Morte do dia,

Morte do dia,

Assim vão desfilando os minutos,
Num velório anunciado, morreu,
Mais um dia nasceu, cresceu,
E se finou, assim sem anuncio,
Sem honra de abertura de jornal,
São assaltos, assassinatos, roubos,
Impostos, corrupção, mas e o dia afinal?
Nada, nem um rodapé, assim esquecido,
Mas que dia incompreendido este,
Que morte tão desolada,
Morreu, não é lembrada,
Apenas a noite, essa sim acarinhada,
Apenas a criançada um pouco contrariada,
Por chegar a hora da cama, não acha piada!

Mas também a noite nascida,
Com tudo onde está prometida,
Irá crescer, cobrir com seu manto,
O amante mais incauto,
Cumprir promessas feitas,
Trazer lágrimas às desfeitas,
E aos primeiros raios,
Também ela morrerá,
Não já, não hoje, mas amanhã!

Alberto Cuddel
16/05/2016

A vida da história da noite simples

A vida da história da noite simples

na véspera da partida desse sol que era
– à um gemido surdo que anuncia o crepúsculo
esse abraço de fim de dia ainda a dar…

há uma história a contar da história da vida
– um surto aconchegante do amor que se renova
uma noite simples, que simples é a vida
como os barcos que aportam no porto
– e todos os que partem para a faina…

houve uma vida, dentro da vida da gente
uma vida nova a cada alvorada
uma outra que desponta a cada madrugada…
correm sonâmbulos pelas vielas os corpos cansados
os sem tecto e os sem esperança, os sem vida
os que chegam e os que partem…

há a cada esquina uma história
uma noite simples…
uma vida cansada… uma vida lembrada…

Alberto Cuddel
19/06/2020
20:34
In: Nova poesia de um poeta velho

Sacro dia natividade solar

Sacro dia natividade solar

anunciou-se em mim, um rubor no rosto
inocentes raios oblíquos, luz primeira
nasce o dia, renasce a vida por entre o orvalho
esticam-se asas, deixa o amor os leitos…

fremem as folhas sob o sol incandescente
evaporam-se gotículas de suor
desenrolam-se os braços, soltos abraços
molham-se os lábios molhados, em lábios quentes…

tanto de mim se foi naquela hora
sinto a minha vida no vento que corta
essa brisa que nos agita por dentro
que nos faz sentir a pele, alma que é centro…

há em nós uma permanente certeza
mesmo oculto de nós, o sol
sempre nos irá incendiar o peito…

Alberto Cuddel
13/06/2020
07:07
In: Nova poesia de um poeta velho

Sempre ou nunca

Sempre ou nunca

as noites morrem todos os dias
os dias nascem de todas as noites…
(…)
inevitavelmente persigo o tempo
todo aquele que perco
no qual me encontro nos teus lábios
nos sonhos recompenso-me
notícias que me nascem na consciência
alma voa pela letra da melodia
pisando flores, perfumando
a dura e bela essência da vida!
(…)
combates com obuses cor-de-rosa
que se calam ao poder económico
manténs o eu inviolável, e o nós?
caem crianças à morte sem vida
sob o peso do meu egoísmo
movimentam-se orações audíveis
braços elevados aos céus, à vista
mas cruza-os na solidão do mundo!
(…)
– talvez o amor te salve!
salvífica virtude, essa a de amar
sem homem, sem mulher, apenas amor
humanidade que te procura,
benevolência que te encontra,
(quanto nos vale o eu, o ter?)
quanto nos vale um sorriso?
os sorrisos acabam com as guerras!
(…)
sempre esqueceste o amor, o sentir
o decidir e perdoar, o buscar perdão!
nunca te importaste com o mundo?
tu bastas-te a ti próprio?
a felicidade reside em ti?
ou no mundo que te abraça?

Alberto Cuddel
18/05/2020
0:20
In: Nova poesia de um poeta velho

No abraço que nos ampara

No abraço que nos ampara

dorme sobre o meu abraço
sonhando um novo sonhar
no meu leito do cansaço,
novo dia iremos alcançar!

pudessem todas as noites ser a novidade da vida,
serem o descanso e cansaço que se nos prometia,
ser o leito o porto de chegada, o dia ponto de partida,
pudesse a alma revigorar-se, abstinência que já sentia…

ó alma doce que me ampara
nesse olhar de mel que me conforta
sejam as estrelas testemunhas
e a lua confidente,
seremos seres, seremos gente?
leito despido das noites
vazio dos dias que adormecem…
sem esse abraço que nos ampara…

Alberto Cuddel
28/02/2020
17:30
In: Nova poesia de um poeta velho

Ciclicamente

Ciclicamente

Descobri que os dias me abandonavam
Corriam as noites rio acima
Germinam folhas douradas que caem
Frutos em fores secas,
Ninhos em árvores despidas,
Perscruto o silêncio do horizonte
Húmido olhar que te banha a face
Sem um motivo, uma vontade!

Alberto Cuddel
04/06/2017
18:00

Morte do dia,

Morte do dia,

Assim vão desfilando os minutos,
Num velório anunciado, morreu,
Mais um dia nasceu, cresceu,
E finou-se, assim sem anúncio,
Sem honra de abertura de jornal,
São assaltos, assassinatos, roubos,
Impostos, corrupção, mas e o dia afinal?
Nada nem um rodapé, assim esquecido,
Mas que dia incompreendido este,
Que morte tão desolada,
Morreu, não é lembrada,
Apenas a noite, essa sim acarinhada,
Apenas a criançada um pouco contrariada,
Por chegar a hora da cama, não acha piada!

Mas também a noite nascida,
Com tudo onde esta prometida,
Irá crescer, cobrir com seu manto,
O amante mais incauto,
Cumprir promessas feitas,
Trazer lágrimas às desfeitas,
E aos primeiros raios,
Também ela morrerá,
Não já, não hoje, mas amanhã!

Alberto Cuddel

Poema do dia 20/05/2018

Poema do dia 20/05/2018

Raia o dia e o sol
Por entre o verde
Floresce a vida
Que agora acorda
De um sono de lua!

Coabitam sonhos e borboletas, nos caminhos que me levam, que me trazem, sigo caminhando na esperança do Vale, no canto das aves, carreiro de formigas amestrados e abelhas procurando a doce vida…
Oh minha arrogância, na pressa de escrever o acordar adormeço para o mundo, não olho, não vejo, não ouço, escrevo…
Que seja o sentir meu guia, que seja, amor, paz e alegria, que seja…
Estendo as mãos na dádiva, caminho lado a lado, amparando o ser humano, tantas vezes violentado na dignidade de apenas ser…
Anda que o sol nasça para todos, nunca terá o mesmo brilho nos escombros que ilumina…

Alberto Cuddel
20/05/2018
09:35

Poema do dia 14/05/2018

Poema do dia 14/05/2018

Quero o teu amor feito lábios, ainda que o sol nasça todos os dias, a cada madrugada por detrás as montanhas. Quero os teus lábios feito beijo, a cada banho, a cada café forte bebido, a cada manteiga derretida no pão quente, a cada manhã…
Quero o teu amor novo descoberto a cada acordar, a cada gesto de paixão, a cada beijo do despertar, a cada vontade de se fazer dia, de nascer e viver, de olhar o céu…
Quero um amor feito de areia molhada, caminho traçado, a cada pegada, a cada perdão do passado…
Quero o teu amor conquistado, a cada abraço, a cada vontade de ficar, a cada saudade, em cada liberdade de partir, na vontade de sorrir…
Quero o teu amor feito braços, feito pernas que se entrelaçam…
Quero apenas te amar hoje, não ontem ou amanhã, apenas hoje…

Alberto Cuddel
14/05/2018
06:50

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