Sabor a (a)mar

Sabor a (a)mar

Na turbulência das ondas, na crista a alva espuma,
Revolta contida, espraiada na areia, silencioso voo das aves
Gaivotas que se juntam e separam, em voo picado sob águas quietas
Estranho mar nublado, sob luz rompendo, vento que a barca move
Apagando o tempo, réstia aflorada memória, sofrer nas ruidosas batidas,
Gemidos e palavras ditas, calma da baixa-mar, reflexos da brancas nuvens,
Desenhando ondas azuis, formas do desejo no azul do teu olhar,
Calma serena, na brisa que tange à sua passagem, corpos quentes
Perfume de maresia, nos poros do teu corpo, no toque de Deus
Sussurro soprado, nos mistérios da sua mão criadora
Com me acaricias os cabelos, paisagem de teu corpo que me prende,
À vontade de mim, que me eleva e me move, na dura direção da bolina,
Nos dias e tardes de luz adormecida no olhar, que na rocha sentada,
Onde quero encalhar, escorrem algas secas ao sol como finos cabelos,
Naufrágio no teu delicioso corpo, afogando-me em teu ser,
Sopro das palavras, onde respiro, nos versos em que me perco
Onde me encontro, nas sílabas que desenho na areia, húmida da maré
Que me trouxe o sal, a origem da vida, a vogais do meu ser, consoantes,
Na alva espuma, no azul do céu, descobri o sentido do (a)mar!

Alberto Cuddel®

Era uma vez um poema…

Era uma vez um poema…

… basta um bater de asa
Não importa se é gaivota,
Se é branca e cinza, não importa,
Se é uma simples traça, em volta da luz,
Ou uma borboleta azul que me seduz,
Não importa, basta um bater de asa…

Esse ténue deslocamento de ar,
Uma brisa imperceptível,
E voa a imaginação para longe,
Bem longe desta cadeira preta
E desta secretaria castanha…

Voa a imaginação pelos prados
Pelos jardins de gardénias
Pelos roseirais, pelos pomares,
Pelas maças do teu rosto,
Pelo sabor doce de morango nos teus lábios…
Basta um bater de asa… não importa por quem…
Basta-me o perfume do teu corpo
Para delinear os contornos da tua aura,
Para te desejar, para te fazer poema…

Era uma vez um poema,
Bastou-lhe um bater de asa,
E voou…

Alberto Cuddel
21/09/2018
Castanheira do Ribatejo, Portugal

Poema do dia 28/08/2018

Poema do dia 28/08/2018

Voaram gaivotas sobre o mar
Em dedos entrelaçados no monte
Abraços perdidos no tempo
Olhares que ficaram por cruzar!

Escorrem verdejantes os canteiros
em passos sincronizados,
vão florindo esperanças rosas,
amarelas, arco-íris plantado
regado nas palavras cantadas!

Na questão de uma pergunta calada
Lábios que se abrem, silêncio da resposta
Gravada a ferros na alma, nessa dor
A que chamam felicidade…

O tempo corre em sentido contrário
Como que a água voltasse a passar no moinho
Recuperando o tempo suspenso
Onde o ontem, volta a ser hoje
Florindo nova esperança para o depois…
O depois é, vai ser, todo o nosso tempo…

Alberto Cuddel
28/08/2018

Poema do dia 18/07/2018

Poema do dia 18/07/2018

Antes que caísse o crepúsculo sob a cidade da poesia, uma última volúpia declamada na vontade de ser verso…

Cavalguei madrugadas nas asas de uma gaivota, na vontade de ser mar, perdi o chão, na vontade de ser sonho…

Nobre desejo de ver o mundo é construir

Amar sem existir e destruir

Ser saudade de mão dada sem pedir

Ser liberdade em prisão voluntária…

Onde te moram os sonhos vistos no olhar?

Cuidei ser prosa, ideia e concretização

Nesta alegria ilusória de nascer

Ser novo e forte em cada dia

Novos mares a cruzar, nova vida…

Antes que anoiteça,

Cuidei de mim, fiz-me

Novo, tão somente poesia!

Alberto Cuddel

18/07/2018

16:16

Poema do dia 20/08/2018

Poema do dia 20/06/2018

Neste olhar o poço do fundo, ainda que seja um fundo sem poço, caímos apenas para no erguemos, ou fingirmos que tal acontece… depois vestimos o nosso melhor sorriso e saímos à rua…

Deixamos que a vida nos erga, de onde não queremos sair,
Deixamos que ou outros nos puxem da borda de onde queremos cair,
Deixamos que nos elevem nos ventos apenas pelo prazer se fingir,
Deixamos que a vida nos morra nas mãos pelo prazer de o sentir!

Neste voar de gaivota com fome, numa busca desértica pelo dizer, não vejo frases perfeitas, tão pouco um amor a condizer… tenho sede quero beber, mas a água esta longe sem ninguém para a trazer…

Neste voar, a cada beijo teu
Resta-me sonhar, sonho que é meu
Por entre frestas de porta fechadas
Não há que me escute, frases sentadas…

Longe morrem os dias, e quem os caminhou, pela estrada da vida, cansado se sentou… as noites, essas quentes e transpiradas, fazem-se de ilusões, tudos e essencialmente quase nadas…

Alberto Cuddel
20/06/2018
12:00

Poema do dia 31/05/2018

Poema do dia 31/05/2018

Dos ventos que sopram desordenando as folhas caídas no chão, há uma ordem nova que se forma no sentir alheio ao querer… longas são as noites e a vontade de te dormir… há um banco sentado junto ao rio, homens passeando a pé pelas margens, barcos que cruzam, palavras que rimam, e gaivotas que pairam, ali diante do olhar…

Nos pés a vontade de partir
Nas mãos o desenho do sorriso
Nos lábios a dadiva das palavras
Na alma a vontade de sentir…

Escorrem verbos adjectivados
Pelos longos cabelos de prata
Nada perdoa, nem o tempo, nem a chibata …
Crescem os dias, minga o tempo, o amor
As mãos calejadas, cansadas e caídas
Não escrevem, não falam…

Existem bancos sentados, pintando poesia no rio, declamando poemas em silêncio, o tempo desses que reclamam, passou… apenas recordo Maria, a tua mão sobre a minha, olhando a outra margem, um lugar a que nunca cheguei… mesmo que nunca tivesses partido, nunca eu definitivamente me entreguei, foi tu… sempre o mundo me conteve bem mais do que me dei…

Alberto Cuddel
31/05/2018
01:00

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