Às vezes em dias perfeitos

Às vezes em dias perfeitos

Às vezes em dias perfeitos, apenas a tua ausência
Tolhe-me o fogo que me arde nas veias,
Pergunto-me se sente o mesmo?
Ou sequer pensas na mera existência do sentir
Que em mim dói na dormência atroz de me faltares?
Sinto-me, disformemente amputado de ti,
Faltas-me, para que eu em mim exista na plenitude!
Faltas-me,
como as flores num jardim
como a lua na noite
como um veleiro sem vento
faltas-me inclusive nos sonhos
que teimosamente mantenho
mesmo que acordado
consciente da falta
do teu perfume no meu corpo!
Chegas-me, completas-me, compões-me
Fazes-me… assim és, dor da ausência
Por eu próprio não me ter,
Pergunto-me se tu também não te tens?
Ou que quer sou em ti ausência,
Ou apenas apêndice, como um qualquer adorno
Que apenas te faz mais, mais tu?
Às vezes em dias perfeitos, perco-me
Como se perdesse, como se te perdesse
Por apenas amar com o emaranhado de pensamentos…

Alberto Cuddel®

In: Tudo o que ainda não escrevi

Em quase dias perfeitos…

Em quase dias perfeitos…

Em quase dias perfeitos, mesmo que chova, mesmo que os céus carregados não deixem ver o sol, mesmo que os ventos varram as ruas, que a folhas voem e os pássaros se encolham e abriguem, mesmo que apenas o som da chuva da vidraça quebre o silêncio da respiração, em quase dias perfeitos amamo-nos, como se hoje fosse sempre e o amanhã não possuísse significado.
Em quase dias perfeitos entregamo-nos, doamos a alma um ao outro, existimos sem tempo, sem distância, ali ao alcance da mão, ao alcance do peito, nessa esperança que o tempo se anule, e o impossível de agora seja apenas agora, na possibilidade de o sonho ser a realidade do depois.
Que venha as horas e os corpos, que venham os desejos, os beijos, as vontades, as paixões, que venham as loucuras de ver a água escorrer, de ver chover em nós, na volúpia desse querer que nos arrebata, que venham os abraços e olhares, as loucuras milenares, que venham as noites, as estrelas, o ver nascer do dia, que se incendeiem lareiras no peito, tochas nos olhos, que ardam as mãos no querer.
Em quase dias perfeitos, vivemos,
Em quase dias perfeitos, amamos,
E nos outros também…

Alberto Cuddel
11/11/2018
Marvila, Portugal

Longos dias

Longos dias

Longos dias tem a saudade do que foste,
dos sonhos que sonhaste,
de tudo o que quiseste,
agora és mera sombra em dia de nevoeiro…
difusa imagem de tudo o que pododerias ter sido…
medo talvez?
agarrado ao comodismo das horas
acordaste, sem viver…

Nos longos dias de horas inquietas
com noites de solidão cobrindo-te as costas
ensaiaste sonhos em memórias nunca vividas
castelos erguidos em desertos áridos
ladeados por oliveiras sem água
num paz aparente de guerra
batalha perdida pelo receio…

As notícias reais que te trazem os ventos
morrem na realidade de nada teres feito
por uma estupida esperança perdida
nos anos que passaram pela vida…
agora? Incomodam-te as horas
os dias longos da saudade
de tudo o que podias ter sido
mas nunca em ti tiveste a coragem
de mudar e ser, nova na mesma vida…

Alberto Cuddel
25/03/2018
05:55

Poema do dia 08/01/2018

Poema do dia 08/01/2018

Por entre rosas vermelhas que se apagam no tempo
Amarelecidas pelos dias, pela inercia das horas
Os espinhos hirtos, secam e ferem, sempre…

Renovem-se as rosas, as flores, o amor
Renovem-se os desejos, as vontades e a dádiva
Renovem-se as preces, a fé e a alegria
Renovem-se a esperança, a solidariedade e a saudade
Renovem-se votos, almas e povos…
Alimentem-se jardins, campos e canteiros…

Tudo necessita de alimento, de fogo, de paixão
As brasas apagam-se longe do calor
Os corações arrefecem longe do Amor
As rosas murcham… secam…
Mas novas podem ser oferecidas…

Alberto Cuddel
08/01/2018
22:00

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