Por onde me levam os meus olhos?

Por onde me levam os meus olhos?

Por onde me levam os meus olhos
quando umedecidos, espalham o brilho
iluminando caminhos, veredas, passadiços
e nas águas cristalinas de um ribeiro
se perdem na corrente, e se deixam levar…

Por onde me levam os meus olhos
Nesse infinito feminino que me queima
Nessa alma natural despida de verde
Nos sonhos levados pelo vento leste
Nuvens que algodão da infância jurada
Olhando o amanhã na perfeita solidão…

Levam-me os meus olhos, que poisam nos teus
E nos seios que te ofereço desaguam em ternura
Levam-me os meus olhos, para o tronco do teu peito
Onde lábios se deleitam, contemplados pelos teus
Por onde me levam os meus olhos, queres saber?
Por riachos de ternura cada vez que me sorris
E num rapto indelével me transportam afluente
Num fluir refrescante que me acalma este fogo….

Lavam-me os olhos nesse choro de vida
Ergam aos céus os troncos hirtos de braços abertos
Abram o peito nesse fluir de vida que te corre nos seios
Abram as pernas e abracem as margens
Corre suave a seiva que esse fogo controla…
Para onde me levam os meus olhos,
A ti que olhas o mundo…

Poema a duas mãos:
Alberto Cuddel e Ruth Collaço
um desafio directo a João Gomez photography

Escolha da imagem pelo João Alves após leitura do poema
(agora por onde te lavamos os teus olhos?)
08/02/2021 23:16
In: Entre o escárnio e o bem dizer,
Venha deus e escolha XXIV

Afloramento do sentir, mãos que suportam…

Afloramento do sentir, mãos que suportam…

Cravam-se no peito sombras apunhaladas, sangue que jorra
Dor arrastada pelo corvo da alma, um voo rasante em estrada aberta
Revolvo em voltas infinitas, roucos lençóis clamando o espírito
Sono moribundo do abandono solidão profusa,
Corpo inerte no brado do teu nome, arde em desejo, crente e suicida,
Sofre, cão abandonado sem dono, por não querer suportar o conforto,
Privação de uma trela, uma jaula de porta aberta à vida…
Há uma solidão em cada garrafa vazia, entre um sono e o sonho de não acordar…

Peito sombra de um eco profundo de um não bater
Porque o que trago no peito partiu e deixou apenas o espaço ao sofrimento
E à dor constante que leva esta mente alucinada verter lágrimas em forma de insónia
Pelos lençóis de camas impuras ou cadernos com histórias loucas…
Eu já tive o teu nome à porta de entrada daquele corpo para a alma!
Eu já te tive no final de cada grito de prazer onde o orgasmo era alvorada!
Eu já te tive em cada horizonte por estrada ou céu, mas hoje fecho-me…
E em cada garrafa procuro mais argumentos e explicações para ainda acordar…

Rasgo os dias e as noites nas ruas bafejadas pela memória
Em todo lado a sangue grito pelo teu nome, loucura dos passos sem destino
Na porta fechada ao mundo crente, não há fé que habite esta alma
Apenas licor, apenas leigo, apenas ateu dessa vil estrada
A felicidade é a letargia do tempo a que chamam céu
Procuram os olhos o sal… esse que me alimenta num último trago…

A memória passou a ser um saco velho e sem fundo de pensamentos antigos
Com tinta de caneta transformada em mar de lágrimas de um tinteiro inesgotável
Entornado todos os dias e todas as noites em que estás sem corpo
E me habitas o alma num voar descontrolado a caminho de lugar nenhum…
Eu sei que um dia te tive e fui o teu amor e que isso não foi um sonho!
Hoje no pesadelo da tua ausência, coleciono garrafas e acordares de solidão…

Dueto Sírio de Andrade e João Dordio

Duas faces / Dois Poetas

DUAS FACES ….

Que considerações há neste mundo
Quando é falso e imundo
Tenho até dó
De as pessoas lamberem o pó
É uma prática (de alguns) humana
Desacreditada e insana
Perder o valor da sua condição de ser
Para “mundos” de outros fazer acontecer
Como é triste ver um riso forçado
Quando no seu coração está revoltado
Mas, há um entender
A “fotografia” desfocada, dá bem para se ver
– Que fato tão bonito
Na sua beleza eu “acredito”

(Vou buscar o x-ato
Para lhe cortar o fato
Que é mais feio que o de um macaco)

– Essa roupa fica-lhe “tão bem”
Que eu a vestia também

(Será que vestia???
Ou para o caixote do lixo atiraria…)

Há quem do lobo vista a pele
E de si próprio não saiba o seu papel
São cordeirinhos mansos
E no proceder são uns grandes tansos
Não sabem existir
Deixam os outros por si decidir…

Manuel Rodrigues

A arte do faz de conta
Assim ninguém se importa
Se é moda ou mal vestir
Enganar o seu sentir
Tantos parecem ser
Perfeitos a valer
Mas nada são de verdade
Enganam por vaidade
O irmão, o vizinho, e amigo
Falando mal não estando contigo…

Alberto Cuddel

É um mundo com falta de essência
Em que se perdem os valores
Vive-se da aparência
Para bem ficar pintam-se de todas as cores
É uma falsa sociedade
Em que falta a clareza e a verdade

Manuel Rodrigues

Onde residem d’outrora os valores
Com que nos fomos educados
Todos eram tratados por senhores
Sem desrespeito ou maltratados
Hoje nada importa, tudo é agora
Não abrem as portas as senhoras
Os idosos vão a pé, vivem sozinhos até
Insulta-se os professores, até os doutores
Sem autoridade da polícia, nada alicia
Para que volte a educação, que se perdeu ontem então!

Alberto Cuddel

Hoje tudo nos parece mentira
A vontade de acreditar nos tira
Mas não há que definhar
Por bem que seja o nosso custar
Com cuidado devemos acreditar
Os valores com que nos educaram
Os políticos nos tiraram
Perdeu-se a educação e o respeito
Lida-se com o próximo de qualquer jeito
O mundo parece todo ao contrário
Mas ainda há homens bons, Nem tudo é “salafrário”

Manuel Rodrigues

A boa vontade persiste
No sonho e coração
Do poeta que se atreve
A viver com paixão
A arte de alertar
Pelos versos que debita
Que certo é amar
O próximo que os habita!

Alberto Cuddel

A palavra
É como o agricultor
Que para semear
E bom fruto dar
A terra lavra
Mesmo que seja com suor
O poeta
Mesmo que nem sempre tenha a palavra certa
De embelezar o mundo pela palavra é a sua meta

Manuel Rodrigues

Poema improvável

Poema improvável

Perdi-me nos caminhos
Que me levam a ti
Encontrei nos teus braços
O tempo que perdi…

Sejamos poema,
Teorema ou sonho
Sejamos abraço
Beijo, desejo, verso…
Sejamos lua, estrelas universo
Sejamos apenas parte do todo…

Simplesmente sejamos…
O que nos permitirem sermos…

No tempo que nos concedem

Com o desejo que nos veste

As almas despidas ao olhar do coração
Sejamos, tudo, amor, volúpia, paixão

Sejamos também a dor,
da distância e inconstância
que nos fere e mata aos poucos
na ausência do amor

Que nos consome no sofrimento
Que nos moí e arrasa por dentro

Sejamos tu, eu, nós…
e assim nunca estaremos sós…

Sejamos nós…
Sejamos somente tu que habitas em mim….

Poema a duas mãos

Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: