Ausência, partida….

Ausência, partida….

O silêncio gritante que ficou,
Depois de tua partida,
Impotência, foi o que sentimos,
Os projectos por realizar,
Os sonhos,
Os conselhos que ficaram por dar,
Sentimo-nos sós…
Vazios de ti…
Agora preenches o nosso imaginário,
Falamos e questionamos-te em silêncio,
Sabemos que estas presente,
Talvez muito mais…
Do que alguma vez estiveste…

Neste vazio que deixaste,
Que o nosso amor preenche,
E nos impulsiona – “segui em frente”,
Deixaste-te a ti, viva entre a gente,
Na face e no sentir de cada um de nós,
Podemos ouvir tua voz, saber o que pensas,
Pois moldaste-nos como o barro,
Ficou Amor,
Ficou verdade,
Ficou saudade!

Alberto Cuddel®
2015

Mulher

Mulher

Nascida do sonho do homem,
Na perfeição da vontade de Deus,
Sim, mulher projecto perfeito da humanidade,
Carne da nossa carne,
Que fizeste-me crescer no teu seio,
Mulher que me alimentas-te,
Que me educaste, fizeste sentir,
Mulher que me fizeste descobrir o desejo,
O enrubescer no primeiro beijo,
Mulher que ensinaste-me amar,
Que em ti descobri a felicidade,
Mulher que em ti descubro a saudade,
Mulher, terna, meiga, bela, fonte de desejo,
Que muitos não cuidando maltratam sem pejo,
Mulher amada, força da natureza,
Mulher maltratada, sem a dita certeza,
Que sorte malvada, homem rude inconsciente,
Nascido da mulher, assim tão doente,
À mulher ser perfeito, que tudo suporta por amor,
Ser da caridade, da dádiva, da paixão, do clamor,
Dá-se aos filhos, ao homem, ao mundo,
À mulher tantas vezes mal-amada,
Infeliz, acabrunhada, desiludida, inconsolada,
Apenas porque Deus te fez de assim,
Nascida do sonho do homem,
Na divina perfeição!

Alberto Cuddel

Homem em dia de Mulher

Homem em dia de Mulher

Eu cuja reflexão emotiva já sucedia
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Homem sou também mulher por um dia
Coisas antagónicas e absurdas se sucedem
Eu o foco inútil de todas as realidades,
Que jamais se erga a mão contra ti “Maria”

Pobres bichos esses “homens”, deixar mulher ferida
Exultem-se em louvor a matriarcal criação
Crente real, inferior, quem sabe igual
De ti descendo, de ti aprendo…
Nos direitos que “detenho” responsabilidade
De ti os herdo, mulher que tudo me deste
E de ti os recebo mulher, que partilhas meus dias!

Homem sou, também mulher cada dia
Na emoção da perpetuação da vida
Na alimentação que nos agradece o corpo
Na proliferação da ordem no lar
Nas emoções e lágrimas de amar!

Homem sou, também mulher depois do dia
Exulte em mim a tua virtude, afectos
Que tudo me definhe, se em mim te diminua
Anseio pleno do teu prazer, o meu que advenha
Se tal se aprouver, és tu perfeita, és tu mulher,
A força do teu nascer, pela mulher – DEUS
– também por mim homem te concedeu
Na emoção de amar, apenas na mulher firmou
O sofrer de se entregar, pela nova geração!

Homem sou, e invejo-te por um dia
A condição de divina de ser mulher!

Alberto Cuddel
#ComoFazerAmor

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Lendo-me…

Lendo-me…

Perco-me nas letras do vento bolinadas por um marinheiro
Nas loucas paixões sem ordem de um agente da lei
No pó erguido pelos versos desenhados no museu
Pela sensualidade da escrita, voz que sonha na radio
Pela literacia do amor nas palavras de quem ensina
No olhar poético do vale por quem o olha e canta
Pelas certezas incertas e solidão da dona de casa
Na arte escondida de quem pinta de pincel e lápis
Na volúpia despida de quem olha de dentro a natureza
Na certa e erudita poesia que quem usa o direito
Na que conta histórias de vida e fantasia
Na escrita em outras línguas e traduzida
Da verdadeira, da fantasia, da alma, ou fingida…
Na tua, também na tua, e na tua, e na dele, na dela…
Seja ela escrita, declamada ou apenas sonhada
Eu que me leio em cada poema teu…
Também eu sou a tua poesia…
Eu um mero leitor que nas letras se faz vivo…

Alberto Cuddel
27/02/2018
17:04

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