Um minuto,

Um minuto,

No silêncio da sala vazia,
Uma pancada fria e seca,
Uma culatra puxada atrás,
Um minuto a mais queria,
Na solidão da biblioteca,
Um minuto a mais terás!

Movimento perfeito,
De um ponteiro recto,
Um minuto, que fazer,
Pensamento esvoaçante,
Vontade de pensar querer,
Correr veloz ao passado,
Ao feito inconfessado,
Desliza ao sonho futuro,
Sentimento gélido e duro,
Ao quente e doce amar,
À ideia a concretizar,
Folhas soltas da memória,
Apresentadas como vitoria,
As imagens rodam reais,
Locais e coisas banais,
O teu olhar, o teu beijar,
O toque do teu desejo,
Quietude do teu escutar,
Em minhas mãos te vejo,
Perdida na saudade,
Desta louca ansiedade,
De um minuto restar!

Uma pancada fria e seca,
Uma culatra puxada atrás,
E o ponteiro avança!
E tudo de novo recomeça,
Um minuto, outra conversa!

Alberto Cuddel

Nesta hora!

Nesta hora!

Bradou no vale
Sino do meio-dia
Que assim anuncia
Chamo, chamo, chamo,
Vem, que todo meu corpo
Pelo teu corpo reclama
E nesta inglória hora,
Bradou em todo vale
O gemido, entrelaçado
Entre as alvas pernas
Que hoje me prendem…

Alberto Cuddel

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