Ultimato a ti

Ultimato a ti

Sim, a ti,
A ti que criticas,
A ti que tens ideias,
A ti que tens opinião,
A ti que por tua cabeça pensas,
Não basta disser que é tudo uma desilusão,
Não basta que isto vai lá com crenças!
Está na hora de agir,
Está na hora de sair,
Do nosso local de conforto,
Temos que dizer, fazer, opinar e mudar,
Mesmo que tudo dê para o torto,
Tentamos, não ficamos parados,
A comunidade necessita de nós,
Nós que pensamos, nós que agimos,
Nós que não paramos,
Nós que não nos conformamos!
Procuremos as associações,
O poder e colectividades,
E podemos mudar gerações,
Fazendo mudar opiniões,
Basta de conformismos de sociedades,
Desinformadas!

Alberto Cuddel
02/07/2013

Macabros intentos…

Macabros intentos…

De punho erguido ao vento
que duro e vão intento democrata
impor verdade pela força da palavra…

Denunciem senhores
denunciem senhoras
encontrem alternativas
esvaziem as mãos, os bolsos e façam acontecer…

De punho erguido ao teclado
teclando exaltado
assim vive o povo
reclamado na sombra do seu poder…

Desfilem…
manifestam-se meia dúzia
de canário vestidos,
pio, pio, nem um pio…

Mas votam,
votam como quem vota sem olhar
sem ouvir e sem falar,
votam na confiança que outros escolhem
pela falta de coragem…

Macabros intentos
este do voto na abstenção
não há alternativas
mas ninguém trabalha pela força da razão…

Alberto Cuddel
21/01/2019
19:09

Ladram as gentes que vem cão

Ladram as gentes que vem cão

E os gatos em telhado de zinco
Eu sem dormir até o trinco

Vão e vem as noites pela avenida
Depois do terceiro andar
Ainda ninguém dormia,
Quase meia-noite, antes da noite meia!

Não há sombras na parede
Nem luz que o alumie
Ladra o cão sem gente
A gente rosna a solidão

Sono maldito, insónias do tempo
Nas voltas da madrugada
Neste silêncio de nada
Rezam o terço as beatificadas
Desse rosário de ladainha
 – Estou só, assim sozinha.
 – Tenho frio, junta-te a mim?

E corro ladeira abaixo
Desse tempo sem Constança
Não há luxuria que me valha
Corro, corro, do medo dos canídeos
Portas que batem, luzes que se acendem
Maridos acordados, fumo nos telhados
Ladram as gentes que vem cão,
As cadelas estão no cio…

Alberto Cuddel
03/11/2018
Marvila, Portugal

Pobreza!

Pobreza!

Pobre mediocridade de quem tem a dar,
Dissimulada vergonha assim encapotada,
De nada ter, nada pedir, e com fome ficar,
Pobre busca da felicidade no “eu” explorada!

Rostos cansados, amansados na pobreza,
Mãos erguidas pedindo apenas um pão,
Vergonha, onde escondo o rosto, tristeza,
Remexendo os bolsos em busca do tostão!

Vemos e não olhamos, temos e não damos,
Sabemos e não lembramos, mas podemos,
Gritar aos quatro ventos, assim realizarmos!

Mudanças varias na vida de alguém,
Não quero fome para mais ninguém,
Quero dar felicidade que o nós contém!

Alberto Cuddel
Poetas d’hoje – Um grito contra a Pobreza- Grupo de Poesia da Beira Rio – 2015 – D.L. 399248/15

Pensamento veloz!

Pensamento veloz!

Perco-me na velocidade o leviano pensamento,
Na pressa de debitar constantes palavras, ideias,
Para que nada se perca na pressa de chegar,
Nas viagens fantásticas, do sentir a vida,
No fluir do sentir, do querer, do ver, do olhar!

