Ilusão?

Ilusão?

Reconheço-me estupefacto
Nas águas que me escorrem pelas mãos,
Lágrimas vertidas, areias soltas nos pés,
Neblinas de ideias de homens pequenos,
E madrugadas nascidas do ventre das mães,
Escorro-me onde o vento desfaz as tempestades
Na calma dos corpos… tão belos.

Vejo os horizontes, e os desertos
O voo libertino das aves, asas aladas,
Na palma das minhas mãos escorrem sonhos
Que morrem na rebentação das marés
Por entre luares de Abril, onde navega o coração
Na paisagem gretada pelo sol dos que vivem.
Forço-me navegante no azul do teu olhar
Onde me perco na esperança de me encontrar
O meu corpo sangra, inunda os campos

Desvirginando a terra e as ilusões!

Alberto Cuddel, in “ O silêncio que a noite traz”, página 49, Orquídea Edições, 2018.

Essa ilusão da existência

Essa ilusão da existência

“O mesmo ardor que o dia nos pedia.
Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida.”
Ricardo Reis

nessa ilusão rasgada pelas filosofias
existência dependente da eléctrica corrente
amo por ser gente, e gente por ter morto a solidão
como é antinatural o amor, se por amor perco
na dádiva do que de mim entrego…

corto dos dias as horas de mortandade
essa em que ilusoriamente sonha a irrealidade
com outra consciência nós colhíamos
e sob uma outra espécie
crepitam mortos os troncos na lareira
ainda que a tua mão esteja na minha
eu não existo ali, apenas estou
porquê por amor de dou
e amo porque sim, não porque existo
mas porque sem amor, sou tudo, do nada que dei
sem a existência do amanhã
morro, na probabilidade de na felicidade
não encontrar a significância do que sou
nesta ilusão da existência
de que todo ele é
poesia e melodia
que crepita diante de nós…

Alberto Cuddel

Ilusão projectada…

Ilusão projectada…

Nas quedas e recaídas,
Que me confundem,
Que como as sombras,
São, sem terem sido,
Que pela luz existem,

Se confundem e distorcem,
Que não se olhando ao espelho,
A penas vivem na ilusão,
Da realidade projetada!

Necessária ambiguidade,
De fechar o olhos e ver,
Tapar os ouvidos e ouvir,
Uma alternativa realidade,
Que de nós projectamos,
De nós próprios…

Alberto Cuddel
14/10/2013

Poema do dia 28/07/2018

Poema do dia 28/07/2018

Duvido e divido o que sei e imagino
Por um lado sou tudo o que sou,
Por outro o que me imagino e esqueço…

Nestes vales agitados pelos ventos
Montanhas altas e trespassáveis
Folhagem agitada pela ilusão
Consumida, fogo ardente do Verão

De uma religiosa forma amo, ventos
E verdes, azuis e cinzas, naturalmente
As nuvens que passam, esvoaçam brancas
Asas que me levam, sonhos que me abraçam!

E corro solto em noites vazias
Cheias de tudo e de nada, palavra
Gemem os espíritos vadios, saudade
Um acordar abraçado pelos lençóis…

Entre o mistério da sombra, rubros olhares
Corpos quentes que se misturam, dia, noite…
Revisitam os mistérios naturais do desejo
Ante o crepúsculo pecaminoso do querer…
Distantes… apenas sombrios…

Duvido certamente da noite
Da carência do ter, em que nada é
O sol apenas aquece, dando vida
Iluminado a alma sombria
No regresso o que lembro, o que me faço…
Amarrotando os sonhos que desfaço…

Duvido e divido o que sei e imagino
Por um lado sou tudo o que sou,
Por outro o que me imagino e esqueço…

Alberto Cuddel
28/07/2018
17:55

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