Poema do dia 01/09/2018

Poema do dia 01/09/2018

No reflexo deste novo silêncio, sorrio
Como quem olha de fora um amanhã
Por entre canaviais que se agitam
Ondas da manhã que se agigantam
Em tons laranja e rubros da aurora!

Encontrei-me onde nunca estive
Sem estar onde nunca me procurei!

E vi barcos que zarpavam
E homens que nunca chegaram
Sorrisos estampados em rostos solitários
E mãos estendias num abraço…

Encontrei segredos em velhos medos
E fotos antigas em baús de prata
Recordações tão presentes
Como se o tempo tivesse parado
Ali, ali mesmo diante dos olhos
Nessa busca inquieta pelo certo…

Bailam borboletas em estômagos vazios
Tão cheios de inquietações e medos
O amanhã vem depois, depois de tudo
Das decisões, dos passos em sentido oposto!

Há mãos que se inquietam,
Mãos que se acomodam
Que se unem nos dedos
Que se entrelaçam sem medos!

Nesse reflexo do tempo novo
Onde não me encontro
Onde ainda não me procurei
Espero em silêncio, um sorriso
Esse que te vive estampado nos olhos!

Alberto Cuddel
01/09/2018
Lisboa, Portugal

Vida por viver

Vida por viver…

Tão longe e distante o fim dos dias
E a minha pressa de vida…

Expressão intelectual da emoção,
Indistinta da vida, dessa que corre lá fora
Na juventude correria das horas
E a vontade de ser e fazer, tudo e coisa nenhuma
Nas ideias abertas que me aprisionam,
As ciências distorcidas e filosofias vãs
E eu? Quem sou, sem te perseguir
Formo-me na consciência cabal
De que irei ser, o tudo que de mim farei
Na consciência de que tudo me condiciona…

Vida,
É com esse sonho que fazemos arte.
Outras vezes com a emoção
A Paixão é a tal forma forte que,
Embora reduzida a acção, a acção,
A que seduz, já não a satisfaz!

E a vida, essa coisa esquisita
Que passa diante de mim
Dia a pós dia…
Terei pressa,
Calma, tempo…
Mas ainda a irei sonhar,
Viver, sentir
Apaixonar,
Amar…
Sem pressa…
Bem devagar…

Alberto Cuddel
13/04/2017
11:21

Foto By Vasco Rafael

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Poema do dia 04/02/2018

Poema do dia 04/02/2018

Amanhã fui feliz
Deixa-me ser feliz amanhã
Nada nem ninguém nem roubará
De parte alguma a realização de ser
Deixa que aconteça
             – Não o impeças ou condiciones…

Deixa o coração escrever-se e inscrever-se
Dormindo na realidade de sonhar acordado
Saltitando entre os campos de papoilas
Nos rubros lábios que me incitam
            – Não me roubes os sonhos e esperança…

Não se enumere o tempo da água que passa
Nem as voltas da mó, ou as espigas do campo
Que não se contem os dias de amor, ou as noites
Nem os sonhos e os beijos,
Os dedos da mão que se entrelaçam…

                 – Sabes? Amanhã contigo, fui feliz…
Pois o futuro é agora aqui, enquanto sonho…

Alberto Cuddel
04/02/2018
00:30

O futuro de mim, adivinho

O futuro de mim, adivinho

Por inquirição dos céus
Nuvens viajantes dos ventos
Desminto pedados meus
Aos velhos e seus assentos…

Desminto um amanhã imposto
Por um hoje de ti desejo
Sobre inútil e alto posto
Involucro que de mim vejo…

(… ó sorte madrasta a minha)
Procuram, o que vos assim negais
Por má sorte e outros ais
Irão perfumar longe a vista
Por muito que nas letras invista…

(…deito-me e adivinho)
Acordarei num qualquer amanhã
Não hoje, não noite, mas de manhã…
O futuro esse…
Estará lá…

Alberto Cuddel

O futuro de ontem

O futuro de ontem

Falais de sonhos?
Mortos sonhos de ontem
Escorrendo pelos dedos dos pés
Feridos na estrada de pedras
Na pele rasgada pelos espinhos
Hipérboles das estrofes mal dormidas…

O futuro de ontem?
Morreu…
Enquanto te dormiam as mãos
Assim como todos os possíveis
Indecorosos desejos…

Alberto Cuddel
26/08/2017
07:50

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