Sons, imagens, sensações, tudo é poema,
Poesia, na beleza, ou no horrendo desprezo,
Da capacidade humana da indiferença,
Por uma flor nascida no asfalto,
Por um mendigo caído na soleira da porta,
Pela fome de uma criança,
Pela pobreza sem esperança,
Pelos conhecimentos não partilhados,
Por um pedaço de pão, ou sapatos rasgados,
Pelas águas cristalinas do ribeiro,
Ou pelos sofredores desempregados sem dinheiro,
Tudo é poesia, mas agora apenas escrita,
Alertando para a beleza do gesto,
Poeta, torna-te acção, vai partilha,
Faz feliz alguém na tua vida!

Alberto Cuddel
Poetas d’hoje – Um grito contra a Pobreza- Grupo de Poesia da Beira Rio – 2015 – D.L. 399248/15

Poema do dia 03/04/2018

Poema do dia 03/04/2018

Ensaio de um orgasmo…

Seja nas mãos estendidas
Nos braços abertos
Nos lábios húmidos
Nas pernas cansadas
Nos corpos quentes…

Há sempre uma mão a dar
Um abraço para confortar
Uma palavra amiga
Um caminho a percorrer
Um casaco a oferecer…
Na partilha, realizamo-nos
Plenamente no outro…
Há sempre como ajudar
Orgasmos, nada mais é
Que o êxtase de fazer sorrir…

Alberto Cuddel
03/04/2018
16:25

Poema do dia 11/03/2018

Poema do dia 11/03/2018

Perguntei ao caminho para onde ia
Que novas me trazia, que rumo levava…

Perguntei ao mar, ao rio, ao céu
Que futuro seria o meu, o teu?

Perguntei-me a mim mesmo o porquê
De um tudo, de um nada, das mudanças
De um já, de um logo, de andanças…

Perguntei-me, no todo o silêncio que grito
Não respondi, fiquei parado, firme, hirto…

Esperei que me respondesse o vento
Nas vozes dos aflitos…

Perguntei-me porque me calava
E nem assim respondi, calei…

Alberto Cuddel
11/03/2018
01:53

em cada esquina um inimigo

em cada esquina um inimigo

em cada esquina um inimigo
em cada esquina falsidade
em cada esquina escondido um umbigo
em cada esquina a desigualdade…

em cada verso o desdenhar
a leitura do sentido inverso
se precisas não posso ajudar
se não queres eu me ofereço…

ó falsas vaidades estas do povo
em que o povo somos nós
olhando acima o céu Tão bonito
no chão pisamos a bosta de cão…

Januário Maria
09/10/2017
21:02

Sala vazia

Sala vazia

O teu universo cheio,
 De salas vazias
Ninguém contigo por estar
 Apenas no lucrar
Amizade comprada, vendida
 Trocada, nunca por nada…

Este mundo, tudo é reciprocidade
 Troca, conveniência,
Subtil aceitação e corrupção dos sentires
 A dádiva gratuita
É uma sala cheia de gente a receber…

Januário Maria
04/06/2017
18:45

 

Sonhos do mundo

Sonhos do mundo

Do nada que tudo serei
Te dirá a memória
Do todo o sangue das mãos
Dos sonhos que realizei!

Das noites de insónias,
Das ruas sujas, escuras
Da fome que matei
Do frio que tirei….

Tenho em mim todos os sonhos do mundo
Mas tenho em mim, mãos também…

Januário Maria
08/05/2017
9:00

Poética de arroto 

Poética de arroto

E hoje quantas?
Muito lindo, duas de treta,
Ai o amor, e decote mais pronunciado…
Caem blusas, camisas, que nojo,
Que asco, que poética?
Plágios, palavras bonitas,
Enganos, no final…
No final tudo e sexo…
Mesmo que imaginário
No final tudo e fome de ter…
Saciados dormem sobre o arroto
Esse que o produziram

Januário Maria

21/03/2017

Caderno aberto com rosa negra !!!

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