Imperfeição humana!…

Imperfeição humana!…

há nessa imperfeição humana
uma raiva incontida de ser duna
manobrada pelo vento como tendência
de ser vítima chorosa do sistema
como cana agitada pela brisa…

no caminho vistoso do campo
correm as nuvens carregadas
lágrimas caídas e choradas
de uma vida dorida e sem tempo

nessa imperfeição humana que é viver
clareiras de luz que nos habitam a alma
há esse mar de incerteza que nos acomoda
mas que nos cativa perfume de rosa…
lutam os reclusos por um beijo
conquista firmada da fertilidade
um luar, uma viagem às estrelas…
ó imperfeita capacidade humana
guerreira por um orgasmo…
entre o prazer de acordar
e um orgulho ferido…
o macho imperfeito prefere matar…

advenha-nos o deserto,
a fome do incerto e a partilha…
entre a água à mingua
e um madeiro que nos entalha os dentes…
é na carência que a imperfeição humana se esbate…
ou se unem e vencem… ou morrem matando…

Alberto Cuddel
13/07/2021
10:41
Alma nova, poema esquecido – IX

Eram áridas as mentes e as mãos vazias…

Eram áridas as mentes e as mãos vazias…

Eram desérticas, vazias de sonhos
onde os pássaros incertos, nidificavam nas ondas
esvoaçando sempre na direcção oposta ao nascente…

Olhares que fugiam, desviavam-se
Palavras que cortavam o vento, os corpos sedentos
no silêncio da escuridão, eclipses solares
na grega luta, combate entre o sentir intenso,
e a mente em ebulição, insónias e sonhos

O desejo do amor que gritava: entrega-te!
Mas era corrompido pelas mãos vazias e dedos calejados
pela concreta razão que os empurravam para a solidão
rasguem-se os dias e as noites…

Esbarraram-se na madrugada fria,
Noites veraneias, na totalidade dos devaneios e sentidos,
Germinam os gemidos e sussurros
Quentes são as areias desérticas do mar aberto…
sussurros fundiram mente e coração.
E nos abraços abocanham os sonhos e os ninhos…

Eram áridas as mentes e as mãos vazias…
nelas o corpo ganhou matéria com o pó dos sonhos…
E delas fizeram-se as estrelas e os orgasmos…
do amor se formaram as asas…
e voaram a par…

Alberto Cuddel
07/08/2020
04:40

Poética da demência assíncrona…

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