Dizer “Amo-te” não é um mero dever,

Dizer “Amo-te” não é um mero dever,

Este inferno de partir – ah… E eu parto!
Por onde foi a vontade… quem ma roubou?
Esta ignóbil certeza, trabalho, coisa que me consome
Que vida? – A vida que em nós se constrói –
Fogo que me arde, cinza que esvoaça
Quando? Quando? Por quanto tempo?

Eu sei, sei, mas ainda assim quero,
Reconhecer tacteado o teu mundo,
Não sei por quanto tempo te ausentas,
Ou as historias que nunca vivi
Nunca foi um sonho – ou se meramente sonhei?
Oh! Que enfadonho é este partir…
Que me obrigam, aí de mim! Quero recuar?

Só me lembra que não irei, fico
Eu decidi… tornou-se luz dentro de mim,
E os meus olhos, que enxergaram além,
Em leituras do teu corpo, clamam firmes
Que faço ao saber? Fico, vou, deixo-me?
-só sei que nada sei!
Mas nessa hora nem sequer comecei!

Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi – 50

Hoje em tudo diferente…

Hoje em tudo diferente…

Momento inconstante e tudo muda,
O sol que dá lugar à chuva, os olhares,
Os gestos reprimidos, as lágrimas, o sorriso
Do nada, nada muda, tudo diferente, sem gente!
Existirá no mundo maior mentira
Do que o silêncio, as árvores a florirem,
Existirá maior traição
Que o sentir da palavras fora de tempo?
Haverá algo mais verdadeiro
Que escrever silêncios,
Com palavras nos versos?
Onde existir vontade, tudo muda
Tudo é verdade, acaba a mentira!
Ficam apenas o cantos dos pássaros,
Memória da água em ribeiro seco
O desejo do beijo, e um céu encoberto
Como lençóis cobrindo corpos estrelados,
E o silêncio,
O silêncio abafado da respiração ofegante
Nos dedos entrelaçados olhando o tecto!

Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi – 62

Poema XXXIV

Poema XXXIV

Embrenhei-me pelo sono
Sonhei o ontem e o depois
Por sonhos correntes
Gestos…. Esses? Ausentes…

Somos felizes sonhando
Mesmo que acordados?

Jamais saberei…
– Ou sequer que alguém saiba…
– Onde existe a realidade
Se nos sonhos, ou numa outra verdade?

Escorrem os dias pelas paredes
As noites pingam nos beirais
Luas que cruzam céus
E sois? Esses que martirizam a pele…
Queimando os sonhos alvos de pura ceda….

– Mesmo assim, não me amedronto
Diante todos os sonhos que ainda não sonhei…

Alberto Cuddel
11/10/2017
14:50

 

 

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