Divagações ordinárias

Divagações ordinárias

permitir que os relevos tenham relevo,
que as cores tenham luz e as noites alvura
existindo, aparentemente, só para que essas possam existir
de resto, não somos nós feitos de pó como as estrelas
como a frase, de palavras comuns e ordinárias sujas em boca de gente?
de onde te nascem os ordinários pensamentos
as frases feitas e a revolta da alma, a perda é ganho
desconhecendo a verdade oculta pela tua falsa moralidade?

por que não será tudo uma verdade inteiramente diferente
gravada na mente de quem mente sabendo a verdade que inventa
não serão as luzes de todas as cidades do mundo e do outro mundo,
e as nuvens das verdades desfeitas que pairam acima dessa ilusão
na mente do homem que olha o chão, apenas a revolta
por sentir perdido, o que já não encontra onde o deixou…

Alberto Cuddel
28/02/2020
19:22
In: Nova poesia de um poeta velho

Poema do dia 24/05/2018

Poema do dia 24/05/2018

Escondido em mim, perco-me na perspicácia da análise, conceitos individualistas do querer, nobres feitos heróicos agora realize, escrita perdida que tento esquecer!

Reclusão involuntária do pensamento,
Revolta solitária individualista perder,
Mutilação no olhar perdido o momento,
Enclausurado em mim para não ver!

Explosão idiota, eruditas soltas rimas, perdido na percepção caídas lágrimas, sonhos impostos individual vivência, ser pensante com imposta abstinência!

Vegetativo homem seguindo calado,
Ordens e desejos que vais emanando,
Silencio gritado que impondo o ditas,
Palavras, revoltas a não serem escritas!

Represento quieto o sonho abjecto, ser que procuras como um objecto, marioneta das tuas loucas vontades, perdido em mim nas loucas saudades!

Navego no mundo do virtual desejo,
Por minha vontade escrever o beijo,
Querer correr na cadeira sentado,
Querer sentar correndo a teu lado!

Assim conformado, desistindo de ser, vontade reprimida, restando escrever!

Alberto Cuddel
24/05/2018
06:09

Na porta do tempo

Na porta do tempo

Já esperei sentado na soleira da porta,
o tempo mediano da tua chegada
Na busca dos minutos cantados 
batidos pelo relógio da torre
    As calças curtas e chinelos gastos procuram a tua voz
    Eco, desejo juvenil que ecoa no vale, chamas-me

O tempo lavou a memória que o tempo esqueceu
Mas espero na tua porta o que o tempo levou!

(…)
Nada encontro nos silêncios escondidos das horas
Nada procuro no barulho ensurdecedor dos dias
Apenas continuo à espera, sentado à porta do tempo!

Alberto Cuddel

Poema XXXII

Poema XXXII

Autobiografia e psicanálise de ninguém

Virgens de Jerusalém erguei-vos
O noivo chega… Canta Salomão…
Forjei-me a ferro e fogo em cavalos de pau
Ventos de mares alados esquecido no oriente
Amores de Diniz, de Pedro, de Inês, poemas…
Viajem a Paris, incestos, em tempo de Maias
Sintra, tragédias pelo teatro de São Carlos,
Leonor pela verdura, esta estrada não é segura,
Chuva que cai, leve, levemente
Poemas que chamam por mim…
Eis que “o filho do homem” é Régio…
Oh Portalegre… Onde leccionas?

Por entre nadas que tudos são, e os sonhos do mundo
Cantos negros, filhos da mãe poesia, metafisica do querer
Pedras que filosofam e poetas que são maiores que o mundo,
Orgasmos sofridos de mulher açaimada pelos homens…

Rimas decimétricas e estrofes marcadas,
Língua que desenha e tinta folhas vazias
Saudades universitárias de amores à janela
Grândolas que se alevantam, povo que ordena
Ainda assim os meninos em volta da fogueira
Cantam rimas de pobreza e outra de canela…

Sou fruto da miscelânea de tudo
Herança, torpe do nada,
Dos vivos, dos mortos, dos penantes
Dos errantes, dos que escrevem
E de todos os que calam…

Sou porque todos me fizeram
E sem eles eu? Eu seria NADA…

Alberto Cuddel
09/10/2017
15:10

Poema do dia 21/11/2017

Poema do dia 21/11/2017

Rasguei as palavras ocas
As vãs e as outras infelizes
Deixei apenas as palavras
Que edificam e congregam
As que dizem, as verdadeiras…

Deixei que caíssem em desuso
Os versos inglórios fingidos
Edifiquei palavras novas na alma
Gravei a fogo, a ferro, palavras
As que nunca disse, as que nunca usei
As novas, que nunca a ninguém confessei…

Permiti que nascesse novo poema em mim
Para que me lesses nos silêncios deixados
Entre um verso e uma erudita estrofe…

Inventei palavra novas,
Para que me conhecesses novamente…

Alberto Cuddel
21/11/2017
19:27

Poema do dia 18/11/2017

Poema do dia 18/11/2017

Deixei que os poemas morressem em mim como a noite
Sendo a noite nascida da morte dos dias, ainda assim…
Nada me suporta por entre linguagens avessas do verso
Sendo que o verso nada diz da poesia ou da alma, ou se quer do poeta…

Nem envolvido neste falso silêncio
Caído, esmagado pela escuridão
Os sonhos que de mim em ti presencio
São no amor consciência e servidão!

Mesmo que desagúe nos teus olhos
Das tristes estrelas luzeiro e farol
Lençóis, mãos inquietas entre folhos
Adornado soldado de ti, encimado virol!

Subo nas horas descendo no horizonte
Por entre pedras e almofadas choradas
Tristemente marcadas as noites na fronte
Acordar solitário, manhãs bem marcadas!

“Na marginalidade da noite,”
Encontro-me inquieto, imperfeito
Movimento em si quieto
Luar oculto por um olhar afoito!

“Despedi-me do luar,”
Na transparência da alma
Sob as águas da vida,
Em ti encontrei a calma!

“Vesti-me de estrelas,”
Por mim, por ti, nunca por elas,
Pela luz que me dás, amor,
Visto-me na manhã até ao sol por!

“E no embalo do sonho,”
Nasço por ti todas as noites
Faço-me crente e servo
Do corpo celeste com que me embalas!

No dever da vida que me desperta
Despedida chorada quase certa
“Parti rumo a novo amanhecer!…”
Na total da transparência da alma!

Alberto Cuddel
18/11/2017
20:10

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