ou queda da noite

Luar, ou queda da noite

Lua cruza, como crua cai a noite,
Luar, espelhado como espelhado fora o dia,
Ardem mãos que se queimam no olhar,
Lua que adormece, como dormem as migalhas
Caídas da mesa onde ontem se alimentaram
Pardais e andorinhas, essas asas que migraram
Contra luz, espelhada nos lençóis de água
Correndo lentos rumo ao mar,
Cai a noite, uivam os cães,
Miam os dormentes gatos no cio…

Alberto Cuddel
#depressaopoetica
20/03/2017
23:30

Poema XXI

Poema XXI

Entardece o dia
Por entre areias molhadas
Nuvens transportam sonhos
Olhares que se cruzam na lua
Fome de ser minha, na fé creio…

Amanhã velarei o dia de hoje
Ontem, qual ontem?
Voam folhas em marés esvaziastes
Lua embarcadiça no horizonte
Lívida solidão que me conforta
Reflexo das águas turvas…

Externo exposto ao vento dos tempos
Alma encoberta por alvos mantos
Purificado na baptismal crença
Banhado em águas frias…

No peito teu que leio
Deposito o meu olhar
Descanso das letras dos montes
Por vales de estrofes rimadas…

Passos, largos, apressados
Perdidos nas areias da vida!

Alberto Cuddel
01/10/2017
21:40

Poema XIV

Poema XIV

Deste amor sem pele
Que me adentra na alma
Que mói e que queima por dentro
Que tem fome de corpo
Que vive e sobrevive
Nas marés do tempo
Nos ciclos da lua
Entre os sois e as madrugadas
Em ledas alvoradas chorosas…

Que me consuma nos dias
Nas noites paridas nos dedos
Nas mãos esquecidas e medos
Nos espinhos do tempo
Nas chegadas e partidas
Nos minutos em contratempo…

O doce e velada saudade
Dormindo nos ramos caídos
Nas folhas douradas levadas
Por ventos quentes e tristes
Que morrem no solstício…

Matam-me as frases feitas
Um amor enjaulado nas formas
De um anafado corpo corporativo
Que me dita a vida…
Amo, livremente…
Ainda que me condenem
As horas de solidão…

Alberto Cuddel
26/09/2017
18:18

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